Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
André Paulo Reis
13 de maio de 2014 3:02 amNey, ouve a gente!
Ney, ouve a gente!
http://mudamais.com/divulgue-verdade/ney-ouve-gente
Motta Araujo
13 de maio de 2014 3:30 amhttp://www.ilgiorno.it/pavia/
http://www.ilgiorno.it/pavia/cronaca/2012/10/28/793589/images/1565915-enrico_m.JPG
ENI – A PETROLEIRA ITALIANA DA GUERRA FRIA
Ao terminar a Segunda Guerra a Italia viu-se em dificil situação economica e com grande escassez de energia.
Enrico Mattei era um contador que tinha sido filiado ao Partido Fascista mas migrou para a Democracia Cristã e acabou como um lider dos guerrilheiros do Norte da Italia na luta contra o fascismo e contra os alemães. Por seu papel, foi no pós guerra Deputado e encarregado pelo Governo De Gasperi de ser o liquidante da empresa estatal de petroleo criada por Mussolini, a AGIP em 1926. Ao assumir a AGIP, invés de liquida-la, que era sua missão, resolveu faze-la renascer com o nome de ENTE NAZIONALI IDROCARBURI- ENI. Por sua liderança a ENI tornou-se uma da grandes empresas mundiais de petroleo, inovadora e audaciosa, fez a Italia ser ainda na decada de 60 uma grande “player” no mundo do petroleo em rápida transformação com a descolonização de muitos paises do Terceiro Mundo.
A ENI conseguiu contratos em 79 paises, foi ela quem estabeleceu a formula de 50-50 na divisão de lucros, que era tradicionalmente de 27,5% para o Pais dono da reserva. Fez contratos com o Shah da Pérsia, com a Libia, com a Nigeria, com a Algeria independente, entrou com grande força na exploração de gás do Vale do Po, em petroquimica,
produção de energia eletrica, navegação e um grande setor de engenharia de construção de refinarias e oleodutos (a SAIPEM) que projetava e construia empreendimentos para a ENI e para terceiros.
De autarquia (dai o nome ENTE) passou a sociedade anonima com ações cotadas nas Bolsas de Milão e Nova York em 1992. Entrou pesado no petroleo do Iraque, conseguindo a concessão do campo de Zubair e construi oleodutos do Iraque à costa mediterranea no litoral da Siria. Fez tambem um oleoduto pioneiro da Tunisia à Italia e varios da Libia a Italia, o primeiro foi o famoso Transmediterranean Pipeline.
Hoje a ENI tem uma estrutura de governança semi-privatizada, o Tesouro da Italia tem 30,3%, o Banco Paribas tem 2,3% e o resto está no mercado. O faturamento anual passa de 130 bilhões de Euros e o valor de mercado está em 70 bilhões de Euros, em 2012 abriu 60 poços, no Brasil tinha a LIQUIGAS, hoje da Petrobras.
ENRICO MATTEI é um personagem de cinema, morreu em 1962 seu jato explodiu no ar, criando a lenda de um atentado.
Com base nessa lenda Fancesco Rossi produziu o filme O CASO MATTEI, com o ator Gian Maria Volonté como Enrico Mattei. A lenda veio do fato de Mattei por um bom tempo desafiar as Sete Irmãs do petroleo com sua formula 50-50 e atrapalhar os anglo-americanos em quase todos os continentes. Nada foi provado sobre um atentado mas a lenda persistiu por longo tempo. Mattei foi o simbolo do executivo estatal a serviço de uma causa nacional, foi um heroi italiano, era muito poderosos politicamente e durante sua vida nenhum governo sequer tentou tira-lo do cargo, ele era a ENI e a ENI era ele, mandava sem ser dono, somente pela sua liderança e carater, um nome mítico na industria do petroleo do Século XX.
Motta Araujo
13 de maio de 2014 11:26 amhttp://www.ilparlamentare.it/
http://www.ilparlamentare.it/wp-content/uploads/enrico-mattei.jpg
Enrico Mattei e o Presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser.
ROGERIO FARIA
13 de maio de 2014 4:16 amFigurinhas da Copa
Clique na imagem para mais tirinhas!
Mara L. Baraúna
13 de maio de 2014 4:59 amYoani Sánchez, blogueira cubana, uma alpinista social.
Caros Amigos Yoani Sánchez, o seu jornal e a minha liberdade
Por Redação
O que já não cheirava bem ficou pior com uma carta divulgada no fim de semana pelo tradutor italiano da blogueira cubana Yaoní Sánchez, recebido no Brasil no ano passado como o baluarte em defesa da liberdade de expressão em Cuba – ela que nunca foi proibida de sair e voltar àquele país, nem censurada.
No documento, Gordiano Lupi relata suas decepções com a blogueira, em quem acreditou de fato e aderiu ao trabalho por ideal, mas que, afirma ele, revelou-se apenas uma alpinista social em busca de financiadores e fama.
Leia abaixo a carta na íntegra.
De Gordiano Lupi
“Acreditei em uma luta ideológica que não existia. Na verdade, o objetivo de Yoani Sánchez foi sempre a de se tornar rica e famosa”
“Yoani Sánchez encerrou o contrato com o [periódico italiano] La Stampa e fez de mim um homem livre, que até ontem não podia dizer o que pensava por ser o tradutor seus textos. Agora que já não tenho qualquer ligação [com ela] e que os interesses da blogueira mais rica e premiada do mundo são administrados pela sua agente, Erica Beba, posso tirar as pedras de meus sapatos. Elas estavam me fazendo mal.
Eu cometi o erro de acreditar na luta Yoani Sánchez, vendo nela uma luta de David e Golias, uma luta que partia de baixo para combater o poder, uma luta idealista pela liberdade de Cuba. Percebi – ao som de amargas decepções – que a oposição de Yoani era letra morta, para não dizer que era por conveniência, para fazer o mundo acreditar que em Cuba não há liberdade de expressão. Comecei a duvidar que Yoani fosse não uma agente da CIA- como diziam seus detratores – mas da família Castro, paga para lançar fumaça em nossos olhos. Mas mesmo que não fosse nada disso, bastaria o fato de que eu percebi estar envolvido com uma pessoa que dá prioridade a interesses em nada idealistas. Um blogueira que leva a sua vida com tranquilidade, que em Cuba ninguém conhece e ninguém incomoda, que não vive ameaçada, emprisonada, silenciada, que não tem nenhum problema para entrar e sair de seu país. Por seu belo rosto recebi ofensas e ameaças de castristas e de comunistas italianos, por participar de uma luta inexistente, um sonho de liberdade esperado por muitos, mas certamente que não por ela, que pensava apenas no dinheiro proveniente de prêmios e contratos. Nesse ponto, eu não sei se Yoani Sánchez é uma agente da CIA ou da Revolução Cubana. Eu não sei e não me importo em saber. Só sei que não é a pessoa que eu pensava ser. E isto é suficiente para mim.
Um episódio que deveria ter me aberto os olhos à realidade ocorreu há mais de um ano atrás, quando eu mandei a minha sogra à casa de Yoani para pedir esclarecimentos sobre uma viagem à Itália. Bem, eles a fizeram esperar na escada. Nem sequer a deixaram entrar para a sala. Um comportamento muito estranho para um cubano do povo. Eu deveria ter acreditado na minha sogra, quando ela me disse: ” Essas pessoas não lutam pela liberdade de Cuba. Elas estão interessadas apenas em encher os bolsos”. Eu não acreditei na minha sogra e errei. Acreditei em uma luta ideológica que não existia. Na verdade, o objetivo de Yoani Sánchez foi sempre a de se tornar rica e famosa. Agora, ela conseguiu. Agora poderá ficar longe de mim , que perdi o direito de voltar a Cuba, enquanto a princesa dos blogueiros pode entrar e sair, como se fosse uma mosca que fica zumbindo um pouco em Havana e um pouco em Miami. A palavra borboleta não combina com ela. Mosca-varejeira é o termo mais apropriado. Agora Yoani Sánchez vai abrir um periódico farlocco (falso) , como os chamamos aqui na Itália, que poderá ser traduzido por outra pessoa, pois eu não o farei. Um falso jornal como o La Avanti de Lavitola , com todo o respeito com Lavitola. Yoani vai abrir um jornal , junto com seus amigos, que ninguém em Cuba não vai ler, porque só estará disponível online. Mas o que isso importa para Yoani ? Ela apenas quer alguém para financiá-lo, e que seja lido em Miami ou na Espanha, onde a comunidade cubana continua a se iludir com uma paladina inexistente.
