22 de julho de 2026

O brasileiro e sua crença na “imprensa ética, factual e apolítica”

“A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.”
– prof. Andrew Oitke, catedrático de Antropologia em Harvard

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O grande problema que vejo nessa questão sobre como a mídia age, é constatar que o brasileiro médio acredita que ela é isenta, “fiscaliza” o governo, quer o bem de toda sociedade, e é imperiosa para a democracia. O paradigma é o jornalismo americano!

Nunca me esqueci de Catharine Graham em seu premiado (Pulitzer) livro auto biográfico “Uma história pessoal”, em várias partes do livro se auto enganando (ou não?). Passa boa parte do livro tentando convencer o leitor de fazer um jornalismo “independente e isento” no seu Washington Post, e ao mesmo tempo contando sobre a linha de ajuda escancarada nas campanhas de Kennedy e Lyndon Johnson. O jornal funcionava quase como um comitê partidário democrata. Ela sempre terminava com um singelo: – acho que interferimos mais do que gostaríamos na campanha… Uma esbórnia! E cá entre nós, o Pulitzer foi demais para aquele livro meio xoxo (mas não de todo ruim), só venceu por causa do “peito” que ela demonstrou ao lidar com Watergate e a crueza com que encarou o suicídio do marido.

Já na Europa a “coisa é mais mexida”, os jornais assumem suas preferências políticas e partem para a defesa dos interesses políticos em que acreditam ou que lhes convém. Mas também há muito “mimetismo” de informação, o estilo Murdoch de jornalismo fez escola no mundo todo.

Eu acredito que o papel da imprensa enquanto agente de informação possível, voltado realmente para a cidadania, ciência e entretenimento, só se dará com pulverização, ou seja, fim dos oligopólios, monopólios, fim da propriedade cruzada, e uma lei de direito de resposta clara e rápida (aliás o capitalismo também fica melhorzinho assim).

O jornal PODE E DEVE ter opinião, isto deve sempre ficar claro, mas meu texto é crítico ao leitor médio que PENSA que as notícias que lê são a mais pura expressão da verdade, mas NÃO SÃO. O brasileiro médio acredita na “imprensa isenta, factual e apolítica”, um condicionamento adquirido em virtude do analfabetismo funcional e ausência de senso crítico do populacho mediano. O leitor brasileiro precisa elevar seu grau de senso crítico (e isso é difícil sem a já famosa educação), parar de acreditar em lorotas e meias verdades. Ele tem que ir sorver a informação, principalmente sobre política e economia (já repararam que só “consultores”, quer sejam, PJs empregados de banqueiros, falam sobre economia?), em várias fontes da imprensa. Por outro lado, o que não pode acontecer jamais, é a censura de conteúdos, embora haja uma “zona nebulosa” na questão de incitação à violência, que precisa sempre de clareza legal. 

O ideal é que se vá desde a “grande” imprensa, até a pequena como os vários blogs existentes na internet, que são pouco produtores de conteúdo, visto não disporem de grandes recursos financeiros, mas muitas vezes conseguem “furar” o pensamento único da velha imprensa, com “checagens” e pesquisas facilmente acessíveis após a “abertura da caixa de pandora” efetuada pela reportagem “com viés”. Quer seja, é sempre necessário checar outras fontes e ângulos, ouvir a outra parte DANDO O MESMO ESPAÇO, etc.

Enfim para que se alcance um bom grau de progresso cidadão e civilizatório no Brasil, é necessário que se desenvolvam políticas públicas educacionais que vão além da escola voltada para o mercado, com o devido reforço nas disciplinas da área de humanas tais como filosofia, história, sociologia, antropologia, e a devida “polida” no português, principalmente  aprender  a interpretação de textos. Sei que os “tecnicistas” torcem o nariz para essas ideias, mas conheço ótimas pessoas com sólida “formação técnica”, talvez acostumados demais com pensamento cartesiano, que não fazem a menor ideia do quanto são enganados por “verdades” de mentira. 

