4 de junho de 2026

Você é racista?, por Caiubi Miranda

do Blog Direitos Humanos no Trabalho

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

– Você também é nazista? Porque racista você certamente é!

Levei um baita susto quando vi que a pergunta era dirigida a mim. Na época – 2002 ou 2003 – eu era executivo de uma grande montadora de automóveis, com mais de vinte mil empregados.  Tinha, entre as minhas atribuições, a elaboração do jornal interno da empresa, dirigido aos empregados. No jargão das multinacionais, esse tipo de jornal chama-se “house organ”.

Quem me interpelava era um cidadão negro como carvão, enorme, forte… uma porta, como se diz.  Ele havia simplesmente invadido minha sala de trabalho apesar dos protestos da minha secretária. Vi, pelo uniforme, que era um operário da área de Fundição e pelo seu tamanho, pelo seu tom de voz e pela sua cara, por um momento tive certeza de que ia levar uma surra. Troquei um olhar com a olhar com a minha secretária e ela entendeu que deveria chamar a segurança.

Enquanto isso, eu ia tentar de acalmar o cidadão.  Pedi calma, convidei-o para sentar e pedi-lhe que me explicasse o que estava acontecendo, que eu não estava entendendo nada. Ele se identificou como Diretor de Igualdade de Oportunidades do sindicato dos empregados.  Então tirou do bolso um exemplar da última edição do jornal que eu editava.  “Essa edição – disse ele – tem 43 fotografias. Nenhum negro. E 54% dos operários desta fábrica são negros. Só posso deduzir que você é racista” concluiu ele. Repassamos juntos o jornal e vimos que ele estava errado: havia a foto de um único negro. Mas ele não admitiu o erro, disse que o fulano era só “moreninho” não era negro de fato.

Concordei com os argumentos dele. Não fazia sentido ter a foto de um único negro – ou de nenhum, segundo ele – entre as 43 fotos da edição. Justifiquei-me explicando como era o processo de elaboração do jornal. Tínhamos dois jornalistas na equipe. A reunião de pauta era na segunda-feira e o jornal circulava na sexta. Os dois jornalistas faziam as matérias, tiravam as fotos e traziam para minha aprovação uma a uma. Eu aprovava as matéria individualmente mas raramente tinha oportunidade de ver o jornal fechado, todas as matérias e fotografias juntas. Mesmo num jornal semanal, o ritmo é de correria.

E confesso: mesmo nas oportunidades que via o jornal pronto, jamais me atentei para o fato de haver ou não haver fotos de negros nas matérias. Eu não era racista e, portanto, não tinha nenhuma preocupação com isso.

O diretor do sindicato acreditou na minha sinceridade e absolveu-me do crime de racismo. Não sem antes combinarmos duas mudanças importantes nos procedimentos de edição do jornal. Primeiro, teríamos que garantir que tivéssemos pelo menos 50% de negros nas fotos publicadas.  Não era um número rígido, algumas variações eram aceitáveis em função das matérias.  Em segundo lugar, ele passaria a fazer parte das reuniões de pauta do jornal, na segunda-feira. Ressalve-se que ele nunca apareceu nas reuniões. Quando eu o encontrava pela fábrica e cobrava a sua presença, ele alegava estar muito atarefado. Mas nós garantimos, de nossa parte, que nunca circulasse uma edição com uma boa quantidade de empregados negros. E alguns orientais de quebra.

No final das contas, nós acabamos nos tornando amigos e ele garante que na verdade só queria me dar um susto. Conseguiu.  Nem ele nem eu trabalhamos mais na empresa mas às vezes nos encontramos para uma cerveja. E todas as vezes, nessas ocasiões,  ele faz questão de contar essa história para o resto da mesa, com seu vozeirão proporcional ao tamanho. Segundo ele, minhas mãos tremiam de medo… Puro exagero!

Um fato pitoresco é que, alguns dias depois desse evento, descobri que, na fábrica, ele tinha o apelido de “alemão”. A lição que tirei dessa história é que o racismo está tão impregnado na nossa sociedade que temos que estar atentos para não parecer racistas, mesmo que não o sejamos.

 

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

32 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Orlando

    12 de maio de 2014 9:57 pm

    Infelizmente, no Brasil,

    Infelizmente, no Brasil, falar de racismo, ainda, é tabu.

