4 de junho de 2026

O escravo da Casa Grande e o desprezo da esquerda

 

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De Mauro Iasi

 

Malcom X comparou, certa vez, os negros que defendiam a integração na sociedade norte americana com escravos da casa. Para defender suas pequenas posições de acomodação na ordem escravista, buscavam imitar seus senhores, copiar seus maneirismos, usar suas roupas, sua linguagem, adotando o nome da família de seus senhores. Daí o “X” no lugar do sobrenome do revolucionário norte americano.

Não é de se estranhar que os escravos da Casa Grande se incomodassem com as revoltas vindas da Senzala, pois poderiam atrapalhar sua instável acomodação, sua sobrevivência subserviente. Dois textos recentes me chamam a atenção, não sei se produzidos pela mesma pena, mas certamente movidos pelo mesmo ódio e desprezo contra a esquerda em nosso país. Um deles é de autoria do sociólogo Emir Sader neste blog (“Não é a Copa, imbecil, são as eleições”), que recentemente comparou os manifestantes a cachorros vira-lata, outro é o editorial do Brasil de Fato de 03/06/2014 (“Eleições presidenciais e o papel do esquerdismo“) que, não contente em se aliar ao campo de apoio a Dilma, abriu as baterias contra a esquerda – aquela mesma que em muitas situações apoiou esse jornal, não apenas nas campanhas para sua sustentação, mas participando de seu conselho editorial e apoiando nos momentos mais difíceis.

Tanto o sociólogo como o jornal têm o direito de apoiar quem quiserem, de emitirem suas opiniões, mas o que nos chama a atenção é a necessidade de atacar a esquerda e a forma deste ataque. Como em todo o debate que busca fugir do mérito da questão (talvez pela dificuldade em realizar o debate neste campo) lança-se mão de estigmas. É preciso caracterizar os oponentes como “esquerdistas”, “minorias”, “intelectuais vacilantes da academia”, ou mais diretamente de “imbecis”. Por vezes devemos aceitar o debate não pela qualidade dos argumentos ou a seriedade dos adversários, mas em respeito àqueles que poderiam se beneficiar do bom debate. Para isso temos que supor que o debate é sério e que há uma questão de fundo, ainda que para isso tenhamos que separar uma grossa camada de retórica que visa desqualificar o debate para não enfrentá-lo.

O argumento central da posição expressa nos textos citados, mas explícita e de forma mais clara no editorial do Brasil de Fato, poderia ser assim resumida: os governistas teriam uma “visão ampla da luta de classes”, que articularia três dimensões – a luta social, a ideológica e a institucional – atuando com “firmeza ideológica e flexibilidade tática”; enquanto os supostos esquerdistas “ignoram a correlação de forças” no Brasil e na America Latina e concentram muito mais nas criticas do que nas realizações dos governos “populares”. Isso porque subordinam suas posições, como “vacilantes intelectuais da academia” ou partidos “sem o mínimo peso eleitoral”, não a uma análise concreta de uma situação concreta, mas a uma “fidelidade” ao marxismo ortodoxo.

O resultado desta premissa, segundo a posição expressa, é o seguinte: “Por isso, para serem condizentes com uma análise concreta de uma situação concreta, os partidos de esquerda sem o mínimo de peso eleitoral, que não conseguem enraizar sua mensagem programática e nem contribuir para o avanço da consciência de classe das massas populares durante as eleições deveriam estar fortalecendo a candidatura de Dilma, mesmo sabendo que o neodesenvolvimentismo em curso não é uma alternativa popular.”

Mesmo na posição de um “vacilante intelectual do mundo acadêmico, fiel ao marxismo e de um partido sem peso eleitoral”, gostaria de iniciar o debate afirmando que nossos colegas deveriam seguir, antes de mais nada seus conselhos. Se não vejamos. O erro do “esquerdismo”, que o impediria de realizar uma análise concreta de uma situação concreta, é que “não conseguem identificar frações de classes e seus diversos interesses em torno do governo Dilma”. Então vamos lá.

Quais são as classes e frações de classe que se somam aos governos do PT? O PT produziu-se como experiência histórica da classe trabalhadora que acabou por projetar-se numa organização política que, sem perder a referencia passiva desta classe, assumiu posturas políticas que se distanciam dos objetivos históricos dos trabalhadores. Não se trata de uma questão de origem de classe, mas do caráter de classe da proposta política apresentada em nome dos trabalhadores. É preciso explicar aos leitores que nós (intelectuais vacilantes fieis ao marxismo) não concebemos a classe social como mera posição nas relações sociais de produção e formas de propriedade, mas como uma síntese de determinações que partindo da posição econômica, devem se somar a ação política, a consciência de classe e outros aspectos.

Dessa forma, um setor da classe trabalhadora, ainda que partindo originalmente deste pertencimento, pode em sua ação política e na sua intencionalidade, afirmar outro projeto societário que não aquele que nossa experiência histórica constitui como meta – o socialismo –, sendo capturado pela hegemonia burguesa, naquilo que Gramsci chamou de “transformismo”. No caso do PT acaba por se consolidar um projeto que tem por principal característica quebrar as reivindicações sociais do proletariado e dar a elas uma feição democrática; despir as formas puramente políticas das reivindicações da pequena burguesia e apresentá-las como socialistas, e tudo isso para exigir instituições democráticas republicanas “não como meio de suprimir dois extremos, o capital e o trabalho assalariado, mas como meio de atenuar a sua contradição e transformá-la em harmonia.” (Karl Marx, O 18 de brumário de Luís Bonaparte, p. 63).

Assim o PT em seu projeto (e prática) de governo apresenta em nome da classe trabalhadora um projeto pequeno-burguês. Mas o PT não governa sozinho, têm razão nossos colegas. É necessário seguir nossa análise para responder quais classes e setores de classe compõem o governo Dilma. Como o centro do projeto político foi deslocado para chegar ao governo federal e lá se manter, são necessárias alianças e até mesmo o programa de reformas democrático-populares é por demais amplo (seria o que André Singer chama de “reformismo forte”), então, rebaixa-se o programa (um “reformismo fraco”) e amplia-se as alianças. Para qual direção? Não podemos confundir a sopa de letrinhas do leque de alternativas partidárias com segmentos de classe, mas eles são um indicador das personificações desses interesses.

