Vera Guimarães Martins, da Folha de São Paulo
(…)
Nem bem assentado o pó da vaia, na noite de quarta, o jornal encalhou num rochedo –ou numa monumental “barriga”, como se denomina nas Redações uma notícia errada. Não chega a ser consolo (nem desculpa), mas, nesta, a Folha não embarcou sozinha. A “barriga” foi compartilhada com “O Globo” e um dos mais conhecidos jornalistas brasileiros, Mario Sergio Conti.
Conti tem currículo incomum. Foi diretor de Redação do “Jornal do Brasil” e das revistas “Veja” e “piauí”. Na TV, mediou o “Roda Viva”, na Cultura, e atualmente ancora o programa “Diálogos”, na GloboNews. Escreveu o livro “Notícias do Planalto”, sobre o impeachment de Fernando Collor.
Colunista da Folha e do “Globo”, procurou os dois jornais para oferecer uma entrevista exclusiva com o técnico Luiz Felipe Scolari, obtida na ponte aérea Rio-São Paulo. O texto chegou tarde e, dadas as credenciais acima descritas, foi direto para a página e o site. Tinha a qualidade e o sabor característicos do autor –só que com o personagem errado. Conti entrevistou um sósia profissional de Felipão.
O erro foi percebido fora da Redação, por um dos repórteres da equipe que acompanha a seleção e leu o site. O post foi retirado. Parte da edição nacional já impressa foi recolhida e destruída. Sobrou a perplexidade diante de erro tão primário.
Não vou listar aqui todas as improbabilidades que deveriam ter ligado o sinal amarelo do colunista ou de quem editou o material. Blogs, sites noticiosos, leitores e diletantes já fizeram isso à exaustão.
Erros, por mais crassos, acontecem, e o episódio Jayson Blair no “New York Times” está aí para mostrar que não é prerrogativa da imprensa nacional. A diferença está em como se lida com eles e, neste aspecto, a Folha ficou devendo.
Na primeira versão, o Erramos do site dizia que o colunista havia sido vítima de trote, versão difícil de engolir quando o próprio entrevistado entregou um cartão escancarando sua condição de imitador. O segundo foi mais direto: “Felipão não falou com colunista da Folha”.
Na quinta à noite, o site publicou matéria com as explicações de Conti e o conteúdo original da entrevista –no que fez muito bem, só que fez muito tarde. A história já tinha ganhado o mundo virtual, levando o jornal a reboque. No impresso, o caso foi relatado na sexta, em reportagem menor e no pé de página.
Em ambas, só Mario Sergio Conti se explica e se desculpa. Ninguém da Folha se pronuncia. O colunista assumiu a falha sozinho. “Foi um erro tolo. Não prejudiquei ninguém, a não ser eu mesmo”, declarou.
É muita modéstia. Faltou lembrar dos prejuízos materiais e do arranhão na credibilidade dos jornais, um ativo que não tem preço.
Fim do jogo (e da semana): Arrogância, 2 x Autocrítica, 0.
anarquista sério
22 de junho de 2014 4:30 pmEu gostaria de ver o PT ter
Eu gostaria de ver o PT ter um/a ombudsman.Já pensou?
Mas ele é o contrário.O PT quer calar a imprensa,imagina ombudsman?
Só perguntando pra família do Celso Daniel como seria.
Ser ombudsman do PT correria mais risco do que ser mesário no Iraque.
Carlos Filho
22 de junho de 2014 9:15 pmEleições
O PT tem ombusdman, ou melhor, dezenas de milhões deles: votos, que o Senhor não tem nenhum, nem mesmo o seu, porque um anarquista sério não crê no sistema parlamentar burguês.
LACosta
22 de junho de 2014 9:44 pmQual a profissão da modelo (?)
Uai sô. A modelo (?) Cristiana Ferreira tá esperando o ombudsman do PSDB até hoje.
Moita
22 de junho de 2014 11:37 pmAgora eu entendi. Vocë faz
Agora eu entendi. Vocë faz eses comentãrios de brincadeira.
Eu lia como se fosse coisa séria. Por isso é que não fazia sentido.
Marco St.
22 de junho de 2014 4:32 pmRonaldo tinha
Ronaldo tinha razão!!
Passamos vergonha! Graças à nossa impoluta imprensa golpista e arrogante.
O mundo todo está a rir de nós!
Da BBC
World Cup 2014: Brazil bemused by interview with ‘fake Scolari’By Ruth Costas BBC Brasil, Sao Paulo
In the middle of a World Cup in Brazil, an exclusive interview with the coach of the country’s national team is probably one of the greatest scoops a Brazilian journalist could hope for.
