Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
-Charlie-
22 de maio de 2014 3:31 amCorporativismo do MPF censura a Polícia Federal
A cada dia que passa, mais a sociedade toma conhecimento do papel político deletério exercido pelo Ministério Público (apesar de seus muitos defensores na mídia – Rede Globo à frente).
Os MPs, hoje, são os entes mais fechados da República. Não tem chefes, não são eleitos, não prestam contas a ninguém. Cada promotor/procurador faz o que bem entende, e ninguém pede satisfações acerca de seus atos. Recentemente, a Corregedoria do MPF arquivou a sindicância aberta contra Rodrigo de Grandis, por ter engavetado por três anos pedido de colaboração do MP da Suíça no caso PSDB/Alstom. Mesmo após inúmeras reiterações do Ministério da Justiça e do próprio MP suíço, a Corregedoria aceitou a desculpa completamente furada e inverossímil de que o procedimento foi colocado “em uma pasta errada”. Rodrigo de Grandis passou a ser motivo de chacota dentre os Delegados e Juízes Federais, chamado de “Gaveta Profunda”.
Hoje a ADPF (Associação Nacional dos Delegados da PF) emitiu uma nota de repúdio ao procurador Rodrigo Janot, que solicitou ao STF que impedisse a PF de dar à sociedade informações mínimas acerca da Operação Ararath, que prendeu o dep. estadual Riva (que responde a mais de 100 processos!) e outros políticos do Mato Grosso.
O motivo de tal proibição? Bem, procuradores de Mato Grosso também são investigados por dar cobertura à organização criminosa. E, como se sabe, o MP tem por hábito varrer sua sujeira para debaixo do tapete….
http://www.adpf.org.br/adpf/admin/painelcontrole/materia/materia_portal.wsp?tmp.edt.materia_codigo=6713#.U31oT3BLDfY
Nesta terça-feira a Polícia Federal deflagrou, no estado do Mato Grosso, a quinta fase da operação Ararath que apura esquema milionário de desvio de recursos e lavagem de dinheiro, com uso de empresas de “factoring”.
A investigação, que começou em 2011, apontou envolvimento de servidores dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e também de membros do Ministério Público estadual. Apesar da operação ter sido bem sucedida e dentro da normalidade, um fato, considerado inédito, causou grande perplexidade e indignação entre os Delegados da Polícia Federal.
O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, acatou um estranho pedido do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, e decidiu “calar” a Polícia Federal. Para os Delegados Federais, essa foi a mais contundente violência sofrida pela instituição desde a redemocratização do Brasil.
A sociedade brasileira merece saber o que tornou tão singular a execução da quinta fase dessa operação com relação a tantas outras operações em tramitação no Supremo Tribunal Federal.
Afinal, o que seria capaz de transformar o chefe do Ministério Público da União em um verdadeiro “Censor Geral da República”. Também é preciso ficar mais claro, os reais motivos que levam um Ministro da mais alta corte brasileira aceitar os argumentos do Ministério Público Federal e impedir que a imprensa, seja devidamente informada sobre o trabalho da Polícia Federal, uma instituição respeitada e admirada por todos os brasileiros.
Assim, ao que parece, a “lei da mordaça”, tão combatida pelo próprio Ministério Público, passa a ser defensável quando a vítima é a Polícia Federal do Brasil, uma instituição republicana, que sempre busca desenvolver suas missões com seriedade, eficiência e transparência, independente de quem esteja envolvido, direta ou indiretamente, com o crime.
Rorgéio Marco Antonio Silva
22 de maio de 2014 4:37 amAh se fosse contra petistas
Ah se fosse contra o PT
Sérgio T.
22 de maio de 2014 5:04 amApós manter altos salários, diretor do Senado é demitido
Após manter altos salários, diretor do Senado é demitido
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) anunciou nesta quarta-feira a demissão do diretor-geral do Senado, Helder Medeiros Rebouças. De acordo com Renan, a providência foi tomada porque os salários dos servidores em maio foram pagos sem os cortes nos vencimentos que ultrapassam o teto constitucional fixado em R$ 29.462,25.
Ele lembrou que na última quinta-feira determinou que os cortes seriam aplicados já na folha salarial de maio, mas isso não aconteceu. “Após conversar com o ministro Marco Aurélio Mello, determinei ao diretor-geral do Senado e o fiz publicamente neste plenário, que aplicasse imediatamente o teto salarial fixado pela constituição. Isso porque o Senado realizou o contraditório, cumprindo aquilo que determinava a liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal. Ocorre que no dia de hoje, data do pagamento dos servidores, fui surpreendido com o fato de os vencimentos além do teto terem sido pagos com os respectivos valores extra-teto”, disse Renan.
Além do afastamento do diretor, Renan ordenou o estorno dos valores pagos a mais. “Recomendei expressamente à Diretoria Financeira do Senado para que os valores pagos acima do teto constitucional sejam, se for possível, estornados. Não sendo possível, fica desde já o compromisso de que nós os abateremos no pagamento do próximo mês ou no próximo pagamento que teremos que fazer”, acrescentou.
O Senado deixou de pagar valores acima do teto constitucional em outubro do ano passado. No entanto, em fevereiro, uma liminar do ministro do STF Marco Aurélio estabeleceu a retomada dos pagamentos integrais, acolhendo o argumento de que os servidores afetados não tinham sido ouvidos antes do corte.
http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/apos-manter-altos-salarios-diretor-do-senado-e-demitido,d72e2fe92a026410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html
Sérgio T.
22 de maio de 2014 5:12 amApós polêmica com Xuxa, Câmara aprova Lei da Palmada e proposta
Após polêmica com Xuxa, Câmara aprova Lei da Palmada e proposta vai ao Senado
A proposta vai se chamar Lei Menino Bernardo, em homenagem ao garoto que foi encontrado morto no Rio Grande do Sul, e cujos principais suspeitos do crime são o pai e a madrasta
Depois de mais de dois anos parado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aguardando a votação da redação final, o projeto de lei do Executivo (PL 7672/10), conhecido como Lei da Palmada, foi aprovado no início da noite de hoje por unanimidade na CCJ. A proposta vai se chamar Lei Menino Bernardo, em homenagem a Bernardo, que foi encontrado morto, no Rio Grande do Sul, e cujos principais suspeitos do crime são o pai e a madrasta.