 

Sérgio Troncoso

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

19 Comentários
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  1. Lionel Rupaud

    7 de junho de 2014 3:40 pm

    Eu tive recentemente algumas experiências

    com a mídia brasileira, seja TV, jornais e revistas que não vejo/leio faz um bom tempo: ler e vê-la nas salas de espera que tenho que frequentar, e logo depois ler e ver o mesmo assunto tratado na mídia francesa (que não é nenhuma Brastemp!).

    Foi chocante ver o nível de vulgaridade e despreparo dos “jornalistas” brasileiros.

    Aí fui pescar no site da TV5 uma entrevista de um dos líderes da UMP (partido de Sarkozy) e compara-la com a entrevista do E Campos no Roda Viva. É estarrecedor!

    O pior é que esta mídia é certamente o espelho que a grande maioria dos brasileiros usa para se definir.

    E os brasileiros com quem convivo são muito diferentes desta farsa vulgar e despreparada.

    Como espelho só serve para definir o grau de vulgaridade e despreparo das famílias Marinho, Frias, Civita e anexos menores.

    1. Sérgio T.

      7 de junho de 2014 4:36 pm

      Obrigado!

      Obrigado pelo retorno Lionel!

      Pouco leio a imprensa estrangeira, apenas a espanhola por ser descendente deles. E claro, desconfio a muito tempo sobre a nossa imprensa estar entre as piores. Também não quis dizer que não leio nada, e nessas “lidas” eventuais, fiquei com a vívida impressão que a do império (EUA) também é horrosa, embora superior a nossa (o AA discordará).

      Mas meu texto vai mais na direção da constatação do baixo nível de entendimento e interpretação de texto do brasileiro médio. Normalmente ele apresenta falta de cultura ética e filosófica por causa de falhas educacionais, tanto escolares, quanto cidadãs, dada pelas famílias. Falta também vontade de perseguir a informação correta, porque sobra preguiça e futilidade.

      Um abraço.

    2. IV AVATAR

      8 de junho de 2014 9:11 am

      .

      E vc faz muito bem em não ver TV apesar de que precisamos dar um jeito de usar o programa de humor desta noite de sábado  para exigir que o mpf tome uma atitude contra a emkissora a qual em toda a sua totalidade foi usado para atacar Dilma e convocar para os protestos, isso eh crime de lesa-pátria.

      https://www.facebook.com/pages/Poder-Executivo/142742745924528

  2. NALDO

    7 de junho de 2014 3:56 pm

    O problema foi que nos anos

    O problema foi que nos anos da redemocartização os jornais tomaram um papel importante e ficaram com essa aura de defensores da sociedade, que nunca foram, e muitos acreditaram jogando na lata do lixo da Hístória a verdadeira participação dos jornais na ditadura; isso só acabou quando mostraram a verdadeira cara despuradamente com a eleição do Lula, antes a Erundina e a Marta já sofriam com a sanha antitrabalhista da midia, hoje só se deixa enganar quem quiser, por que até a presidente deles já falou que a imprensa assumiu o papel da oposição. 

  3. Fabio Passos

    7 de junho de 2014 4:11 pm

    O PiG dissemina a ignorância e o ódio preconceituoso.

    Há muito o PiG deixou de fazer uma defesa racional dos interesses da casa-grande.

    Incapaz de justificar com argumentos a perpetuação do Apartheid Social, a máquina de propaganda da “elite” branca e rica joga todas as fichas em manipulações e mentiras preconceituosas contra os representantes da maioria trabalhadora.

    Ainda existe uma parcela da classe média que emula os valores da casa-grande. Desprezam o povo brasileiro. Consideram-se superiores. São voluntariamente adestrados pelo PiG. 

  4. Luciano Prado

    7 de junho de 2014 4:11 pm

    Até bem pouco tempo a velha

    Até bem pouco tempo a velha mídia brasileira (seus patrões) recusava-se a admitir o apóio à ditadura militar e sua ativa participação.

    O fez recentemente muito a contragosto e dissimuladamente, para que a sociedade brasileira não tomasse conhecimento dos horrores que ajudou a praticar.

    Antes de admitirem, porém, os barões da mídia tentaram novamente mentir ao país quando encobriram as “Diretas Já”. Só vieram a divulgar quando não dava mais para esconder.