As alianças inicialmente pensadas como um leque entorno da classe trabalhadora, setores médios e pequenos empresários, se amplia bastante agora no quadro de um Pacto Social. Vejamos: “Um novo contrato social, em defesa das mudanças estruturais para o país, exige o apoio de amplas forças sociais que dêem suporte ao Estado-nação. As mudanças estruturais estão todas dirigidas a promover uma ampla inclusão social – portanto distribuir renda, riqueza, poder e cultura. Os grandes rentistas e especuladores serão atingidos diretamente pelas políticas distributivistas e, nestas condições, não se beneficiarão do novo contrato social. Já os empresários produtivos de qualquer porte estarão contemplados com a ampliação do mercado de consumo de massas e com a desarticulação da lógica financeira e especulativa que caracteriza o atual modelo econômico.

Crescer a partir do mercado interno significa dar previsibilidade para o capital produtivo.” Resoluções do 12.º Encontro Nacional (2001). Diretório Nacional do PT (São Paulo, 2001, p. 38). Este pacto social com “empresários produtivos de qualquer porte” não deixaria de fora nem mesmo os “rentistas”, como se comprovou. A chamada governabilidade exigiria que as personificações partidárias destes interesses estivessem na sustentação do governo, de forma que o governo de “centro” (pequeno-burguês) buscou e conseguiu se aliar com siglas da direita (PMDB, PTB, PP, PSC e outras).

Na composição física do governo vemos setores de classes diretamente representados, como o caso dos interesses dos grandes monopólios no Ministérios da Indústria, dos bancos no Banco Central, do agronegógio no Ministério da Agricultura, assim como o controle das agências reguladores e outros espaços formais e informais de definição da política governamental. Evidente que haverá participação dos “trabalhadores”, mas há aqui uma diferença essencial. Enquanto os setores do grande capital monopolista levam suas demandas à política de governo e as efetivam, as demandas dos trabalhadores são, por assim dizer, filtradas.

Enquanto a CUT defendia suas resoluções em defesa da previdência pública, um ex-presidente da entidade assume o ministério para implementar a reforma da previdência, assim como a luta pela reforma agrária é tolerada, mas filtrada e peneirada em espaços intermediários para que os militantes comprometidos não cheguem aos espaços de decisão sobre a questão fundiária e agrária, estes reservados aos representantes do agronegócio. Podemos ver militantes e personificações de segmentos importantes da classe trabalhadora em áreas como a saúde, a assistência social e outras, no entanto, o espaço efetivo de implementação de políticas ficaria constrangida pelas áreas de planejamento e a lógica da reforma do Estado para produzir a subserviência à lei de responsabilidade fiscal e a política de superávits primárias que tanto agrada aos banqueiros.

Recentemente a presidente Dilma, através da deputada Kátia Abreu (aquela mesmo!!!) da bancada ruralista, garimpava apoio entre os diferentes setores do agronegócio (gado, soja, milho, etc.), enquanto Paulo Maluf posava sorridente ao lado do candidato do PT ao governo de São Paulo em troca de alguns minutos no tempo de TV. O governo de pacto social com os setores da grande burguesia monopolista e a pequena burguesia que sequestrou a representação da classe trabalhadora, implica nos limites da ação de governo, isto é, impedem o “reformismo forte” e impõe um “reformismo fraco”.

Para atender as exigências da acumulação de capital dos diversos segmentos da burguesia monopolista, as demandas dos trabalhadores têm que ser contingenciadas, focalizadas, gotejadas, compensatórias. Queria-se acabar com a fome e a miséria, mas devemos nos contentar em combater as manifestações mais agudas da miséria absoluta. Queríamos uma reforma agrária (e mais que isso, não é, uma nova política agrícola e de abastecimento, etc.), mas devemos nos contentar com crédito para assentamentos competirem com o agronegócio e assistência para os que não conseguem. Não se revertem as privatizações realizadas e cresce a lógica privatista com as fundações público privadas, as OSs e outras formas diretas ou indiretas de privatização.

O problema é que, mesmo assim, dando tanto à burguesia monopolista e tão pouco aos trabalhadores, a burguesia sempre vai jogar com várias alternativas, e, na época das eleições, vai ameaçar, chantagear e negociar melhores condições para dar sua sustentação. O leque de alianças da governabilidade petista não implica fidelidade dos setores do capital monopolista, adeptos do amor livre, entendem o apoio ao governo do PT como uma relação aberta. Por isso aparecem na época das eleições na forma de suas personificações como partidos de “oposição”. Tal dinâmica produz um movimento interessante.

Amor e união com a burguesia monopolista durante o governo e pau na classe trabalhadora (combinada com apassivamento via políticas focalizadas e inserção como consumidores); e briga com a burguesia e promessas de amor com os trabalhadores na época de eleição! A abertura da Copa e a hostilização vinda da área VIP contra a presidente funciona aqui como uma metáfora perfeita: eles fazem a festa para os ricos, enchem o estádio com a elite branca e rica, esperando gratidão, mas a elite xinga a presidente. A artimanha governista é circunscrever a propalada análise concreta de uma situação concreta à conjuntura da eleição e não do período histórico em que esta conjuntura se insere.

Graças a esta mágica, desaparece o governo real entre no lugar um mito que resiste ao neoliberalismo contra as forças do mal igualmente mitificadas e descarnadas de sua corporalidade real. É o odioso “neoliberalismo”, que vai retroceder nos incríveis ganhos sociais alcançados e desestabilizar os governos progressistas na America Latina. Vejam, nos dizem, como são piores que nosso governo, precisamos derrotá-los para evitar o retrocesso e as privatizações. Mas uma vez derrotados eleitoralmente os adversários de direita… quem privatizou o Campo de Libra? Colocando exército para bater em manifestantes? Quem aprovou a lei das fundações público-privadas que abriu caminho para a privatização da saúde e outras? Quem aprovou a lei dos transgênicos, o código florestal e de mineração? Não são iguais, é verdade. São duas versões distintas disputando a direção do projeto burguês no Brasil.

Um o capitalismo com mais mercado e menos Estado, outro o capitalismo com mais Estado para garantir a economia de mercado. Precisamos circunscrever a análise da correlação de forças ao momento eleitoral para evitar a derrota do governo Dilma, vejam, “mesmo sabendo que o neodesenvolvimentismo em curso não é uma alternativa popular”! Então, comecemos por aí: o atual governo NÃO É UM ALTERNATIVA POPULAR! Já é um bom começo.

Mas tenho uma péssima notícia… também não é neodesenvolvimentista, seja lá o que isso queira dizer. É um governo de pacto social que, partindo de um programa e uma concepção pequeno-burguesa, crê ser possível manter as condições para a acumulação de capitais o que leva a uma brutal concentração de renda e riqueza nas mãos de um pequeno grupo, ao mesmo tempo em que, pouco a pouco e muito lentamente, apresenta a limitada intenção de diminuir a pobreza absoluta e incluir os trabalhadores na sociedade via capacidade de consumo (bolsas, salários e crédito, etc.). Ora, o que deve fazer a esquerda “sem o mínimo de peso eleitoral, que não consegue enraizar sua mensagem programática e nem contribuir para o avanço da consciência de classe das massas populares”?