A aprovação da proposta, que agora seguirá para análise e votação no Senado, foi possível graças à atuação do presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), após sessão tumultuada na manhã de hoje, que contou com a presença da apresentadora de TV Xuxa Meneghel. Xuxa chegou a ser hostilizada pelo deputado Pastor Eurico (PSB-PE), dizendo que “a conhecida rainha dos baixinhos, em 1982, provocou a maior violência contra as crianças em um filme pornô”. A declaração é uma referência ao filme “Amor Estranho Amor”, em que Xuxa aparece seminua ao lado de uma criança. O parlamentar foi destituído da vaga na CCJ.
O projeto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente para estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante. Encaminhado à Câmara pelo Executivo, em 2010, o projeto foi discutido e aprovado por comissão especial criada para analisar o seu mérito, no fim de 2011. Deveria seguir direto para o Senado, mas foram apresentados seis recursos para que ele fosse apreciado pelo plenário da Câmara. Esses recursos foram retirados e a proposta foi encaminhada à CCJ para a votação da redação final, no dia 14 de maio de 2012. Só hoje, mais de dois anos depois, a redação final foi aprovada.
“A proposição materializa, por fim, o crescente compromisso de sociedades contemporâneas que reconhecem que crianças e adolescentes têm direitos frente ao Estado e cabe a ele organizar ações para sua plena realização. A proposição, inegavelmente, aborda a realização de direitos que são inerentes a crianças e adolescentes e indispensáveis a sua dignidade e pleno desenvolvimento”, diz um trecho da justificativa do projeto.
Em outro trecho, o Executivo argumenta que: “consideramos que a proibição, em si, não garantirá mudança das atitudes e práticas, mas a ampla conscientização do direito das crianças à proteção e de leis que reflitam esse direito é necessária. Nesse sentido, é premente estimular que os pais parem de infligir castigos violentos, cruéis ou degradantes, adotando intervenções apoiadoras e educativas, não punitivas”.
A proposta estabelece que pais e responsáveis que maltratarem seus filhos crianças e adolescentes serão advertidos e terão que participar do Programa de Proteção à Família, que oferece cursos e tratamento psicológico ou psiquiátrico. A pessoa vítima do castigo vai receber tratamento especializado.
Nas discussões da matéria na parte da manhã, críticos da proposta alertaram sobre a preservação de direitos individuais e a interferência da lei na educação dos filhos. Enquanto defensores criticaram o apelido dado à lei. “Chamar o projeto de Lei da Palmada é uma maldade. A gente está falando de crianças que são queimadas e espancadas”, disse o relator da matéria na CCJ, deputado Alessandro Molon (PT-RJ).
Com Agência Brasil
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-05-21/apos-polemica-com-xuxa-camara-aprova-lei-da-palmada-e-proposta-vai-ao-senado.html
Sérgio T.
22 de maio de 2014 5:22 amFAB impulsiona avião da Embraer
FAB impulsiona avião da Embraer
Contrato de 28 modelos KC-390 marca a estreia do braço de defesa da fabricante no transporte militar e tático
Patricia Büll
Gavião Peixoto, SP – A presidenta Dilma Rousseff, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o ministro da Defesa Celso Amorim dividiram terça-feira o mesmo palco em Gavião Peixoto, a 330 km da capital paulista, para a inauguração do hangar onde será instalada a linha de montagem em série do KC-390, jato militar de transporte desenvolvido pela Embraer em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB), em um projeto de 2009. A data foi marcada também, pela assinatura do contrato com o Ministério da Defesa para a produção seriada de 28 aeronaves ao longo dos próximos dez anos, num contrato que equivale a R$ 7,2 bilhões e que também inclui o suporte logístico, como peças sobressalentes e manutenção das aeronaves.
“Esse contrato é que vai sustentar e ampliar a manutenção dos empregos da unidade de Gavião Peixoto”, afirmou o presidente da Embraer, Frederico Curado. A unidade conta hoje com 1.500 funcionários.
Primeiro resultado concreto desde que o governo federal decidiu apostar na indústria brasileira para desenvolver sua área de defesa, o KC-390 é o maior modelo já desenvolvido pela Embraer, num projeto com a FAB da ordem de R$ 4,6 bilhões no desenvolvimento do modelo. Trata-se de um avião multimissão, tático e que pode ser reabastecido em voo. “Em um país continental como o Brasil, que faz fronteira com dez países, poder ser abastecido em voo é uma vantagem competitiva e motivo para comemorar”, disse o ministro Celso Amorim. Ele afirmou ainda que a assinatura do contrato, além de viabilizar o projeto, mostra para outros interessados o grande feito tecnológico que a empresa alcançou.
A presidenta Dilma Rousseff ressaltou a importância estratégica do contrato, que aponta o horizonte no qual Embraer vai se desenvolver. “Mostra também que a partir de agora nós temos melhores condições de transformar o KC-390 num produto que será vendido em todas as partes do mundo”, disse.
Além do pedido do ministério da Defesa, existem intenções de compra de 32 aeronaves por Argentina, Colômbia, Chile, Portugal e República Tcheca. A Embraer disse que a encomenda do governo brasileiro entrará em sua carteira de pedidos apenas após documentação complementar de contrato, o que deve ocorrer em 90 dias.
De acordo com o presidente da Embraer Defesa, Jackson Schneider, estimativa da empresa aponta um mercado potencial de 728 aviões cargueiros nos moldes do KC-390 para os próximos 20 anos. “Desse mercado, queremos atender entre 15% e 20%”, afirmou.
Segundo o executivo, o voo do protótipo está previsto para ser realizado ainda neste ano, provavelmente no quarto trimestre. Já o primeiro pedido para o comando da FAB deverá ser entregue no final de 2016.
As aeronaves KC-390 substituirão o C-130 Hércules, da norte-americana Lockheed Martin, na frota da FAB. O novo modelo poderá realizar diversas missões, como transporte de carga e de tropa, lançamento de carga, busca e resgate além de combate a incêndios florestais.
O cargueiro também sinaliza a estratégia de diversificação da fabricante, que vem ampliando o peso da área de Defesa. No primeiro trimestre deste ano, a divisão, criada em 2011, teve alta de 320% no lucro da companhia em relação ao mesmo período do ano passado e respondeu por 31,8% do faturamento, que somou R$ 2,92 bilhões no período. Entre janeiro e março, o braço de Defesa da brasileira faturou R$ 931,4 milhões, valor 87% superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado.
http://brasileconomico.ig.com.br/negocios/2014-05-21/fab-impulsiona-aviao-da-embraer.html
IV AVATAR
22 de maio de 2014 5:56 amPara Planalto, ação foi retaliação da PF
Para Planalto, ação foi retaliação da PF
Tânia Monteiro, O Estadão
BRASÍLIA – As ações da Polícia Federal que atingiram nesta terça-feira, 20, o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), e o deputado estadual José Riva (PSD), foram consideradas pelo Palácio do Planalto uma retaliação da PF ao governo devido a uma disputa de poder entre os policiais e o Ministério da Justiça. A avaliação já existia quando foi desencadeada a Operação Lava a Jato, e o governo entendeu que a insistência em vazar informações especialmente do deputado petista André Vargas e do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, tinham a ver com esta disputa e que era uma atitude “orquestrada”.