    Demorou! E não aprenderam. A boca continua torta pelo uso do cachimbo. Parece ser da natureza. De lá para cá muitos “golpes” foram tentados. Os jovens de hoje não conhecem sobre o caso Proconsult, por exemplo. Não sabem sobre a manipulação no debate da campanha presidencial Collor x Lula.

    Hoje, novamente os patrões da velha imprensa tentam impingir ao país, através de mentiras e dissimulações, com a colaboração efetiva de soldadinhos muito bem pagos, a idéia de que regulação da mídia tem a ver com censura aos meios de comunicação. Como se isso fosse possível em plena democracia e com a Constituição sendo lembrada e avocada a todo instante. 

    Certamente no futuro serão obrigados, novamente, a – dissimuladamente como é do feitio – admitirem que estivessem “equivocados”.

    Por enquanto vão continuar mentindo e fazendo do oligopólio seu bunker para, através da mentira, da dissimulação “conquistar” incautos.

    Não tenho um fiapo de dúvida quanto ao terrorismo midiático imposto aos otários que, por exemplo, não querem a Copa.

    Tão grave quanto é o aproveitamento que partidos e políticos conservadores tiram desse expediente na doce ilusão de que serão eternos beneficiários dessa distorção. Como se a conta não chegasse para todos.

     

     

     

  5. wanildo alves

    7 de junho de 2014 4:21 pm

    Credibilidade da grande imprensa/PIG

    No Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim, ví uma frase de um internauta que expressa o atual momento da cerdibilidade da grande mídia/PIG: ” SE PASSOU NA GLOBO, DESCONFIE. SE ACREDITAR, RELINCHE!”.  

  6. Gunter Zibell - SP

    7 de junho de 2014 5:07 pm

    O “outro lado”

    Muito bom post, Sérgio T.!

    Mas posso contrapôr com uma visão coxinha?

    Não é de todo equivocada a visão de que a mídia fiscaliza os governos. Ela tem lado e é tendenciosa na cobertura, sim, aliviando para uns e carregando para outros. Mas não tem como tapar sois com peneiras.

    Os vários problemas de SP, por exemplo, como os conhecemos? A falta de investimentos em abastecimento de água, o deficit da USP, o aumento de criminalidade, o excesso de concessões ao grupo Controlar, tudo isso soubemos pela mídia. Eu pelo menos soube, posto que não frequento mais a Blogo.

    E essa mídia não impediu a eleição de Dilma, nem mais recentemente a de Haddad, certo? Fiquemos no nosso Estado, SP, sede de boa parte da mídia e da classe média ‘demonizada’. Essa demonização que se faz da classe média paulista caiu por terra quando Haddad se elegeu com uns 45% dos votos nas famílias acima de 5 S.M. E quando Dilma se elegeu com percentual parecido ao de Lula em 2006. Notaram como depois disso, e dos insucessos do governismo em capitais como Manaus, Belém, Fortaleza, Recife e Salvador “sumiram” no blog as críticas ao suposto reacionarismo paulistano?

    No entanto são fatos da vida que a 4 meses do 1º turno Alckmin está com 58% dos votos válidos:

    http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/datafolha-sp-com-44-alckmin-seria-reeleito-no-1-turno,4dba7183ee476410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

    É preciso lidar com isso sem preconceitos. 

    Temos ainda a questão da Blogo. Por volta de 2009 e 2010 eu tinha esperanças com ela, debatemos muito por aqui naquela época, não? Mas o que aconteceu? A partir de meados de 2011 eu percebi como a Blogo omite sistematicamente qualquer crítica ao governismo, especialmente não fala nada sobre as inúmeras concessões espúrias ao conservadorismo em muitos níveis. Eu não sou uma pessoa de esquerda, é fato. Só que o governo conseguiu ficar ainda mais à direita em muita coisa. 

    No entanto a Blogo se omite em relação a tudo, fica vendendo a ilusão de que a configuração atual de forças seria menos pior que uma oposição de centro-direita mais tecnocrata. É claro que pessoas com um pouco mais de hábito de buscar informação notam o processo e dizer que há blogs que são certamente “chapa branca” não é exagero. Ou seja, houve uma nivelada por baixo. 