    1. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 6:31 pm

      VOCÊ É RACISTA?


      Orlando,

      acho que já não é tão tabu assim. A sociedade está atenta para o que ocorre, a legislação pune as manifestações entendiddas como racistas…

      Acho que é uma área onde temos progredido, embora talvez não com a velocidade desejada.

      Caiubi Miranda

  2. leonidas

    12 de maio de 2014 10:09 pm

    Para ser racista acima de

    Para ser racista acima de qualquer coisa voce deve acreditar em RAÇA

    Como sabemos nem todo racialista é racista mas todo racista é racialista

    Incentivar o criterio racial é querer apagar fogo com gasolina.

    Raça é sinonimo de diferença e se não sou igual logosou diferente e a partir dai deveria me unir aos ” meus semelhantes “

    os racialistas nao buscam e nunca buscaram igualdade, eles buscam AFIRMAÇÃO

    Para eles a ideia de viver em guetos esta otima, pois no fundo cultivam o mesmo veneno que criou o racismo ou seja a ideia de que a miscegenaçao é um ataque à ” raça ” 

    Dai a importancia enorme que dão em transfigurar dados e estatiscas transformando todo mundo de um lado em negro e obviamente do outro lado em Branco

    Radicais só são ouvidos em contextos radicais e se não ha clima eles criam um.

    O Brasil é e sempre foi um pais racista ( como todos incluindo ai africanos ) constatar isso nao signfica que devemos avalizar a figura de raça para combater o racismo .

    Pois é ela a razao principal dele existir…

    1. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 6:26 pm

      VOCÊ É RACISTA?

      Leonidas,

      confesso que tive que olhar no dicionário o que era “racionalismo”. E aí a dúvida passou a ser minha. Me atenho à questão do racismo da forma que usualmente entendemos. Uma suposta hierarquia em os seres humanos com cor de pele e outras caracteristicas físicas diferentes. Eu repudio veementemente qualquer tipo de hierarquia com base nessas características físicas.

      Caiubi Miranda 

  3. Jorge Vieira

    12 de maio de 2014 10:13 pm

    Raça pura

    Não entendo porque os negros ficam tão indignados com essa estória de racismo.

    É verdade que a discrimanação devido à cor humilha (na verdade, eu acho que os negros se deixam humilhar pelos seus detratores) e aborrece.

    Mas se pensarmos um pouquinho, vamos concluir que a única raça humana pura é a raça negra.

    O primeiro ser humano era negro. Surgiu na África.

    Muitos dizem que Jesus Cristo era negro.

    As outras raças que foram surgindo são descendentes da raça negra. A cor é consequência da ecologia do ambiente em que essas outras raças se fixaram.Não se trata de evolução. Trata~se de adaptação.

    O negro puro, negro, negro de brilhar a vista de quem olha, na verdade não é negro. Ele é azul, um azul escuro, de cor ainda mais bonita.

    As mulheres negras, quando belas, são as mais belas.

    Pensando bem, eu acho que alguns branquelos tem é muita inveja dos negros.

     

    1. Fernando Lopes

      13 de maio de 2014 12:36 am

      Como o autor do post disse…

      Tem de tomar cuidado para não parecer racista mesmo não sendo racista…

      “As mulheres negras, quando belas, são as mais belas.”

      Sei que você não teve intenção… mas escorregou aí…rs

      1. Jorge Vieira

        13 de maio de 2014 1:43 am

        Quando belas

        Fernando:

        Entendi o teu ponto-de-vista mas, antes de escrever, eu tentei refletir se a condicionante “quando belas” seria racista. E conclui que não porque estou me referindo a questão estética.

        Existem brancas feias e bonitas, assim como existem negras feias e bonitas conforme o meu singular entendimento de feiura e beleza.

        Conforme o meu singular conceito de estética, se comparadas as mulheres negras belas com as mulheres brancas belas eu acho que as negras belas são mais belas que as brancas belas.

        Para mim, entretanto, as negras belas são aquelas que preservam os traços característicos da negritude.

        Negras que imitam o estereótipo das brancas belas são também belas, mas não tão belas quanto as negras às quais me referi acima. 