Até agora, viajamos juntos, querida Yoani. Agora basta. Continuarei minha jornada sozinho, longe de suas ambições. Ela também toca Cuba é claro, que faz parte da minha vida, embora muitos cubanos tenham me desiludido. Vou tentar não pensar sobre isso, por respeito a minha esposa, que é uma cubana do povo e não tem nada a ver com a sua arrogância burguesa. E, como disse Fidel Castro, a história decidirá. Veremos quem por ela será absolvido.
* Traduzido do original em italiano por Rafael Zanvettor
Fonte: http://www.tellusfolio.it/index.php?prec=%2Findex.php&cmd=v&id=17330#
♦ Gordiano Lupi foi tradutor de Yoaní Sanchez para o italiano no jornal italiano La Stampa por seis anos. Lupi é conhecido na Itália pelas traduções de José MartÌ, Heberto Padilla, Virgilio Piñera, Guillermo Cabrera Infante, Alejandro Torreguitart Ruiz, entre outros.
Mara L. Baraúna
13 de maio de 2014 5:13 amBiblioteca Virtual do MST
MST lança Biblioteca Virtual sobre a questão agrária brasileira
Da Página do MST
A Biblioteca virtual do MST está no ar. Com mais de 1600 arquivos já disponíveis, o objetivo do projeto é reunir, organizar e disponibilizar num único site o acúmulo teórico do Movimento sobre a questão agrária a todos interessados.
Para acessar a Bilbioteca, é só entrar em http://www.reformaagrariaemdados.org.br/biblioteca
Temas como a luta pela terra, Reforma Agrária, Agroecologia e Soberania Alimentar fazem parte do acervo. A Biblioteca foi lançada oficialmente durante o encontro nacional de pesquisadores da Reforma Agrária, realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes, entre os dias 8 a 10 de maio.
“Acreditamos que agrupar esta produção de conhecimento facilitará a pesquisa e o estudo de todas e todos que atuam na área, além do incentivo e da ajuda na divulgação dos trabalhos comprometidos com essa luta”, afirma em nota a coordenação nacional do MST.
A Biblioteca é um projeto colaborativo em permanente construção. Todos que tiverem materiais relacionados à questão agrária brasileira podem enviar o arquivo no email [email protected] para incorporá-lo ao acervo.
André Paulo Reis
13 de maio de 2014 8:23 amBarbosa usa regra do regime fechado para condenados ao semiabert
Barbosa usa regra do regime fechado para condenados ao semiaberto, por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania
Para entender a revolta da comunidade jurídica e de tantos especialistas em Direito Penal com a proibição ou a revogação da permissão de trabalho externo para condenados pelo julgamento do mensalão, cumpre levar a cabo exegese (análise minuciosa) da Lei de Execução Penal brasileira.
Dessa maneira, o Blog recorreu a eminente especialista – que preferiu não se identificar – para poder explicar com clareza conduta do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, a qual, à luz das explicações, torna-se assustadora.
Para negar ao ex-ministro José Dirceu – e para revogar de outros condenados – o direito a trabalho externo, Barbosa recorreu ao artigo 37 da Lei nº 7.210, de 11 de julho 1984, que instituiu no país a Lei de Execução Penal.
A redação desse artigo aparentemente fundamentaria a decisão de Barbosa, mas como nem tudo que reluz é ouro o Blog descobriu que não é bem assim.
O artigo 37 determina que para obter o benefício de trabalho externo o presidiário deve cumprir ao menos um sexto da pena. A redação parece muita clara e impermeável a dúvidas. Diz o texto legal:
Art. 37. A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena.
Encerrar-se-ia a questão, pois. Se para requerer permissão de trabalho externo o preso precisa cumprir 1/6 da pena, soa óbvio que Barbosa está com a razão ao negar o benefício a Dirceu e ao revogar, por exemplo, o de Delúbio Soares, quem, em janeiro, recebeu permissão para trabalhar fora da prisão.
Porém, se a lei determina que o condenado cumpra um sexto da pena para poder trabalhar fora da prisão, por que, em janeiro, o juiz Bruno André Silva Ribeiro autorizou que Delúbio trabalhasse fora da prisão, em um escritório da CUT em Brasília?
Ribeiro seria petista? Teria violado a lei por algum motivo escuso? Não conhece a lei? Não, o juiz que se afastou da Execução Penal dos condenados do mensalão após suspeitas de partidarismo político apenas cumpriu a jurisprudência nesses casos.
Devido a dubiedade da Lei 7.210, a dita Lei de Execução Penal, o texto vinha sendo interpretado erroneamente nos primeiros anos de sua promulgação, mas, a partir de exegese dessa mesma Lei, o Judiciário detectou que, em verdade, ela não foi feita para condenados ao regime semiaberto, mas para condenados ao regime fechado.
Para entender a situação há que voltar ao artigo da Lei 7.210 anterior ao artigo 37. Assim fazendo, fica claro que esse artigo dá continuidade ao que reza o artigo 36. Vejamos como fica a leitura da lei quando se lê os dois artigos conjuntamente.
Art. 36. O trabalho externo será admissível para os presos em regime fechado somente em serviço ou obras públicas realizadas por órgãos da Administração Direta ou Indireta, ou entidades privadas, desde que tomadas as cautelas contra a fuga e em favor da disciplina.
Art. 37. A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena.
Bingo! Eis que fica claro que o artigo 37 é continuação do artigo 36, guardando relação com ele, conforme o especialista supracitado informou ao Blog. E o artigo 36 refere-se ao regime fechado.
Para sustentar essa premissa, a fonte do Blog sugeriu leitura de Acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) de maio de 2009. A decisão é do desembargador Alexandre Victor de Carvalho, quem, em seu voto, remete a jurisprudência baseada em decisão do STJ sobre a concessão de direito de trabalho externo a condenados ao regime semiaberto sem a necessidade de cumprimento de um sexto da pena.
A mera leitura do texto revela o nível estarrecedor de manipulação das leis que tem caracterizado a atuação do presidente do Judiciário brasileiro. Leia, abaixo, o acordão supracitado, com atenção para o trecho sublinhado em vermelho.
O que se pode depreender da conduta de alguém que chega à Presidência de um dos Poderes de República e transforma o cargo em ferramenta para a promoção dos próprios caprichos, idiossincrasias, ódios e vaidades? Como pode a República ficar refém de tamanhas barbaridades?
A passagem do senhor Joaquim Barbosa pela Presidência do Supremo Tribunal Federal deixará marcas profundas no Judiciário brasileiro. A condenação tardia dessas arbitrariedades bizarras por cortes internacionais provocará profunda desmoralização do país no exterior.
Todavia, tentando extrair algo de bom da comédia que se encena hoje na Cúpula do Judiciário talvez se possa inferir que de tudo isso resultará a descoberta pelo país de que é preciso reduzir o poder do Supremo e, sobretudo, dos que presidem aquela Corte.
Fica difícil, porém, não enxergar nessa premissa algo de síndrome de Poliana, a personagem de Eleanor H. Porter que encantou gerações com seu otimismo exacerbado mesmo diante das piores tragédias.
André Paulo Reis
13 de maio de 2014 8:33 amSerra é o “volume morto” de Aécio
Serra é o “volume morto” tucano para salvar Aécio em São Paulo, por Fernando Brito, no Tijolaço
Por que Aécio Neves, do “alto” dos 20% com que a imprensa o guindou à condição de “favorito” nas eleições, estaria aceitando e articulando a entrada de José Serra em sua chapa, como vice?
Espírito partidário? Desejo de mostrar que o “pó pará, Governador” ficou para trás? A revogação da irônica máxima do mineiro Otto Lara Resende sobre a solidariedade dos mineiros?
Nada disso, é obvio.
É que o comando tucano sabe que seu favoritismo em São Paulo está seguindo o caminho dos reservatórios do Cantareira: esvaziando-se rapidamente.
Na última pesquisa divulgada, em dezembro (e realizada no fim de novembro, antes que houvesse quase qualquer menção à seca, portanto), Alckmin tinha 43% contra 31% da soma dos adversários.
Na capital, área mais dramaticamente atingida pelo problema, o índice do governador era de 36%.
Como de lá para cá ninguém se interessou em fazer – para divulgar – pesquisas de intenção de voto no mais importante estado do Brasil, não dá para saber senão que há algo acontecendo nas terras bandeirantes.
Embora todos eles tenham pesquisas e mais pesquisas nas mãos, atualizadas quase todas as semanas.