    Se a grande mídia é tendenciosa, a mídia governista (impressa ou alternativa) não é menos. E ambas ficam encorajando algo que não serve a ninguém a não ser políticos: a divisão do país em uma falsa polarização. Nem o governo é o demônio que alguns colunistas da mídia pintam (sem esquecer que há vários colunistas muito citados pelos governistas, como Prata, Freitas e Gancia) mas com certeza não é o País das Maravilhas que militantes do PT propagam pelo facebook.

    (Enquanto escrevo assisto ao Jornal Hoje, da Globo. Um festival de ufanismo pró-Copa, dizendo como o Brasil é bem visto no exterior.)

    x-x-x-x-x-x-x

    Temos que tomar um pouco de cuidado com esse mito da educação. Na Rússia a universalização do ensino médio é muito mais antiga que no Brasil. Isso não impede que seja um povo alienado politicamente e facilmente manipulável com discursos de medo.

    E temos que ter menos ilusão com a formação intelectual no Brasil mesmo. Provavelmente foram razões emocionais, como a ansiedade de se ver sonhos antigos implementados, que tiraram muito da criticidade. Eu fico permanentemente perplexo com a facilidade com que pessoas de sólida formação acadêmica acreditam em mitos disseminados pela suposta esquerda. 

    Você falou num Pulitzer precipitado. Olha, acho que isso se aplicaria a Snowden/Greenwald também…

    Não é que o brasileiro médio acredite na imprensa  isenta. Não podemos ser tão duros com uma população, por exemplo, que votou em massa no MDB para senador em 1974 (numa época em que a escolaridade por adulto era de apenas 3 anos, contra os 7 anos atuais.) Que, em SP capital, pôs Erundina na prefeitura logo após os incidentes da CSN. Que em SP estado elegeu e reelegeu continuamente Suplicy (aliás, o % de congressistas do PT paulistas é maior do que no demais do país.)

    O brasileiro médio (ou eleitor médio) busca se informar sim. Busca votar conscientemente. Essa estória de nos chamarmos de alienados só é usada quando não nos favorece (ou a não favorece a um lado.)

    O “mundo” era muito simples nos anos 1970/1980. Havia apenas dois lados: o do autoritarismo (ou falta de liberdades plenas) e o da democracia. 

    Agora não, já se passaram 25 anos da redemocratização e o Brasil está muito mais amadurecido politicamente. Após uma evolução política natural, em que configurações cada vez mais social-democratas foram sendo experimentadas, talvez tenhamos chegado àquela situação tão comum em democracias mais maduras: a da alternância.

    A consciência coletiva de que talvez seja um momento de mudança, tal como em 2002, pode estar ocorrendo agora. Algo que não era tão claro em 2010 ficou explícito agora: o PT faz erros e o PT não é o “fim da História”. Provavelmente Dilma se reelege, mas tensões e problemas poderão se acumular até 2018 ou 2022.

    O que acontece é que expectativas das pessoas vão naturalmente se substituindo com o tempo. Um eventual aumento de preferência pela oposição agora não significa reacionarismo, avanço da direita, manipulação da mídia. Significa apenas que não dá para passar a vida falando de Bolsa-Família, como não deu para o PSDB passar a vida falando de Plano Real.

    Hoje há uma maior consciência da população brasileira de que grande parte da evolução sócio-econômica do Brasil nos últimos 20 anos, quer positiva quer negativa, não se deu em função de gestões partidárias, mas de condições internacionais. Não há mais aquele espaço de antes de se demonizar partidos com jargões prontos tipo “com o PT a inflação vai voltar e será implantado o comunismo”, “com o PSDB a CLT será cancelada e voltaremos à miséria”. Isso é usado por extremistas em redes sociais, mas é tolo, não cola.