So experienced columnist and TV presenter Mario Sergio Conti thought his luck was in last Wednesday, when he boarded a flight from Rio to Sao Paulo only to discover that Luiz Felipe Scolari, widely known in Brazil as Felipao, was sitting next to him.
The man answered some of his questions and an interview was published on the website of two of the leading newspapers in Brazil – Folha de S. Paulo and O Globo – where Conti writes occasional columns.
The problem was that the passenger at Conti’s side was not the real Scolari, but a look-a-like called Wladimir Palomo, who had gone to Rio to take part in a TV comedy programme – where naturally, he plays Scolari.
Wladimir Palomo – or Scolari?
“We were just chatting and I gave him my personal opinion about the tournament and the national team, as anyone would. Everyone is a coach in Brazil during the World Cup.”
“Everything was a huge misunderstanding,” Palomo told the BBC on Friday.
He was travelling with a look-a-like of Brazil’s star forward Neymar – who was on the same flight – and whom the journalist also mistook for the real player.
After it emerged that the real Felipao had not left Fortaleza – where Brazil played against Mexico on Tuesday – the two newspapers had to apologise for the mistake.
The story created a sensation on Brazilian social media and a piece explaining the error was among the five most-read stories on Folha’s website on Thursday.
The look-a-like said he had not presented himself as Scolari so he thought Conti knew that he was not talking to the Brazilian coach.
“It was a mistake: I really thought he was Felipao. But there was no bad faith involved. At least this mistake has not harmed anyone, it has not influenced the elections or hit the stock markets,” Conti told a reporter from Folha.
According to Palomo, he did not know he was being interviewed and the journalist only identified himself as such when they arrived at Sao Paulo.
In the ‘interview’ he praised Neymar’s performance and expressed surprise that world champions Spain had been eliminated. He also said Brazil’s draw against Mexico was useful to ward off the idea that winning a World Cup could be easy.
Luiz Felipe Scolari (left) guided Brazil to a fifth World Cup in 2002
“For me, we were just chatting and I gave him my personal opinion about the tournament and the national team, as anyone would. Everyone is a coach in Brazil during the World Cup.”
Palomo said he felt overwhelmed – “even scared” – about the impact of the misunderstanding and had received at least 10 interview requests after the incident.
“Since yesterday my phone hasn’t stopped ringing. I will probably have to arrange a news conference to respond to everyone,” he joked.
One of the most curious aspects of the misunderstanding is that, in his piece, Conti mentions that, after the interview, Scolari gave him a card which read: “Wladimir Palomo – Scolari look-a-like”.
According to the columnist, he thought the real coach was joking. Sadly for such a well-regarded journalist, he was not.
Assis Ribeiro
22 de junho de 2014 6:26 pmMarco
A nossa imprensa pensou que iria fazer rir contra a copa e contra Dilma.
O feitiço virou, mais uma vez, contra o feiticeiro.
E o mundo ri da nossa imprensa:
Essa matéria da BBC que você indica
A Folha e o Globo tentaram tirar o delas da reta, nos post
“Folha ironiza pessimismo da mídia (internacional) com a Copa“
E o Globo:
Le Monde destaca ‘milagre brasileiro’ no bom funcionamento da Copa do Mundo
….
“Todas as preocupações parecem ter desaparecido com os primeiros acordes da cerimônia de abertura (…) Depois de uma semana de competição, parece que a catástrofe não ocorreu”, explica o texto (leia a reportagem original, em francês)
…
http://g1.globo.com/mundo/blog/brasil-visto-de-fora/post/le-monde-destac…
Anarquista Lúcida
22 de junho de 2014 7:55 pmPena que a maior parte do artigo nao fica disponível, só 1 trech
Mas o que dá para ler é bem simpático.
Wilson Ferreira
22 de junho de 2014 4:36 pmA “barriga” foi um acidente na operação Anti-Copa
A ansiedade dos jornalistas diante do sucesso da Copa em um ano eleitoral está transformando-os em verdadeiras metralhadoras giratórias, disparando primeiro para pensar depois. Essa barriga parece comprovar isso. Mário Sérgio Conti viu naquelas supostas estrelas da seleção perdidas em um avião de carreira entre Rio e São Paulo em pleno momento da concentração da Copa do Mundo mais que um furo, mas o germe da suspeita: há algo de errado na seleção, que fez o técnico e sua principal estrela ir para São Paulo enquanto o resto da delegação está em Fortaleza.
Mais um jornalista acidentado no momento em que pretendia montar uma bomba semiótica na operação Anti-Copa em andamento.
http://cinegnose.blogspot.com.br/2014/06/barrigas-e-nao-noticias-na-operacao.html
Gilberto Cruvinel
22 de junho de 2014 5:15 pmBingo, a esperteza engoliu o esperto.