Dizem os governistas: votar na Dilma. No entanto, desculpe a insistência de quem faz análise concreta de situação concreta não só quando chegam as eleições e água bate na bunda; mas, e se for exatamente este processo de pacto social e de implementação de um social-liberalismo que está impedindo o “avanço da consciência de classe”? Depois de 12 anos de governos desta natureza a consciência de classe está mais avançada que estava nos anos 80 e 90? Nos parece que não. Se somos tão insignificantes, irrelevantes e idiotas… por que é necessário bater desta forma na esquerda?

Pelo simples fato que nossa existência, a existência de uma ESQUERDA (não a pecha de esquerdismo que tenta se impor contra nós como estigma), é a denuncia explícita dos limites e contradições que o governismo e seus lacaios querem jogar para debaixo do tapete. Para manter a “imagem” do governo petista (Sader está preocupado com a imagem) é preciso uma operação perversa: atacar quem denuncia os limites desta experiência, não importando o quanto desqualificado e hipócrita seja o ataque, estigmatizando, despolitizando o debate. Primeiro foi necessário destruir a esquerda dentro do PT e sabemos os métodos que foram usados nesta guerra suja.

Na verdade o que vemos agora contra a esquerda fora do PT é uma projeção do ataque vil e brutal que companheiros da esquerda petista sofreram e (aqueles que ainda resistem lá no PT) ainda sofrem (esquerdistas, isolados das massas, sem expressão eleitoral, irresponsáveis, etc.). E depois que conseguirem isolar, estigmatizar e satanizar a crítica de esquerda a essa experiência centrista e rebaixada de governo? Quando forem atacados pela direita que não guarda nada a não ser desprezo para com os escravos da casa grande?

As manifestações seriam, segundo os governistas, uma ofensiva da direita para sujar a imagem bela e idealizada do governo e o esquerdismo joga água neste moinho. Interessante que a necessidade de uma análise concreta de uma situação concreta, da correlação de forças e das classes não é necessária quando se trata das manifestações. MTST, garis, metroviários, professores, são todos imbecis marionetes da direita, manipulados por ela e quando pensam lutar por seus direitos e demandas estão fazendo o jogo da direita. Somos nós que fazemos o jogo da direita… tem certeza?

De nossa parte, não nos incomodamos, porque não esperamos nada mais que isso como consequência do progressivo, e triste, processo de descaracterização e rebaixamento político. Não será a primeira vez que a política pequeno-burguesa, que se diz representante de todo o povo, se alia ao trabalho sujo da direita para combater a esquerda. Respondemos àqueles que acreditam que estamos isolados com as palavras de Lenin, com quem aprendemos a fazer análise concreta de uma situação concreta: Pequeno grupo compacto, seguimos por uma estrada escarpada e difícil, segurando-nos fortemente pela mão.

De todos os lados, estamos cercados de inimigos, e é preciso marchar quase constantemente debaixo de fogo. Estamos unidos por uma decisão livremente tomada, precisamente a fim de combater o inimigo e não cair no pântano ao lado, cujos habitantes desde o início nos culpam de termos formado um grupo à parte, e preferido o caminho da luta ao caminho da conciliação. Alguns dos nossos gritam: Vamos para o pântano! E quando lhes mostramos a vergonha de tal ato, replicam: Como vocês são atrasados! Não se envergonham de nos negar a liberdade de convidá-los a seguir um caminho melhor?

Sim, senhores, são livres não somente para convidar, mas de ir para onde bem lhes aprouver, até para o pântano; achamos, inclusive, que seu lugar verdadeiro é precisamente no pântano, e, na medida de nossas forças, estamos prontos a ajudá-los a transportar para lá os seus lares. Porém, nesse caso, larguem-nos a mão, não nos agarrem e não manchem a grande palavra liberdade, porque também nós somos “livres” para ir aonde nos aprouver, livres para combater não só o pântano, como também aqueles que para lá se dirigem!

(Lenin, Que fazer?, São Paulo: Expressão Popular, 62).

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. André LB

    21 de junho de 2014 1:36 pm

      Papo furadíssimo.
      Quem

      Papo furadíssimo.

      Quem vem há tempos se aliando à direita é a dita “esquerda autêntica”. Nem vou postar a foto da Heloísa Helena junto do PSDB.

      Ou a do Randolfe – mais recente – indo protocolar sei lá eu o quê no STF junto com a direita.

      Ou o Plínio de Arruda Sampaio apoiando o Serra.

      Ou o PSTU junto dos tucanos em protestos.

      Ou Marina Silva no mesmo partido do Heráclito Fortes.

      Ou… etc etc etc

      Engraçada outra similaridade: tem gente que acha que Jesus logo chegará. Outros acham que a revolução logo chegará. Enquanto isso, muita gente deixou de passar fome ou descobriu o que é dignidade justamente por causa dos “escravos da casa grande” do PT. Comigo não cola, inventem outro “Não vai ter” não sei o quê.

    1. Zanchetta

      21 de junho de 2014 1:39 pm

      Vc tem uma foto do Padilha

      Vc tem uma foto do Padilha com o Maluf? Também não vou postar…

      1. André LB

        21 de junho de 2014 9:09 pm

          Meu querido, quem defende a

          Meu querido, quem defende a “pureza” nas alianças não sou nem nem meu partido favorito, o PT.

         

          Ademais, e você com isso? Já cansou de defender a ditadura hoje?

        1. Zanchetta

          22 de junho de 2014 2:18 am

          Só a cubana…

          Só a cubana…

          1. André LB

            23 de junho de 2014 1:02 am

              CAPTEI!! Captei sua

              CAPTEI!! Captei sua mensagem, ó inefável guru!!! Das outras ditaduras você continua incansável defensor!

  2. Assis Ribeiro

    21 de junho de 2014 1:41 pm

    Excelente

    Mas, é por causa dessa divisão das esquerdas que bandeiras progressistas estão sendo tomadas pelo centro – direita.

    E  por causa desta divisão que Collor foi eleito e a queda de apoio à Dilma pós movimentos de junho/2013 e que abre chances de uma eleição de Aécio.

    As condições extremamente precárias do Brasil e do seu povo não permite, ainda, que o debate se dê no campo eminentemente ideológico. É preciso de certo pragmatismo (e como ataco aqui no blog o pragmatismo)  para tirar o Brasil e o seu povo do atoleiro.

    Setores da esquerda não tem feito oposição programática como se era de esperar, optaram por uma oposição muito mais ampla ao ponto de se aliarem com reconhecidos direitistas em votação de matérias de interesse geral e na disputa de eleições, fazendo exatamente o que o artigo critica.

