4 de junho de 2026

Morre aos 78 anos Márcio Souza, autor de ‘Mad Maria’

Escritor e dramaturgo Márcio Souza, traduzido para várias línguas, deixou obras essenciais sobre a Amazônia
Escritor e dramaturgo Márcio Souza, traduzido para várias línguas, deixou obras essenciais sobre a Amazônia
Foto: Divulgação / SEC-AM

O escritor e dramaturgo Márcio Souza faleceu na madrugada desta segunda-feira (12), em Manaus, aos 78 anos. Souza enfrentava uma crise de diabetes, dor no peito e parada cardiorrespiratória e foi levado a um Serviço de Pronto Atendimento (SPA) na capital amazonense, onde não resistiu.

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Nascido em Manaus em 1946, Márcio Souza foi uma figura central na literatura e nas artes brasileiras. Seu trabalho abrangeu diversos gêneros, incluindo romance, dramaturgia, ensaio e contos. Entre suas obras mais notáveis estão “Mad Maria”, “A Caligrafia de Deus”, “Galvez, o Imperador do Acre” e “A Paixão de Ajuricaba”.

Sua produção literária é marcada pela exploração da história e da cultura da região amazônica, abordando temas como o processo de colonização do Norte do Brasil, a exploração do látex durante o ciclo da borracha, a questão indígena e as tensões entre modernidade e arcaísmo. Suas obras foram traduzidas para várias línguas e receberam reconhecimento internacional.

Formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, Souza também atuou como crítico de cinema e escritor em diversos jornais e revistas, incluindo Senhor, Status, Folha de S. Paulo e A Crítica. Além de seu trabalho como romancista e dramaturgo, ele desempenhou papéis importantes na administração cultural, tendo sido diretor de planejamento da Fundação Cultural do Amazonas, diretor da Biblioteca Nacional e presidente da Funarte.

No campo acadêmico, Souza foi professor assistente na Universidade de Berkeley e escritor residente nas universidades de Stanford, Austin e Dartmouth. Também foi palestrante convidado por instituições prestigiadas como a Universidad de San Marcos, Sorbonne, Toulouse, Aix-en-Provence, Heidelberg, Coimbra, Universidade Livre de Berlim, Harvard e Santiago de Compostela.

No cenário cultural de Manaus, dirigiu o Teatro Experimental do Sesc (Tesc) e foi presidente do Conselho Municipal de Política Cultural. Além disso, era membro da Academia Amazonense de Letras. Sua contribuição ao mundo das artes e da literatura será lembrada e celebrada por muitos.

Dolores Guerra

Dolores Guerra é formada em Letras pela USP, foi professora de idiomas e tradutora-intérprete entre Brasil e México por 10 anos, e atualmente transita de carreira, estudando Jornalismo em São Paulo. Colabora com veículos especializados em geopolítica, e é estagiária do Jornal GGN desde março de 2014.

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