4 de junho de 2026

Lula, Serra e os metalúrgicos do ABC, por Caiubi Miranda

do Blog Direitos Humanos no Trabalho

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Estávamos no auge da campanha de 2002, Lula e Serra na disputa da presidência.

Eu era, então, executivo de uma grande montadora de automóveis, então com mais de 20 mil empregados. Como toda multinacional, a montadora tinha uma regra rigorosa: não se envolver, pelo menos oficialmente, nas disputas políticas dos países onde atuava.  Pragmatismo de toda multinacional: se optasse pelo lado perdedor, corria o risco de ter seus negócios prejudicados pelo lado vencedor.

Num determinado dia, fomos procurados pelo presidente do sindicato dos empregados com um “pedido-quase-ordem”: Lula estaria na cidade daí a cinco dias e queria de qualquer forma falar com os empregados da fábrica. Explicamos ao sindicalista o que ele já sabia, a política internacional da empresa, a dificuldade operacional de executar o que ele queria, o custo de parar a linha de montagem num momento em que o mercado estava aquecido…  Numa montadora, parar a linha de montagem é pecado quase mortal.

O presidente do sindicato disse que Lula estava intransigente. Ou nós organizávamos o comício do Lula dentro da fábrica, na hora da troca de turnos – 16 horas – ou ele faria o comício na porta da fábrica, do lado de fora, e o pessoal que começaria a trabalhar às 16 horas atrasaria mais ainda.

Foi um corre-corre para tomar a decisão: ligações para a matriz, viagens a Brasília, reuniões, reuniões, reuniões… Finalmente um consenso: franquearíamos a fábrica para o discurso do Lula mas, se o Serra quisesse, daríamos a mesma oportunidade a ele.

O dia marcado era uma quinta-feira e toda a fábrica já fervilhava desde cedo. Um pouco antes das 16 horas o Lula chegou acompanhado de sua equipe de campanha e dos dirigentes sindicais. Mas, conforme combinado, só iria para o local do comício no horário marcado, nem um minuto antes.

E foi o que aconteceu: às 16 em ponto fomos para a Ala 4, um enorme galpão onde funcionava a linha de montagem, já paralisada naquele momento. Esperavam quatro mil operários, dois mil do turno que saía e dois mil do turno que começaria. A entrada do Lula foi triunfal: aplausos, vivas…

Lula subiu numa empilhadeira já previamente preparada e equipada com o sistema de som do sindicato e começou seu discurso: “Companheiros…” Fez uma retrospectiva rápida da vida dele como militante do sindicato, lado a lado com aquelas pessoas que o estavam ouvindo. As greves, as vitórias conseguidas… vez por outra reconhecia um operário no meio da multidão, o apontava e o chamava pelo nome: “Eu lembro que o Quinzito, que está ali, veio me procurar e me pediu para ir falar com a mãe dele. Ela estava com medo que ele perdesse o emprego por causa da greve…” O Quinzito era, então, ovacionado por todos.

À medida que o Lula falava, a emoção crescia no ambiente. Ao meu lado, muitos operários já estavam com os olhos marejados.  A voz do próprio Lula também começou a ficar embargada e, de repente, lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. A última frase que ele conseguiu falar foi: “E agora eu serei presidente do Brasil por causa de vocês…” e cobriu as faces com as mãos, chorando convulsivamente. Ele e as 4 mil pessoas que estavam ali, todos chorando de emoção. Inclusive eu e os outros diretores da fábrica.

Mesmo que viva 100 anos, acho que nunca vou sentir uma emoção tão forte como a que senti naquele momento. Aqueles quatro mil operários emocionados, chorando, gritando vivas…

E o evento terminou ali. Da empilhadeira, Lula foi para os ombros dos operários que cantavam o jingle da campanha: olê, olé, olá… Lula-lá.

Meia hora depois, a linha de montagem foi ligada e tudo voltou ao normal.

Ah! Sim.  Na semana seguinte os assessores do Serra foram até a fábrica para organizar a visita dele. Chamamos os diretores do sindicato para participar da reunião e eles aconselharam que o Serra nem se aproximasse da fábrica. O conselho deles foi ouvido.

Caiubi Miranda

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. Ulisses s

    14 de maio de 2014 2:48 pm

    Me lembrei da década de 90

    Quando ouvia noticias de saques em supermercados, crianças caçando calanguinhos e o famoso gabiru, nordestino caquético por suubnutrição. Incrível como estas notícias suimiram da mídia desde 2002. E olhe, se ainda existisse isto no nordeste, a mídia ia esconder?

    http://labrecha.me/2013/04/17/el-hambre-obliga-a-comer-ratas/

    El Hambre Obliga a Comer Ratas

    17 abril, 2013 por  1 Comentario

    comen ratas 280x400

    Sequía obliga a residentes de municipio de N.L. a comer ratas. La ayuda de “oportunidades” es paupérrima. Mueren de hambre y el gobierno lo minimiza diciendo que se les manda lo necesario para estar “bien” sin necesidad de comer ratas; sin embargo, la prueba lo desmiente. Lo mismo viven en comunidades de Coahuila, como El Salitre.

