Por Motta Araújo
Os Palacetes Paulistanos – No periodo de 1900 a 1930 um fluxo de riqueza fluiu para São Paulo resultado do café, açucar e indústria textil e metalurgica. A cidade teve então um ciclo de construção de palacetes na região da Av.Paulista, Av.Angelica e Campos Eliseos, muitas por arquitetos italianos, franceses ou belgas, estilos tipicos europeus, padrões que fugiam das residencias de estilo português que prevaleciam nos demais Estados, especialmente de SP para cima.
Os palacetes marcaram essa época, hoje praticamente não existem mais, os terrenos grandes se transformaram em predios de apartamentos, o proprio perfil social de São Paulo mudou completamente, aquelas familias dos palacetes tinham agregados, muitos empregados, tias solteironas, avós viuvas, todos morando na mesma casa.
São Paulo tem grande dificuldade em preservar sua memoria, ao contrario do Rio. Casas vendidas nos Jardins, de cada 10 nove são demolidas, algumas casas com 30 anos e em perfeito estado são postas abaixo, não há qualquer interesse em manter vivas casas de época e com historia, é coisa bem paulista, em Buenos Aires, Paris, Londres e nos EUA casas de 1920 valem mais que casas modernas, são objeto de retrofit, modernização do interior sem mudar o estilo externo, as pesoas civilizadas veem valor na fachada de época, em SP as novas casas parecem fabricas, bingos ou churrascarias, um atentado ao bom gosto, são horrendas de feias, na minha rua de 9 casas, 4 foram vendidas e imediatamente demolidas, no lugar se constuiram bunkers pavorosos com paredes sem janelas e garagens subterraneas, estilo zero, aparecia de hangar de aeroporto do interior, a cidade ficando cada vez mais feia onde deveria ser seu cartão postal.
Felizmente boas fotografias dos palacetes se conservam e tem aparecido otimos sites com essa memoria da cidade.
Paulo F.
22 de junho de 2014 8:23 pmPreservar a memoria. E o trabalho de grandes arquitetos.
Sabe como são as coisas, Andy. Não só os palacetes. Como no recente caso da casa que Ruy Ohtake desenhou para Paulo Bittencourt!!
http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2013/08/1324210-proprietario-e-contra-tombamento-e-quer-vender-casa-de-ruy-ohtake.shtml
O dono, um advogado paulistano, comprou pensando em demolir, para construir “seu sonho” que é uma “casa neoclássica” (sic).
Pois é um Ruy Ohtake não lhe serve!
Carlos FM
22 de junho de 2014 9:19 pmQuestão de gosto!
Prezado Motta Araújo, costumo discordar de 80% de suas observações, mas nisso creio que concordaremos: em São Paulo (assim como no Brasil), falta uma verdadeira elite social e cultural que dê o tom. Sem isso, a cultura de modo geral fica entregue ao mau gosto.
droubi
22 de junho de 2014 11:06 pmO Brasil eh assim de cima
O Brasil eh assim de cima abaixo, nao sei de onde vc tirou q o RJ preserva sua memoria mais do que SP. A verdade eh que nem um nem outro preservam nada. No RJ havia o Palacio Monroe e derrubaram, e vc vem falar dos palacetes dos coroneis de SP.
Pra nao falar na ma conservacao do que nao derrubam, ou das intervencoes abobalhadas como esta reforma recente do Maracana ou a construcao do “toboga” no Pacaembu.
E o que estao fazendo agora em Pernambuco?
E eu te digo mais: anote ai no seu caderno que vao demolir o estadio do Morumbi agora depois da Copa pra construir outro estadio mais moderno e vender o terreno pros especuladores, assim como o Gremio fez em POA recentemente.
Motta Araujo
23 de junho de 2014 2:08 amO Centro do Rio, o Catete,
O Centro do Rio, o Catete, Flamengo, Botafogo, Copacaba com seus predios Art Deco, a Urca largamente preservada,
não há comparação entre o volume de predios conservados no Rio, dos anos 20, 30, 40 e 50 com o que existe em São Paulo.
Fulvia
23 de junho de 2014 1:55 pmÉ verdade, moro em um prédio
É verdade, moro em um prédio de 1940 que está totalmente preservado, até os interiores.
Motta Araujo
23 de junho de 2014 1:15 amhttp://mansoesecasas.blogspot
http://mansoesecasas.blogspot.com.br/2012/01/os-antigos-palacetes-de-sao-paulo.html
O link que inseri no FORA DE PAUTA não apareceu aqui, está acima.