Na última vez que seu nome foi incluídos nas pesquisas presidenciais, Serra, como era de se esperar, foi melhor do que Aécio nas entrevistas realizadas em São Paulo, especialmente nos municípios do interior.
Este é o fator que está empurrando – e Fernando Henrique, o grande comandante das tropas tucanas, é quem mais tem feito força para isso – Aécio a cortejar José Serra.
O que Serra vai acrescentar de rejeição ao mineiro está sendo considerado, pelo comando partidário, pouco em relação ao que julgam ser sua capacidade de barrar uma catástrofe que seria a perda do ninho paulista.
E continuar sonhando com um segundo turno nacional.
Afinal, foi o próprio Aécio Neves quem disse que vencer em São Paulo era vital para ter chances.
André Paulo Reis
13 de maio de 2014 8:39 amBarbosa é fruto de uma elite que adere ao arbítrio pelo ódio
O problema maior não é Joaquim Barbosa: é uma elite que adere ao arbítrio pelo ódio, por Fernando Brito, no Tijolaço
Eu me formei no culto ao Estado de Direito, que nos anos 70 era como podíamos chamar a Democracia.
E, como não podíamos falar em ditadura, o nome dado era “arbítrio”.
Ou seja, a lei “não valia” para todos, era mais dura ou mais branda de acordo com o freguês, sendo que o “mais duro” podia ir até à tortura e ao assassinato.
Tudo com base, claro, nos valores cristãos e na família.
O que mais me assusta no comportamento de Joaquim Barbosa não é o seu ódio e seu desprezo pelas convenções jurídicas que, apenas para citar uma, fez todo o país crer que os condenados do chamado “mensalão” iriam cumprir pena em regime semi-aberto, revista, como foi, a duração de seus apenamentos após o julgamento dos embargos infringentes.
Crença que veio, como todos sabem, de um entendimento pacífico de que era assim que se poderia cumprir penas em tal regime, como fazem 100 mil outros apenados, salvo quando, por seu comportamento agressivo, podem causar prejuízos à integridade física da coletividade: homicidas, loucos furiosos, etc…
Acabamos de descobrir que Joaquim Barbosa tornou “de brincadeirinha” tudo aquilo que todos – inclusive seus pares do STF – achava que era a sério.
Ele decidiu, sozinho e por uma penada, que não vale para José Dirceu o que valia para todos. Quem discordar tem um recurso: recorrer para que ele mesmo decida, também solitariamente, o que já decidiu.
Joaquim Barbosa pode ser um homem mau, como disse dele o jurista Celso Bandeira de Mello ou um psicopata, como o definiu o promotor Rômulo Moreira, Procurador-Geral Adjunto do MP da Bahia.
Isso pode acontecer a um homem, mas não pode acontecer ao Estado ou à coletividade, embora hoje Ricardo Mello lembre que não se vê qualquer “fúria santa” de Barbosa com temas como os linchamentos, a superlotação carcerária ou os espancamento de sem-tetos.
Muito mais grave é o fato de a sociedade estar sendo transformada em algo mau e adepta do exercício arbitrário das próprias razões, ainda que aqui não se as discuta.
Porque isso leva à histeria e, com ela, à barbárie legitimada.
O ódio político e o interesse eleitoral estão conspurcando o exercício da mais alta magistratura judicial do país sem que senão poucas vozes se levantem.
Embora à boca pequena muitos liberais e até conservadores considerem que Joaquim Barbosa tenha se tornado um siderado pelo seu ódio, poucos têm a coragem de dizer, porque julgam que isso lhes é útil no processo político-eleitoral.
A mídia teve o condão de transformar quem pare para pensar em “cúmplice”.
E a sociedade em matilha.
Assis Ribeiro
13 de maio de 2014 8:47 am‘Casa-Grande & Senzala’ aos
‘Casa-Grande & Senzala’ aos 80 anos: Gilberto Freyre e a Autobiografia do Brasil
Ao final do ano passado, ao completar 80 anos, Casa-Grande & Senzala (1933) ganhou uma bela edição comemorativa lançada pela editora Global. No volume, as 728 páginas vêm em capa dura e trazem, além dos dois cadernos iconográficos já existentes nas edições anteriores, um caderno colorido com fotos e documentos referentes à primeira edição, além de textos de Darcy Ribeiro e Roland Barthes, entre outros, mostrando a recepção crítica do livro ao longo dessas oito décadas.
Talvez seja o mais belo livro escrito no século passado sobre o Brasil. Foi o primeiro a duvidar das teorias racistas de intérpretes consagrados do país. Quando foi publicado, o livro foi uma redescoberta da nação brasileira, representando uma espécie de fundação do Brasil no plano cultural, como observou Darcy Ribeiro. Exaltando a miscigenação racial, desmistificando preconceitos e reconhecendo a originalidade de nossa cultura, Gilberto Freyre revolucionou a historiografia.
Em suas palavras, Gilberto Freyre afirmou: “Casa – Grande & Senzala foi a resposta à indagação que eu fazia a mim próprio: o que é ser brasileiro?”. Detalhes sobre a resposta estão abaixo, no brilhante texto de Rodrigo Petronio para o Jornal Rascunho. (Milton Ribeiro)
Autobiografia do Brasil
Por Rodrigo Petronio (*)
Jornal Rascunho
“Sou francamente paradoxal.” Essa frase de Gilberto Freyre, ao unir franqueza e paradoxo, parece sintetizar paradoxal e sinceramente a essência de seu pensamento. Poucos pensadores brasileiros suscitaram tanta fascinação em seus leitores e uma alteração tão profunda no modo de compreendermos a sociedade brasileira. Poucos geraram polêmica e aversão proporcionais à originalidade de suas idéias. Gilberto Freyre está na vanguarda desses pensadores. E aqui, ao utilizarmos a palavra vanguarda, já se evidencia o teor contraditório da sua situação, representante do que poderíamos chamar, com a sua anuência, de uma revolução conservadora. De um só golpe, ele propõe a teoria e a encarna, representando-a em sua própria obra e vida. Afinal, Freyre considerava que, no caso do Brasil, o binômio desenvolvimento-conservação era a oscilação de uma balança que nunca chegaria a um termo.
O Brasil é uma dialética sem síntese possível, pois o “equilíbrio dos antagonismos” é o coração do processo civilizatório ibérico e, por conseguinte, o cerne da estrutura social brasileira. Tal constatação é uma navalha que corta dos dois lados: se fecha parcialmente as portas para qualquer projeto planificador e desenvolvimentista, que virá ulteriormente por meio da industrialização sulista e que será visto com muitas ressalvas pelo sociólogo, ao mesmo tempo sinaliza algo que experimentamos em nosso cotidiano da maneira mais evidente possível. Não é à toa que o Brasil é chamado de país de contradições. E isso não é sociologia. É um refrão popular. Ao contrário de fatalismo, Freyre via a “riqueza das contradições”, como notou Fátima Quintas. A franqueza do paradoxo. A virtude dos antagonismos. Estes não se sintetizam. Mas também não se excluem.
A vida e a obra de Freyre são uma soma infinita de oposições, idas e vindas. Sempre inconclusa. Talvez disso devenha a sua genialidade. Talvez essa seja a raiz do eterno dilema quando nos propomos a situá-lo ideologicamente. Talvez essa a grande mazela de julgarmos sua obra: ao criticá-la, estamos criticando elementos internos ao próprio modo de ser brasileiro, que ele e sua obra representam. Afinal, o tema do patriarcalismo, matizado depois sob o conceito de lusotropicalismo, que abrange uma série de obras, o acompanhará por toda a vida. É fato que ele criará novos adjetivos para seu método: anfíbio, existencial, barroco. Mas o patriarcalismo, na sua leitura, ainda que velado, continuará sendo a matriz da cultura brasileira. Portanto, não se trata de um conceito pontual em seu pensamento. É a sua medula.
Ao contrário do que se cria e ainda se crê, recentemente o historiador Nicolau Sevcenko chamou a atenção para o rigor intelectual de Freyre. Afinal, outro aspecto criticado em sua obra é o seu caráter ensaístico, considerada à época como pouco científica pelos sociólogos do então emergente meio acadêmico brasileiro, chamados pelo pernambucano, com certo desdém, de “objetivistas”. Com a formação oficial dos departamentos de Sociologia, tais discrepâncias tenderam a se fortalecer, chegando a criar, como lembra Simone Meucci, duas correntes: a sociologia científica e a sociologia de Freyre. Por outro lado, o próprio sociólogo se gabava de conhecer as premissas acadêmicas tão bem que era capaz de subvertê-las, traço que defenderá com ênfase em Vida, forma e cor, ao tratar de artistas e de escritores e ao ressaltar suas críticas à cisão entre rigor científico e linguagem artística. O estilo apurado, o gosto pelo detalhe, a descrição, a torção da frase, a elipse, a mescla de dissertação e narração, o uso da primeira pessoa, o emprego de termos eruditos unidos com naturalidade a um vasto vocabulário popular e até chulo fazem de Freyre um dos maiores escritores da língua portuguesa.