    O brasileiro precisa melhorar seu senso crítico sobre economia? Sem dúvida. Deveria melhorar seu senso crítico de como sobre se realizam coligações e se faz propaganda política também. Mas ficando na economia, que é minha formação: não há senso crítico nenhum na Blogo e é muito fraco o conhecimento em economia da maioria dos órgãos alternativos de mídia, em geral reproduzem ideias fantasiosas de como as coisas deveriam ser. E a grande mídia brasileira sequer é crítica o suficiente em relação aos problemas brasileiros… 

    Vamos mal, na verdade. Se a grande mídia só faz a crítica periférica na questão da economia, tocando de leve no problema do Brasil ser um dos países onde menos cresce a produtividade, pouco falando da importância de uma reforma tributária e do mercado de capitais, mal fala de problemas reais em outras áreas (direitos indígenas, meioambiente e Estado Penal, por exemplo.)

    E a Blogo não faz contraponto nenhum: no que se refere a economia se autorreferencia em discursos triunfalistas e ufanistas, que desaparecerão tal como surgiram assim que houver queda nas relações internacionais de troca. E nas outras áreas? Bom, total silêncio condescendente como sempre. Estou até achando inédito que não tenham surgido artigos para defender como “progressismo” a revogação da Portaria 415…

    Mas não pense que eu estou mais pessimista que você não… Se eu concordo que a mídia tradicional é um fracasso, e exponho algo que as pessoas ainda estão constrangidas em dizer, que é a blogosfera também ser um fracasso (e que também omite e desinforma, e muito!), não quer dizer que eu pense que o eleitor brasileiro seja inconsciente ou desinformado. 

    Eu acho até que se vira bastante bem o que tem recebido. 

    Só que isso não combina com o discurso tanto de uns como de outros. 

    E aí, paciência! 😉

     

     

    1. lenita

      7 de junho de 2014 8:27 pm

      Na eleição passada, eu ia

      Na eleição passada, eu ia votar no Serra, pensando como vc, ser salutar a alternância de poder. Porem, qdo ele iniciou a campanha mais nojenta que eu jamais pensei ver em minha vida, mudei rapidamente de idéia, pois a contribuição que ele estava dando para o verdadeiro FLAFLU que estamos vendo até hoje, seria por demais maléfica p/ a política e principalmente p/ o país. S/ a nossa imprensa fazer o que fizeram com o Caixa Dois do PT e c/ a colaboração mais que rápida e “importante” do nosso  STF, permitiu-me entender o baixo nível de suas preocupações e o altíssimo de suas verdadeiras intenções. Incutindo nas pessoas o pensamento de que ser petista é ser inferior, e o preconceito que conhecem é apenas o racial. Se o PT ainda detem muitos votos e tem conseguido vencer eleições importantes é pq a popolução mais carente entendeu que ela tb tem seus direitos, e encontrou um partido que os tem apoiado, na medida em que conseguem.

    2. hc.coelho

      7 de junho de 2014 8:41 pm

      Interessante

      É interessante sua análise, mas fica claro sua antipatia ao que chama blogo governista. Comparar o pig com concessão pública para informar e definitivamrente não fazê-lo, uma potência, que já “elegeu” vários presidentes, que luta pelo seu direito a mandar e ser obedecida, potência que ataca  aquem não lhe obedece, riquissima, com interesses empresariais definidos, com o tal blogo deprimido, sem dinheiro, acossado pelo justiçamento, perseguido e que reage, sobra-lhe apenas a reação, é uma comparação um tanto indevida. 

      A imprensa pode e dever assumir sua posição, tomara que de oposição, mas não fingir que não o faz, e institualizar a falsidade e a mentira, cometer o crime que está cometendo.

      Ontem mesmo o jn disse mal humorado que cuiabá tem 160 obras das quais apenas 40 foram concluidas, insinua que teve corrupção e desvio de dinheiro e logo em seguida atacou que os impostos são altos e não devolvidos à sociedade. A noticia verdadeira era a mesma, mas era: que Cuiabá havia concluido a tempo, o que é inedito no país, 40 principais e necessarias obras para a copa, mas que a cidade ainda ganharia 120 outras nos próximos dias, sem nenhuma acusação concreta de desvios de dinheiro, e, ainda, devolvendo à vista os impostos à sociedade. Isto é ou não bandidtismo? É ou não crime de desinformação?

      Falo de crime de desinformação. Usar o jornal e seu enorme alcance e poder para cometer crime.

