4 de junho de 2026

Pico dos investimentos em infraestrutura se concentrará entre 2015 e 2017

Do Valor

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Por Edna Simão
 
O próximo governo deve ser o maior beneficiado com os investimentos decorrentes do programa de concessões no país. Levantamento da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, obtido com exclusividade pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, mostra que o pico dos investimentos em infraestrutura se concentra entre 2015 e 2017, somando R$ 299,2 bilhões. O grosso, conforme os cálculos da secretaria, desses recursos já está contratado e se refere a obras licitadas e algumas poucas que ainda serão. Esse é o caso de rodovias, mas que na avaliação do governo, sairão do papel.
 
Em 2011, quando a presidente Dilma Rousseff assumiu o governo, os investimentos oriundos de concessões somavam R$ 54,1 bilhões. Com a decisão de repassar para as mãos da iniciativa privada mais empreendimentos para contornar a falta de recursos públicos, esses desembolsos saltaram para R$ 74 bilhões em 2013. Para este ano, as concessões devem injetar na economia R$ 86,6 bilhões, subindo para R$ 93,3 bilhões em 2015; R$ 102 bilhões em 2016 e R$ 103,9 bilhões em 2017.

 
 
“O levantamento é conservador e mostra que todo esforço que foi feito até agora está resultando em aumento substancial dos investimentos de infraestrutura”, disse o secretário de Acompanhamento Econômico (Seae), Pablo Fonseca. “É uma estimativa de quanto vai ser efetivamente investido em projetos que já estão contratados e alguns que ainda vão ser”, acrescentou. No caso das rodovias, foram incluídos os investimentos como os da BR-060 e BR-163.

Ele considera a projeção subestimada porque não contempla, apesar de ter participação de recursos federais, investimentos feitos por Estados e municípios com mobilidade urbana e água e saneamento básico, assim como em petróleo e gás. Fonseca explicou que o levantamento inclui todas as concessões em infraestrutura, concentradas em três áreas: logística (rodovias, aeroportos, portos e ferrovias), energia (transmissão e geração) e telecomunicações.

“De 2014 a 2017, esperamos desembolso de quase R$ 400 bilhões de investimento, sendo R$ 114 bilhões em logística, R$ 151 bilhões em energia e R$ 119,5 bilhões em telecomunicações. Em telecomunicações, não incluímos os investimentos associados à licitação do 4G, que está para acontecer porque esse é um levantamento conservador”, diz Fonseca.

Conforme o levantamento, os investimentos crescem, principalmente, nas obras de logística, ou seja, rodovias, aeroportos, portos e ferrovias. A destinação de recursos privados para essa área era de R$ 7,8 bilhões em 2011, mas saltou para R$ 15,6 bilhões em 2013 e deve praticamente dobrar em 2017, ao totalizar R$ 32,8 bilhões. Foi justamente neste setor que houve críticas de analistas privados sobre a falta de negociação do governo com o investidores sobre as regras do jogo, o que teria causado atrasos na realização dos leilões.

“Essa discussão está superada [críticas à falta de negociação sobre as regras]. E a tendência agora é só crescer [o investimento]. Essa discussão foi em logística que é onde que mais cresce [o investimento]”, destacou Fonseca. Ele ressaltou que a imagem do país não foi arranhada pelo episódio e que os investidores estrangeiros têm demonstrado muito interesse pelo Brasil. “Em dezembro estive na Ásia e agora no Oriente Médio e a avaliação é de que há muito interesse no Brasil. A imagem é muito menos negativa do que possa se pensar”, disse.

A melhoria da infraestrutura tem sido um dos principais desafios do governo e é fundamental para retomar o crescimento econômico sustentável do país. Por enquanto, não há dados oficiais sobre o impacto desses investimentos de concessões na expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Mas um relatório do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, divulgado aos clientes em meados de maio, estima que, em 2018, esses investimentos contribuiriam para um aumento de 2,3 pontos percentuais da taxa de formação bruta de capital fixo (FBCF) do país.

No fim de 2013, a taxa de investimento representava 18,4% do PIB. No primeiro trimestre deste ano, esse porcentual desacelerou para 17,7%. Para este ano, a secretaria projeta que investimentos em concessões de R$ 86,6 bilhões. “O efeito direto [na economia] você já vê. De fato, o efeito indireto, que é a estrada duplicada e bem sinalizada, redução de tempo que gasta no aeroporto, ferrovia com capacidade mais adequada, desenrola ao longo de mais tempo e ele é bem mais difícil de medir”, disse o secretário.

