13 de junho de 2026

Eichengreen e os dilemas do dólar

Em artigo, professor da Universidade da Califórnia explica força da moeda ante divisas asiáticas, e o impacto da volta de Trump
Foto de Vladimir Solomianyi na Unsplash

A cotação do dólar tem ganho força ao longo dos últimos meses, principalmente quando o parâmetro de comparação são as moedas asiáticas – tendo em vista um eventual colapso do iene japonês, que pode levar a China a desvalorizar sua moeda, afetando negativamente sua economia e o mercado global.

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No caso do iene japonês, a moeda chegou a custar 160 ienes por dólar ao fim de abril, uma queda de 13% desde o início do ano, e mais de 50% desde o início de 2021.

Outras moedas que perderam força foram o won sul-coreano, que caiu cerca de 10% em relação a do dólar desde o início do ano, e a rupia indonésia, que caiu recentemente para o mínimo de quatro anos face ao dólar.

“Na verdade, o índice nominal amplo do dólar, que mede o valor do dólar face a uma cesta de moedas, subiu menos de 3% desde o início de 2023”, explica Barry Eichengreen, professor de economia e ciências políticas da Universidade da California (Berkeley).

Em artigo publicado no site Project Syndicate, o articulista afirma que a força apresentada pelo dólar norte-americano não é um sinal de disfunção do mercado, “mas reflete o fato de os Estados Unidos terem tido um desempenho econômico melhor do que outras partes do mundo”.

Na visão de Eichengreen, o rápido crescimento dos EUA gera expectativas em torno de um lento processo de desinflação, tornando o Federal Reserve “apto a manter as taxas de juros elevadas, ou a desestimular as esperanças de um ciclo de ajustes ao longo deste ano”.

Porém, um ritmo de crescimento mais fraco em outras economias significa que outros países possuem menos motivos para se preocupar com a inflação, tornando “correspondentemente mais provável que reduzam suas taxas”.

Japão no radar de acompanhamento

Como ponto de referência, o articulista cita o abandono do controle da curva de rendimentos pelo Banco do Japão, que ajustou sua taxa de juros para 0,1% – e essa política será mantida até que fique claro que o país conseguiu superar a deflação.

Embora o país dificilmente esteja à beira da hiperinflação (os preços ao consumidor subiram em torno de 2,5% ano após ano em abril), Eichengreen afirma que o receio está em um eventual colapso da confiança, e que a inflação fique fora de controle – um cenário dificilmente plausível dado o histórico de deflação japonês.

Mesmo assim, para quem considera a força do dólar um problema, o articulista diz que é pouco provável que o Federal Reserve reduza as taxas – uma vez que seus modelos sugerem uma alta do dólar de 3%, o que retira no máximo 0,3% da inflação, o que mantém a defesa das taxas de juros elevadas nos EUA.

Quanto a uma intervenção coligada, onde o Fed, o Banco do Japão e outros bancos centrais atuam em conjunto no mercado cambial, Eichengreen diz que existe interesse da autoridade monetária dos EUA em fazer isso.

Contudo, tal quadro mudaria se Donald Trump, um homem que prega taxas de juros baixas, seja reconduzido à Presidência dos Estados Unidos, uma vez que ele colocaria no comando do Fed alguém que compactue com sua visão, o que não só derrubaria o dólar como os mercados dos EUA.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. Eu

    13 de junho de 2024 5:40 pm

    O próprio EUA está sugando os dolares do mundo para cumprir compromissos do díficit.

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