       

  7. Luciano Prado

    7 de junho de 2014 5:07 pm

    Uma questão de sobrevivência democrática

    Economist: hegemonia da Globo não tem comparação no mundo!

     

    7 de junho de 2014 | 12:08 Autor: Miguel do Rosário 

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    Essa matéria da Economist faz algumas comparações arrepiantes entre o tamanho da Globo no Brasil e o tamanho das principais TVs norte-americanas.

    Arrepiante por duas razões: 1) eu, que escrevo há anos sobre mídia, nunca tive acesso a essa informação; 2) agora temos noção melhor do papel nocivo da Globo na democracia brasileira.

    A parte da reportagem que mais me interessou, como eu disse acima, foi a comparação entre Brasil e EUA, feita nos dois primeiros parágrafos. Eu mesmo traduzo:

    Quando a Copa do Mundo começar no dia 12 de junho, dezenas de milhões de brasileiros irão assistir às festas na TV Globo, o principal canal aberto da televisão do país. Mas para a Globo será apenas mais um dia de grande audiência. Não menos que 91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, passa pelo canal durante o dia: o tipo de audiência que, nos EUA, acontece apenas uma vez ao ano, e apenas para o canal que ganha o direito, naquele ano, de exibir o Super Bowl, o jogo dos campeões do futebol americano.

    A Globo é certamente a empresa mais poderosa do Brasil, dado o seu alcance em tantos lares. O seu concorrente mais próximo, a Record, tem uma audiência de apenas 13%. O canal de TV mais popular dos Estados Unidos, a CBS, tem apenas 12% da audiência durante o horário nobre, e seus principais concorrentes oscilam em torno de 8%.

    (…)

    Em outro trecho da matéria, comenta-se o poder da Globo de moldar comportamentos no Brasil. “Seus programas também moldam a cultura nacional”. Não é assustador que esse poder fique concentrado em mãos de uma só empresa, de uma empresa que, por sua vez, consolidou-se na ditadura e que uma postura fortemente partidária e ideologizada?

    A revista comenta que, em outros países latino-americanos, como na Argentina e no México, os governos estão combatendo o excesso de poder da mídia, mas o “governo brasileiro é mais dócil em relação aos proprietários de mídia”.

    Repare que a Economist faz qualquer reparo “antibolivariano”, tanto que ela toma o cuidado de citar um governo de esquerda (Argentina) e um de direita (México).

    E aí, Dilma, agora entende porque precisamos de uma lei para dar fim a esse monopólio? A hegemonia da Globo já está causando estranheza internacional!

    O mundo está olhando mais para nosso país e uma das coisas que o tem surpreendido negativamente é a concentração midiática, que é uma faceta de nosso atraso cultural e político.

    Afinal, queremos ou não ser um país democrático?

     

  8. Juliano Santos

    7 de junho de 2014 5:41 pm

    Sim, o brasileiro médio é

    Sim, o brasileiro médio é ingênou a esse ponto, caro Sergio. Acredita nas boas intenções “patrióticas e democráticas” do pig. No entanto, aos poucos, cada vez mais brasileiros estão “sainda da média”. Os coxinhas dominam o Faceburro, mas não são a maioria do povo brasileiro.

    Prova disso, é que o onibus da Fátima Bernardes que iria viajar o país durante a Copa, vai ficar na garagem. Isso sem contar, que apesar dos pesares a Dilma ainda está em primeiro nas pesquisas, e Aécio sobe muito devagar. A se considerar que “o Brasil está na merda”, não deveria ser assim. A oposição deveria ser favorítíssima para Outubro

  9. Alexandre Tambelli

    7 de junho de 2014 7:06 pm

    Excelente, Sérgio!Eu as

    Excelente, Sérgio!

    Eu as vezes observo que existe uma parcela da sociedade, que é até formadora de opinião (intelectualizada) que não tem a noção do partidarismo da mídia.

    É o cotidiano de muitos professores universitários e  a sua vida acadêmica. Leem a intelectualidade e produzem material a partir da intelectualidade. É um ciclo fechado. O mundo é um castelo para eles, onde a vida se realiza atrás das muralhas do castelo. 