        Obviamente, eu não estou pretendendo introduzir um novo tipo de preconceito baseado na estética, pois aí estaria dando um tiro no pé.

    2. Alan Souza

      13 de maio de 2014 10:54 am

      Que estória é essa?

      “Os negros se deixam humilhar”? Que papo é esse? Você acha que algum racista pede licença antes ao ofendido para agredi-lo?

      Parece o pessoal que justifica estupro pela roupa ou atitude da mulher!

      1. Jorge Vieira

        14 de maio de 2014 3:55 pm

        Dá um tempo…

        Alan, dá um tempo.

        Primeiro, eu não afirmei que os negros se deixam humilhar. Eu, apenas, tenho uma percepção de que isto acontece a maioria das vezes

        O negro tem que entender que na relação negro/racista, quem tem problema é o racista, quem está doente é o racista, quem precisa de ajuda é o fdp do racista.

        Se o negro tomar a atitude de oferecer ajuda psicanalista para o racista se tratar, o fdp desmonta.

  4. Mota

    12 de maio de 2014 10:26 pm

    Racismo subliminar

    Acho que esse é um dos efeitos da sociedade segregacionista. 

    Como não vemos os segregados em postos de destaque na sociedade muitos de nós não enxerga essa possibilidade como factível. Assim como narrado no brilhante texto do post, o que vemos na publicidade são personagens pasteurizados, apresentando-nos como fôssemos uma nação escandinava, pois a cada dia aumenta a quantidade de mulheres louras na televisão. 

    Esse é um dos pontos em que o sistema de cotas raciais apresentam-se como solução em curto prazo, pois em pouco tempo possibilitará ao negro se ver em outra atuação social que não a tradicionalmente imposta. 

    É fundamental, especialmente para as crianças, que elas se vejam em posições de destaque para que almejem ocupar esses lugares. 

    1. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 7:28 pm

      VOCÊ É RACISTA?

      Mota,

      é isso aí. E não adianta incluir nas novelas, propaganda, os tais “negros de alma branca” como Hollywood fez numa determinada época. 

      Caiubi Miranda

    2. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 7:28 pm

      VOCÊ É RACISTA?

      Mota,

      é isso aí. E não adianta incluir nas novelas, propaganda, os tais “negros de alma branca” como Hollywood fez numa determinada época. 

      Caiubi Miranda

  5. Gilson AS

    12 de maio de 2014 11:11 pm

    É claro que o autor do texto

    É claro que o autor do texto é racista, senão não faria uma descrição do negro dessa forma.

    “Quem me interpelava era um cidadão negro como carvão, enorme, forte… uma porta, como se diz.  

    Por que negro como carvão ? Preconceito !

    O cidadão poderia ser mais correto e dizer um negro retinto.

    “pelo seu tom de voz e pela sua cara, por um momento tive certeza de que ia levar uma surra. 

    Por que o autor do texto tinha certeza que ia levar uma surra ?

    Apenas pela cor da pele do operário ? Na cabeça do autor do texto, apenas pelo fato do operário se negro a porrada ia comer. Preconceito !

    “Troquei um olhar com a olhar com a minha secretária e ela entendeu que deveria chamar a segurança.”

    Por que chamar o segurança ? Preconceito!

    Ficou subentendido que pela cor da pela, por precaução e segurança dele e da secretária, era melhor eles se garantirem com a presença do segurança, que provalvelmente deveria ser um negro.

    “havia a foto de um único negro”. Uma empresa com 54% dos funcionários. Preconceito !

    “Eu não era racista e, portanto, não tinha nenhuma preocupação com isso”.

    O cidadão não é racista, ele apenas não gosta de pretos, mas dos amarelos, ruivos tudo bem. Ou seja, ele tem apenas preconceito de cor não de raça.

    O própio autor chegou a conclusão de como agem uma boa parcela dos brancos brasileiros

    ” A lição que tirei dessa história é que o racismo está tão impregnado na nossa sociedade que temos que estar atentos para não parecer racistas, mesmo que não o sejamos.”

    Finalizando, o fato do autor sentar-se à mesa de um bar com um negro para tomar uma cerveja, isso não o livra de ser racista.

    Concluindo, é claro que o autor é racista, e ele tem coinciência disso.