Você identificou bem a intenção oculta do Conti, Wilson. Tomando-se o histórico desse personagem, fundador do estilo Veja de anti-jornalismo, ou jornalismo criativo da difamação e da calúnia, sua tese de que ele tivesse concluído que estaria ali presenciando um momento de desarranjo da seleção e portanto, testemunhando o desmoronar da Copa no Brasil, é bastante provável. Conti é suficentemente arrogante para maquinar uma tese dessas. Mas o destino pregou-lhe uma peça por falta de profissionalismo exclusivamente dele
Fernando J.
22 de junho de 2014 4:40 pmNão há saída honrosa para o Conti
Conti destruiu sua carreira. O que sobrou para ele é pedir demissão da Folha, Globo e GloboNews e poupar os patrões do constrangimento de demití-lo. [video:http://www.youtube.com/watch?v=8O1PXJeL4Og%5D
Adjutor Alvim
22 de junho de 2014 5:00 pmNão dá pra pedir demissão
Ele não é contratado da Folha e do Globo. Não tem coluna regular nestes jornais. Ele “…procurou os dois jornais para oferecer uma entrevista exclusiva com o técnico Luiz Felipe Scolari, obtida na ponte aérea Rio-São Paulo. O texto chegou tarde e, dadas as credenciais acima descritas, foi direto para a página e o site. ” Ou seja, ele vendeu um produto falso para os jornais que compraram sem questionar o fato dos entrevistados estarem concentrados.
Ana Iag
22 de junho de 2014 8:24 pmPosso estar enganada, mas ele
Posso estar enganada, mas ele é colunista da Folha. Não sou jornalista e não tenho a menor de como seja uma redação. Dá a entender que qualquer funcionário da área faz uma reportagem e sem nenhum filtro, a mesma vai para as páginas do jornal. Meu filho faz jornalismo e disse que nunca viu algo assim. É a tal coisa. Basta ser renomado para que seja crível a notícia.
Assis Ribeiro
22 de junho de 2014 4:43 pmA Ombudsman não vai “listar
A Ombudsman não vai; “listar aqui todas as improbabilidades que deveriam ter ligado o sinal amarelo do colunista ou de quem editou o material.”
Mas, já o fiz, há dois dias, no post “Globo dá destaque à barriga de seu colunista“
Não adianta.
Nós acreditamos no que queremos.
A lógica que vá para o lixo.
“Palomo ainda deu a ele um cartão em que estava seu nome verdadeiro, com a informação de que se tratava de um sósia.”
O cara pode parecer com Felipão (nem tanto assim), mas e a voz, e o estilo, e o local (em plena copa Felipão viajando sozinho com Neymar?) viajando em vôo comercial em ponte aérea, fora da área VIP?
Sem nenhum rigor jornalístico a matéria foi publicada na Folha, no Globo e no UOL
jura
22 de junho de 2014 5:43 pmAnalista de Bagé
Posso dar um palpite de analista de Bagé? Afinal, se ele achou que estava diante do Felipão, eu posso achar qualquer coisa também, e nem vou estragar uma edição impressa da Folha inteira…
Eu acho que o Conti desprezou o aviso contido no cartão de visitas de Palomo por não admitir o que estava escrito. A imagem foi mais forte que o texto. O narcisista ama o que vê no espelho e ele não quis aceitar que estava diante de outra imitação, como ele.
No espelho de Conti, a imagem só poderia ser a do grande Felipão, e não a de um sósia qualquer…
Pronto, falei!
romério rômulo
22 de junho de 2014 5:48 pmeu pareço mais com o Tom Jobim que o ator com o Felipão.
o que pretendiam Conti, Folha e O GLOBO?
romério
RACS
22 de junho de 2014 6:07 pm“É muita modéstia. Faltou
“É muita modéstia. Faltou lembrar dos prejuízos materiais e do arranhão na credibilidade dos jornais, um ativo que não tem preço.” kkk, arranhão na C R E D I B I L I D A D E D O S J O R N A I S….?!?!?!?
Iza13
22 de junho de 2014 6:14 pmJornalismo “padrão”
Jornalismo “padrão” FIFA
rs,rs,rs,rs,rs
Antonio Carlos Silva - RJ
22 de junho de 2014 6:31 pmBolivarianos solidários com
Bolivarianos solidários com Dilma na Copa
19.06.2014 | Fonte de informações:
Pravda.ru
Ao discursar no encerramento do Fórum “Conjura Midiática contra a Venezuela”, o vice-presidente da república bolivariana, Jorge Areaza, genro de Hugo Chávez, expressou claramente o seu apoio ao governo Dilma Roussef em razão da campanha política midiática internacional contra o Brasil, que tenta fazer crer que a Copa do Mundo seria um fracasso. “
O Brasil está sendo alvo porque esta Copa se realiza em um país da Celac, da Unasul, do Mercosul, e também membro dos Brics, além de ter uma política externa anti-imperialista, de solidariedade a Cuba e Venezuela, e por defender a integração latino-americana.