    A produção acadêmica gira em torno de conceitos, de terminologias criadas por grandes intelectuais do passado e se constrói o seu conhecimento da citação de ideias produzidas no passado. 

    A abertura para o mundo de fora vem de telejornais e de Jornal diário, como a Folha de São Paulo. 

    O mundo real é lido/entendido por meio da velha mídia, no período do café da manhã e o jornal diário; e a partir de um telejornal noturno da Rede Globo/Globonews. 

    O cotidiano descolado do real, o cotidiano quase nunca apreendido com informação distinta da velha mídia, que nem chega ao seu conhecimento existir, caminhos mais seguros para se buscar informação: como os blogs progressistas e os sites oficiais do Governo Federal. 

    Todos nós assistimos a grande quantidade de experts universitários que apareceram pós manifestações de junho de 2013. Líamos textos que mostram pouca inserção no mundo real, apesar de serem, intelectualmente, bem fundamentados e com boa bibliografia na bagagem. O simples fato de ser um intelectual universitário de humanidades lhes pareceu capaz de compreender os fatos por completo, sem vivenciá-los na plenitude dos acontecimentos, como a galera dos blogs progressistas, que ficaram 24 horas/dia fissurados em leitura e informação de tudo o que acontecia. Caiam de para-quedas na discussão das manifestações de junho de 2013, como caem em outros momentos importantes. 

    E o debate universitário pode se truncar ai. O intelectual escreve um texto descolado do mundo real e sem nada de experiência vivida ou observada concretamente, o conteúdo não se baseia na realidade, e sim, na realidade fabricada pela mídia. Produzem textos que a gente muitas das vezes nem sequer lê do segundo parágrafo para frente de tão descolados do Brasil de 2014. 

    1. lenita

      7 de junho de 2014 7:46 pm

      Ah Alexandre, se eu soubesse

      Ah Alexandre, se eu soubesse que meus amigos iriam ler, eu pediria licença a vc, para postar seu comentário na Internet. Infelizmente, eles não irão ler, portanto não colocarei. Meus parabéns !

  10. Gão

    7 de junho de 2014 7:26 pm

    Não é questão de crença, é o método Laranja Mecânica

        Os cabeças vazias vão absorvendo por osmose qualquer trololó repetido 100 vezes. É impressionante como muitos coxinhas afirmam detestar a globo e seguem rigorosamente o receituário da vênus platinada contra seus inimigos, truque é lançar no ar os “memes” como se estivesse simplesmente transmitindo o “sentimento das ruas” e não o criando, dessa forma, lideram a manada mas fingem que estão só seguindo, foi assim que a reação à polícia paulista virou o movimento contra-tudo-que-está-aí e depois contra a copa. Apesar de terem perdido a batalha principal que é a presidência da república ainda conseguem mutilar o governo federal que deveria ter uma força eleitoral mais forte e maior apoio político para as ações governamentais.

      Hoje em dia a mídia dificilmente afirma algo peremptoriamente, a coisa está mais sofisticada porque o público está um pouco mais esperto apesar dos pesares, joga as peças de um quebra cabeça fácil para o público montar passando a imagem que eles querem. O poder “fiscalizador” não é constitucional, não é eleito, portanto não tem nada a ver com democracia, é tirânico, quando não está nas mãos de umas poucas “dinastias” como no caso dos maiores bilionários do país, está nas mãos de políticos que deveriam fiscalizar. O ideal seria não somente distribuir os vários veículos para controladores diferentes mais pulverizar o controle de cada veículo individual entre muitos controladores, fortalecer os meios públicos autonomia administrativa e verbas vinculadas como no caso das universidades, de preferência oficializa-los como poder autônomo com representantes eleitos, do jeito que está a mídia privada segue como parceira da igreja no controle de massas, seguindo a fórmula de propaganda psicológica iniciada por Goebbels na Alemanha nazista ainda é capaz de promover linchamentos como vimos recentemente no Brasil.

