17 de junho de 2026

Um novo capítulo da crise da água em São Paulo? Sistema Alto Tietê chega a apenas 30% de capacidade

Por sergiorgreis

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Talvez os meus textos constantes a respeito da situação da água em São Paulo sejam um tanto repetitivos, mas realmente trata-se de um tema que me causa a mais profunda indignação, dada a sua óbvia relevância, o relativo silêncio dos meios de comunicação e, é claro, a pseudologia fantástica do governo do Estado de São Paulo – aliada a sua incrível incapacidade de planejamento e de proposição de alternativas.

Sem querer soar como um vulgar profeta do apocalipse, informo (considerando-se a ausência desse ofício por parte de quem tem concessão pública para tanto) que o Sistema Alto Tietê – o terceiro mais importante da região metropolitana de São Paulo, tendo-se em vista que atende a 3 milhões de pessoas na Zona Leste da cidade – está com apenas 30% de sua capacidade, podendo amanhã quebrar essa barreira pela primeira vez desde Janeiro de 2005 (portanto praticamente já é a pior crise em dez anos). Abaixo, a figura apresenta a evolução histórica da capacidade desse sistema, conforme o excelente trabalho estatístico-visual do Eco Lab (http://oeco.github.io/mananciais/). Desde Dezembro, ele tem sido parcialmente usado para mitigar o déficit diário de água no Sistema Cantareira. Se a interligação entre os sistemas é algo bastante positivo e relevante (e, lamentavelmente, hoje existe em um nível muito menor do que seria necessário, por exemplo, para salvar o Cantareira), o fato é que a essa altura talvez já seja o Alto Tietê um candidato a ser ajudado (e não mais a ser um repassador de água).

Evolução da Capacidade do Sistema Alto Tietê - 2003/2014 (Fonte: Eco Lab)

É possível verificar que neste ano choveu 30% a menos do que a média histórica (um índice bastante similar, por sinal, ao observado no Cantareira). Até o presente momento, nenhum comentário do Governador Alckmin, muito menos qualquer ação para lidar com o problema. Há três meses, ele dizia que o Cantareira era um problema localizado, já que o segundo sistema em piores condições, o Alto Tietê, estava com quase 45% da sua capacidade. No último mês, vimos que esse sistema perdeu mais de cinco pontos percentuais. Se mantiver essa média de decréscimo, estará com meros 5% em Outubro.

Infelizmente não temos, para esse sistema, o mesmo nível de transparência informacional observado para o Cantareira, até porque enquanto o primeiro também é acompanhado em nível federal (por ser um sistema que abrange três estados), o segundo está totalmente sob a égide de São Paulo. Não sabemos se o Alto Tietê também dispõe de um “volume morto”; não sabemos se o governo tem algum plano para mitigar o seu esvaziamento. Possivelmente, sabemos muito pouco porque a imprensa ainda não “declarou o problema” (para usar um termo caro à teoria do planejamento de políticas públicas, expressão essa que é em geral utilizada, na verdade, pelo tomador de decisões, figura afinal um tanto ausente nesta gestão). É triste ficarmos a reboque da pressão midiática para, eventualmente, termos um governo que é meramente reativo. Mas, certamente, é imensamente mais triste nos depararmos com o agravamento tão significativo do problema da água em São Paulo – que, a meu ver, afetará a todos, quase indistintamente, a não ser àqueles que dispuserem de muitos recursos para comprarem caminhões-pipa diariamente, na eventualidade de 2 dos 6 sistemas de abastecimento de São Paulo vierem a secar até o final do ano, o que parece a cada dia menos impossível. Dá para imaginar a extensão e a gravidade dos problemas que se avizinham?

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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16 Comentários
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  1. ArthurTaguti

    6 de junho de 2014 12:28 pm

    Deus que nos proteja (colegas

    Deus que nos proteja (colegas paulistas do blog). Alckmin está segurando o negócio, e depois da eleição, SP que se vire sem água.

    É de uma temeridade sem igual o que ele está fazendo. Racionamento focado na periferia, onde se concentram pessoas que geralmente não votam nele.

