Quando Lula chamou os aposentados de vagabundos, ali, naquele momento, deixei de votar no PT.
Em outubro deste ano, teremos a oportunidade de recolocarmos o Brasil no caminho do progresso e da justiça social. Mas, para isso, é necessário apearmos do poder o atual partido no comando do governo federal.
O que vimos nos governos do PT, no de Dilma, inclusive?
Vimos um povo desassistido, vimos um salário mínimo deprimido. Não vimos nada que pudesse ser chamado de uma política de distribuição de renda ou de promoção social, apenas uma ou outra ação tomada de afogadilho quando o fim de algum subsídio social lança a população mais carente em um nível de miséria afrontosa à nossa noção de dignidade.
Vimos a educação técnica e superior abandonada. Há quanto tempo não se constrói uma nova universidade ou escola técnica federal? Em quanto cresceu a nossa população de universitários? Temos, por acaso, algum programa que promova a inclusão das camadas mais pobres à educação de 3º grau?
Há quanto tempo não se constrói um nova estrada, ferrovia ou aeroporto? Há quanto tempo não vemos uma obra de mobilidade urbana onde exista a presença de verbas federais?
O que é feito em prol da habitação popular? Onde está o governo federal nas poucas unidades que ainda são entregues por governos estaduais e prefeituras?
Apesar das soluções técnicas e dos dados demográficos disponíveis, há alguma obra voltada a minorar o sofrimento do sertão nordestino com as secas? Não, a falta de água é um fantasma a rondar essas populações.
No interior, há cidades sem a presença de um único médico ou mesmo uma simples ambulância que pudesse socorrer um infeliz na cidade mais próxima. Onde há médicos, o pobre não tem acesso ao medicamento, inexiste uma farmácia popular.
As pessoas desses locais, sem acesso à eletricidade, vivem no século XXI como se estivessem ainda no século XIX. E como poderiam ter acesso a esse bem essencial se, mesmo nas áreas urbanas, o racionamento, a economia forçada de energia elétrica é um dado do cotidiano? Que segurança temos? Por exemplo, a criação de uma reserva de geração de energia termoelétrica e a ampliação das nossas linhas de transmissão seria o mínimo que um governo responsável deveria ter-nos garantido. Quais hidroelétricas foram e quais estão em vias de serem construídas? Como desperdiçamos por tantos anos o aproveitamento de nosso potencial eólico para geração de energia?
Mas não, os investimentos em infraestrutura foram contingenciados. Temos dívidas a pagar.
O povo não tem acesso a crédito, a compra de mera geladeira ou fogão é uma complicada operação financeira, a compra de um automóvel zero quilômetro é impensável, já que todo nosso esforço financeiro é drenado para pagarmos os juros de nossa impagável dívida externa. Vivemos subordinados aos mandos e desmandos do FMI. A inflação na casa dos dois dígitos e os juros na casa dos quarenta por cento. Com isso, acabamos por viver, aqui no Brasil, a crise de outros países. Qualquer crise econômica na Coréia de Sul, na Rússia ou na Argentina reflete imediatamente no Brasil. E, a partir daí, o efeito manada ou a mais descarada especulação provocam a fuga de dólares. Com tal volatilidade, como pode o empresariado planejar o futuro de suas empresas?
Nossa produção agrícola estagnada pela carência de financiamento de safra. Foi se o tempo em que nos julgávamos o celeiro do mundo. Hoje, vemos nações nos tomar os recordes de produção agrícola e agropecuária que orgulhávamos de determos, no passado.
A Petrobras arrasada, sem poder de investimento, seguindo de acidente em acidente para o fim que se espera – a privatização que possa salvá-la. Onde o sonho de ver essa grande empresa como uma alavanca do desenvolvimento da tecnologia nacional? Em quê as indústrias nacionais ao longo da cadeia de produção de petróleo, tais como a da engenharia naval e a de maquinário para exploração, se beneficiaram de encomendas vindas da Petrobras? Que nova tecnologia foi desenvolvida nesses anos de PT? Quanto foi acrescido às nossas reservas de petróleo? Nossa dependência dos grandes países exportadores só faz aumentar.
Quanto às nossas empresas estatais privatizadas a preço vil, onde foram parar os recursos vindos com essa privatização? Isso quando houve a entrada de recursos, quando a privatização não foi feita com recursos do BNDES ou com “moeda podre”. Um acinte, uma verdadeira entrega de patrimônio público.
Um escândalo, mas nada se investiga em governos petistas. O Congresso e os Tribunais de Conta intimidados e a Polícia Federal e os Órgãos de Controle manietados. Quando foi instalada a última CPI na Câmara ou no Senado? O grave temor de que a imprensa e o Judiciário, se não foram cooptados, foram silenciados, tal o receio que parecem ter de ir contra qualquer membro do Poder Executivo. Não que não nos cheguem do exterior fartos indícios de corrupção entre o governo e empresas mutinacionais. Mas qualquer investigação dormita em gavetas por anos. Líderes políticos que mantém seus cargos e participam de eleições mesmo que sobejem indícios sobre eles. A prescrição dos delitos é a maior pena aplicada, quando não o simples esquecimento.
A que grau de influência internacional os últimos três governos, todos petistas, conduziram o país? Onde, em que organismo internacional, nossa voz se faz ouvir mais forte hoje que no passado? Mesmo no âmbito da América Latina retrocedemos. Já foi o tempo em que achavam que para onde o Brasil fosse a América Latina iria. Hoje, isso soa como piada.
E para finalizar, a precarização das relações trabalhistas. Um emprego com carteira assinada é um tesouro, hoje em dia. E esse desemprego que destrói a nossa classe média. Classe média essa que se vê obrigada a emigrar, se quiser trabalho. Envia ao exterior seus filhos recém-formados para, lá, ocuparem posições de emprego subalternas.
Não aguentamos mais, só o retorno da oposição ao poder pode nos resgatar, nos reconduzir ao grande país que já fomos.
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