    Los hechos.

    Es la tarde del jueves 11 de abril en Presa San Carlos, en Doctor Arroyo, a unos 400 kilómetros al sur de Monterrey, y Ascensión López recoge piedras del suelo y alista la resortera para internarse en el monte.

    Hace dos días que el Estado organizó una brigada contra la sequía en este ejido de casuchas de adobe donde repartieron más de 300 despensas y una pipa llenó la vieja pila edificada frente a la iglesia sin sacerdote.

    Pero la pequeña bolsa con provisiones y el agua se agotaron pronto. Hoy la única opción para comer en la vivienda que Ascensión comparte con las familias de dos de sus 10 hijos son las ratas que logre traer a su regreso.

    “Llegaron unas despensitas. Estaban de a tiro chiquitas, se acabaron”, cuenta Ascensión, refiriéndose al apoyo alimentario de un kilo de harina de maíz, un kilo de frijol, medio kilo de arroz, medio kilo de galletas de animalitos, dos bolsas de pasta y medio litro de aceite que distribuyó el DIF estatal.

     

    “Hace tres años que no levantamos ni rastrojitos de lo que sembramos. No nos queda más que salir a buscar ratitas, para darle de perdido algo de carnita a los nietos. No es que nos guste tanto”.

    Presa San Carlos es una de las 92 comunidades del sur de Nuevo León afectadas por la sequía extrema y escasez de agua para consumo humano, según el monitor de sequía de América del Norte y la Comisión Nacional del Agua.

    Aquí, familias con un promedio de ocho integrantes que padecen pobreza extrema sobrevivían cultivando sus alimentos y haciendo producir a sus animales, pero desde hace tres años la sequía ha impedido levantar una sola cosecha y ha matado a reses y chivas.

    El único modo de ganarse la vida ahora es tallar lechuguilla para extraer ixtle y venderlo a 14 pesos el kilo –300 pesos por semana–, pero la sobreexplotación está agotando la planta.

    “No crea que nos gusta vivir de la caridad”, subraya Ascensión, de 48 años, “aquí todo es trabajo. Uno le hace la lucha con la tierra, los animales. Ya nada más queda la lechuguilla. Acabándose eso, no va a haber más nada”.por hambre comen ratas

    “Teníamos ocho animales. Todos se murieron. Ahorita nomás queda esa becerra”, dice apuntando al animal de pelo blanco y costillas pegadas a la piel que ha sobrevivido de nopales chamuscados, puntas de palma y agua verde.

    comen ratasLa cacería

    En medio del monte, abriéndose paso entre nopaleras y arbustos chaparros, acompañado de Francisco, su hijo de 22 años, Ascensión sigue las huellas que conejos y ratas dejan en la tierra suelta.

    El año pasado, Francisco caminó 15 kilómetros hasta un ejido aledaño y firmó unos papeles “del Gobierno” que le dijeron eran para recibir seis chivas. Ese día regresó contento. La esperanza de superar la sequía vendiendo quesos, leche y cabritos se asomó en el joven padre de dos hijos.

    “Ese paquete nunca llegó”, recuerda con mirada severa, “nomás me hicieron firmarles todos los papeles. Así es aquí, se quedan pa’ otra parte, con los que andan adelante”.

    La charla es interrumpida por un ruido entre los matorrales, el joven, que lleva unas botas industriales rotas por las que se asoman sus dedos, estira la hulera, apunta y suelta el proyectil que sale zumbando entre las ramas secas. Era un conejo, el animal huye herido.

    “A veces nos va bien”, cuenta Ascensión, “(el conejo) sabe mejor que la rata y rinde más. Para que alcance la comida hay que cazar unas ocho ratas”.

    “También hay mucha víbora aquí”, advierte el campesino, quien lleva puestos unos huaraches de llanta. “Un animal de esos mordió a una niña de siete años, se la llevaron a Arroyo y la llevaban a San Luis, pero no llegó, por eso no traemos los niños”.

    En la mano derecha, Ascensión tiene la cicatriz de una mordida de rata, que le atravesó el dedo índice cuando jaló la cola del roedor para sacarlo de la guarida que estos animales construyen en medio de nopaleras para protegerse de los depredadores.

    Pero eso fue hace varios años, hoy es un experto. Después de cavar bajo el sol durante media hora, mete la mano en uno de los hoyos y con un movimiento vertiginoso saca al animal y lo azota contra el piso. Una pequeña nube de polvo se levanta, la rata está muerta.

    ratas

    El banquete

    En la mesa de madera, a un lado del fogón invadido por el humo agrio que expide la leña de mezquite, los pequeños Miguel, de un año, y Francisco, de 2, nietos de Ascensión, y Berenice, de 4, su hija más pequeña, rodean el platito redondo con la rata freída por Elena, su abuela y madre.

    La escasa carne es difícil de masticar. Su sabor no se parece al de ave o res, pero agrada a los pequeños que roen hasta lo último.