    Se ele ver que o sistema não aguentará até outubro, vai fechar a torneira pros pobres, tudo pra preservar seus redutos eleitorais nos bairros de classe média/alta.

  2. assunça

    6 de junho de 2014 1:04 pm

    Domingo faltou água aqui na

    Domingo faltou água aqui na lapa.
    Aqui é abastecido pelo sistema cantareira.

    Pra faltar água nesta região, a lama deve estar batendo nos glúteos do governador.

     

  3. Flavio Martinho

    6 de junho de 2014 1:27 pm

    Como não se vive sem agua e

    Como não se vive sem agua e como não haverá agua, só restará evacuar São Paulo. Como se fará isso? Como será uma operação de guerra, o governador do PSDB espera que os americanos dêem uma ajudazinha. Aliás, eles sempre esperam que os americanos resolvam seus problemas: seja de financiamento de campanha, ajuda para agitar o povão, ajuda do FMI, etc.

  4. Heitor de Assis

    6 de junho de 2014 1:51 pm

    A omissão do desgoverno

    A omissão do desgoverno paulista pode ter uma explicação. Cientes da inevitabilidade da reeleição de Dilma e da impossibilidade da própria reeleição, Alckmim et caterva estão fazendo de tudo para maximizar os problemas que deixarão para serem resolvidos nos próximos anos. O mais provável é que a irresponsabilidade do PSDB vire um problema do PT e aliados. O que está em curso é a venezuelização do Brasil. Nenhuma solução de curto prazo é visivel e, caso não venha a Lei dos Meios, o dia a dia da cobertura jornalística será o que é hoje, daí prá baixo. Eu não tenho idéia do que significará a interrupção da atividade industrial na região causada pela falta de água e o consequente desemprego. É bem possível que tenhamos um PIB negativo.

    A comissão a ser paga pela entrega do Pré-Sal aos EUA deve ser bilionária!

    1. Lucinei

      6 de junho de 2014 2:55 pm

      É realmente

      É realmente impressionante.

      Trata-se de um fato de dimensões catastróficas e esses caras de pau da oposição (mídia incluída) se autointitulando competentes gestores e capazes administradores.

      São uns caras de pau.

      E perversos, ainda por cima. Estão racionando a água principalmente das regiões onde não tiveram voto.

  5. Chico Pedro

    6 de junho de 2014 2:07 pm

    Como nos tempos de exército

    Como nos tempos de exército que meu irmão gosta de lembrar:

    “Come tóra!”

  6. pedro costa

    6 de junho de 2014 2:08 pm

    Sistema Tietê

    Isso é castigo divino! De tanto os paulistanos (uma parcela, claro) falarem mal dos nordestinos (terra-seca, pau-de-arara…) correm o risco (espero que não) de saber o que é viver sem água devido aos interesses mesquinhos de nossas elites. Se lá no Nordeste o problema é indústria da seca, que mantém, ou manteve, o sertanejo dependente dos coronéis há séculos, aqui no Sudeste é a falta de investimentos na ampliação do sistema para dar retorno aos acioinistas da Sabesp. Eu que não creio, espero que São Pedro os proteja!

    1. Lucinei

      6 de junho de 2014 2:59 pm

      O pior, pedro costa,
      é que

      O pior, pedro costa,

      é que estão racionando a água principalmente nas periferias, onde moram os mais pobres, provavelmente imigrantes ou descendentes destes.

  7. Geraldo Chaves

    6 de junho de 2014 2:17 pm

    Ao autor, eu leio com muito

    Ao autor, eu leio com muito interesse seus “textos constantes e repettivos a respeito da situação da água em São Paulo” porque sou um dos diretamente afetados pelo problema.

    O mais me preocupa é não se vê nenhuma notícia sobre quais providência seriam tomadas caso NÃO OCORRAM CHUVAS no final do ano.

    E aí, como ficaremos, com tudo seco?

    Será que vem do Rio São Francisco?

  8. Flávio Faria

    6 de junho de 2014 2:47 pm

    .

  9. AlvaroTadeu

    6 de junho de 2014 2:50 pm

    Volume morto, governador morto, partido morto.