    1. robson_lopes

      12 de maio de 2014 11:53 pm

      Que viagem, o que é isso?

      Que viagem, o que é isso? Hermenêutica?

      1. Gilson AS

        13 de maio de 2014 12:36 am

        Que viagem, o que é isso?

        “Que viagem, o que é isso? Hermenêutica?”

        Pode ser, basedada em fatos raciais.

        Mas qual o motivo da pergunta ?

        Você se indentificou com o autor ? 

      2. Walker Liberal

        13 de maio de 2014 2:21 am

        Tomou ácido……

        Tomou ácido……

    2. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 6:44 pm

      VOCÊ É RACISTA?


      Gilson,

      se há alguma coisa que tenho certeza na vida ,e que não sou racista.

      O que você aponta como sintoma de racismo para mim carecem de consistência. Por que “negro como carvão” é racista e “negro retinto não é”?

      Achei que ia apanhar porque estava com a cara feroz e era muio, muito maior que eu. Não porque era negro.

      Chamar a segurança para não apanhar. Não porque era negro.

      E assim por diante,,,

      Nem de longe abalou minhas convicções.

      Caiubi Miranda.

       

  6. Orlando

    12 de maio de 2014 11:46 pm

    “Raça” é um construto social e politico.

    Leonidas

    A neurociência de caras como Steven Pinker, [pro]seguindo na pegada da ciência determinsta e reducionistado século XIX, diz que existem “raças”. Ou melhor, defende que existem diferenças genéticas entre os seres humanos. Não acredito. Isso é racismo. No entanto, creio ser correta a tese de que “raças” são construtos sociais e, nesse sentido, é válido falar  em negros e brancos e gordos e gays e pobres e feios, como “raças” diferentes e, em vista disso, em racismo.

    Raça” não existe como realidade biológica ou genética. E sim como 
    construto social a partir de similaridades fisicas, culturais etc, ou de
    diferenças que são construidas a partir de estigmas como cor/escravidão[negros], nacionalidade [asiáticos, religião [judeus] etc. 

    Oracy Nogueira, sociólogo brasileiro, já na primeira metade do século passado falava do “racismo de cor”, isto é, quanto mais próximo você estiver do negro mais racismo você sofrerá. Logo, o fato de que, no Brasil, o Obama ser considerado 50% negro e 50% branco só demonstra o quão o auto racismo – do negro pelo negro – e o racismo – do branco pelo negro -, no Brasil, é grande. O fato de a mãe do Obama ser branca não o torna branco. Apenas, e tão somente quer dizer que ele, Ob ama,  tem informações genéticas de branco e negros. E só. Do mesmo modo, no Brasil, muita gente de olhos e azuis e pele super branca, igualamente, tem informações geneticas de negros ou indigenas. Simples, não existe, em nenhum lugar do planeta, etnia pura – a raça humana desde sempre é miscigenada. Em função disso o discurso da miscigenação no Brasil é racista – o fato de sermos miscigenados não garante equidade, social e economica, de tratamento para todos. Ou seja, não brancos, negros e indigenas, no Brasil, continuam na base da pirâmide social e economica e, sobretudo, morando na periferia e favelas.

    Prezado, no Brasil, ainda nem começamos a discutir o racismo existente nessa Terra Brasilis. Simples, Freire disse que não somos racistas e que a miscigenação é a nossa maior glória e ainda hoje acreditamos nisso. Isto é, no Brasil,. ainda acreditamos em “democracia racial”. Mesmo que o apartheid social e economico, entre negros e brancos, seja tão profundo.

    Enfim, “racismo reverso” é lenda urbana. Racismo é exercício de poder. Negros, no Brasil, não tem poder economico ou afins para impor suas ideologias ou racismo contra brancos. Ademais, a baixa autoestima do negro, no Brasil, o faz querer ser branco e assim, paradoxalmente, ser até conivente com a sua própria miséria social – tudo em nome da lenda urbana da miscigenação e da “democracia racial”.

    Assim, como é ridiculo falar em “afrodescendente” em um país de forte miscigenação como o Brasil. Em função da minha avó ter sido branca, eu de pele negra/escura, e cabelo “ruim” seria/sou eurodescendente.