A avaliação se repetiu neste caso, uma vez que a operação atingiu em cheio partidos aliados do governo, como o PMDB do vice-presidente Michel Temer, o PSD de Gilberto Kassab e o próprio senador Blairo Maggi (PR-MT), muito próximo de Dilma. O próprio Silval Barbosa esteve anteontem no Planalto e foi cumprimentado por Dilma, na cerimônia de lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2014-2015. A operação tem ainda efeitos diretos sobre a política local, uma vez que Silval tem três pré-candidatos de sua base ao governo do Estado: o vice-governador Chico Daltro (PSD), o ex-juiz federal Julier Sebastião da Silva (PMDB) e o ex-vereador em Cuiabá Lúdio Cabral (PT). O pré-candidato da oposição, Pedro Taques (PDT-MT), também pode ser atingido, pois seu principal financiador de campanha, o empresários Fernando Mendonça, foi alvo de busca e apreensão em sua residência em outra fase da operação.
Webster Franklin
22 de maio de 2014 7:16 amA lógica do TSE:
Do Tijolaço
A lógica do TSE: dizer que o Brasil está um caos, pode; que estava um caos, não pode
21 de maio de 2014 | 18:41 Autor: Fernando Brito
Eu, como sou “das antigas”, tenho apreço por aquela regra lógica da transitividade, que diz que se a=b e b=c, então a=c. Ou o mesmo para melhor, pior, maior, menor.
Como estamos numa democracia, é livre (e legítimo) um partido político criticar a situação econômica do país.
O PSBD, por exemplo, veiculou comerciais onde uma atriz simula uma passageira de ônibus que tenta mostrar que os eleitores de Lula e Dilma não estão satisfeitos com o governo atual.
Claro que é propaganda eleitoral negativa.
Portanto, não se pode entender que o TSE entenda que, para fazer propaganda negativa de seus antecessores, o comercial do PT seja considerado uma transgressão à lei da propaganda gratuita.
O o mande tirar do ar.
A não ser que estivesse acontecendo uma impensável simbiose de simpatias entre o TSE.
O PSDB se sente atingido, a mídia cria o clima de que é “propaganda eleitoral” indevida ( se for, o outro não é?) e o TSE cassa a peça publicitária.
Mas, como já ficou evidente que aquela regrinha da transitividade não vale no TSE, então não pode ser isso.
Ficamos assim, então: a oposição pode criticar o governo e o partido do governo não pode criticar a oposição.
Viva a democracia!
PS. Particularmente, acho ótimo que o PT tenha de fazer outro comercial para colocar no lugar. Eu não gosto nada de propaganda negativa, embora esta, pela falta de qualquer crítica na mídia ao período santificado do beato Fernando Henrique Cardoso, quando o Brasil era uma maravilha, tenha sido um soco no estômago da hipocrisia.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=17562
jns
22 de maio de 2014 8:56 amEspinafrando o Brasil lá fora
“Pelé diz que a situação em seu país é uma ‘desgraça'”.
“É uma pena que ainda temos um estádio que ainda não está terminado. O primeiro jogo vai ser no estádio do Corinthians, em São Paulo, que é chamado de Itaquerão, mas há um problema porque não está terminado ainda. Isso é o que eu digo: é lamentável… isso é um problema.”
“… sei que 25 por cento dos estrangeiros cancelaram a viagem ao país.”
VÍDEO:
http://www.espnfc.com/news/story/_/id/1827434/pele-hits-brazil-world-cup-preparations?cc=3888
Assis Ribeiro
22 de maio de 2014 8:59 amDa série “O século XXI é o século do Poder Judiciário”
ACM: “A cidade vai parar” se IPTU for derrubado pelo TJ
O prefeito ACM Neto voltou a defender o polêmico aumento do IPTU e disse que o município não terá condição de manter o funcionamento da máquina se a cobrança do imposto for suspensa pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA); “O processo vai ser longo, mas se eles derrubarem o IPTU, a essa altura, a cidade para. Não tenho como manter mais de 200 escolas funcionando, postos de saúde e tudo o mais”
O prefeito ACM Neto (DEM) voltou a defender nesta terça-feira (20) o polêmico aumento do Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU) de Salvador e mais uma vez afirmou que não há nada de irregular na nova base de cálculo, inclusive nos casos de imóveis que tiveram reajuste de até 1000% (mil por cento).
O democrata argumenta que a base de cálculo e a valorização dos imóveis estavam defasadas.
Em entrevista à rádio Metrópole, ACM Neto falou da expectativa pelo parecer do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) sobre o processo movido pelo Ministério Público do Estado (MPE) para derrubar a cobrança considerada abusiva.
O prefeito disse que a cidade “pode parar” se o pagamento for suspenso por parte dos contribuintes.
“O processo vai ser longo, mas se eles derrubarem o IPTU, a essa altura, a cidade para. Não tenho como manter mais de 200 escolas funcionando, postos de saúde e tudo o mais”.
ACM Neto também justificou mais uma vez que os maiores valores são cobrados sobre grandes propriedades. “O menor está pagando o IPTU e o maior está de boa: os donos de imóveis residenciais estão pagando, a grande maioria dos donos de imóveis comerciais também estão pagando, só quem não estão pagando são os donos de grandes terrenos”.
http://www.brasil247.com/pt/247/bahia247/140459/ACM-A-cidade-vai-parar-se-IPTU-for-derrubado-pelo-TJ.htm
Assis Ribeiro
22 de maio de 2014 9:01 amA transparência secou em São Paulo
Desde o início do bombeamento do volume morto do reservatório Jaguari-Jacareí, o maior do Sistema Cantareira, a Sabesp decretou a lei do silêncio sobre as suas operações de manejo da água.
Embora, no primeiro dia, se pudesse atribuir o fato da página que registrava o volume total e da que detalhava o manejo da água terem saído do ar por dificuldades técnicas, hoje uma nova foi colocada no ar, que registra apenas o quanto havia de volume até quinta-feira e a simples soma deste valor ao volume que se espera retirar com o bombeamento, sem detalhes e sem possibilidade de comparar com os dias anteriores.
