4 de junho de 2026

Sistema Alto Tietê corre risco de ficar sem água, assim como o Cantareira

Jornal GGN – A preocupação com a possibilidade de o Sistema Alto Tietê também entrar em colapso, a exemplo do Sistema Cantareira, já começa a tomar as páginas dos jornais. O Alto Tietê passou a ser mais explorado para suprir a demanda por água da Região Metropolitana de São Paulo quando o Cantareira começou a registrar volumes cada vez mais baixos em suas represas. 

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O Jornal GGN deu publicidade ao problema no último dia 6, em um texto publicado no blog do Sergio R. G. Reis, sob o título “Um novo capítulo da crise de água em São Paulo? Sistema Alto Tietê chega a menos de 30% de capacidade”. Hoje, o Estadão publica matéria abordando o tema.

Do Estadão

Depois do Cantareira, estiagem agora ameaça volume do Sistema Alto Tietê

Considerada a solução emergencial mais eficiente para suprir a crise do Sistema Cantareira, a transferência de água de outros mananciais para socorrer bairros da capital está delineando um novo cenário crítico no segundo maior sistema da Grande São Paulo. Com seu pior nível pré-inverno em dez anos o Alto Tietê – que abastece 4 milhões de habitantes – registra queda diária com a mesma velocidade do Cantareira e corre o risco de secar ainda neste ano, segundo estimativa de especialista na bacia hidrográfica.

Os dados da Sabesp mostram que não foram só os reservatórios do Cantareira que sofreram com a falta de chuva no verão. Nas cinco represas do Alto Tietê, distribuídas entre Suzano e Salesópolis, região leste da Grande São Paulo, o índice pluviométrico também ficou mais de 30% abaixo da média histórica entre fevereiro e maio. Enquanto reduziu a retirada de água do Cantareira em quase 10 mil litros por segundo, porém, a Sabesp manteve a produção de 15 mil litros do Alto Tietê e pretende avançar mais com a produção do sistema na capital.

“Estamos perdendo por dia 12 mil litros por segundo. Se continuar assim, o volume do Alto Tietê acaba em 150 dias e, pelo que sei, aqui não temos volume morto significativo para explorar. Estamos indo para o brejo do mesmo jeito e ninguém fala nada”, afirma o engenheiro José Roberto Kachel dos Santos, membro do Comitê da Bacia do Alto Tietê. Temendo o agravamento da situação, o grupo decidiu criar uma Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico semelhante ao grupo anticrise que acompanha a estiagem do Cantareira.

Para quem sobrevive das represas do Alto Tietê, a seca já traz prejuízos. “Estou há 14 anos aqui e é a segunda vez que vejo uma seca dessas. Os peixes já estão sumindo. Bagre, por exemplo, você já não encontra mais. E os clientes também, porque a represa baixou demais”, disse o pescador Moacir Natalício de Brito, de 59 anos, dono de um bar às margens da Represa Jundiaí, em Mogi das Cruzes, lembrando da seca na região entre 2003 e 2004.

Rodízio? Segundo a Sabesp, a transferência de água de outros sistemas foi responsável por 47% da redução de produção de água do Cantareira, que caiu de 31,7 mil litros por segundo para 22,9 mil. Outros 25% foram obtidos com a diminuição da pressão na rede, que tem provocado falta d’água em bairros altos e periféricos, e 28% com a economia no consumo pela população. Com essas medidas, afirma a companhia, “evitou-se rodízio de 36 horas com água e 72 horas sem água”.

Mas três dias antes de tornar pública a crise do Cantareira, no dia 27 de janeiro, a Sabesp afirmou, em uma nota técnica na qual defendia a manutenção das regras da outorga do manancial, que uma atualização recente dos estudos feitos para implementar um rodízio de 48 horas com água e 24 horas sem durante a crise de 2004 do Cantareira aponta que, com vazão em 28 mil litros por segundo, “haveria a implementação de um rodízio administrável para 9 milhões de habitantes”. Abaixo dessa vazão, continua, “teríamos consequências imprevisíveis para o atendimento dos 20 milhões de habitantes da região”.

