21 de maio de 2026

Com dívida bilionária, Americanas conta com executiva que propõe “dividir a dor de forma igual” com credores

Quem é a CFO que conseguiu aval de 97% dos credores para colocar em ação o plano para reduzir dívida bilionária da Americanas
Camille Loyo Faria, CFO da Americanas. Foto: Maria Magdalena Arrellaga/Bloomberg Línea

Um ano após o pedido de recuperação judicial em decorrência da crise envolvendo fraude contábil histórica, a Americanas conta agora com a experiência da ex-banqueira e atual CFO (Chief Financial Officer, ou diretora-financeira) da rede, Camille Loyo Faria, que assumiu o comando financeiro, em janeiro de 2023, com uma abordagem de transparência com os credores a fim de “dividir a dor de forma igual”.

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Em entrevista ao Bloomberg Línea Negócios, a executiva que faz questão de mostrar que prefere trabalhar com “a mão na massa” e não apenas com o diálogo no gerenciamento de crise, conseguiu equilibrar as finanças da empresa adotando medidas como redução de custos, revisão de contratos e foco em resultados de curto prazo, além da postura equitativa, em meio a um cenário que ela descreve como “uma terra arrasada”.

“A recuperação é um processo doloroso, é um processo desagradável, a hora que você consegue fechar um plano de recuperação judicial é quanto as pessoas em volta da mesa sentem que a dor está sendo compartilhada de forma justa”, disse ao Bloomberg.

O convite para que Camille fizesse parte da companhia foi feito por Sérgio Rial, que abdicou do cargo após tomar conhecimento da situação da empresa. “Foi um convite difícil de aceitar, as pessoas queriam respostas que a companhia não tinha”, disse ao Bloomberg à luz do curto prazo que a Americanas teve para se preparar para o pedido de recuperação judicial, sem acesso a todos os credores e ao tamanho do problema.

A executiva e sua equipe conseguiram o aval de 97% dos credores para colocar em ação o plano que poderá reduzir a dívida para cerca de R$ 1,8 bilhão e converter a maior parte dos passivos detidos pelos bancos em ações.

O processo de reestruturação da Americanas conduzido por Camille foi apenas uma das muitas trajetórias da ex-banqueira. “Eu sou assustadoramente calma nos momentos de estresse e consigo realmente desligar e pensar com a cabeça muito fria”.

Recentemente, os bancos Morgan Stanley, Bradesco e Bank of America e a OI também contaram com a experiência de Camille, mas o início da carreira a frente das negociações se deu na Embratel e Telecom Italia, em fusões e aquisições. A partir daí, passou a atuar em toda a América Latina gerenciando negócios.

Sua primeira oferta pública global foi em 2006, quando ocupou seu primeiro cargo de CFO na empresa de energia Terna Participações. Em 2010, supervisionou como CEO da Multiner uma recuperação e a venda da empresa de energia, e, em 2012, voltou para o banco como executiva. Em 2019, assumiu o processo de recuperação da OI.

“No investment banking, o que acontece? Você vai ficando mais sênior; quanto mais sênior você fica, mais relationship person você vira, menos você coloca a mão na massa”, diz Camille.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. CHARLES DALCANALE TESSER

    25 de abril de 2024 8:31 pm

    Posso estar errado, mas isso tudo só é assim porque os ladrões, ou melhor dizendo, responsáveis de verdade pela fraude saíram ilesos…

    1. evandro condé

      26 de abril de 2024 2:15 pm

      Aliás, que relatório é cesse que até hoje está sendo forjado(ou gerido?) que demora mais de ano?

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