A Agência Nacional de Águas, federal, fez o contrário. Em lugar de um boletim, agora faz seu relatório em duas versões. Uma, com o sistema tal como ele é normalmente e outra considerando o volume anterior mais aquele que a Sabesp diz ser capaz de bombear.
Quais são os números deste “samba da seca doida”?
Segundo a Sabesp, existe agora uma disponibilidade de 26,2% do volume, mas essa conta é feita com o volume antigo.
Segundo a Ana, nas contas antigas o volume disponível é de 7,6% e, com o novo volume, acrescido pelo que será bombeado, a disponibilidade seria de 22,2%, já incluída a estação de transferência de Paiva Castro, que se beneficia, ao contrário das demais, da chuva que cai na Grande São Paulo.
Note-se que, apesar da quantidade de água ser a mesma (e dramaticamente pequena) os números variam imensamente.
E a clareza da informação vai pelo ralo.
Se São Paulo tivesse um imprensa interessada em apurar os fatos, porém, há nos relatórios da Ana uma informação preciosa.
É que, no nível atual, a retirada de 2,6 bilhões de litros do Jaguari-Jacareí desde o dia 15 (véspera do bombeamento, pois o dia 16 simplesmente foi apagado dos registros) representou baixar o nível em 12 centímetros (da cota 821,43 m para a 821,31 m sobre o nível do mar).
Ou seja, que cada bilhão de litros retirado representa 4,62 cm a menos de nível da água, no mínimo. No mínimo porque, como o volume de um reservatório é maior quanto maior a altura das águas, porque sua área é maior, estes 4,62 cm vão se alterar mais rapidamente para cima em razão da área menor, e área é uma função quadrática.
Ainda assim, algum jornalista poderia fazer a fineza de medir a profundidade do local onde estão instaladas as bombas? Para haver possibilidade de que a Sabesp retire dali os 100 bilhões de litros estimados para o bombeamento, seriam necessários entre 7 e 8 metros de profundidade no local, uma vez que a menos de um metro, um metro e meio, as bombas revolveriam muita sujeira do fundo ao sugar a água.
Simples assim se pode ter uma ideia de até onde vão as bombas do Alckmin, a gambiarra da qual dependem oito milhões de paulistanos.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=17537
Assis Ribeiro
22 de maio de 2014 9:04 amSó reforma política pode
Só reforma política pode tirar força da bancada ruralista, diz Gilberto Carvalho
Ministro da Secretaria Geral da Presidência afirma que poder econômico é proeminente no Congresso. E admite que reforma agrária ficou aquém do esperado no governo Dilma
Em Juazeiro (BA), o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, deixou clara a dificuldade do governo federal em lidar com a chamada bancada ruralista, formada por parlamentares ligados ao agronegócio. Na segunda-feira 19, durante o III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), Carvalho recebeu demandas dos movimentos sociais do campo em relação às demarcações tardias ou inconclusivas de terras e ameaças do agronegócio às áreas que já contam com assentamentos. Quilombolas, indígenas e outras minorias entregaram carta a Carvalho, endereçada à presidenta Dilma Rousseff, mas o ministro admitiu a dificuldade de fazer andar no Congresso as demandas deste tipo.
Segundo Caravalho, somente com uma reforma política é possível combater as bancadas que agem de acordo com os interesses econômicos de determinados setores da economia. “Enquanto houver bancada no Congresso de interesse de latifundiários e industriais, e uma bancada de trabalhadores e movimentos populares tão resumida quanto nós temos, nós não vamos conseguir avançar”, afirmou Carvalho. “Os princípios que estão nessa carta não representam, infelizmente, a opinião da maioria da população. (…) Sem realizarmos a reforma política, essa carta não será aceita. Não há correlação de forças para que as questões essenciais que estão dadas nesta carta possam se tornar realidade.”
Para o ministro, a atual formação do Congresso não representa a maioria dos brasileiros. “Temos de mudar a estrutura política e eleitoral do Brasil, é preciso estabelecer mecanismos de participação social deliberativos”, afirmou. Carvalho manifestou preocupação com o uso do poder econômico no regime democrático. “Nós temos de ter um Congresso Nacional que represente a maioria dos brasileiros e não apenas minoria com poder econômico e isso não se fará sem alteração da legislação eleitoral e o fim do financiamento empresarial de campanha, porque hoje se elege quem tem mais dinheiro, o que estabelece uma dependência do setor econômico.”
Manifestações
Na manhã de segunda-feira, antes da fala de Carvalho no evento, cerca de 1200 pessoas ocuparam a ponte Presidente Dutra, entre Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), para protestar contra o tratamento dado aos pequenos produtores no Brasil. Sob gritos como “O agronegócio só é bom pro empresário” e “Agricultura é vida, agronegócio é morte”, os manifestantes impediram por meia hora o fluxo de carros nas duas faixas da ponte.
Carvalho negou que esse tipo de manifestação assuste o governo. Segundo ele, as manifestações representam um processo adiantado de democracia. “Se tem uma coisa que não assusta o governo são as mobilizações. Acabou aquele Brasil das pessoas votarem e irem pra casa. Tudo que nós sonhamos na nossa geração foi justamente isso, uma sociedade mais mobilizada. Seria muito contraditório a gente reclamar disso”, afirmou. “É muito melhor a gente dialogar com esses setores que fazem avançar o processo do que você ter uma massa inerte ou você ter aqueles que jogam sem falar na rua mais fazendo pressão em outros meios, pedindo medidas não populares, que não interessam ao povo. Esse tipo de manifestação interessa pra nós.”
Carvalho manteve o discurso sobre os protestos contra a Copa do Mundo. “Na Copa do Mundo, a gente tem certeza que terá manifestações. Qual a nossa preocupação? É que tudo ocorra dentro da normalidade democrática, que cada um fale o que quiser, onde quiser, mas respeitando o direito do outro e evitando a violência. Manifestações como a de hoje são saudáveis e fazem parte dessa democracia pulsante que queremos construir no País, e que a sociedade está construindo.” Durante o ato dos agricultores em Juazeiro, não houve prisões ou qualquer atuação violenta da polícia e dos manifestantes.
Reforma Agrária
Carvalho admitiu no evento que o governo Dilma ficou aquém do esperado no desenvolvimento da reforma agrária. A demora para oficializar assentamentos e atender às demandas por demarcações foi constantemente levantada e diretamente levada a Carvalho pelos agricultores. Segundo o ministro, isso ocorreu porque não foi feita uma qualificação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para resolver o atraso nessa questão.