Isso significa que antes da atual crise a Sabesp admitia que uma redução do volume do Cantareira levaria a um “rodízio administrável”, que foi descartado pela companhia e pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) no mês seguinte. Para o coordenador do Programa Água para a Vida da organização WWW-F Brasil, a nota da companhia mostra uma contradição entre o discurso técnico e a decisão política.
“Decisões técnicas dificilmente são respeitadas, ainda mais em momentos de crise. Não sei se é por causa do ano eleitoral que o governo não quis adotar uma medida sensível. O fato é que ainda estão apostando nas chuvas, o que é muito incerto e arriscado”, disse

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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22 Comentários
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  1. marcos coimbraa

    15 de junho de 2014 3:57 pm

    A demagogia vai durar até nas

    A demagogia vai durar até nas eleições. Passadas as eleições, racionamento duro. Se precisar cortar água 3 dias e ligar 1, o governador fará. Primeiro, as eleições. 

  2. Ugo

    15 de junho de 2014 4:45 pm

    sei lá!

    Agora nos camarores vips qual será o refrão?

  3. Sérgio Galvão

    15 de junho de 2014 5:03 pm

    Se vocês do site não tivessem

    Se vocês do site não tivessem perdido tempo ao mobilizar recursos e pessoas para discutir o “enorme” risco de apagão elétrico ao invés do óbvio ululante que é a grave crise de abstecimento hídrico do estado de São Paulo, teriam se antecipado ao Estadão.

     

  4. Assis Ribeiro

    15 de junho de 2014 5:10 pm

    Desde o dia em que começou a

    Desde o dia em que começou a ser divulgado os índices dos reservatórios e a sua queda diária que disse que a situação era de colapso.

    Dentro deste quadro era necessário e urgente o racionamento para que a situação não chegasse  à condição de seca nas residencias, comercio, indústria etc.

    Se espera, com ponto crítico máximo,  as chuvas que começam em outubro. Pela condição dos níveis de água, tais chuvas, dentro da da média, servirão apenas para encharcar o solo.

    A situação é grave.

  5. anarquista sério

    15 de junho de 2014 5:28 pm

     
    Essas notícias ajudam

     

    Essas notícias ajudam  narigudo.

         Porque o vai pra casa Padilha nem com reza brava ou braba mesmo.

           Até Dilma arrumou uma desculpa pra  não ir na convenção petista.

             A desculpa é que está gripada e não pode falar.

    Mas com Angela Merkel ela pode falar– e irá falar bastante.

             Coitado do Padilha.

              VAI PRA CASA PADILHA.

    1. DUDE

      15 de junho de 2014 7:35 pm

      ANARQUISTA, O LULA VEM AÍ

      Anarquista, não faça  festa antes do tempo.

      Dilma não virá. Questão de palanque.

      Mas Lula está aí.

      E você verá o que o maior Líder de nosso Páis fará.

      Padilha será o próximo governador..

       

  6. Conde de Rochester

    15 de junho de 2014 5:59 pm

    Região arida

    Não basta apenas o racionamento.

    Se o governo repetir o descaso da preparação do Pais com a copa do mundo de futebol,com a urgencia de se estudar alternativas para o problema da estiagem aqui em são paulo, a situação podera ficar muito critica para o paulistano, ja no ano que vem, o governo do estado vitimado por um otimismo doentio aguarda que provaveis chuvas venham a resolver o problema. Ou que passe as eleições e a coisa se resolva por si mesmo sem contestação.

    Vamos supor que o clima nesta região sofreu uma mudança definitiva, passando a se caracterizar por um clima mais seco e que a média das chuvas não serão mais como as de antigamente. E ai?

    Dilma repetiu que a seca do Cantareira é a mais severa dos últimos 84 anos, quando inciou a série histórica de medição. Conforme o Estado revelou no início do mês, um estudo contrato pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que estiagens críticas como a registrada entre outubro de 2013 e março deste ano no principal manancial paulista só ocorre a cada 3.378 anos 

    Vamos esperar passar as eleições, para se pensar com seriedade sobre o problema?