    A direita brasileira se diverte com essa guerra das esquerdas entre a ideologia e o pragmatismo e dela tem tirado proveito.

    É nisso que se tem que pensar.

    1. Assis Ribeiro

      21 de junho de 2014 1:41 pm

      (Sem título)

      1. Zanchetta

        21 de junho de 2014 2:54 pm

        Fui na livraria e pedi o

        Fui na livraria e pedi o livro do Milton Santos

        Em tempos de Copa do Mundo o vendedor me trouxe um livro do Nilton Santos.

        Aí expliquei para ele que Milton Santos era negro, etc.., etc..

        Ele respondeu: O Negro era o outro lateral, o Djalma Santos…

    2. Ugo

      21 de junho de 2014 1:52 pm

      o mesmo problema

      O papa Francisco afirmou nestes dias da necessidade de recolher (segregar) em salas separadas os teólogos, atitude imprescindível para permitir e viabilizar o encontro entre as religiões.

      Os pensadores, muitos e bons nas esquerdas, se perdem na vaidade.

  3. Fabio Passos

    21 de junho de 2014 1:49 pm

    Os ricos são o crime!

    Em parte é verdade.

    Mas também é verdade a HH comemorando ao lado de acm e toda a gangue do dem. 

    Também é verdade o Randolfe indo ao stf ao lado da direita entreguista contra a Petrobrás. 

    É fato inquestionável que os manifestantes são instrumentalizados pelo PiG… e que parte da “esquerda fora do PT” escolheu o PT como principal adversário, ao invés de lutar contra a casa-grande.

    Assim… que podemos fazer?

     

  4. Zanchetta

    21 de junho de 2014 1:49 pm

    Por falar em

    Por falar em alianças…

    Tradicional aliado do PT, o PC do B ameaça abandonar Alexandre Padilha (PT) caso não consiga espaço na chapa majoritária em São Paulo. Os comunistas querem a vaga de vice-governador ou a primeira suplência ao Senado. Os postos, no entanto, já são negociados com PR e PSD. Integrantes da executiva paulista do PC do B defendem que o partido se alie ao PMDB de Paulo Skaf caso o PT não ceda. Petistas veem poucas chances de incluir o PC do B na chapa, mas prometem turbinar o aliado com mais recursos para a campanha dos deputados.

  5. Notívago

    21 de junho de 2014 2:00 pm

    MENINO DO RIO: uma gozação geológica

    Menino do Rio é o Aécio Neves que adora o Baixo Leblon.  Veja que gozação fina esta matéria publicada no Vi o Mundo.

    Adriano Diogo: Menino do Rio, com seu tsunami, nem sua irmã o resgataria

    publicado em 18 de junho de 2014 às 21:02

    Menino do Rio, Menino do Leblon e a Praga do Tsunami

    por Adriano Diogo, especial para o Viomundo

    Menino do Rio, não posso acreditar que você tenha desejado para o povo brasileiro um tsunami que varra da face da Terra uma parte de sua população.

    Menino do Rio, a primeira escola de Mineralogia e Geologia foi fundada em Ouro Preto, em 12 de outubro de 1876, pelo imperador D. Pedro II, que convidou o cientista francês Claude Henri Gorceix para dirigi-la. Lá aprendemos os primeiros conceitos de vulcanismos, terremotos, maremotos e tsunamis.

    Lá estudaram Carlos Chagas, Pandiá Calógeras, Getúlio Vargas e o compositor João Bosco. E você nunca pisou lá.

    Lá foram descobertas a origem dos diamantes da Serra do Espinhaço e de Diamantina e as primeiras formações vulcânicas de kimberlitos, rochas formadoras de diamantes que foram espalhados na aluvião dos rios do Tijuco.

    Menino do Rio, você sabe que o Brasil descobriu o Petróleo do Pré-sal nas profundezas do continente Gondwânico e um tsunami poderia soterrar toda esta riqueza. É isso que você deseja: a destruição do patrimônio da Petrobras?

    Menino do Rio, você é da terra de Djalma Guimarães, o grande mineralogista brasileiro, que em Araxá descobriu as terras raras e o nióbio, o tântalo e tantas riquezas de origem vulcânica. Com seu tsunami você deseja destruir a obra e a memória de Djalma Guimarães?

    Menino do Rio, se Aureliano Chaves estivesse vivo, seu conterrâneo mineiro teria dito: “Com este tsunami você fará submergir a esperança de recuperarmos a Companhia Vale do Rio Doce que vocês privatizaram sem dó”.

    Menino do Rio, se seu avô fosse vivo, diria que “seu tsunami os envergonharia em São João del-Rei, onde começamos tudo. Com essa expressão você suja o nome da nossa família de uma forma vergonhosa”.

    Menino do Rio, em Poços de Caldas, existe uma cratera produto de uma intrusão alcalina, com uma área de cerca de 800 km2 e 30 km de diâmetro. Qual é seu plano? Que este vulcão seja reativado e suas lavas incandescentes calcinassem nossa vida, como outras cidades a beira do Vesúvio?

    Menino do Rio, em Mariana existem os grandes depósitos de Esteatitos, rocha que dá uma sensação oleosa ou saponácea, derivando-se daí sua designação de pedra-sabão. Existem grandes depósitos, de valor comercial no Brasil, em maior escala no estado de Minas Gerais. Seu terremoto destruiria a obra de Aleijadinho e nem todo sabão do mundo lavaria nossa honra.

    Seu tsunami destruiria todo o patrimônio histórico de Minas Gerais e a história de seu povo. Em Diamantina, você não seria nem perdoado nem por Juscelino, nem por Xica da Silva (nem mesmo pela Zezé Motta).

    Menino do Rio, seu Tsunami parece a letra do samba do Crioulo Doido, uma paródia composta para contar a história do Brasil pelo escritor e jornalista Sérgio Porto, sob pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, em 1968, que é como você vê nossa história.

    Menino do Rio, com seu tsunami você salgaria nossas terras até a 7ª geração e provocaria uma nova derrama sobre Vila Rica e Ouro Preto, fazendo que o povo brasileiro se tornasse uma multidão de inconfidentes para reagir a sua vingança.

    Menino do Rio, com seu tsunami nem sua irmã Andrea Neves o resgataria, assim como fez com o tenente Wilson Dias Machado, um dos responsáveis pelo atentado terrorista no Riocentro no 1º de Maio de 1981.

    Menino do Rio, com essa idéia, o povo mineiro vai te chamar de Barbacena e querer te mandar num no “trem de doido” para um manicômio qualquer.