“Fundamentalmente, não foi feito um processo adequado e agilizado da aquisição de terras. Nós nos demos conta de que muitos assentamentos que nosso governo tinha feito, e que outros governos também tinham feito, formavam um processo de antirreforma agrária, na medida em que não permitiu a sobrevivência do agricultor. Tenha certeza de que essa questão [reforma agrária] é muito incômoda para a gente.”
Ainda assim, o ministro destacou alguns investimentos que foram feitos à agroindústria e à agricultura familiar, para compensar de alguma forma, o tratamento ineficaz dado ao problema agrário. “De uma maneira geral, a situação do campo, em relação há 10 anos, é diferente. Temos uma agricultura familiar estruturada, temos o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), as cooperativas, uma política de renegociação de dívidas, enfim, acredito que conseguimos dar uma outra estrutura para a agricultura familiar. Agora, acho que alguns aspectos não andaram conforme o governo esperava, como a ampliação da aquisição de terras, o que eu acentuaria como o mais importante.”
Evento
Com o intuito de responder à pergunta “Por que interessa à sociedade apoiar à agroecologia?”, o III ENA reuniu, na cidade de Juazeiro, cerca de 2100 pessoas entre agricultores, pesquisadores, autoridades e representantes de movimentos sociais. Nos quatro dias de eventos foram realizadas discussões, palestras, feiras de troca de sementes, shows com artistas locais, entre outras ações. O evento foi organizado pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/nao-ha-correlacoes-de-forcas-entre-o-agronegocio-e-os-pequenos-produtores-diz-gilberto-carvalho-701.html
Assis Ribeiro
22 de maio de 2014 9:05 amO cartel planeja a sociedade
A Alston precisou de 12 dias apenas para emplacar uma novidade que o planejamento estadual tucano não conseguiu prever em anos.
A Alston, incluída nas denúncias da engrenagem que há 20 anos lesa as licitações do metrô de São Paulo, avocou-se em 2005 a prerrogativa de alterar o traçado de uma linha do sistema e incluir uma nova estação no trajeto.
A notícia, embora tenha merecido um editorial da Folha, não chegou a sensibilizar os colunistas da indignação seletiva.
Falta de tempo, talvez.
A contagem regressiva para a Copa –quando tudo deve dar errado, ou pelo menos nada pode transpirar acerto, exige foco no repertório e na afinação do jogral.
As atenções assim monopolizadas explicam, ademais, que a Folha tenha noticiado e, rapidamente, abduzido da primeira página mais essa evidência gritante do desembaraço que rege as relações entre multinacionais, cartéis e o governo de São Paulo.
Há detalhes sugestivos do quão profunda é a ingerência do interesse privado na administração da coisa pública sob responsabilidade do PSDB.
A múltinacional francesa precisou de 12 dias apenas para emplacar a novidade que o planejamento estadual tucano não conseguiu prever em anos.
Adicionalmente, incluiu no pacote medidas para lipoaspirar o mobiliário das estações, sem corte correspondente no seu preço de fornecimento, agindo, portanto, para vitaminar o próprio lucro.
É mais uma informação de como se define o investimento na mesa de decisões do tucanato paulista, que levou a maior e mais rica metrópole do país às portas do racionamento de água por falta de planejamento.
Mas não só isso.
Estamos diante de algo maior. Uma sugestiva ilustração doslimites que cercam o diferencial acenado pela plataforma conservadora para a disputa presidencial de outubro.
Qual seja, a promessa de destravar as amarras de um novo ciclo de crescimento, fazendo do país um barco complacente aos ventos dos livres mercados.
Vale dizer, da lógica das Alstons, Siemens e assemelhados.
É essa rosa dos ventos que faz a Bolsa subir quando enquetes amigáveis alardeiam a escalada dos candidatos conservadores nas intenções de voto.
A amostra longamente maturada nas gestões Covas, Serra e Alckmin em São Paulo não evidencia qualquer identidade entre esse entusiasmo e o interesse da população.
Ademais de lesar os cofres públicos, a expansão da rede metroviária da capital avançou nesses vinte anos a passo de tartaruga, somando apenas 74 km de trilhos: um terço do realizado pelo sistema mexicano no mesmo período.
Tivesse pernas, o colunismo da indignação seletiva poderia se propor essa reflexão:
‘Quanto do inferno em que se transformou o trânsito paulistano poderia ser evitado se vigorasse outra lógica, que não o preguiçoso intercurso entre a esperteza das grandes corporações e a passividade do poder público estadual?
Quem sabe até estende-la um pouco além.
Ou será que a experiência de São Paulo não nos coloca diante do custo oneroso de um ‘intervencionismo’ às avessas?
Aquele em que o oligopólio planeja a sociedade e submete o Estado?
Por certo, o discernimento do eleitor, alvejado pela suposta causalidade entre o ‘intervencionismo da Dilma’ e a sofrível evolução da infraestrutura brasileira, ganharia elementos adicionais para decisão em outubro.
Não se trata, justiça seja feita, de uma jabuticaba tucana.
A verdade é que a principal bandeira do PSDB –ou de Campos, tanto faz, colide com o assalto estrutural da escala capitalista em todo o globo, que reduz a agenda dos livres mercados a uma marca de fantasia desprovida de chão histórico para ficar de pé.
Há um indicador que mede esse solapamento do sonho liberal: a ‘razão de concentração de mercados’.
Ele indica o quanto um setor da economia é dominado pelos seus quatro maiores atores corporativos.
Como já foi dito neste espaço, hoje essa razão de mercado se tornou infecciosa.
Os oligopólios açambarcaram desde a produção de cerveja a de sucrilhos, de lâmpadas a aviões, de vagões de metrô a taxas de juros.
O cartel de bancos que manipulou a taxa básica de Londres, a Libor, durante anos, com implicações na estrutura de custos de todas as praças do planeta, mostra o quanto o mito da livre iniciativa tem de propaganda enganosa.
O colapso de 2008 aconteceu não porque os banqueiros sejam demônios adornados de gravatas de seda.
Mas porque a lógica segundo a qual a exacerbação dos interesses corporativos leva ‘à harmonia eficiente do sistema’ enfrenta colisões apreciáveis com a realidade do capitalismo em nosso tempo.
A ação dos oligopólios no metrô tucano mostra isso em ponto pequeno.
O livro de Thomaz Piketty, ‘O Capital no Século XXI’, escancara os desdobramentos dessa lógica em grande escala.