    1. Sérgio Galvão

      15 de junho de 2014 6:07 pm

      ahaha, típico dos “imparciais

      ahaha, típico dos “imparciais da internet”.

      Tem gente que não engana nem em um parágrafo, quanto mais o tempo todo…

    2. Artaud

      15 de junho de 2014 6:20 pm

      É muito azar, Geraldinho!!

      “…um estudo contrato pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que estiagens críticas como a registrada entre outubro de 2013 e março deste ano no principal manancial paulista só ocorre a cada 3.378 anos…” 

      Duas notícias interessantes; 

      1- Geraldo Alckmin finalmente resolveu enfrentar de vez a gravíssima “Crise hídrica”: contratou um estudo.

      2- Alckmin deu azar porque assumiu o governo exatamente quando venceu o prazo de 3.378 anos sem estiagem. Logo na vez dele.

       

      1. Sérgio Galvão

        15 de junho de 2014 6:32 pm

        ahahah, excelente. Como foi

        ahahah, excelente. Como foi azarado o Alckmin… e logo em ano de eleições 

    3. Abel

      15 de junho de 2014 6:21 pm

      São Paulo tem a Dilma que merece

      A Dilma citada acima é a presidente… da SABESP: Dilma Pena. É curioso que nenhum paulistano ainda não a mandou tomar onde não bate sol…

      http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2014/05/presidente-da-sabesp-compara-crise-hidrica-tsunami.html

  7. peregrino

    15 de junho de 2014 6:26 pm

    é o que acontece quando o novo fica impedido de nascer…

    só espero que a não aceitação da desculpa de sempre seja a gota d’água que falta……………..

    tantos anos de governo tucano sem que nunca tenha chovido o suficiente é uma combinação inaceitável,

    por inacreditável

  8. peregrino

    15 de junho de 2014 6:46 pm

    sem ver no perigo para todos uma oportunidade política…

    acredito se tivessem exposto e discutido seriamente com o governo federal a gravidade da situação, teriam dado um passo muito importante para resolver a questão, somado forças importantes

    1. peregrino

      15 de junho de 2014 7:03 pm

      sempre me guiei e parti do seguinte princípio…

      quando falta união, assim se faz e assim se paga

  9. Gão

    15 de junho de 2014 7:04 pm

    Tucanos tomam(“água”) na cantareira e mandam a dilma tomar…

    É pra nivelar tudo por baixo. 

    Dilma: – pode até ser mas na cantareira não! eu sou de família.

       E ainda falam mal da transposição do São Francisco. Graças a dicotomia entre tucanos e petistas temos seca em SP e água(limpa) no nordeste, o que uma eleição não faz! e ainda tem gente que quer acabar com elas.

  10. C. Acácio

    15 de junho de 2014 7:29 pm

    A solução virá , em breve.

    A solução virá , em breve. Logo , que o governo paulista receber as instruções de Washington …

  11. jura

    15 de junho de 2014 9:05 pm

    Errei o prazo

    Sempre previ um desastre ambiental em São Paulo. Nunca imaginei que seria tão rápido.

    Desculpem a minha falha. Foi maus.

  12. sergiorgreis

    15 de junho de 2014 9:29 pm

    Caros, 
    Agradeço pela

    Caros, 

    Agradeço pela citação. Como vários colegas leitores, tenho acompanhado diariamente a evolução do quadro dramático da água em São Paulo. O que lamento profundamente é essa incapacidade da mídia mainstream de transcender os seus interesses partidários mais mesquinhos e imediatos para tratar profundamente de um tema que vai afetar, no limite, a todos. É mais do que óbvio, a essa altura, que não importará o nível do problema, que os meios de comunicação dominantes não lhe darão a atenção devida. Devemos nós, então, intensificar nosso papel enquanto agentes que buscam fazer um controle social republicano e disseminarmos nossas análises, críticas e propostas progressistas para contornarmos essa crise, sabendo-se da incapacidade da gestão tucana de fazê-lo.