O próprio Roger Bastide já havia ressaltado o aspecto hipnótico de sua escrita. Tal foi sua ênfase na base literária da narrativa sociológica, que ficou conhecido entre os franceses como o criador de uma “sociologia proustiana”, ou seja, que não se ocupa dos espaços públicos indistintos da sociedade, mas trata da sua “história íntima”, à maneira do roman vrai dos irmãos Goncourt. Além disso, usa o famoso “tempo tríbio” agostiniano, onde presente, passado e futuro se encontram. Toda a micro-história e a história da vida privada, tão na moda, são uma invenção de Freyre, na década de 1930. Como ressalta emDe menino a homem, oportuna autobiografia lançada pela Global, ele é o precursor desse enfoque, em nível mundial. Quer seus cultores aceitem ou não a filiação. Ou, no caso, por algum motivo atávico inconfesso, queiram rejeitar a paternidade totêmica patriarcal dessa linha de estudos.
Escândalo
Mas no que consiste afinal a inovação radical de Freyre? Como bem notou Antonio Candido, para um leitor atual talvez seja difícil ter a dimensão do escândalo que foi a publicação de Casa-Grande & Senzala, em 1933, primeiro volume da trilogia que compõe a série Introdução à História da Sociedade Patriarcal no Brasil, seguido de Sobrados e mocambos(1936) e Ordem e progresso (1959), e que seria finalizada com um quarto volume, Jazigos e covas rasas, nunca concluído. Em termos teóricos, Freyre havia aprendido a separar raça e cultura quando foi aluno do antropólogo Franz Boas, na Universidade de Columbia, a quem atribui uma das maiores lembranças de mestre que tivera. Por outro lado, ao colocar a análise econômica, de extração não-marxista, acima da religiosa ou política, e inspirado na idéia de Spengler, segundo a qual, na análise das sociedades, a casaé muito mais importante do que outras variáveis socioculturais, Freyre desloca em cento e oitenta graus o campo de visão da análise sociológica e histórica. Sai das questões macroestruturais políticas, mercantis, estatais, burocráticas, religiosas e macroeconômicas, predominantes mesmo em um historiador como Oliveira Lima, um dos seus maiores inspiradores e amigos, e que já havia colocado a historiografia em um patamar mais empírico. Nessa guinada, Freyre insere no centro do seu cenário o senhor de engenho, com seus escravos e mucamas. Ou seja: a casa, a senzala, a família.
Daí em diante, a sucessão de hipóteses e descrições de Casa-Grande & Senzala se segue em vertigem. Ao mesmo tempo em que explora o sadismo do senhor em relação aos escravos, mostra que ambos se apaziguam na medida do possível nas assimetrias de poder, em um processo de assimilação e contemporização, outros dois termos centrais. A tese da inferioridade do índio (coletor nômade e agricultor) em relação ao negro (sedentário pecuarista) e ao branco, defendida abertamente, para o mal-estar das boas almas indigenistas. As longas páginas de elogio à cultura negra e a crítica feroz ao racismo, em franco conflito com a eventual superioridade comparativa de outras raças e culturas em relação ao negro. Elogios ao negro e ao mulato sucedidos de paradoxais afirmações de que a fusão com o branco teria aumentado suas aptidões, bem como outras afirmações eugênicas. Já a crueza das descrições sexuais, tema de quase metade da obra, é um caso à parte. Curiosamente, e poucos atentam para isso, Freyre retira do negro a predominância do aspecto afrodisíaco da cultura brasileira, ou seja, refuta uma concepção explicitamente racista, e o coloca como próprio do branco, como estímulo que emerge induzido pela própria hierarquia do poder, cujo ápice é o sadismo. A iniciação sexual indiscriminada dos moleques com animais, com escravas, com mucamas, vistas como verdadeiras “carnes pretas feitas para o prazer”, e o atrito do poder sadomasoquista ativando ainda mais as glândulas erógenas. Os escravos enterrados nas edificações das casas para que seu sangue servisse de betume. A podridão dos hábitos dos brancos, as condições de higiene precárias, à exceção dos mouros. O papel mourisco na cultura, na arquitetura, na culinária, no folclore, no xale-véu das beatas. O tipo híbrido de catolicismo pagão, inclinado à magia, com temperos berberes, africanos, indígenas, embebido de um clima de erotização e moralização tropical mais amplo, com as beatas esfregando os crucifixos entre as pernas, às escondidas, na missa, para fortalecer os pedidos de casamento. A defesa do caráter plástico do português e sua aptidão à adaptabilidade, incomparável a nenhum outro povo colonizador do mundo. A mestiçagem como fenômeno central da cultura patriarcal. Os laivos anti-semitas nas descrições da função dos judeus no monopólio mercantil e na formação da ulterior estrutura capitalista, que poria abaixo os fundamentos patriarcais, pedra angular do iberismo e da mestiçagem. Seguindo-se a tudo isso um longo etc.
Apenas um espírito libérrimo como Freyre, com uma erudição avassaladora e um estilo sem par, poderia escrever Casa-Grande & Senzala. E jogar na cara do leitor comedido essa enxurrada de temas polêmicos, pressupondo-os como formativos do caráter brasileiro, ou seja, de todos nós, como quem oferece um espelho sujo a um amigo. A despeito da opinião da boa consciência aburguesada de então ou da classe média pacata de hoje em dia, seja ela adepta da esquerda progressista ou do fascismo estatizante, antagonismos estes que, para a felicidade dos amantes da dialética, nos últimos tempos têm cada vez mais se sintetizado, tais paradoxos descritos por Freyre não são científicos, no sentido de serem refutáveis por outras descrições. Eles são a própria essência vivencial e existencial da cultura brasileira, por mais que por questões psicanalíticas ou por simples conveniência não queiramos enfrentá-los. Não por acaso, já se disse que toda a formação da sociologia brasileira se deu para refutar em menor ou maior grau as teses de Casa-Grande & Senzala.
Eixos principais
A maneira que ele encontrou de ampliar o tema do patriarcalismo em suas obras ulteriores foi traduzindo-o em dois eixos principais: o iberismo e a colonização lusófona. Esta é, em contrapartida, a tese mais poderosa de sua obra e a de mais difícil refutação. Do ponto de vista étnico, poderíamos objetar, dizendo que a dicotomia senhor-escravo que ele analisa nunca poderia ter gerado a dinâmica histórica complexa que gerou. Tampouco teria produzido a mestiçagem que ele tanto valoriza. Mas nesse ponto, Freyre vai mais longe em sua busca das raízes da mestiçagem, que seriam a fonte do “equilíbrio dos contrários”. Para ele, o caráter plástico do português, responsável por um tipo específico de colonização não só na América, mas em todo mundo, e a aptidão ibérica em mesclar raças e culturas não nasce apenas do longo período visigótico, mouro ou berbere da Península. Não está alocada apenas no convívio pacífico de muçulmanos, cristãos e judeus ao longo de alguns séculos da Idade Média, na então chamada Hispania, região que abrangia toda a extensão peninsular. Não se trata apenas de ser um braço da Europa e um entroncamento que unia as quatro coordenadas da Terra, a norte e a sul, bem como o oriente e o ocidente, recebendo influxo de todas elas. A análise de Freyre demonstra, por meios antropológicos de análise dos graus de extensão da caixa craniana (dolicocéfalos, braquicéfalos, mesocéfalos), que esse hibridismo cultural ibérico começa no Paleolítico (2,5 milhões de anos até 10 mil anos antes do presente), e haveria, por exemplo, uma dificuldade de distinguir, na Península, a predominância dos elementos continentais, que nós hoje chamaríamos genericamente de europeus, daqueles de origem africana.