Dilma está sentindo as garras do vampiro imperial”, declarou.O pronunciamento do dirigente venezuelano, reforçado pelo presidente Nicolás Maduro, teve sua expressão física inquestionável nas presenças dos presidentes Rafael Correa, do Equador e Evo Morales, da Bolívia, que participaram do jogo de abertura da Copa do Mundo, no Itaquera, no qual Dilma, além de vaiada, foi insultada de maneira baixa, torpe e injustificável, pelos ocupantes da tribuna VIP, onde o ingresso custa 990 reais. Rafael e Evo afirmaram estar no Brasil para mostrar solidariedade ao Governo Dilma, um governo que, continuando o de Lula, retirou cerca de 40 milhões pessoas da área da miséria.
Correa lembrou que segmentos da ultra esquerda minoritária e sectária que, tal como em seu país, recebe obscuros apoios financeiros do exterior, age da mesma forma contra Dilma, fornecendo material para exploração midiática manipulada contra o Brasil, ao organizar minoritárias e violentas manifestações contra a Copa. Maradona, outro bolivariano, amigo de Chávez, que está no Rio como comentarista do programa De Zurda, da Telesur, também defendeu Dilma lembrando que os que a xingavam não eram representantes do povo brasileiro. A omissão de Pelé, no caso, para variar, é sempre reacionária.
Na semana que antecedeu a Copa, Dilma inaugurou uma ferrovia de 855 km ligando Palmas a Anápolis, o metrô de Salvador, a via Expresso Sul de Brasilia, o BRT Tranascarioca ligando a Zona Oeste do Rio ao Aeroporto do Galeão, que também teve obras de expansão inaugurada.
Nestas obras concentram-se o recursos públicos! Numa destas solenidades, ao referir-se aos xingamentos, Dilma, mostrou grandeza e lembrar das torturas bestiais a que foi submetida na ditadura pela mesma classe social que hoje exibe ao mundo, via satélite, sua baixeza moral e incapacidade para dirigir uma nação.
“Suportei agressões físicas no limite do insuportável e nada disso me fez mudar de rumo”, declarou, sem rebaixar-se ao nível dos agressores, que devem amargar arrependimento por não ter eliminado fisicamente, quando puderam, a atual Chefe da Nação. Beto AlmeidaMembro do Diretório da Telesur
http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=f1e1fd9e97f59379ed79bdf258d55042&cod=1
Ricardo Cesar
22 de junho de 2014 7:08 pm“Nem bem assentado o pó da
“Nem bem assentado o pó da vaia”. Adorei esta frase! Ainda mais se trocarmos o v por f.
PauloBR
22 de junho de 2014 8:29 pmBomba semiótica?
“Nem bem assentado o pó da vaia”? A expressão mais usual não seria ” assentar a poeira”? Ou a ombudsman fez uma associação subliminar entre a turma da vaia e…
Wilson Estrella
22 de junho de 2014 9:22 pm“Nem bem assentado o pó da vaia”
tem candidato que vai pedir para ser vaiado.
Fernando J.
22 de junho de 2014 7:37 pmBárbara Gancia, na TV Folha. Zoar é preciso.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=RvjJmyZ6V9g&list=UUmYuiV9wAR3i8p19Ygc7izg%5D
peregrino
22 de junho de 2014 8:06 pmuma imprensa em tal estado é capaz de tudo…
quando nos ilumina dos escombros do seu desespero,
podem ter certeza que é para poder nos cegar depois
PauloBR
22 de junho de 2014 8:21 pmPerguntar não ofende…
Por acaso é o Conti que entrevista eleitores para as pesquisas do Datafolha sobre as eleições presidenciais? Está parecendo que sim…
Evandro Trigueiro Tavares
23 de junho de 2014 12:28 pmNassif,
o MSC na realidade
Nassif,
o MSC na realidade é sósia do ator Ian MacDiarmid, o que faz o Primeiro Ministro Palpatine na série Guerra nas Estrelas.
Jofran Oliva
23 de junho de 2014 2:14 pmEsse jornalista vive no mundo da lua?
Esse jornalista vive no mundo da lua? Só assim para explicar tamanho vexame. Até as criancinhas do pré primário são capazes de diferenciar o Felipão de um imitador. Felipão está na mídia diariamente há meses, nem precisa gostar muito de futebol para esquecer de sua figura, de seu linguajar inconfundível. Admiro as pessoas boas fisionomistas, eu mesmo não sou, mas nunca deixaria de reconhecer alguém como o Felipão, isso é quase que inacreditável.