A espiral da desigualdade, ensina, é a doença intrínseca ao ambiente econômico que renuncia à repressão estatal contra a acumulação rentista.
Incorporar as lições de Piketty e da Alston ao debate eleitoral de 2014 seria fatal ao discurso conservador.
Mas substituir a sua lógica por outra envolve requisitos à construção de uma nova hegemonia, tampouco negligenciável em sua complexidade política.
Inclua-se aí a repactuação de metas, novas ferramentas democráticas de participação e a reordenação do modelo de financiamento da economia, com a indução do excedente econômico –hoje apropriado pelo cassino rentista, por exemplo—para o investimento.
Que nenhuma mesa tenha reunido até agora manifestantes de protestos e lideranças do governo e do PT em torno dessa encruzilhada dá a dimensão da enorme distancia a vencer.
Sem afrontá-la na prática persistirá a lógica que terceiriza estações do metrô, e o destino da sociedade, ao planejamento insaciável dos oligopólios.
http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/O-cartel-planeja-a-sociedade/30972
Assis Ribeiro
22 de maio de 2014 9:07 amA alienação conservadora
O avanço tem as características de uma hegemonia ideológica: faz parecer que os interesses da classe dominante coincidem com os interesses da maioria
Vivemos, vive a Humanidade, sob o avanço do pensamento conservador, produto de visões de mundo que remontam ao mais puro fascismo. Um só exemplo é a onda de racismo e xenofobia que domina a Europa.
Da Europa, “este nobre continente” que, após séculos de colonialismo predador e genocida nos deu o fascismo, o nazismo e o stalinismo e duas guerras mundiais, sopram os ventos do mais tacanho ideário conservador, de par com o recuo ideológico e político da esquerda, sob todos os seus matizes, ou seja, englobando desde os comunistas às organizações socialdemocratas.
Os mais velhos dirão: ‘eu já vi este filme’.
A crise financeira mundial em que vivemos desde 2008 – produto da alucinada desregulamentação do mercado imposta pela ideologia do neoliberalismo –, não foi o gatilho detonador desse recuo, pois o fenômeno vem de décadas, remontando, para fixarmos um momento histórico, à ‘queda do muro de Berlim’ e ao desmantelamento da URSS, com todos os seus significados e consequências geoestratégicas, políticas, econômicas e militares. Alguns poucos indicadores: o fim do Pacto de Varsóvia e a expansão da Otan para além do Atlântico Norte, a desagregação do ‘Leste Europeu’ e a incorporação pela União Europeia (um moloch que jamais se sacia) dos antigos países ‘comunistas’ europeus, o consenso de Washington, a onda neoliberal e a ditadura intelectual do pensamento único.
Nessa mesma Europa e nessa mesma ‘onda’ desaparecem – com algumas exceções, como a portuguesa e a grega – os Partidos Comunistas ocidentais, e a tragédia mais notável foi a do justamente festejado Partido Comunista Italiano (PCI), conhecido pelas suas ideias renovadoras e pujança organizacional. Seu féretro levou consigo o eurocomunismo que chegou a entusiasmar alguns intelectuais brasileiros.
Cheia de si, a direita chegou a proclamar ‘o fim da História’ e o fenecimento do marxismo e das ideias socialistas. Uma versão dessa tolice é o anunciado fim da disjuntiva esquerda-direita, de livre curso ente nós. É um dos discursos da ‘pós-modernidade’.
Hoje, antigos partidos socialistas, como o português e o francês, no governo, optam por políticas reacionárias. Na França, a ‘novidade’ é a ascensão de François Hollande, lamentável contrafação de François Mitterrand. Portanto, não se pode considerar extemporâneo o crescimento da ultradireitista Marine Le Pen e de sua Frente Nacional, caminhando para tornar-se o maior partido da França. Organizações outrora de esquerda, como o Partido Trabalhista inglês (LP) de Harold Laski, se confundem com os partidos conservadores. Na Alemanha, a Social Democracia (SPD) é sócia menor dos conservadores (CDU) de Merkel. A Itália, até recentemente comandada pela direita grotesca de Berlusconi, é hoje governada pela direita pré-fascista de Matteo Renzi. É consenso entre os analistas que as eleições europeias de final deste maio trarão o aumento significativo de votos da extrema-direita. Concluamos: nos EUA a ‘esquerda’ é representada pelo Partido Democrata de Barack Obama… A China (em conflito com o Vietnã) cuida de seu capitalismo de Estado.
No mundo e no Brasil – para o bem e para o mal não somos uma ilha – o avanço do cardápio conservador tem as características de uma hegemonia ideológica: faz parecer que os interesses de uma classe – a classe dominante – coincidem com os interesses da maioria, ou seja, dos pobres. Assim é que vemos desqualificar a política quem mais precisa dela, combater o Estado quem mais depende dele, criticar a presença do governo quem mais precisa dela. É a vitória da manipulação ideológica.
Os jornalões festejam nas recentes pesquisas de opinião os altos índices de eleitores que nas eleições presidenciais deste ano integram o grupo dos indecisos e dos que se propõem a votar nulo ou em branco, enquanto outros muitos dizem rejeitar os partidos políticos e reduzir a política à corrupção, sempre enfocada pelos meios de comunicação pelo lado do corrupto, para que se demonstre a ineficiência do Estado, esquecendo-se do corruptor, um agente do mercado, pois é ele quem de fato maneja o Estado.
Para essa alienação trabalham diuturnamente os aparelhos ideológicos da classe dominante, à frente de todos e o mais eficiente de todos, os grandes meios de comunicação, com o propósito de desqualificar a política e de desconstituir o Estado, para promover o neoliberalismo e o mercado, impor a verdade única. A ação desses meios promove uma verdadeira guerra ideológica, visando à alienação, ao desenraizamento, ao desânimo, à impotência cujo fim é convencer o povo de que as coisas são assim porque assim devem ser, e nada há por fazer, senão conformar-se.
Sejam quais forem as razões explicativas, o fato objetivo é que vivemos um repouso intelectual-ideológico, com a ausência do debate, o silêncio da Academia, os pleitos corporativistas do mundo sindical sem vida, a paz de um movimento estudantil preocupantemente bem-comportado. Não há teses por defender, não há bandeiras por levantar. Os idos de junho de 2013 – eloquente sinal de insatisfação – não deixaram legado político. Talvez em face de sua essência anarquista, terminaram diluídos na anti-política, na anti-organização, contra os partidos e os sindicatos. É verdade que acicataram a sociedade, assustaram governo e a vida política, mas, passados os eventos, tendem deixar atrás de si o silêncio, como o Occupy Wall Street. Sua força – a não-organização, o voluntarismo – é igualmente sua limitação. Ficou, porém, uma advertência: o larvar descontentamento de nosso povo, insatisfeito com sua qualidade de vida, insatisfeito com a escola que lhe oferecem, com o transporte que lhe oferecem, com a moradia que lhe oferecem, com a saúde que lhe negam. Uma irritação generalizada que ainda não encontrou seu alvo. Por enquanto é um denúncia de decepção, consciência do malogro e muito desassossego.