    Racismo, no Brasil, é em função da cor  e não da “raça”. pois não existe “raça” pura e sim seres humanos com características fisicas, e cores, diferentes.  Logo, essa história de “racialismo” é papo prá boi dormir. E só.

    Select ratingRuimBomMuito bomÓtimo ExcelenteRuimBomMuito bomÓtimoExcelente

     

    1. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 7:42 pm

      VOCÊ É RACISTA?

      Orlando,

      como um bom mineiro que sou, garanto que você tirou palavras da minha boca. Com meus mais de 60 anos de vida, não tenho a menor dúvida que existe racismo com base em cor da pele. Há famílias com dois filhos, um mais clarinho, um mais moreninho. Apesar da mesma bagagem cultural, mesma criação, a chance do mais clarinho ser mais bem sucedido financeiramente, profissionalmente é maior. Claro que pode não ocorrer, mas se houvesse uma estatística confiável a respeito, tenho certeza que ela confirmaria minhas palavras.

      Caiubi Miranda

    2. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 7:42 pm

      VOCÊ É RACISTA?

      Orlando,

      como um bom mineiro que sou, garanto que você tirou palavras da minha boca. Com meus mais de 60 anos de vida, não tenho a menor dúvida que existe racismo com base em cor da pele. Há famílias com dois filhos, um mais clarinho, um mais moreninho. Apesar da mesma bagagem cultural, mesma criação, a chance do mais clarinho ser mais bem sucedido financeiramente, profissionalmente é maior. Claro que pode não ocorrer, mas se houvesse uma estatística confiável a respeito, tenho certeza que ela confirmaria minhas palavras.

      Caiubi Miranda

  7. will

    13 de maio de 2014 2:19 am

    o preconceito
    Fico imginando o quanto o preconceito implacável nao diminui as pessoas.

    Não só pela raça, mas pela classe docial, pela deficiência física, qual bairro mora, o feio, a linda, o inteligente, o atrasado,
    os honestos, os simples, os trabalhadores, …
    Uma série de conflitos que acabam em preconceito e injustiças.
    Ao amigo que nao sabe por que os negros ficsm indignados com essa história, eu digo mais: ficam revoltados!
    Com muita razão. Seus antepassados foram escravos?

    1. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 7:04 pm

      VOCÊ É RACISTA?


      Will,

      meus antepassados não foram escravos. Isso, no entanto, não me impede e nem dificulta o meu entendimento de como qulquer tipo de preconceito é odioso. Em especial, o racial.

      Uma blogueira das mais conhecidas – a Socialista Morena – publicou um pequeno texo hoje com introdução a outro texto mais longo do Darcy Ribeiro, analisando a questão das cotas raciais que tem sido tão questionados ultimamente. Dê uma olhada no link “socialistamorena,cartacapital.com.br/darcy-ribeiro-explica-a-desvantagem-historica-do-negro”.

      Caiubi Miranda

       

  8. Pachecão

    13 de maio de 2014 2:57 am

    Quem encontrar o racismo

    Quem encontrar o racismo nesse vídeo, ganha uma jujuba.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=CiIWrlODs6c%5D

  9. Lucinei

    13 de maio de 2014 3:57 am

    Parabéns pro “negão” que

    Parabéns pro “negão” que soube se posicionar. Cabra bom!

    É isso mesmo: mais da metade da população e dos trabalhadores da tal fábrica é negra (negros e pardos); por que publicar fotos só de não negros? Ah, “não é assim que se faz”!?

    Lembro de uma passagem contada por um diretor de uma ONG famosa aqui no Rio (e no Brasil, suponho).

    Dia de evento, de palanque e discurso. O então Presidente Lula estaria presente. O diretor da ONG insistiu que o evento era promovido por ele e que uma famosa liderança daqui do Rio que o Presidente Lula pedia pra que ela também estivesse no palanque não falaria “de jeito nenhum” porque quando teve oportunidade “nunca fez nada”.

    O Presidente Lula insistiu mas o cara não se demoveu.

    No final – só o Lula mesmo – falou pra ele (e ele gosta de repetir): “companheiro: você se posicionou; é isso aí: vocês que são negros, vocês que se entendam!”

    Todos riram!

    So pra deixar claro: não sou branco!