    Menino do Rio, talvez você não tenha lido nada sobre tsunamis apesar da vida de voyeur que você tem à beira das praias. Talvez você não tenha lido sobre as consequências do tsunami que varreu o Oceano Índico em 2004, que começou pela Indonésia e atingiu treze países, matando, ao todo, 220 mil pessoas.

    Menino do Rio, talvez você não saiba das conseqüências do tsunami de 11 de maio de 2011, que atingiu o Japão, matou 288 pessoas e causou uma destruição que atingiu 1/3 do território japonês e o vazamento de substâncias radioativas com prejuízo para a saúde de milhares de pessoas.

    Menino do Rio, um terremoto, seguido de um tsunami equivale jogar uma bomba atômica como as de Hiroshima e Nagasaki sobre o povo brasileiro, na ocasião morreram mais de 200 mil pessoas.

    Menino do Rio, tsunami é como doença ruim que, se a gente fala o nome quando pequeno, a mãe bate na boca pra nunca mais repetir…

    Menino do Rio, você não gosta de Minas Gerais. Você não gosta do Brasil. Você não gosta do povo brasileiro… Por isso nos amaldiçoa, desejando uma coisa tão ruim.

    Adriano Diogo, deputado estadual PT de São Paulo, é geólogo formado pela USP.

     

  6. Cunha

    21 de junho de 2014 2:01 pm

    Quem mais se aproximou dos

    Quem mais se aproximou dos maneirismos da Casa Grande foram o PSOL, comemorando a derrubada da CPMF ( imposto que não incidia sobre a renda dos pobres e que tornava visível as transações bancárias da Casa Grande ), entrando no STF de mãos dadas com a ultra direita para enfraquecer a Petrobrás, e o PSTU, abraçado com os tucanos e a mídia a promover vandalismo e terrorismo nas ruas.

     

     

     

  7. Bispo da Dama

    21 de junho de 2014 2:09 pm

    Desprezo plenamente justificado

    O PT, antes de amadurecer, também era desprezado pelo povo.

    Sugestão para a esquerda raivosa, mesquinha e covarde: cresça e apareça. 

  8. lenita

    21 de junho de 2014 3:22 pm

    Será que a verdadeira união

    Será que a verdadeira união das esquerdas, superando seus ciúmes, invejas e rancores, mirando o possível no país governado pelos inimigos do povo por 500 anos, não seria uma saída , ou melhor , uma força na direção que pretendem? O que eles querem ? uma revolução ? Isto só vem a provar que se conhecem muito as idéias dos líderes marxistas , desconhecem por completo a história do nosso Brasil e de como ele foi formado. Cada vez mais admiro a capacidade do Lula e José Dirceu, que deixam  no chão, sociólogos, cientistas políticos, jornalistas, etc.Ponham um pouco de amor e bom senso em seus corações!

  9. Sérgio T.

    21 de junho de 2014 3:40 pm

    Respostas de Valter Pomar ao texto de Mauro Iasi

    Nassif e todos, coloco dois textos resposta que o Valter Pomar colocou no blog do mauro Iasi… Ambos cometem um colóquio teórico com certa densidade.

     

    Nem todo “escravo” tem a “mentalidade da Casa Grande”

    Nunca foi fácil a vida da militância de esquerda que defende o Partido dos Trabalhadores.

    Entretanto, ainda mais difícil anda a vida daquela militância de esquerda que é contra o PT.

    Afinal, no atual ambiente político, esta “oposição de esquerda” corre o risco de ser vista, ou de converter-se objetivamente, ou pelo menos é acusada de ser linha auxiliar da oposição de direita.

    A situação vem gerando polêmicas duras como ficam claro na leitura de Emir Sader (“Não é a Copa, imbecil, são as eleições”, no blog da Boitempo); no editorial do Brasil de Fato (dia 03 de junho, falando das “Eleições presidenciais e o papel do esquerdismo“); e na resposta de Mauro Iasi, intitulada “O escravo da casa grande e o desprezo pela esquerda” (http://blogdaboitempo.com.br/2014/06/16/o-escravo-da-casa-grande-e-o-desprezo-pela-esquerda/). Não pretendo comentar aqui o texto do Emir Sader. A quem interessar, sugiro a leitura do artigo: http://www.pagina13.org.br/eleicoes-2/a-copa-as-eleicoes-e-o-que-vira-depois/ Tampouco pretendo criticar aqui o editorial do Brasil de Fato, embora considere um equívoco o uso que dão ao termo “neodesenvolvimentismo”.

    Vou me limitar ao texto do Mauro Iasi, que busca “identificar frações de classes e seus diversos interesses em torno do governo Dilma”, concluindo em 2014 o mesmo que já havia concluído em 2005, a saber: que o PT “assumiu posturas políticas que se distanciam dos objetivos históricos dos trabalhadores”, sendo “um setor da classe trabalhadora” que foi “capturado pela hegemonia burguesa”.

    Noutras palavras: “o PT em seu projeto (e prática) de governo apresenta em nome da classe trabalhadora um projeto pequeno-burguês”, sendo que “na composição física do governo vemos setores de classes diretamente representados, como o caso dos interesses dos grandes monopólios (…) dos bancos (…), do agronegócio” etc.

    O problema da análise de Mauro Iasi é não conseguir explicar por quais motivos o grande capital, setores médios, à direita, o oligopólio da mídia e os governos imperialistas estão tão irritados com o governo Dilma. Mauro Iasi sabe que precisa explicar esta “irritação”. Tanto é que afirma o seguinte: “mesmo assim, dando tanto à burguesia monopolista e tão pouco aos trabalhadores, a burguesia sempre vai jogar com várias alternativas, e, na época das eleições, vai ameaçar, chantagear e negociar melhores condições para dar sua sustentação.”

    Segundo este raciocínio, as candidaturas da oposição são “instrumento para ameaçar, chantagear e negociar melhores condições”.  Ficando implícito que a opção preferencial do “capital monopolista” é governar com o PT e através do PT.

    Lamento, mas isto não é “análise concreta da situação concreta”, recordando muito a postura predominante no Partido Comunista frente ao segundo governo Vargas. Naquela ocasião, os comunistas foram incapazes de entender e toma posição adequada frente ao imenso ódio e oposição do imperialismo e da “burguesia realmente existente” contra um governo… burguês.

    Iasi parece consciente de que sua análise não consegue dar conta de explicar este aspecto da realidade: por qual motivo um governo que aplica políticas “que se distanciam dos objetivos históricos dos trabalhadores” gera tamanho ódio por parte do grande empresariado e de parcela dos setores médios etc.

    Mauro sugere que o problema estaria no foco de análise: trata-se de observar o “período histórico” e não apenas a “conjuntura da eleição”.

