No Observatório de Geopolítica desta semana, Pedro Costa Junior e Bruno Rocha Lima discutem com seus convidados os meandros da ruptura diplomática entre Colômbia e Israel, anunciada na semana passada.
Após uma série de declarações contrárias ao genocídio perpetrado pelo enclave sionista contra Gaza, o atual presidente colombiano, Gustavo Petro, tornou seu país no segundo da América do Sul a tomar tal medida, com o intuito de que o isolamento pressione Israel a aceitar uma proposta de cessar fogo permanente.
“Aqui, em frente a vocês, o presidente da mudança, o presidente da República informa que amanhã se romperá as relações diplomáticas com o governo de Israel por ter um governo e um presidente genocida”. Assim foi como o presidente colombiano, Gustavo Petro, iniciou seu discurso durante a tradicional manifestação do Primeiro de Maio, na Praça Bolívar, em Bogotá.
“Se morre a Palestina, morre a humanidade e não vamos deixá-la morrer, como não vamos morrer, como humanidade”, completou Petro. Em seguida, o mandatário comparou o ex-presidente Álvaro Uribe ao primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por suas recentes críticas às reformas propostas pelo atual governo. Uribe havia declarado em suas redes sociais que a reforma trabalhista impulsionada pela atual administração era “daninha” e que eliminaria muitas oportunidades de emprego, especialmente para os mais jovens, gerando pânico entre os investidores e incitaria um “estado permanente de greves”.
O predecessor de Petro, Iván Duque, havia sido de estreita cooperação com Israel. Em 2020, Duque assinou um Acordo de Livre Comércio com o enclave. Para Duque, a ruptura com a ocupação israelense deixa “Colombia muito mal no cenário internacional” e deixa a política exterior do país “no rídiculo”. A principal perda que o ex-presidente vê com a ruptura é em relação ao equipamento militar, “o mais sofisticado para a proteção de nossas fronteirase para nossas forças militares”, disse o ex-mandatário em entrevista ao portal Semana.
Desde fevereiro deste ano, Petro havia pedido para que fosse suspensa a compra de armas israelenses.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores colombiano declarou haver entregado uma nota verbal sobre a decisão de romper relações diplomáticas com o Estado de Israel à sua Embaixada no país sul-americano. Assim, a Diretoria de Protocolo da Chancelaria seria responsável por coordenar a saída do corpo diplomático israelense, apesar de que as atividades consulares permaneceriam em Tel Aviv e Bogotá.
Por sua vez, a embaixada israelense não se pronunciou sobre o caso. Em suas redes sociais, a Embaixada israelense na Colômbia segue compartilhando conteúdo que legitima a ação militar do enclave na Faixa de Gaza, repostando diretamente da página de seu embaixador, Gali Dagan.
Esse é o cenário a ser abordado no episódio de hoje (6), às 19h, com os comentários de José Maria Souza Junior, cientista político e diretor das Faculdades Rio Branco, e Victor Pino, coordenador de Proteção à imprensa do sindicato dos jornalistas do Chile. Além do caso colombiano, serão abordadas as eleições no Panamá e a mudança na Constituição de El Salvador e o papel do governo Boric na Conferência Mundial de Liberdade de Imprensa.
Acompanhe o programa no Youtube a partir das 19 horas desta segunda, 6 de maio.
Paulo Dantas
6 de maio de 2024 8:49 pmNetanyahu, só precisa de um aliado, EUA, o resto ele “don’t give a s#1+”.