Essa predominância dos estudos ligados ao modo de colonização portuguesa, entendidos nesse sentido transoceânico, é desenvolvida em uma série de obras que foram oportunamente publicadas pela Editora É: O mundo que o português criou, Uma cultura ameaçada e outros ensaios, O luso e o trópico, Aventura e rotina e Um brasileiro em terras portuguesas. Em todas elas, Freyre pretende aprofundar seu estudo da colonização e do caráter luso por intermédio do novo conceito que passa a cunhar: a lusotropicologia. Esta se baseia na apreensão das “constantes portuguesas”, em sua dinâmica transoceânica, abrangendo quase todo hemisfério sul, e postula uma orientação comum e um complexo civilizatório próprio, não demarcado por estados nacionais, etnias, culturas ou línguas, mas pelos modos de aculturação e de mestiçagem que se operaram nessas regiões híbridas.
Mais do que uma lusitanidade ou portugalidade, Freyre lida com a mencionada hipótese de uma lusofonia expandida. Em O luso e o trópico, traça uma aproximação importante para as relações entre Portugal e Brasil, sem abandonar a análise de outras regiões sob a influência da colonização ibérica. Quase de maneira complementar, em O mundo que o português criou (1940), e de certa forma em contraponto com algumas definições do caráter português contidas em Casa-Grande & Senzala, amplia dados sobre a vinda dos primeiros portugueses à terra brasilis. Por seu turno, essas idéias são retomadas em Aventura e rotina e em Um brasileiro em terras portuguesas, ambas de 1953, após longa viagem pela lusofonia africana, chinesa e indiana. Freyre cada vez mais passou a mesclar a pesquisa em arquivos e bibliotecas à pesquisa testemunhal direta em experiências pessoais.
Essa apologia ibérica é de uma grande abertura, pois nos força a rever todo processo civilizatório português não mais em uma chave lusitana, mas sim na dimensão de uma geopolítica “cosmopolita” que fez da península um ponto estratégico milenar que contribuiu decisivamente para a modernização e, contraditoriamente, isolou-a, produzindo a sua insularidade perante a Europa. O Brasil viveria o mesmo dilema, e é por isso que Freyre é um autor fundamental para compreendermos o que se costuma chamar de “modernização conservadora”, fenômeno típico brasileiro e que não tem teor necessariamente negativo. Afinal, sendo paradoxal, diz respeito à realidade brasileira profunda. Só por isso, merece atenção. Na verdade, a modernização deixa de ser conservadora com o processo industrial e com o urbanismo. Tem suas origens no projeto desenvolvimentista tipicamente do Sul. Temos então, com esse processo, na visão de Freyre, descrita em Ordem e progresso, algo bastante negativo: uma crise nos princípios de acomodação social, a partir da qual os lugares e papéis sociais se embaralhariam, e a dinâmica dos opostos deixaria de ser complementar. Esse talvez seja um ponto fraco do pensamento de Freyre, pois ele não contempla que tal dinâmica, sendo interna à cultura, não poderia ser pulverizada por um deslocamento demográfico nem pelo trânsito de um segmento rural aos segmentos urbanos, tampouco pela mudança dos modos de produção, do mais local à escala mais industrial. Mas mesmo nesse quesito, suas observações são preciosas, pois, como ressaltou Fernando Henrique Cardoso em um ensaio sobre o sociólogo, demonstram que é justo nesse momento que o Brasil desloca seu eixo de gravitação “do Oriente para o Ocidente”. Essa idéia é muito importante, matricial para entendermos o pensamento de Freyre. Vou apenas levantar alguns pontos aqui.
Visão dos paradoxos
Esse processo modernizador começa com mais ênfase na passagem da monarquia para a república e é amplamente analisado nas mais de mil páginas de Ordem e progresso. Resumidamente, a grande questão que se coloca na passagem do século 19 para o 20 é: como conferir unidade ao Brasil? O poder monárquico, mais centralista, seria capaz de realizar essa coesão? Ou a República, entendida como a soma dos diversos núcleos de poder, a levaria a cabo? Em muitos sentidos esse é um falso problema. No fundo, sociologicamente, a República sempre foi uma continuação do Império. Haja vista o caráter diminuto que a revolução ocupa na transição dos sistemas de governo, comparados com outros países hispânicos. Porém, comparada às repúblicas caudilhistas dos países hispano-americanos recém-emancipados e aos absurdos a que o bolivarismo conduzia alguns países, por estranho que essa afirmação pareça, a monarquia brasileira, sob Dom Pedro II, era muito mais desenvolvida. E valeria aqui a famosa piada, segundo a qual, com o fim da monarquia brasileira, acabava a última democracia da América Latina.
A visão dos paradoxos flagrada por Freyre vai tão longe que a própria divisão entre progresso e atraso, vincada no lema positivista da bandeira, é questionada. Sua leitura é a de que assim como haveria no Brasil uma “mística” da liberdade, que tem seus alicerces em uma noção abstrata de progresso, também haveria a sua vinculação a uma ordem, igualmente abstrata, que não dimana das forças reais dos atores sociais que estão na base da pirâmide social, mas sim da noção de Estado e de um princípio de autoridade, cuja materialização mais prosaica é a nossa cultura bacharelesca e o nosso tão familiar e cotidiano autoritarismo. Este movimento, em contrapartida, se consuma em uma defesa irrestrita da ordem e de sua legitimidade irrestrita, que por sua vez se dá de maneira externa e, em último caso, por coerção. Para Freyre, o dilema alternativo entre autoritarismo e democracia seria um falso problema, pois, no fundo, ele representaria a materialização dessas duas místicas complementares: a da ordem e a da liberdade. Porém, no Brasil, devido à nossa formação, ambas necessariamente coexistem sem possibilidade de se excluírem. Para o pernambucano, a raiz desse processo já está potencialmente na dinâmica colonial do senhor de engenho e do escravo. Ou seja, na complementaridade pacífica e na dialética sem síntese possível entre opostos que se equilibram e se alternam eternamente.
Ora, mas se a Península Ibérica sempre foi um grande celeiro cosmopolita, um entreposto entre as Índias Ocidentais, o continente europeu e todo o Oriente, e se o comércio e as missões jesuíticas conectaram durante muito tempo o Brasil com a África, a Índia e a China, com a ascensão do capital industrial o Brasil tende a romper esses velhos laços e a se alinhar a países como a Alemanha, a Inglaterra, a França e os EUA, cosidos no seio de um capitalismo de extração protestante, e, justamente por isso, rapidamente industrializados. Em Uma cultura ameaçada, Freyre destaca os perigos para a sobrevivência da matriz cultural luso-brasileira, advindos de um eventual imperialismo nazista alemão, mas ao longo do tempo o sociólogo distinguirá as matrizes sociais alemã e inglesa, sem, contudo, mostrar a diferença essencial que ambas teriam com relação ao iberismo.
Trata-se também da fase de deslocamento da produtividade do Norte e Nordeste para as regiões Sul e Sudeste. Pode-se dizer que Freyre nutria uma grande desconfiança quanto aos resultados desse deslocamento. Tanto que em Homens, engenharias e rumos sociais, publicado em 1987, ano da sua morte, o autor trata da engenharia em sua forma social e humana, além da física, dando atenção à ocupação das florestas brasileiras, em especial a Amazônia. Podemos dizer que, na leitura de Freyre, com a industrialização o Brasil iria se tornar servo do modelo de produção sulista, que era, por sua vez, o modelo europeu-ocidental, mas não o ibérico, ou seja, menos “cosmopolita” e menos “universal”. Curiosamente, do ponto de vista de Freyre, simplificando bastante uma questão muito mais complexa, apenas com a industrialização o Brasil passa a ser “ocidental” e deixa de pertencer ao grande bloco transatlântico de um Oriente expandido. Em outras palavras, deixa de ser lusotropical.
Às suas duas grandes vertentes teóricas, ou seja, o estudo da formação patriarcal brasileira, cujo cerne é a mencionada trilogia, e a série dedicada à lusotropicologia, vem se somar a monumental obra Sociologia, que começou a ser escrita em seu período de estudante nos EUA, entre 1918 e 1923, mas só foi publicada em 1945. Um enorme arco temporal que explica em partes a maturação da volumosa massa de informações desse outro clássico do pensamento brasileiro. Em mais de quinhentas páginas de tamanho duplo, mil páginas nos dois tomos de sua primeira edição, Freyre faz todo o percurso erudito, scholar e teórico da Sociologia no século 20, ressalta os equívocos e destaca o valor de determinadas teses. Em um diálogo que se dá com nomes que vão desde clássicos da antropologia como Kroeber, em especial o seu A natureza da cultura, o mencionado Boas, Simmel, Mead e Park, Freyre também transita pelo conceito de idealtypus de Weber e passa em vista os sociólogos e antropólogos ingleses e norte-americanos, as escolas alemãs dos neokantianos e culturalistas, tais como Cohen, Windelband e Cassirer, e, sobretudo, Rickert, egressos dateoria compreensiva de Dilthey.