    Ou seja: teríamos que evitar a “artimanha governista”, a “mágica” que faz desaparecer “o governo real” e no lugar dele coloca “um mito” que “resiste ao neoliberalismo contra as forças do mal igualmente mitificadas e descarnadas de sua corporalidade real. É o odioso ‘neoliberalismo’, que vai retroceder nos incríveis ganhos sociais alcançados e desestabilizar os governos progressistas na América Latina. Vejam, nos dizem, como são piores que nosso governo, precisamos derrotá-los para evitar o retrocesso e as privatizações. Mas uma vez derrotados eleitoralmente os adversários de direita… quem privatizou o Campo de Libra? Colocando exército para bater em manifestantes? Quem aprovou a lei das fundações público-privadas que abriu caminho para a privatização da saúde e outras? Quem aprovou a lei dos transgênicos, o código florestal e de mineração?”

    Portanto, segundo Iasi a imensa bulha do grande empresariado contra o governo encabeçado pelo PT seria um fenômeno real, mas circunscrito ao período eleitoral, pois mesmo derrotado, entre uma eleição e outra o grande empresariado acabaria conseguindo aquilo que deseja.

    Novamente, apelo por uma “análise concreta da situação concreta”: a postura amplamente majoritária no grande empresariado, de oposição ao governo Dilma, não é um fenômeno eleitoral. Começou antes, com destaque para o momento em que o governo tentou enfrentar os bancos. A esse respeito, aliás, recomendo a ótima entrevista do professor Adalberto Moreira Cardoso, em http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/06/1466547-conluio-antidistributivo-puniu-dilma-e-campanha-sera-mais-radicalizada-diz-sociologo.shtml

    Mauro Iasi comete o mesmo erro pelo qual critica o Brasil de Fato: circunscrever a “análise da situação concreta” a um aspecto da realidade. O PT rebaixou seu programa a um patamar “pequeno burguês”? Verdade. O governo é de aliança com setores do grande capital? Verdade. O governo aplica políticas de interesse do grande capital?

    Também é verdade. Mas o governo também aplica outras políticas e expressa outros setores sociais, o quê, nas condições concretas do Brasil e do mundo entre 2011-2014 entra em conflito com os interesses presentes e futuros do grande capital. O erro de Iasi consiste, no fundamental, em desconhecer ou minimizar este aspecto da realidade, este conflito de classe.

    Não se trata de artimanha, de mágica, nem de um fenômeno eleitoral, mas de variáveis bastante “simples”, tais como o nível de emprego, a política de salários, a presença do Estado na economia, o nível de democracia e participação, a relação com os Brics e com a região latino-americana etc. Algumas destas variáveis são tão visíveis, que Mauro Iasi tem que admitir a existência de “duas versões distintas disputando a direção do projeto burguês no Brasil. Um o capitalismo com mais mercado e menos Estado, outro o capitalismo com mais Estado para garantir a economia de mercado”.

    De fato, esta disputa existe, e não é de hoje. Aliás, ao longo do século XX, o papel do Estado na economia foi uma variável muito importante da disputa entre duas vias de desenvolvimento capitalista, a conservadora (que predominou) e a democrática (que geralmente foi derrotada).

    Claro que, tomada “em si”, a defesa de um forte papel do Estado não implica em ser de esquerda, nem mesmo em ser democrata. Mas, pergunto: nas condições concretas do período 1980-1989, 1990-2002 e 2003-2014, quais classes e frações de classe defenderam/defendem que o Estado tenha um papel mais ativo na economia e quais classes e frações de classe defenderam/defendem que o Estado tenha um papel menos ativo na economia? E como isto se relaciona com o conjunto dos interesses de cada classe e fração de classe existente no Brasil?

    Se não respondermos a estas questões, apontando qual fração defende o que neste determinado momento, a conclusão será acaciana e tautológica: enquanto houver capitalismo, o Estado capitalista cumprirá um papel funcional ao desenvolvimento capitalista.

    Ao invés de responder a esta e outras questões concretas, Mauro opta por algo que me parece uma conclusão “pré-fabricada”, que já estava pronta antes da análise começar e que independe desta análise, a saber: o “pacto social e de implementação de um social-liberalismo” estariam impedindo o “avanço da consciência de classe”.

    Para facilitar o debate, admitamos que isto fosse verdade e respondamos o seguinte: a vitória do PSDB (ou do PSB) nas eleições de 2014 romperá este “pacto social” e interromperá a “implementação do social-liberalismo”? Em caso positivo, o que será colocado no lugar?

    Se a resposta é que tudo vai continuar como antes, que o pacto social e o social-liberalismo continuarão, então a “mudança” consistiria “apenas” na derrota eleitoral do PT. Neste caso, pergunto: é então da derrota do PT que dependeria o “avanço da consciência de classe”? Se a resposta for sim, então é correto dizer que a “oposição de esquerda” é “aliada objetiva” da direita? Vamos supor que a resposta seja outra: que uma vitória do PSDB (ou do PSB) provocará mudanças mais ou menos importantes. Neste caso, pergunto: as mudanças vão melhorar ou vão piorar a vida da classe trabalhadora? Supondo que piorem, então não caberia reavaliar a análise negativa feita acerca do governo Dilma? Além disto, não caberia explicar como a piora nas condições de vida da classe trabalhadora contribuiria para o “avanço da consciência de classe”?

    Quem se der ao trabalho de fazer os “exercícios lógicos” acima deveria concluir o seguinte: quem deseja romper a aliança com o grande capital, quem deseja implementar um programa mais avançado, quem deseja fazer avançar a consciência de classe, deve trabalhar pela vitória do PT nas eleições de 2014. Pois toda alternativa que implique na derrota do PT resultará em piores condições para a classe trabalhadora e para a esquerda brasileira.

    Evidentemente, precisamos de uma vitória do PT em condições de fazer um segundo mandato superior. Pois segundo a análise que fazemos, esgotaram-se as condições objetivas que por breve período tornaram possível combinar presidência petista, aliança com o grande capital e políticas públicas moderadas, com avanços em termos de soberania, integração, democracia e condições de vida. A partir de agora, aconteça o que acontecer nas eleições, haverá uma disjuntiva cada vez mais acentuada. Não espero que o conjunto da oposição de esquerda perceba isto. Mas é nosso dever convencer alguns de seus integrantes e grandes parcelas de sua base social.

     

    Um detalhe que me escapou

    Ao comentar o texto de Mauro Iasi (http://valterpomar.blogspot.com.br/2014/06/nem-todo-escravo-tem-mentalidade-da.html), me escapou falar de um aspecto importante: sua descrição acerca do que ocorreu com a esquerda petista.