A hegemonia conservadora que pervade os partidos de esquerda – que não souberam administrar nem a relação partido-governo e nem muito menos as relações partidos-movimento social – contamina o modo como tendemos avaliar a inserção internacional do Brasil. Dispensando a análise empírica – estamos nos habituando a muita opinião e pouca informação e nenhuma reflexão – somos levados a crer que o melhor para nosso povo é atrelar o desenvolvimento brasileiro ao da Europa e dos EUA – que continuam sendo nossas matrizes civilizacionais – e de embalo atrelar nossa visão de mundo à visão de mundo deles, nossos valores aos valores deles, nossa cultura à cultura deles. Embora saibam todos – e saiba mais do que todos a classe dominante colonizada – que nem UE nem EUA estão – porque jamais estiveram – propensos a fazer as concessões que nos interessam em nossas relações comerciais. Igualmente, não estão interessados no desenvolvimento tecnológico brasileiro, pois bloqueiam nosso programa espacial, nosso programa nuclear, nosso desenvolvimento em cibernética e nanotecnologia. O Fed, Banco Central dos EUA, aliás, voltemos à economia, não costuma pensar no Brasil ou na Argentina quando decide cortar juros para estimular o aquecimento da economia dos EUA. Nem muito menos nos considera para alguma coisa o Banco Central Europeu, cuja política cambial visa a facilitar suas exportações para nossos países (e fortalecer seus produtos nos nossos mercados internos) e dificultar as importações de nossos poucos produtos exportáveis, commodities inclusive.
Mas, que esperar, seriamente, de concessões de uma Europa às voltas com o Pacto de Estabilidade imposto por Bruxelas e suas políticas de cortes e demissões, crescendo a 0,2%? Nessa Europa existem hoje 36 milhões de desempregados. Apesar de tanta obviedade, a classe-média, marioneta nas mãos da classe-dominante, alienada, faz cara feia toda vez que se defende nossa abertura ao comércio com o maior número de países, e especialmente com a América do Sul, a África e a Ásia. Apesar de o caminho da diversificação das parcerias haver-se revelado tão importante quando do nosso enfrentamento da crise de 2008. Para essa gente – e dela é porta-voz o candidato tucano – o único caminho é fechar as portas do Mercosul, entregar-se à UE e retomar a Alca. Assim, ao final, seremos um grande Porto Rico.
Outro instrumento dessa perversa busca da alienação – utilizado à saciedade pelos meios de comunicação e os intelectuais da classe dominante –, é a técnica do despistamento que visa a trazer para a cena política temas irrelevantes ou periféricos, à custa do esquecimento das questões estruturais que afetam o país, a democracia e a qualidade de vida de nossas populações. Enquanto a pauta da grande imprensa traz ao debate questões vencidas nas eleições de 2010 e que foram o cavalo-de batalha do candidato da direita, como aborto, homossexualismo e liberdade religiosa, importantes mas marginais diante do vulto de nossos problemas sociais e econômicos, em xeque, são postos de lado os temas de interesse concreto para a vida das pessoas, como a brutal, crescente e injusta concentração de renda: aqui (dados de 2012), os 10% mais ricos detêm 42% da renda e 40% dos brasileiros, os mais pobres, respondem por apenas 13% da renda nacional; a renda real do trabalho do 1% de mais ricos é 87 vezes superior à dos 10% dos mais pobres. Como na matriz, é alta a desigualdade – nada obstante os esforços de inclusão social levados a cabo nos últimos 12 anos – e baixa a taxa de crescimento econômico, a qual, mantida, nos assegurará a pobreza por mais 50 anos.
Assim, nada discutindo ou discutindo o supérfluo, evitamos o debate em torno de questões cruciais para a vida das pessoas como a expansão do mercado interno, a política de distribuição de renda e aumento do poder de compra dos trabalhadores. E o crescimento, se possível sem inflação.
Por essas e outras trampas, nosso povo, que até pouco tanto se orgulhava de seu país, volta a deixar-se dominar pelo derrotista sentimento de inferioridade que o faz descrer até de si mesmo. A destruição do orgulho de ser, da satisfação do pertencimento e do amor-próprio é a forma mais eficaz de minar uma nação. Em seu lugar se instala a idealização do outro, superior, mais culto, mais forte, destinado à vitória e ao sucesso, cujo reverso é o autodestruidor ‘complexo de vira-lata’.
A alienação proposta pela direita tem um só objetivo: soterrar a alma nacional
http://www.cartacapital.com.br/politica/a-alienacao-conservadora-9077.html
Gilberto .
22 de maio de 2014 2:00 pmSó faltou falar da ausência de segundo turno
Só faltou falar da ausência de segundo turno se forem estes os resultados. Dilma fica com algo em torno de 55 % dos votos válidos.
Do Radar on-line
Lauro Jardim
Radar on-line
com Gabriel Mascarenhas e Thiago Prado
quinta-feira, 22 de maio de 2014 7:14 Eleições 2014
Para cima
Subiu
A pesquisa que o Ibope divulga hoje à noite dará alegria a todos os candidatos. Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos sobem em relação à última pesquisa Ibope, do dia 17 de abril.
Nela, Dilma aparecia com 37%, Aécio com 14% e Campos com 6%. Agora, Dilma surgirá na faixa dos 40%, Aécio no patamar entre 19%e 20% e Eduardo Campos sobe aos dois dígitos, em torno dos 11%.
Em comparação com o Datafolha de duas semanas atrás, poucas mudanças. Aécio e Campos, quando se coteja as duas pesquisas, estão do mesmo tamanho. E Dilma teria crescido um pouco, fruto do momento em que as entrevistas foram feitas – imediatamente após os programas de TV do PT e no auge da supreexposição de uma campanha publicitária em que o governo exibia suas obras.
De agora até o fim da Copa, é mais do que improvável que estes números mudem – exceto, claro, se acontecer algo muito significativo durante o evento. Ou seja, é com esses números que os três principais candidatos começarão a disputa em agosto, quando sobe a temperatura de campanha.