Inédito
Como corolário, temos a publicação da segunda parte de suas memórias, De menino a homem, obra até agora inédita, continuação de Tempo morto e outros tempos. Nela a vida e a obra de Freyre se entrelaçam definitivamente. Pode-se ver em primeira pessoa sua impressão dos mestres que tivera quando convidado para dar aulas na Universidade de Colúmbia, a pedido do professor Alvin Martin. Entre eles Terman, Boas, Veblen e sua colega Ruth Benedict, que depois será uma antropóloga eminente. Seu contato com o famoso e ferino crítico literário Mencken. E o mais importante: os germes das pesquisas e idéias que o levariam à escrita de Casa-Grande & Senzala. A autobiografia, bem ao gosto freyreano, cheia de divagações, em um estilo que passa da descrição de personagens históricos a idéias teóricas e retorna aos cheiros, gostos e lugares que visitou, não deixa de fora nem alguns ingredientes picantes, tais como as experiências homossexuais do autor, na Alemanha, relatadas em uma franqueza confessional chocante. Isso demonstra que só mesmo um intelectual “algo anárquico”, como ele próprio se definia, mas ao mesmo tempo profundamente cioso da conservação de certas estruturas vivenciais e culturais, poderia ter escrito a obra que escreveu e analisado a cultura e a vida do Brasil com a sua agudeza.
Por todos esses motivos, segundo Freyre, ao deixarmos de ser ibéricos, por conseguinte rompemos com as raízes que nos forneciam o equilíbrio das contradições. Com os projetos desenvolvimentistas, teríamos passado, então, a uma visão planificadora da dinâmica social, que postularia uma possível superação dos antagonismos. Se tal superação é exeqüível, é uma pergunta que a história recente, todos nós em nossa vida cotidiana e todos os intelectuais estamos todos os dias tentando responder. Mas se o for, o será mediante uma visão unilateral do progresso que, como toda unilateralidade, sempre comporta perigos, que não são nunca pequenos. Provavelmente ela o seja, mas à custa da mutilação de um dos lados dessa moeda ambivalente que se chama Brasil. Do mesmo modo, poderemos transformar Gilberto Freyre em um autor politicamente correto. Poderemos expurgar de suas obras tudo aquilo que seja ofensivo à democracia, à igualdade das raças, ao equilíbrio, ao desenvolvimento, à mesura, aos bons sentimentos, à justiça social, à boa consciência, em resumo, à domesticação coletiva que todo progresso exige. Teremos o Brasil falsamente traduzido em um de seus aspectos. Teremos assim, finalmente, apenas uma face de Gilberto Freyre. Apenas uma de suas metades. Muito mais fácil de ser aceita. Muito mais fácil de ser compreendida e assimilada. Mas nem por isso, a melhor.
http://www.sul21.com.br/jornal/casa-grande-senzala-gilberto-freyre-e-a-autobiografia-do-brasil/
IV AVATAR
13 de maio de 2014 8:49 amDo Muda Mais: Desculpa aí, mas a Copa é boa para o Brasil sim!
Desculpa aí, mas a Copa é boa para o Brasil sim!
http://mudamais.com/daqui-pra-melhor/desculpa-ai-mas-copa-e-boa-para-o-brasil-sim
Y.N. Daniel
13 de maio de 2014 9:01 pmLi o artigo inteiro. Moro em
Li o artigo inteiro. Moro em São Paulo, capital.
Mais mobilidade nas cidades? – Não percebi isso.
Melhoria na Segurança? – Não percebi isso.
Assis Ribeiro
13 de maio de 2014 8:55 amOs coxinhas atacam o Brasil na Alemanha.
Itamaraty confirma ataque à embaixada brasileira em Berlim
O Ministério de Relações Exteriores confirmou hoje (12) que quatro pessoas cometeram atos de vandalismo contra o prédio da embaixada brasileira em Berlim, Alemanha. O incidente, na madrugada de hoje, danificou vidraças do andar térreo da embaixada atingida por pedras. Ninguém ficou ferido. O caso é investigado pelas autoridades alemãs.
De acordo com informações da imprensa alemã, os autores do ataque estavam encapuzados. Um grupo de esquerda teria assumido a autoria do atentado, e divulgado um manifesto na internet. Nele diz ser responsável pelo vandalismo e que o ataque foi em “protesto contra os gastos excessivos com a Copa do Mundo”. O texto, publicado em alemão, em plataformas esquerdistas no país, teria terminado com a expressão “Não vai ter Copa”.
O Itamaraty informou que o vigilante da embaixada comunicou a presença dos encapuzados assim que o ataque foi iniciado e que policiais alemães chegaram rapidamente ao local. Os responsáveis pelo incidente fugiram com a chegada da polícia. As imagens do circuito de segurança da embaixada foram entregues à polícia.
http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2014-05/Itamaraty%20confirma%20ataque%20%C3%A0%20embaixada%20brasileira%20em%20Berlim
IV AVATAR
13 de maio de 2014 9:04 amO mensalão não existiu
Barbosa foi além da conta no torniquete e se entregou, a parte do Brasil civilizado já notou que a AP70 é nada mais nada menos do que perseguição ao PT. O momento agora é bom para mostrarmos ao povo brasileiro que a AP470 foi um golpe sim, que não houve mensalão e sim perseguição politica contra o PT, um partido que tem a maior preferência do eleitorado, mais de 20%, o segundo chega aos 5%…..A esquerda tem que reagir ao cerco, os mesmos ministros do sTF estão no TSE, o Marco Aurelio que usar a desculpa do uso do fundo partidário para pagar advogados de mensaleiros(isso não existiu) para sabotar o PT. O mensalão não existiu http://lexometro.blogspot.com.br/2014/04/coletanea-mensalao.html
IV AVATAR
13 de maio de 2014 9:29 amGrossi compara Barbosa a inquisidor Torquemada
GROSSI COMPARA BARBOSA A INQUISITOR TORQUEMADA
Advogado criminalista José Gerardo Grossi, que ofereceu um emprego a José Dirceu em seu escritório, criticou o veto do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, à autorização de trabalho externo ao petista: ‘A visão de justiça penal dele é torquemadesca, ultramontana. Interlocução é impossível’; segundo ele, Barbosa, já ministro do STF, foi seu cliente e que, por isto, devia saber’ que não é advogado de complacências ou cumplicidades”
13 DE MAIO DE 2014 ÀS 05:55
247 – O advogado criminalista José Gerardo Grossi, que ofereceu um emprego a José Dirceu em seu escritório, criticou o veto do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, à autorização de trabalho externo ao petista.
“A visão de justiça penal dele é torquemadesca, ultramontana”, afirmou em nota. Ele se referia a Tomás de Torquemada, inquisidor espanhol do século 15; e à doutrina católica que defende o poder absoluto do papa e a impossibilidade de o pontífice errar em questões de moral e fé. “Interlocução com Barbosa é impossível”, diz.
Apesar de ter sido condenado na AP 470 a 7 anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto, Barbosa entendeu que Dirceu não pode trabalhar fora do presídio por não ter cumprido um sexto da pena. Na decisão, ele afirma que a oferta de emprego com salário de R$ 2.100 não passou de uma “ação de complacência entre amigos”.
Grossi rebate dizendo que Barbosa, já ministro do STF, foi seu cliente e que, por isto, devia saber’ que não é advogado de complacências ou cumplicidades”: “De juiz, eu não cobro. Eles não ganham o suficiente para te pagar. Se tiver dinheiro, melhor largar o caso”, completou.
Leia aqui na matéria de Natuza Neryde.
nilo
13 de maio de 2014 10:05 amRECORDAR – BASE DO FUTURO –
RECORDAR – BASE DO FUTURO – ELEIÇÃO – UNIÃO DE FORÇAS
INFLAÇÃO
1 – O FIM DA INFLAÇÃO FOI UM MOVIMENTO UNIVERSAL PROVOCADO PELA GRANDE LIQUIDEZ E AJUSTES DOS PAÍSE DE ALTA INFRAÇÃO.
NESSE CONTEXTO MUNDIAL, O BRASIL NÃO MELHOU MUITO:
DA MAIS ALTA INFRAÇÃO SUPERAMOS – AO FINAL DO GOVERNO DE FHC – APENAS A RÚSSSIA E A TURQUIA.
em 2003 (FHC), com 9,301% só havíamos ultrapassado a Rússia (11,978%) e a Turquia (12,710);
Todos os outros países continuaram a ter uma inflação menor que a do Brasil;
PASSAMOS ENTÃO DO PAIS MAIS INFLACIONÁRIO PARA O ANTE PENÚLTIMO PAÍS MAIS INFLACIONÁRIO.