    Só para esclarecer: toda represa tem um volume morto, abaixo do qual não se costuma captar água para abastecimento nem energia elétrica. Os sedimentos depositados no fundo podem ser revolvidos e se tornarem um problema, tanto no abastecimento quanto para as pás dos geradores de energia elétrica.

  10. Marcos Antônio

    6 de junho de 2014 2:56 pm

    FHC fez isso com o câmbio

    FHC fez isso com o câmbio antes da reeleição…

     

  11. Carlos B.

    6 de junho de 2014 3:16 pm

    SÃO PAULO VIROU SERTÃO!

    PESSOAL, TODA VEZ QUE VEJO ALGUM JORNALISTA FALANDO SOBRE ESSA BLINDAGEM DA MIDIA COM RELAÇÃO A ESTA CRISE HÍDRICA EM SP, FICO PENSANDO. ….TUDO BEM, AS GRANDES EMISSORAS SÃO FAMILIARES, CONSERVADORAS, MAS O QUE IMPEDE A CRIAÇÃO DE NOVOS CANAIS DE JORNALISMO NA TV ABERTA OU A CABO, OU NO RÁDIO? É MUITO CARO? POR SER CONCESSÃO PÚBLICA E ENVOLVER POLÍTICA, SERIA DIFÍCIL? PORQUE OS GRANDES JORNALISTAS DE BEM BRASILEIROS NÃO SE UNEM COM ALGUM EMPRESÁRIO TAMBÉM DE BEM PARA CRIAR UM CANAL DE TV ISENTO E COMPETIR COM ESSE LIXO QUE AÍ ESTÁ? COM NOTÍCIAS DE TODO O BRASIL, SEM AQUELA SÓ DE PROGRAMAÇÃO LOCAL. ETC… EU NÃO ENTENDO ESSA FALTA DE INICIATIVA, TODO JORNALISTA É EMPREGADO OU BLOGUEIRO. QUEM EMPREEENDE NESSE CAMPO? NADA CONTRA OS BLOGS, MUITO PELO CONTRÁRIO, MAS SERIA ESSA HOJE A ÚNICA FORMA DE ACESSO A INFORMAÇÃO QUALIFICADA? ATÉ MESMO PORQUE TEM MUITA PORCARIA NA REDE TAMBÉM! ENTÃO EU FICO AQUI PENSANDO, ESTAMOS REFÉNS DESSE PESSOAL? SÓ COM UMA LEI ? UMA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PARA VIABILIZAR ESSA MUDANÇA? PREZADO NASSIF, EXPLORE MAIS ESSE ASSUNTO, ACHO QUE É DE INTERESSE DE TODOS, JORNALISTAS, POPULAÇÃO…… TUDO ESBARRA NISSO: TRENSALÃO, A MORDAÇA DO AÉCIO NA IMPRENSA MINEIRA, A NÃO DIVULGAÇÃO DE REALIZAÇÕES DO GOVERNO, ETC. É UMA VERGONHA A GENTE TER QUE SE SUBMETER A ESSE SISTEMA INJUSTO, AS EMISSORAS SE TORNARAM PARTIDOS POLÍTICOS. ISSO NÃO CONBINA COM DEMOCRACIA! NÃO É JUSTO!

  12. Luis Armidoro

    6 de junho de 2014 3:48 pm

    Estou começando a querer que

    Estou começando a querer que  Padilha perca, porque vai pegar um buraco bem fundo e agora seco. SP foi saqueado e destruído nestes 20  anos, comeram até o osso.

  13. Carlos Dias

    6 de junho de 2014 4:27 pm

    Eu, embora reconheça o risco, imagino que

    é necessária uma intervenção federal em SP. Após a Copa o Govern federal precisa intervir em SP.. Não se pode assistir isso de camarote não..  Alguém tem que dar um jeito nisso.. Se FHC navegou no limite da irresponsabilidade, Alkmin já passou desse limite faz tempo….

    Não podems deixar um desastre desses acontecer. Dilma tem que dialogar já e resolver isso ou então intervir em SP não tem outro jeito.

  14. João Carlos Santos

    6 de junho de 2014 7:17 pm

    Esta batendo já canela, Deus proteja os paulistanos.

    Deus proteja os paulistanos da insanidade

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