Fonseca reforçou que, conforme levantamento da Seae, os investimentos em logística terão um crescimento de 192% entre 2011 e 2014, passando de R$ 7,8 bilhões para R$ 22,8 bilhões neste ano, chegando em R$ 32,8 bilhões em 2017. “Dá totalidade dos investimentos, a expectativa é de crescimento de 60% entre 2011 e 2014 e boa parte disso vem justamente em logística, em que concentramos nossos esforços”, conclui.

 

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6 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    25 de junho de 2014 1:06 pm

    Um artigo que dismistificada

    Um artigo que dismistificada a ladainha da falta de investimento em infraestrutura.

  2. carlos batista

    25 de junho de 2014 2:54 pm

    Tardio…. Muito

    Tardio…. Muito Tardio.

    Vários partidos e economistas falam a muitos anos atras que a solução são as concessões e o PT por ideologia só agora tenta deslanchar a infraestrutura. Muito tempo perdido…..

    1. JCTG

      25 de junho de 2014 3:29 pm

      Realmente, muito tardio.

      Realmente, muito tardio. Devia ter sido feito no tempo do FHC.

      1. carlos batista

        25 de junho de 2014 4:32 pm

        Começou com FHC.  FHC

        Começou com FHC.  FHC privatizou várias empresas que serviam de cabides de empregos de politicos e só davam prejuizos. Hoje temos empresas modernas e que são rentáveis e pagam impostos extorcivos. FHC acabou com os bancos estaduais (forçou a privatização) e melhorou as contas dos estados que se financivam em seus bancos e provocavam rombos enormes, FHC renegociou a divida externa e saneou as contas públicas brasileiras, FHC fez a reforma previdenciaria que melhorou um pouco as contas da previdencia, FHC criou a lei de responsabilidade fiscal que começou a colocar ordem nas contas de prefeituras e estados.

         

        Agora me fala aí…… O PT foi contra todos os fatos citados acima, mas o que o PT fez no poder?????? Não reverteu nenhuma destas açoes….. Nem o fator previdenciário o PT quis alterar.

        1. Ivan de Union

          25 de junho de 2014 4:59 pm

          “Começou com FHC.  FHC

          “Começou com FHC.  FHC privatizou várias empresas que serviam de cabides de empregos de politicos e só davam prejuizos”:

          NADA comecou com FHC, muito pelo contrario.  A falacia que se segue eh tipica da tecnica neoliberal, alias.  Varias empresas foram SUCATEADAS pelo governo para que fossem parar em maos privadas a preco de banana.  Ta pensando que foi so no Brasil que aconteceu isso?

          Pois eles fizeram isso no mundo inteiro.

        2. Sergio SS

          25 de junho de 2014 10:47 pm

          FHC destrui as estatais antes

          FHC destrui as estatais antes de vendê-las a preço de sucata, sem não antes permitir a roubalheira no Banestado e no Banespa.

          As empresas hoje privatizadas são bandidas contra o consumidor e contra o país, criaram-se monopólios monstros cartelizados e sem concorrência nas telecomunicações que até hoje estorquem os consumidores com as tarifas mais altas do Planeta. Elétricas idem. O resto desta história vc pode ler no best seller “Privataria Tucana”, inclusive sobre a insólita história sobre a casa onde hoje mora o ex- Ministro de Planejamento do príncipe.

          Renegociou a dívida externa em condições de refém do FMI, onde foi de 4 atrás de grana por TRÊS vezes. Saneou bosta nenhuma, pois a dívida interna explodiu, e os juros foram a quatro dezenas percentuais. Teve um italiano que teve que fugir do Brasil por conta da falcatrua no BC de Chico Lopes. Foi só um bilhão o preju. Mega responsabilidade fiscal, né?

          O PT foi contra os métodos e não com os fins. Sempre apresentou propostas alternativas, mas a imprensa não queria o debate, afinal estavam deslumbrados com a cartilha neoliberal.

          Não se trata de reverter as cagadas, mas de tentar consertá-las, como fez com o Pronatec, com o ProUni, com o setor elétrico e ainda falta muita coisa. Nunca precisou vender patrimônio público, mas estabelecer parceiras para as concessões, onde o foco é sempre a tarifa mais baixa ao consumidor e não o retorno à empresa. Hoje a situação da previdência é muito melhor com os controles de gestão, incluindo um PF que funciona.

          Vc devia se envergonhar do período FHC. Basta sair nas ruas e ver a unanimidade que é a negação ao seu governo.

          É duro ser viúva, né?

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