O documentário de longa metragem “Maurina, O Outono que Não Acabou” será exibido na esteira da descomemoração do golpe militar de 1964, de hoje, dia 11 até dia 14, no Cine LT3, que fica na Rua Apinagés 135a, em Perdizes, São Paulo. As sessões acontecem às 18h em todos os dias.
A história versa sobre a freira Madre Maurina, de Ribeirão Preto, que foi presa em 1969, torturada física e psicologicamente, por crime que nunca cometeu, o de apoiar guerrilheiros que lutavam contra o regime militar.
Gabriel Mendeleh, diretor do filme e premiado na Espanha e nos Estados Unidos, diz que a “história da Madre Maurina é símbolo contra a ditadura militar, foi através dela que grandes nomes dessa luta, como Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo da capital paulista, começaram sua militância”.
A historiadora Nainora Freitas, uma das entrevistadas no documentário, diz que é extremamente relevante discutir a ditadura militar a partir da história da Madre Maurina. “Quando nós olhamos para a história da ditadura militar, que é uma história relativamente recente no Brasil, vemos que ainda é uma história apagada. Nós temos muitas lacunas a serem desvendadas neste processo histórico. E falar de Madre Maurina é trazer um pedacinho dessa história ainda oculta,” afirma.
Mendeleh ressalta que o documentário mostra que a violência do regime não ficou restrita às grandes capitais. “Quando a gente traz uma história dessa, da Madre Maurina, pro interior de São Paulo, é uma forma de mostrar que a ditadura também chegou nas cidades de menor porte do interior,” analisa.
Em 80 minutos, o documentário mostra a trajetória de Madre Maurina desde quando foi diretora do Lar Santana em Ribeirão Preto-SP, orfanato criado em 1931 que serviu de abrigo a crianças carentes até ser fechado em 2014. Em outubro de 1969, acusada de um suposto envolvimento com o grupo terrorista Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN), foi presa e sofreu diversas torturas físicas e psicológicas. Ela passou pela cadeia pública de Cravinhos (SP) e pelas prisões de Tiradentes e Tremembé, ambas em São Paulo (SP).
Seu nome foi o primeiro numa lista de troca de prisioneiros políticos pelo Cônsul-Geral do Japão, Nobuo Okuchi, sequestrado pelos movimentos guerrilheiros em 1970. Dessa forma, ela foi extraditada para o México. Um aspecto fundamental na história da prisão de Madre Maurina, foi o envolvimento do Arcebispo de São Paulo à época, Dom Paulo Evaristo Arns.
O filme foi produzido pela Kauzare Filmes, de Ribeirão Preto, e foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo – PROAC, em 2019. Tem o apoio do Governo do Estado de São Paulo, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, do Governo Federal, do Ministério da Cultura e da Lei Paulo Gustavo.
O documentário foi premiado em vários países.
Espanha (2022/23). Festival Cinema Independente de Sevilha (SEVIFF). Prêmios: “Melhor documentário de longa-metragem”, “Melhor diretor de documentário de longa-metragem”, “Melhor diretor estreante de documentário de longa-metragem”.
Índia (2022/23). Golden Eagle International Film Festival. Prêmio: “Melhor Documentário de Longa-Metragem”.
Estados Unidos (2022/23). Docs Without Borders Film Festival. Prêmio: “Mérito Excepcional”, categoria Revolution and Reform.
Moldávia (2022/23). Serbest International Film Festival (SIFF). Semifinalista.
Portugal (2022/23). Lisboa Indie Film Festival (LISBIFF). Seleção.
França (2022/23). Red Movie Awards. Seleção.
Malta (2022/23). Your Way International Film Festival. Seleção.
Itália (2022/23). Naples Film Awards. Seleção
Maurina,O Outono Que Não Acabou em SP
SERVIÇO
Documentário sobre a única freira presa durante a ditadura militar.
📽️Quando: 11.04 a 14.04 ás 18h
📹Onde: Cine LT3 Rua Apinajés 135a, Perdizes @cine_lt3
📼Quanto: R$ 12,00 preço único (ingressos antecipados pelo zap: 11 916795588)
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