       É imprescindível modificar a legislação atual, melhor seria liberar todo os espectro disponível para qualquer um capaz de transmitir e retirar de quem abusa da concessão de forma a haver um maior pluralidade, se a própria população pudesse regular a mídia já teria retirado a concessão de todas as grandes redes, que são na verdade odiadas pelo público que não tem outra opção a não desligar a TV e fortalecer cada vez mas a internet.

  11. Fábio de Oliveira Ribeiro

    7 de junho de 2014 10:58 pm

    Os jornalistas brasileiros

    Os jornalistas brasileiros fazem hoje exatamente o que os monges faziam na Idade Média. A única diferença é que o Deus deles é o dinheiro, a Catedral deles é o Banco que anuncia no seu periódico e o credo deles é o neoliberalismo e o elitismo. Como os monges medievais, os jornalistas não gostam de ser contestados e, quando necessário, excomungam publicamente políticos e cidadãos que questionam ou colocam em risco seus privilégios. Os monges queimavam hereges, os jornalistas também fazem isto (vide o que ocorreu e ainda ocorre com José Dirceu e José Genoino). Em algum momento teremos que romper violentamente com está medievalização e mediocrização da vida política brasileira. A nossa Revolução Francesa não será anti-clerical e sim anti-jornalística. 

  12. Astronauta

    8 de junho de 2014 1:09 am

    A neutralidade da mídia

    Essa neutralidade ao descrever algum fenômeno não existe. Assim como ninguém entra no mesmo rio duas vezes, nimguém vê a mesma coisa do mesma forma. Além daquelas recomendações de consultar a outra parte, etc, é vital que haja uma multiplicidade de intermediários para o relato de um mesmo fato.   Acredito que desta maneira se cria uma prática de uma de imprensa mais democrática.

    Todo mundo tem um lado e a imprensa tradicional tem o seu. Não possui a antiga influência porque cometeu alguns fiascos, tentando defender o indefensável e perdeu o seu poder  sobre eleições. Nunca deve ser subestimada e acredito que já deveria ter sido criada uma mídia alternativa além da internet.

  13. Maria Carvalho

    8 de junho de 2014 1:47 am

    Prezado Sergio T.

    Parabéns pelo post!

    Peço licença para acrescentar.

    Há algum tempo assisto a TV Brasil, onde encontro, sábado e domingo (quando estou em casa), programas de bom nível, dentre os quais: Ver TV, Conhecendo Museus, Cnexão Brasil, Opção Saúde, Ser Saudável, Programa Especial, Papo de Mãe, TV é Ciência, Bom Para Todos, Stadium (programa de esporte onde se observa não apenas a divulgação de “estrelas” de futebol, mas sobre pessoas que se dedicam aos esportes).

    No endereço abaixo, encontrei um tópico interessante, o qual, embora sucinto, poderá abrir novas/maiores discussões:

    10 técnicas de manipulação que a mídia utiliza:

    1 – Distração

    2 – Problema-reação-solução

    3 – Gradação

    4 – A técnica do “deferido”

    5 – Infantilidade

    6 – Mensagens subliminares

    7 – Mantendo o público na ignorância

    8 – Estimular o público a permanecer na ignorância

    9 – Fazer com que as pessoas sintam-se culpadas

    10 – Eles sabem mais sobre nós do que nós mesmos

    http://vocesabiapergunteaqui.blogspot.com.br/2014/02/10-tecnicas-de-manipulacao-que-midia.html

  14. IV AVATAR

    8 de junho de 2014 8:52 am

    A Globo não sabe se transmite os jogos ou convoca para os protes

    A Globo usou todo o seu programa humorístico desta noite de sábado para atacar o governo Dilma e convocar para os protestos, assim a Globo mata dois coelhos com uma cajadada só: fatura bilhões de reais com a Copa e  da uma mãozinha para o seu candidato arrocho Neves  e, pelo que estamos vendo, com este tipo de jogo sujo, Copa de novo por aqui só daqui uns 100 anos,,,aproveitemos então o momento para festejar e exijamos que o MPF TOME ALGUMA  MEDIDA CONTRA A EMISSORA. Com esse tipo de imprensa jamais seremos uma grande nação…..ah estou esquecendo que um procurador do mpf resolveu agir, mas censurar as inserções do governo esclarecendo sobre o evento

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