– em 2013 (DILMA), com uma inflação de 5,911% – melhoramos um pouquinho no quadro – ficamos ainda com menos inflação que a Rússia (11,719%) e a Turquia (9,355%) e ultrapassamos também a Indonésia (8,377%) e a Índia (9,113).
JUROS
2 – O PULO DO GATO DOS FINANCISTAS, FOI A INFLAÇÃO (25,14% TAXA SELIC) NO FINAL DO GOVERNO DE FCH, A MAIS ALTA DO MUNDO E A MANIPULAÇÃO CAMBIAL.
A INFLAÇÃO REMUNERA A AGIOTÁGEM, A ESPECULAÇÃO, OS RENTISTAS, OS ARGENTÁRIO, O CAPITAL QUASE PARASITÁRIO, NÃO PRODUTIVO, VALORIZA O CÂMBIO E MATA A INDUSTRIA NACIONAL.
3 – NO GOVERNO DE FHC, TRÊS VEZES QUEBRAMOS E NOS SOCORREMOS DO FMI; QUEIMARAM-SE NOSSAS RESERVAS MONETÁRIAS; QUEBROU-SE DO BB (2X) E A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (CONFESSADAS POR FHC OU MANOBRA/FARSA PARA PRIVATIZAÇÃO); A PRODUÇÃO CAIU; AUMENTAMOS AS TAXAS DE DESEMPREGO; O BRASIL RESTOU “QUASE ESTAGNADO” (BRESSER PEREIRA, Ministro de FHC)
POLÍTICA ECONÔMICA
4 – LULA NÃO SEGUIU A POLÍTICA ECONÔMICA DE FHC,
BASTA RECORDAR AS POLÍTICAS ECONÔMICAS EXPANSIONISTA APLICADAS (AUMENTO DO CRÉDITO; REDUÇÃO DO JUROS; REDUÇÃO DO IR QUE PASSOU A TER MAIS BANDAS DE DESCONTO E PERMITINDO MAIS RECURSOS À CLASSE MEDIA BAIXA E INTERMEDIÁRIA; AUMENTO DO SALÁRIO MÍNIMO ACIMA DA INFLAÇÃO; MAIOR DISTRIBUIÇÃO DE RENDAS; FORTALECIMENTO DO CONSUMO INTERNO; AUMENTO SUBSTANCIAL DO INVESTIMENTO PUBLICO, OBRAS ESTRUTURAIS, DE INFRAESTRUTURA; CAPITALIZAÇÃO DO ESTADO COM AUMENTO SUBSTANCIAL DAS RESERVAS, ETC)
BEM AO CONTRÁRIO DAS CONTRACIONISTAS, DE FREIO, DE FHC (CÂMBIO VALORIZADO; AUMENTO DAS TAXAS DE JUROS; REDUÇÃO DE CRÉDITO; DIMINUIÇÃO DA DEMANDA E DO CONSUMO; BAIXAR AS TAXA DE CRESCIMENTO; ETC).
ESTABILIDADE
5 – SÓ O ÊXITO DAS ADMINISTRAÇÕES DE LULA – FOCADO NUM ESTADO FORTE, INDUTOR E SOBERANO, VOLTADO À POLÍTICAS SOCIAIS DE DESENVOLVIMENTO E DE DISTRIBUIÇÃO DE RENDAS – AINDA QUE COM AMARRARAS DAS QUAIS NÃO É FÁCIL SE VER LIVRE – A CONTINUIDADE DA ESTABILIDADE FINANCEIRA TRAZIDA PELA URV, MOEDA VIRTUAL DE DESINDEXAÇÃO DO PLANO REAL.
6 – “A LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL, O CÂMBIO LIVRE, AS METAS DE INFLAÇÃO E O SUPERÁVIT PRIMÁRIO, MEDIDAS DE FATO HERDADAS E ADOTADAS PELO GOVERNO LULA, NÃO FAZIAM PARTE DO PLANO REAL. FORAM MUDANÇAS IMPOSTAS AO GOVERNO FHC PELO FMI EM SUCESSIVAS OCASIÕES COMO CONDIÇÕES PARA EMPRESTAR AO BRASIL.
AS “PERNAS” DO PLANO REAL, CÂMBIO FIXO COM PARIDADE A 1:1 (SEGUIDO DA BREVE FANTASIA DAS “BANDAS” CAMBIAIS), “CORTE DE GASTOS” E PIRATIZAÇÃO, CONDUZIRAM O PAÍS À QUASE-FALÊNCIA, E FORAM POLITICA E DEMAGOGICAMENTE MANTIDAS, COM EXCEÇÃO DO CÂMBIO, GRAÇAS À LIQUIDAÇÃO ACELERADA DO SERVIÇO PÚBLICO E DA INFRAESTRUTURA, EM NOME DO “CORTE DE GASTOS”, E AO AUMENTO GALOPANTE DA DÍVIDA PÚBLICA.
O GOVERNO FHC LIQUIDOU O PATRIMÔNIO PÚBLICO POR CEM BILHÕES DE DÓLARES, E ENTREGOU O PAÍS COM UMA DÍVIDA MUITAS VEZES MAIOR DO QUE QUANDO COMEÇOU” (DUBEAUX, RAFAEL).
AMARRAS AO DESENVOLVIMENTO HERDADAS
7 – AS METAS DE INFLAÇÃO E O SUPERÁVIT PRIMÁRIO GARANTIDO PELA ALTA TAXA SELIC SÃO AS AMARRAS IMPOSTAS A SEREM ROMPIDAS PARA UM DESENVOLVIMENTO SADIO, INDEPENDENTE, NACIONAL.
8 – ESSE O VERDADEIRO LEGADO DE FHC
NÃO PODEMOS RETROCEDER
É HORA DAS ORÇAS PROGRESSISTA, DESENVOLVIMENTISTAS SE UNIREM PARA DEFENDER AS CONQUISTAS ALCANÇADAS E AVANÇAR MAIS AINDA
Francisco de Assis
13 de maio de 2014 10:40 amO MEU PARA CASA DO DIA DAS MÃES
O MEU PARA CASA DO DIA DAS MÃES
Estimada B. e demais colegas
No final de semana pude assistir o vídeo que a B. nos indicou e aproveitei para me aprofundar no assunto, que é muito importante para todos nós, cidadãos. Dediquei portanto um bom tempo ao tema no domingo do DIA DA MÃES, quando escrevi este texto, e quero compartilhar com todos a minha opinião. O vídeo (**) reproduz uma entrevista do jurista Ives Gandra Martins a Jô Soares, onde ele esculacha o Plano Nacional de Direitos Humanos, o PNDH.
Acho que dá para fazer a leitura do meu trabalho no mesmo tempo que dura o vídeo. Agradeço antecipadamente a atenção de todos.
Tive este trabalho gratificante e o dedico À MEMÓRIA DE FABIANE MARIA DE JESUS, a Mãe linchada em São Paulo, e que, em virtude da estupidez humana, não pôde comparecer à comemoração do seu Dia das Mães junto aos seus dois filhos, agora órfãos, e nem sequer pode amamentar no seu peito de Mãe o mais novinho deles, com menos de 1 ano.
Também dedico este meu Para casa a todos aqueles que riem, ou sentem prazer, diante do linchamento de um ser humano, por convicções políticas, crueldade, irresponsabilidade, inconsequência, infantilidade ou por alguma confusão mental, pois acredito sinceramente que eles possam evoluir para melhor. Como minha Mãe me ensinou, quando criança. E como imagino que a imensa maioria, a quase totalidade, das Mães de todo o mundo ensinam para os seus filhos, aquelas que aí estão e aquelas que já se foram, como a minha.
Em primeiro lugar, informo que ESTE VÍDEO É DE 2010, ou seja, tem 4 anos de idade. O governo Lula editou a primeira versão do PNDH-3 em 21 de dezembro de 2009. Como houve discordâncias de várias instituições e pessoas importantes (como mostrado, por exemplo, nesta entrevista), o Governo Lula então emitiu uma versão definitiva do PNDH-3 em 12 de maio de 2010, contemplando as reclamações pertinentes.
Então, resumindo, as questões levantadas contra o PNDH-3 foram RESOLVIDAS E PACIFICADAS pelo governo Lula, desde 12/05/2010, há precisamente 4 anos. Friso isto porque muitas pessoas, ao receber este vídeo HOJE, serão induzidas na sua boa-fé, por uma informação incompleta ou mascarada, a acreditar que é o governo atual, da Dilma (2011-2014), quem está querendo implantar aquele “horror” pintado pelo entrevistado (que tem lado).