    Reproduzo integralmente:  Para manter a “imagem” do governo petista (Sader está preocupado com a imagem) é preciso uma operação perversa: atacar quem denuncia os limites desta experiência, não importando o quanto desqualificado e hipócrita seja o ataque, estigmatizando, despolitizando o debate. Primeiro foi necessário destruir a esquerda dentro do PT e sabemos os métodos que foram usados nesta guerra suja. Na verdade o que vemos agora contra a esquerda fora do PT é uma projeção do ataque vil e brutal que companheiros da esquerda petista sofreram e (aqueles que ainda resistem lá no PT) ainda sofrem (esquerdistas isolados das massas, sem expressão eleitoral, irresponsáveis, etc.). E depois que conseguirem isolar, estigmatizar e satanizar a crítica de esquerda a essa experiência centrista e rebaixada de governo? Quando forem atacados pela direita que não guarda nada a não ser desprezo para com os escravos da casa grande?

    O que falta nesta descrição? Na minha opinião, três aspectos: o impacto da crise geral do socialismo e da ofensiva neoliberal; a pressão direta da burguesia; e as opções da chamada esquerda. 

    Aquilo que Mauro caracteriza como “destruição” da esquerda do PT não teria ocorrido sem os dois primeiros fatores, mais exatamente sem o impacto que causaram na classe trabalhadora brasileira.  E a “reconstrução” da esquerda, por sua vez, está vinculada a mudanças no ambiente geral da luta de classes, em âmbito internacional e nacional. 

    Já a extensão da “destruição” (e/ou o êxito da “reconstrução”) dependem em grande medida das opções ideológicas, programáticas, estratégicas, táticas e organizativas da própria esquerda. 

    Neste sentido, acho que os “métodos que foram usados nesta guerra” (métodos que Mauro chama de “sujos”) explicam muito menos do que em geral gostamos de admitir. Até porque falar dos “métodos sujos” dos outros é o tipo de discurso de quem perdeu ou de quem desistiu (tipo a “piada” dos republicanos derrotados afirmando que “nossas canções eram melhores” do que as dos franquistas). 

    Na minha opinião, quem continua na luta não deve “lamentar” a falta de modos (ou de gosto) do inimigo ou adversário. Devemos, é claro, denunciar toda “sujeira”. Mas o que vai decidir a luta não é um lamento, mas sim a adequada combinação entre circunstâncias objetivas, inspiração, transpiração… E um pouco de sorte.  

    Deste ponto de vista, observando a trajetória da chamada esquerda petista desde 1993 até hoje, minha impressão é que podíamos ter feito muito mais e melhor para defender nossas posições. 

    Isto vale tanto para os que saíram do Partido, quanto para os que ficaram no Partido mas saíram da esquerda, quanto para aqueles que continuam defendendo as posições da esquerda petista (caso em que me incluo).

    Existe um enorme espaço e uma enorme simpatia, dentro do PT e dentro de amplos setores da classe trabalhadora que confiam no PT, para a defesa das posições de esquerda. 

    Claro que neste momento há muito mais “espaço” (em governos, eleitoral, nas direções etc.) para quem sai da esquerda e se acomoda ao status quo interno. Claro, também, que a primeira vista parece ser mais “simples”, mais “coerente”, defender certas posições fora do PT do que dentro dele. 

    Mas a “comodidade relativa” dos que saem da esquerda petista, seja para fora da esquerda, seja para fora do PT, não implica na solução dos problemas estratégicos postos para a classe trabalhadora. 

    Na minha opinião, ou conseguimos “girar à esquerda” o próprio Partido e o governo encabeçado pelo PT, ou a classe trabalhadora e o conjunto da esquerda brasileira –inclusive os setores que criticam e condenam o PT– sofreremos uma derrota de longa duração.

    É por isto que, respeitando os que desistem do PT, eu não posso deixar de questionar a lógica política envolvida, em especial as ilusões dos que acreditam ser possível, ao mesmo tempo, derrotar o PT e a direita. 

    Ao menos no atual período histórico, não acredito em solução positiva para a classe trabalhadora brasileira que não envolva positivamente o PT. Contra o PT ou sem o PT, o desenlace será certamente negativo.

    Claro que nada garante que com o PT tenhamos um desenlace positivo. Mas até onde consigo perceber, segue sendo melhor correr o risco do que não tentar.

     

  10. Sergio Saraiva

    21 de junho de 2014 4:58 pm

    A esquerda com acne.

    “O escravo da Casa Grande e o desprezo pela esquerda”

    Texto muito longo, típico de autor de esquerda.Não tive tempo de lê-lo completamente, logo, posso estar cometendo um engano, mas o parágrafo abaixo é sugestivo.

    “Dois textos recentes me chamam a atenção, … certamente movidos pelo mesmo ódio e desprezo contra a esquerda em nosso país. Um deles de autoria do sociólogo Emir Sader … (“Não é a Copa, imbecil, são as eleições”), …, outro é o editorial … (“Eleições presidenciais e o papel do esquerdismo“) que, não contente em se aliar ao campo de apoio a Dilma, abriu as baterias contra a esquerda – …”.

    “não contente em se aliar ao campo de apoio a Dilma, abriu as baterias contra a esquerda”.

    Sim, Emir Sader odeia a esquerda. Sim, quem apoia o governo Dilma é um inimigo da esquerda. 

    Isso se se acreditar que existe uma esquerda “verdadeira” e uma “falsa esquerda”. Algo tão velho quanto os botões do casaco de Marx.

    Há uma esquerda democrática, possível, que está no governo e que está transformando o Brasil. Uma esquerda social-democrata. Mas essa é a “falsa esquerda”.

    E há uma esquerda radical e onírica, no sentido de raiz e de sonho, essa é a “verdadeira esquerda” que está conduzindo protestos contra “tudo isso que está aí”.

    A esquerda no governo parece ser aos “verdadeiros esquerdistas” mais inimiga que a direita mais furiosa. Na verdade é, na medida que os chama à realidade e a consequência.

    Na sua resistência a tornarem-se adultos, os “verdadeiros esquerdistas” se utilizam de um esquerdismo de adolescentes e, inconsequentes como tal, se valem do espaço de liberdade obtido pela luta da esquerda democrática para, paradoxalmente, combatê-la.

    Assim, mais uma vez, a extrema esquerda acadêmica, em sua ilusão da possibilidade de uma transformação revolucinária da sociedade, inconsciente do custo em sangue a ser pago por essa opção, acaba se aliando à direita para combater a esquerda possível. E o fazem tensionando ao ponto de ruptura os cordames do urdume a e da trama do nosso tecido social no ponto em que ele é mais frágil, aquele onde habitam as gentes que estão sendo resgatadas pela esquerda democrática.