  13. emerson57

    15 de junho de 2014 10:15 pm

    nucleação de nuvens

    que é isso gente?

    nosso bom governador Geraaaaldo já mandou fazer a nucleação de nuvens.

    cada vez que passa uma nuvem gordinha, cheia de agua sobre as bacias dos paulistas,

    o Aidemim dá a ordem de derrubar incontinenti a nuvem.

    #nãovaiterbaciavazia 

    os paulistas vão continuar bebendo da sabedoria do tio rola b. dos olavos, dos jabores etc.

    até o cacique Cobra Coral já mandou uma mensagem psicografada para o tucano:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=PMYQAYwhlkI%5D

     

  14. janes salete

    15 de junho de 2014 10:42 pm

    Bom, depois do fiasco, mais

    Bom, depois do fiasco, mais um, que sp propicia, comemorarem sua má educação com àgua cheia de m…tá de bom tamanho… desculpa, gente, mas não resisti! 

  15. Iara G

    16 de junho de 2014 2:13 am

    Vai ser um baque na economia brasileira e do continente.

    E do mundo. Já pensou a grande SP sem o básico para se produzir o mínimo? Vamos entender na pele o que quer dizer: “ÁGUA É VIDA”.  Se SP se torna uma “Detroit”, como vimos as imagens aqui, vai ser uma barra que levará muito para ladeira abaixo. Nassif, isto é mais importante que copa, eleição ou muita coisa. São vidas humanas. Já pensaram nas convulsões que virão? Precisamos fazer uma campanha já e não esperar que os governantes ávidos pelos resultados da urna, ainda que iludindo sobre o risco de continuar usando normaalmente este recurso que de escasso, será não apenas valioso, mas motivo para guerras.

    VEJAM COMPARAÇÕES ECONÔMICAS E IMAGINEM AS CONSEQUÊNCIAS POSSÍVEIS:

    A Europa tem 50 países. Se a grande SP fizesse parte dela, em população só teriam 10, maiores que ela. Sendo que um deles (Romênia) quase que teria só 1 milhão a mais. A Grande São Paulo que com seus 20,8 milhões, é uma região formada por 39 municípios torna-se um imenso país com área de 8.500 km², o que corresponde a menos de um milésimo da superfície brasileira e pouco mais de 3% do território paulista. Tem aproximadamente as mesmas dimensões de algumas nações, como Líbano (10 452 km²) e Jamaica (10 991 km²). Para se ter uma idéia comparativa, novamente com a Europa, somente 7 dos 50 estados europeus são menores que a grande SP, sendo a maioria destes 7, os principados e o Vaticano. Comparando-se com a pátria irmã, Portugal, esta tem mais de 10 vezes o tamanho territorial da grande SP, com quase a metade de sua população. O PIB também é maior que o de Portugal. Em dólares americanos, o de Portugal é 229 bilhões e o da grande SP, supera as 274 bilhões de verdinhas. A Grande SP representa por volta de 58% do PIB do estado, que é cerca de cerca de 1/3 do PIB de todo o país. Somente a cidade de SP (a maior, mas apenas um dos 39 municípios),  tem um PIB que representa cerca de 70% da economia da Argentina, 85% da Venezuela e 90% da Colômbia e ainda é cerca de 17% maior do que o PIB do Chile. Já pensou, a cidade que não para, parada? Estamos preparados?

     

  16. Cristina Locatelli

    16 de junho de 2014 2:18 pm

    CRIME!

    Crime social, ambiental, econômico, nessa terra desgovernada que é São Paulo. Todas as reservas: Cantareira, Alto Tietê, e tudo o mais que for solicitado, será esgotado. Viraremos uma cidade-fantasma, sem água, vital para a sobrevivência.

    Dilma, será que dá pra esticar a Transposição do São Francisco até aqui?

    Cadê o Ministério Público, a Saúde Pública? O caos na Saúde está perto, e não será por falta de hospitais ou médicos, mas por falta de ÁGUA!

     

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