    “Dicen que es medicina. Aquí se las damos a los niños en caldo cuando se enferman. Viera que se reponen”, comenta Ascensión mientras se saca de los pies las espinas que le dejó la travesía. “Pero ahorita, aunque no quiéramos (sic), no hay más. ¿Qué le vamos a hacer? Como quiera, dígales a los señores que nos trajeron las despensas que estamos agradecidos por la ayuda, aunque sea poquita”.

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    TAMBIÉN EN SALITRE, COAHUILA COMEN RATAS

    En el Salitre, Coahuila, uno de los 80 municipios que conforman el estado, la carne de rata, al igual que la de otros animales como el conejo o la liebre, lograran matar el hambre de las familias que las preparan como comida casera. Las cazan con palos, piedras y resorteras. Aunque son una innegable fuente de proteínas, también cargan con muchas enfermedades.

    Eso cuenta la FOTOPERIODISTA KARLA ITZEL CASTILLO, de la agencia mexicana CUARTOSCURO, al presentar este ensayo.

    Los lugareños, como Don Cruz Domínguez, tienen la acostumbre de consumir carne de roedor, dice, viajan varios kilómetros hacia el monte buscando madrigueras entre nopales y arbustos y con sus armas de campo, y otros animales de campo.

    Es una costumbre que viene del hambre, como narran otros periodistas de la región.

    El 31 de enero pasado, Vanguardia de Saltillo publicó un reportaje sobre la comunidad de El Pilar de Richardson, situada en el municipio de General Cepeda, en Coahuila, en donde unos 500 habitantes viven en la permanente angustia de no tener para comer.

    Las autoridades voltean el rostro hacia otro lado, consigna este reportaje.

    Ahí, destaca la reportera Arely Ramos, reina la aridez, el polvo que se levanta por las ráfagas de viento y la incertidumbre.

    De las Redes Sociales

    Verónica Herrera Castañeda dice en su cuenta de facebook: HACE 2 AÑOS TUVE UNA ALUMNA QUE SU PAPÁ SE QUEDO SIN TRABAJO Y SE IBA EN BICI A LA CAÑADA DE LOBO Y CAZABA RATAS Y CONEJOS Y, ESO COMÍA LA FAMILIA, ES AQUI EN SLP CAPITAL EN EL FRACC. SANTUARIO.

     

  2. Bezerra

    14 de maio de 2014 3:02 pm

    Será que um dia seremos novamente assim?

    Tocande. Também estou chorando.

  3. Alan Souza

    14 de maio de 2014 3:14 pm

    Essa eu mesmo vi!

    Serra era candidato em 2002. Foi fazer uma visita a Belém do Pará, minha terra natal, onde eu morava na época. O Pará era governado por Almir Gabriel, também do PSDB.

    Na programação do Serra ele faria uma visita a um hospital público, o Ophir Loyola, que é referência no tratamento do câncer. Seria acompanhado da visita por correligionários e pelo governador Almi Gabriel.

    Mais tarde, após a visita do Serra, um jornalista meu conhecido e que cobriu o evento me disse o seguinte: “Alan, o Serra desembarcou e não falou com ninguém, só com o pessoal da assessoria dele e com o Almir. Não cumprimentou ninguém, nem os cabos eleitorais, os servidores do hospital ou os pacientes. Chegou e saiu do Pará sem falar com ninguém, além do Governador!”…

  4. Osvaldo Ferreira

    14 de maio de 2014 4:10 pm

    Relato tocante. Fiquei

    Relato tocante. Fiquei emocionado ao ler…Obrigado!

  5. César

    14 de maio de 2014 4:36 pm

    *.*

    E vai dizer que isso não é diferencial?

    Pra mim é um privilégio ter podido viver no Brasil, na mesma época do Lula.

    Eu é que não vou desprezar isso, não.

    Viva Lula! Viva o povo brasileiro!

    1. Direitos Humanos no Trabalho

      14 de maio de 2014 7:22 pm

      Lula, Serra e os metalúrgicos do ABC

      Viva! Olê, olê, olá…. Lula-lá!

  6. Murdok

    14 de maio de 2014 5:48 pm

    Não é fácil não. Esse artigo

    Não é fácil não. Esse artigo mexe com a gente. São histórias, momentos da construção de nossa democracia que ficarão para a história desse país.

    Esperto que um dia meu neto, meu bisneto possam ler esse artigo.

  7. Marcos RTI

    14 de maio de 2014 6:26 pm

    Impressionante esse história

    Lendo esse relato me sinto entre os operários ouvindo o Lula.

    Muda o texto para  “…4001 peões ouviram o discurso….”

     

    1. 14 de maio de 2014 7:03 pm

      …4003…

      …4003…

  8. Lucinei

    14 de maio de 2014 9:22 pm

    É totalmente diferente de

    É totalmente diferente de ficar conectado à matrix. É outra experiência. É contra isso que os meios de comunicação lutam. Com uma boa ajuda da inconsciência da justiça eleitoral.

  9. Alexandre Augusto Godinho de Oliveira

    15 de maio de 2014 12:09 am

    Aí Lula concluiu seu discurso

    Aí Lula concluiu seu discurso no galpãp da fábrica: “O Çerra é um cocô!”

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