Por Lauro Jardim
Alexandre Weber - Santos -SP
22 de maio de 2014 6:57 pmTava na cara – efeito Denise Abreu
O inesperado apareceu.
Um candidato de oposição oposicionista.
Seja Bem Vinda Denise Abreu.
Dario Lenza
22 de maio de 2014 5:19 pmNúmero recorde de franceses na Copa
Número de torcedores franceses que vai para a Copa no Brasil é recorde
O primeiro motivo para tanto entusiasmo dos franceses é o “fator Brasil”. O país continua a ser uma viagem dos sonhos para muitos franceses.
http://www.portugues.rfi.fr/geral/20140522-numero-de-torcedores-franceses-que-vai-para-copa-no-brasil-e-recorde
sforza
22 de maio de 2014 9:20 pmDilma e o bom senso
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/2014/05/1458088-com-odio-e-com-medo.shtml
alfeu
22 de maio de 2014 10:25 pmCoreia do Sul: Repressão na Samsung leva sindicalista ao suicídi
Coreia do Sul: Repressão na Samsung leva sindicalista ao suicídio
Tomi Mori, Esquerda.net
http://www.esquerda.net/artigo/coreia-do-sul-repressao-na-samsung-leva-sindicalista-ao-suicidio/32761
Yeom Ho-seok pôs fim à vida para denunciar as condições laborais e os ataques aos sindicatos praticadas pela gigante multinacional. Polícia reprimiu o velório e raptou o corpo do sindicalista. A Samsung mantém há cerca de 75 anos uma política de “não sindicalização”.
Segundo informação da Confederação Sindical da Coreia do Sul, através de sua página no Facebook, o líder sindical Yeom Ho-seok, seu filiado, cometeu suicídio, no dia 17, devido à repressão existente na Samsung.
Em protesto, a central sindical convocou os seus sindicalizados a uma greve geral e também a uma manifestação pacífica em frente ao escritório global da Samsung Eletronics. A polícia, denuncia a central, profanou o velório do dirigente sindical, invadindo o hospital e desaparecendo com o corpo do sindicalista, alem de prender dezenas de sindicalistas que foram prestar a sua homenagem e levar flores.
“
A história do sucesso da Samsung – hoje, uma das mais famosas marcas mundiais – é, também, a história da perseguição brutal aos ativistas sindicais que lutaram e lutam para defender seus direitos.
Yeom Ho-seok deixou uma dramática e memorável nota de suicídio, a qual divulgamos, com parênteses de esclarecimento da tradução feita através da versão em inglês:
Aos trabalhadores locais membros da Samsung Electronics Service
Estou agora em Jeong-Dong-Jin.
É também o local onde o sol se levanta. Escolhi este local porque acredito que ele (refere-se ao local e área de trabalho sindical) não perderá os raios (de esperança) e, como o sol que se levantará amanhã, o nosso local irá vencer esta luta, sem falta.
Envio os meus agradecimentos aos membros da organização de Bu-Yang Branch (a organização de Busan Yangsan do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos da Coreia) que se preocupou com o meu bem-estar e cuidou de mim como se eu fosse o irmão mais novo, e a todos os camaradas em todo o país.
Eu, um simples Zé-ninguém, encontrei satisfação apenas por poder estar ao vosso lado.
Não posso mais continuar a assistir aos sacrifícios e sofrimentos dos demais, nem continuar a ver os sofrimentos dos membros do sindicato, por isso ofereço minha vida.
Rezo pela nossa vitória com a única oferenda que posso dar.
Quando encontrarem o meu corpo, por favor, deixem-no da mesma maneira, até o dia da nossa vitoria.
Cremem o meu corpo apenas no dia da nossa vitória e dispersem as minhas cinzas aqui, neste local.
Por último, o pai do nosso sindicato, o membro Bae Hyeon, ainda se encontra hospitalizado. Os custos da sua hospitalização atingem uma grande soma. Por favor, levantem fundos para ajudar a pagar, sem falta, os custos do hospital quando as negociações (coletivas) estiverem concluídas.
Estarei sempre ao vosso lado.
Continuem a luta até o dia da vitória!
Respeitosamente, Yeom Ho-seok, presidente da sucursal de Yangsan
O velório do sindicalista
Samsung faz retaliação contra os trabalhadores
A Samsung mantém uma política de “não sindicalização” há cerca de 75 anos e a Samsung Electronics Service Workers é a primeira organização com filiação em massa da Samsung na Coreia. Yeom Ho-seok foi um dos fundadores desse ramo do sindicato. O sindicato tem lutado contra o sistema de pagamento por peça, que mantém os trabalhadores na pobreza, através de greves, para que a empresa respeite os direitos laborais e conclua a primeira negociação coletiva para os 1600 sindicalizados com relação aos salários e condições de trabalho.
Polícia prendeu 25 sindicalistas
Após meses de negociação, com a empresa a negar-se a atender às reinvindicações, começou a retaliação aos sindicalizados. Passou a designar o trabalho aos não sindicalizados, além de cortar os seus salários e fechar três dos centros sindicais, Haendae, Asan e Icheon, com despedimentos em massa, em março. Para se ter uma ideia da exploração da Samsung, o sindicato esclareceu que, em abril, o salário do sindicalista Yeom Ho-seok fora de, apenas, o equivalente a cerca de 292 euros.
O velório estava a decorrer no dia 18, no quarto numero 5 da filial Gangnam do Centro Médico de Seul, a menos de 4 km do escritório central da Samsung Electronics. A polícia coreana invadiu o velório, sem avisar, e levou o corpo do sindicalista. Cerca de 300 soldados entraram no hospital e atacaram as pessoas que estavam no velório de forma brutal, com gás lacrimogéneo. Vários presentes foram feridos e 25 membros do sindicato foram detidos.
Após raptar o corpo do sindicalista Yeom Ho-seok, a polícia levou-o para Busan, segunda maior cidade da Coreia, a cerca de 400 km de onde estava a ser velado inicialmente.
No dia 19, o sindicato chamou à greve geral dos sindicalizados na Samsung, mas, infelizmente, não sabemos o que ocorreu depois disso, já que não foi possível localizar informação.
A repressão policial na Coreia tem sido uma constante, como ocorreu dias atrás quando a Vigília de Velas, em homenagem aos mortos da tragédia do ferry Sewol, realizada em Seul, se transformou em manifestação, com a polícia reprimindo violentamente os familiares e as pessoas que se solidarizavam com as vítimas.