    Trocam a realidade construída passo a passo pelo sonho revolucionário que não se tornará realidade. E no seu nada construir e tudo sonhar, acusam de traidor da causa aos que fazem algo concreto por ela.

    Derrotada a esquerda democrática, com a direita novamente no poder, os “verdadeiros esquerdistas” podem voltar à sua pureza ideológica. Pura e estéril. 

  11. Centelha, o retorno

    21 de junho de 2014 5:21 pm

    Nós que amávamos tanto a Revolução…

    O autor do artigo parece filiar-se a uma tradição marxista ortodoxa, segundo a qual o capitalismo precisa ser des-tru-í-do e os antagonismos de classe são in-con-ci-li-á-veis.  O modelo de sociedade que ele tem como referência é o cubano (ou o norte-coreano?). Todo o artigo é coerente com essa visão, e bastante rigoroso nesse sentido.

    O interessante é que, dessa perspectiva, o PT, por ter trocado a via da Revolução pela da Reforma,  é considerado muito mais nefasto que o PSDB –  por “confundir” e “enganar” a classe trabalhadora, tentar implementar a conciliação de classes, instituir um capitalismo “humanizado” etc. O PSDB pelo menos não engana ninguém, né mesmo? É o Partido Só De Burguês… (rs).  Não admira que, na prática, os partidos ortodoxos de esquerda se aliem à direita. Para eles, quanto pior, melhor; só de uma crise revolucionária pode advir o socialismo e a redenção do proletariado. Farão tudo o que estiver a seu alcance para acirrar as contradições do capitalismo!

    Nos meus velhos tempos de militância leninista, estudei um clássico chamado “O Colapso do Populismo no Brasil” e aprendi a rezar um mantra: “Não existe POVO, existem Classes Sociais com interesses ANTAGÔNICOS!” Também li Lênin, “O Estado e a Revolução”, onde aprendi outro mantra: “buscar a conciliação de classe é enganar e trair o proletariado!”. Trotsky eu li menos, mas acho que foi dele que extraí outro mantra: “Revolução Socialista, ou barbárie!”

    Mas, hoje, não me parece evidente que o mercado e a propriedade privada dos meios de produção sejam incompatíveis com democracia, controle social, distribuição de riqueza e renda. Ficaria satisfeita com um modelo norueguês, sueco ou islandês, onde o capitalismo está submetido a regulações e controle popular. Lá, ao que me consta, vigora taxação pesada de riqueza, renda e heranças – não a ponto de inviabilizar o modo de produção capitalista, mas suficiente para dar vertigens na nossa burguesia patrimonialista e saudosa do escravismo.

    É exatamente porque esse capitalismo “humanizado” é possível que os ricos e a classe média alta odeiam o PT. Os ricos não querem taxação nem limitação de espécie alguma. A classe média não quer ter que limpar suas privadas nem dividir seus espaços “exclusivos” com a “ralé”. Ninguém quer perder privilégios. Se um bem é partilhado, deixa de ser um privilégio. Partilhar acesso a educação, postos de trabalho bem remunerados, prestígio, viagens internacionais, etc, é algo insuportável para nossa classe média – por mais que ela afirme admirar a “civilização” dos países escandinavos, do Canadá etc.

    Assim, a burguesia e a classe média alta repudiam o PT, mesmo que este seja “desenvolvimentista”; mas podem tolerar muito bem, e até admirar pelo seu “idealismo”, os partidos de extrema-esquerda; estes, afinal, são tão lindos quanto inofensivos em seu utopismo impotente.

    Em todo o caso, embora o horizonte visado pelo PT hoje seja perfeitamente possível, ninguém disse que será fácil atingi-lo. Talvez os netos dos nossos netos cheguem lá!

     

  12. Márcio Gonçalves

    21 de junho de 2014 7:36 pm

    Falta de poder real

    Mauro Iasi fez uma ótima análise de esquerda sobre os limites do governo petista. Ataca com expressões fortes (“escravos da casa grande”, etc), mas traz argumentação sólida para chegar a este ponto. Os textos do PSOL e dos PSTU que tive oportunidade de ler tem uns mimimis de “corrupção”, “classe trabalhadora pior do que nunca”, nem aguento ler até o final.

    Vou votar na Dilma em outubro. Acho que as contradições apontadas pelo Iasi não eclipsam a necessidadade tátca de apoiar este governo agora.

    E é sintomático que, como em muitos textos da esquerda, encontre-se uma boa análise dos problemas e nenhuma pista de como este grupo vai dar solução além da ideia de que vão “fazer a revolução”.

    Qualquer mudança histórica de peso exige poder real, ou seja, amplo apoio consciente de grandes contingentes da população. O governo não dispõe dele, e a esquerda menos ainda. É estranho que o artigo do Iasi não fale em ampliar apoio na base social, mas em “Pequeno grupo compacto, seguimos por uma estrada escarpada e difícil, segurando-nos fortemente pela mão”, citando “São Lênin”.

    E esta desconexão entre a esquerda e as camadas populares vai continuar enquanto eles desprezarem sistematicamente tudo que veem como “migalha”. Ou vocês acham que eles vão convencer alguém beneficiado pelo “Mais Médicos” que este programa não é o suficiente? Vão convencer assalariados que o aumento do real salaŕio mínimo é ruim e eles devem abandonar tudo e juntar-se à luta? (Aliás, Iasi não entra no mérito de como estas duas políticas governamentais continuariam num eventual governo do PSDB…) Aqui no Rio o PSTU vive falando da “paz armada dasUPPs” esquecendo que nas favelas o cotidiano era de Caveirões e traficantes aramados o dia inteiro. Queria ver eles convencerem a população das favelas que a vida deles piorou.

    Outro problema do texto do Iasi é que ele sugere que por trás da posição estejam rancores da guerra das esquerdas no trecho “Primeiro foi necessário destruir a esquerda dentro do PT e sabemos os métodos que foram usados nesta guerra suja.” Tem que ficar claro se o problema é a posição do governo ou “com este pessoal eu não me misturo mais”. Se for, tudo bem, só não precisa escrever 10 laudas com outras justificativas. Em todos caso, esta birra também não aumenta o poder real da esquerda.

    P.S: algumas ideias sobre poder real: http://tinyurl.com/lgbgs5h

  13. Under_Siege

    21 de junho de 2014 10:06 pm

    congresso progressista

    é a mãe da mudança: se estes esquerdistas sectarios pretendem o poder só poderá ser pela força, vez que, conquistar cadeiras – em bom numero – em nossas casas legislativas para mudar o sistema de dentro… nisto parecem não estar interessados.

    Preguiça desta extrema esquerda que anda juntim com a direita… tédio!!!

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