    1. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 7:18 pm

      VOCÊ É RACISTA?

      Lucinei,

      não conhecia essa história do Lula mas imagino que ele queria no palco era a Benedita da Silva e, a rigor, pode ter sido um fecho engraçado para a discussão mas tinha uma carga de racismo implicita, Acho que a história ilustra muito bem que que quis expressar no post. Não acredito que o Lula seja racista, mas a piada dele fez parecer isso.

      Caiubi Miranda 

      1. Lucinei

        14 de maio de 2014 12:38 am

        Caiubi Miranda,Não vou falar

        Caiubi Miranda,

        Não vou falar de nomes de pessoas que não estão participando da coversa. Mencionei essa passagem porque me pareceu semelhante ao que você narrou, sim. Acho que você percebeu que foi semelhante também.

        Porém, o contexto dessa passagem que descrevi, foi, sim, de uma disputa explicitamente política, mais que um fato cotidiano (sem negar que o trabalho do jornal e do dia a dia de uma fábrica não envolvam atitudes “políticas”). Enfim, fopi um evento político com palanque e tudo mais.

        A fala do Presidente Lula  ali antes do evento acontecer, sobre quem mais estaria no palanque foi, claramente, uma fala para um auditório que tinha toda a  consciência do que estava em questão, tanto que o narrador contou o caso rindo (e, repetindo, ele não era branco, também).

        Mais uma vez, Caiubi Miranda, do ponto de vista de quem contou, não era uma questão de subordinação de uma “raça” por outra nem de reforço de estereótipos e preconceitos: para todos presentes estava claro que era uma disputa política legítima.

        Foi assim que entendi o que me foi narrado.

  10. Ricardo Cesar

    13 de maio de 2014 9:49 am

    E A rede bobo? Nos papéis de

    E A rede bobo? Nos papéis de empregada doméstica continuam usando só morenas, mulatas e negras! Sim, não somos racistas, diria o camel!

    1. Alan Souza

      13 de maio de 2014 10:56 am

      E os pobres, que só ascendem

      E os pobres, que só ascendem socialmente pelo casamento, ganhando na loteria ou virando artista? Pelo trabalho mesmo só sobe quem é do núcleo rico e branco da novela…

    2. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 7:49 pm

      VOCÊ É RACISTA?

      Ricardo,

      negro, no papel principal, só se for de “alma branca”. Tem coisas que chegam a ser engraçadas. Na novela das 9 horas tem um personagem negro que faz o papel de “bom de cama”. É só um reforço de uma história racista que escuto desde criança: as branquelas são chegadas a um negro porque em geral ele é “bem dotado”.

      Caiubi Miranda

    3. Direitos Humanos no Trabalho

      13 de maio de 2014 7:49 pm

      VOCÊ É RACISTA?

      Ricardo,

      negro, no papel principal, só se for de “alma branca”. Tem coisas que chegam a ser engraçadas. Na novela das 9 horas tem um personagem negro que faz o papel de “bom de cama”. É só um reforço de uma história racista que escuto desde criança: as branquelas são chegadas a um negro porque em geral ele é “bem dotado”.

      Caiubi Miranda

  11. NNN

    13 de maio de 2014 9:54 am

    Continuando…

    Fico cá pensando se nas semanas seguintes o escritório do autor foi invadido por descendentes de japoneses, tatuados, indígenas …

  12. Jan Nazorek

    15 de maio de 2014 4:12 am

    Você é racista…

    Até os 67 anos viví conviví com brancos, amarelos, pretos, azuis e os cambau e nunca nem me passou pela cabeça algum tipo de preconceito. Então um preto numa discussão me chamou de estrangeiro vagabundo no ato retruquei então voce é corno manso,tentou me agredir não deu pra ele pois a polícia entrou no meio.Fomos para a delegacia lá ele disse que eu o havia chingado de preto vagabundo,que a família dele não prestava e mais um monte de merda que ele vomitou. Foi difícil sair das mentiras desse vagabundo mas Deus é grande. Fiquei esperto com isso e hoje não sei se felizmente ou infelizmente saio de perto de pretos, procuro não conversar enfim evito-os simplismente…E digo que o preto é muito mais racista que o branco…

Recomendados para você

Recomendados