Em época de eleições, trazer uma questão, já resolvida há 4 anos atrás, para discussão HOJE, como se fosse atual, pode ajudar políticos a manipularem as pessoas, e assim emplacarem seus nomes. Para isto, eles usam profissionais (e até programas-robôs) na manipulação nas redes sociais para multiplicar e propagar a desinformação. E então a B., o T., o Q., o G., o E., eu e tantos outros, que não somos profissionais de partidos políticos, começamos a receber estes links, e, às vezes, na boa fé, inocentemente, “horrorizados” com o que diz alguém (que tem lado), fazemos o jogo deles, passando os links adiante e nos transformando também em ferramentas de desinformação e manipulação.
Vamos ser claros: nós somos usados e manipulados. Todos os partidos políticos fazem este jogo, cabendo a nós analisarmos bem o que recebemos antes de passarmos adiante. Imaginem, por exemplo o que vamos, até as eleições, receber de “opiniões” de Arnaldo Jabor, aquele idiota da Globo, que numa noite MANDOU A POLÍCIA BAIXAR O CACETE NOS MANIFESTANTES, e na noite seguinte disse que os jovens nas ruas eram anjinhos idealistas, a serem protegidos. Qual a credibilidade desse sujeito e de tantos outros, da mesma cepa, pistoleiros e pregadores do ódio na imprensa, como Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, da Veja, para que nós repassemos e-mails com suas “opiniões” ?
Agora, sobre o PNDH, pesquisei e mostro abaixo algumas informações importantes.
O PNDH-1 foi emitido no governo Fernando Henrique Cardoso, em 13 de maio de 1996.
O PNDH-2 foi emitido no governo Fernando Henrique Cardoso, em 13 de maio de 2002.
O PHDH-3 foi emitido no governo Lula, em 12 de maio de 2010.
A sigla PNDH significa Plano Nacional de Direitos Humanos, e, como se vê, é uma obra de vários governos, de FHC a Lula e Dilma. Ele é, portanto, um PROGRAMA DE ESTADO e não um programa de governo. O PNDH é o resultado de um compromisso assumido pelo Brasil no Tratado de Viena durante a Conferência Mundial Sobre Direitos Humanos de 1993.
O PNDH é APENAS um Plano, que aponta objetivos e diretrizes para alcançar estes objetivos.
Para poder implementar e aplicar CADA UM dos itens do Plano é NECESSÁRIO que sejam discutidas e aprovadas no CONGRESSO NACIONAL as leis respectivas. Ou seja, o jurista Ives Gandra Martins, o entrevistado, não fala a verdade quando diz que 14000 pessoas decidiram por 200 milhões de cidadãos, pois no final de tudo, é o CONGRESSO NACIONAL, que foi eleito para representar 200 milhões de brasileiros, que vai dizer como será implementado cada item, cada meta, do PNDH.
Para dar um exemplo de como o PNDH não é política de um partido: em dezembro de 2009, realizou-se em São Paulo a Conferência Internacional dos Direitos Humanos, na qual o governador José Serra, do PSDB, se comprometeu a observar o Tratado de Viena, bem como o Programa Nacional do Direitos Humanos.
Para dar outro exemplo de que o PNDH é um PROGRAMA DE ESTADO: o PNDH-2, elaborado e decretado por Fernando Henrique Cardoso, serviu de diretriz para todos os projetos de lei do governo Lula, APROVADOS PELO CONGRESSO NACIONAL de 2003 a 2010.
Um exemplo bem conhecido é a LEI MARIA DA PENHA, que protege os DIREITOS HUMANOS das mulheres contra a violência dos homens. “O pessoal dos direitos humanos” defende esta lei. O pessoal que lincha as pessoas na rua, a mando ou incentivado por gente como Xerazade, que acha isso “compreensível”, certamente é contra a lei Maria da Penha, porque não querem perder o “direito”, que julgam terem, de espancar as próprias mulheres e filhas.
Outros exemplos são as leis contra o racismo, aprovadas no CONGRESSO NACIONAL, e referendadas no SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, quando o péssimo exemplo de partido, o DEM (ex-PFL e ex-ARENA na ditadura), tentou derrubá-las no STF.
Para quem não sabe, são também implementações do PNDH os programas Bolsa-Escola e Bolsa-Gás, criados pelo PSDB, e os programas Bolsa-Família e Minha Casa Minha Vida, criados pelo PT. Estes e outros programas aprovados nos governos FHC, Lula e Dilma, implementam, com todas as restrições de um país ainda carente como o Brasil, os DIREITOS HUMANOS à moradia, à alimentação, à proteção à infância, à educação, à saúde, à vida humana com dignidade. Se você não atentou ainda para isto, atente agora: TUDO ISTO DIZ RESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS.
Querer resumir, portanto, o PNDH à defesa de “direitos humanos de bandidos”, como fazem na TV os Datenas, os Rezendes e as Xerazades (que ganham até HUM MILHÃO DE REAIS POR MÊS para isso, a pregação do ódio) é, no meu entender, uma coisa irracional e estúpida, e chega mesmo a ser suicida, como explico a seguir. Pois imagine um colega nosso roçando sem querer numa mulher em um ônibus ou no metrô entupido de gente, e alguém gritando “tarado”. Grandes chances de perdermos um colega linchado. Imagine uma discussão no trânsito entre um colega e outro motorista, policial ou criminoso ou as duas coisas. Seria chamado de “bandido”, tomaria um tapa na cara, iria em cana por desacato “à autoridade” ou tomaria um tiro no peito, como estamos cansados de constatar pelos noticiários. Imagine um amigo fumando seu baseado e, com a chegada da polícia, correr por cima de um muro para escapar, sem ameaçar absolutamente ninguém, e tomar um balaço de fuzil PELAS COSTAS, morrendo, pois “se está fugindo é bandido e a polícia tem razão e pode matar”. Imagine um conhecido, que more numa região sem segurança, longe do centro , se indispondo com um policial ou criminoso (ou as duas coisas), que maltratou o seu filho na porta da escola, e passando, por isso, a ser tratado como “bandido”, e, quem sabe, virando presunto.
Como vocês podem ver, o termo “bandido” é muito relativo. Para dar uma idéia disso, basta lembrar que, há pouco tempo, 2 traficantes de cocaína, FLAGRADOS num helicóptero com 450 kg de pasta-base, suficientes para produzir mais de R$ 50 milhões em droga, estão já soltíssimos, lindos, leves e soltos. Acham isto um absurdo ? Pois vejam só: o juiz que os libertou já apontou para a anulação do processo e do flagrante. E se o processo continuar o PROMOTOR do caso vai ser, imaginem só, nada mais nada menos que TESTEMUNHA de DEFESA dos traficantes. Ou seja, meus amigos, se cruzarem com um deles na rua, não ousem chamá-los de “bandidos”, muito menos tentem linchá-los, pois vocês vão se dar mal, muito mal. Afinal de contas, um senador da república e o seu filho deputado jamais contratariam um traficante como empregado e lhe entregariam um helicóptero para transportar cocaína, com salário e combustível pagos com dinheiro públicos da assembléia, não é mesmo ?
Concluindo, não faça do facebook uma arma, a vítima pode ser você.
Ou, como diz a Ana, talvez não no mesmo sentido, fiquemos todos “antenados”.
Como tem muita gente achando que “direitos humanos” é “coisa do PT”, listo abaixo algumas ações e iniciativas dos governos do PSDB (FHC), realizadas ou apontadas, entre 1996 e 2002, para implementar o PNDH.
Para demonstrar que “direitos humanos” é também “coisa do PSDB”. E que bom que seja assim. Na verdade, “direitos humanos” é “COISA DO ESTADO BRASILEIRO”, é um “programa do Estado Brasileiro, do Brasil” e não de algum governo, muito menos de alguma partido político. Sempre haverá os do contra, mas o povo brasileiro, na sua imensa maioria, não tolera a violência, de qualquer espécie.
Seguem-se algumas das ações propostas pelo PSDB, na área de Direitos Humanos.
GARANTIA À LIBERDADE DE ORIENTAÇÃO SEXUAL, PROPOSTAS PELO PSDB:
– Propor emenda à Constituição Federal para incluir a garantia do DIREITO À LIVRE ORIENTAÇÃO SEXUAL e a proibição da discriminação por orientação sexual.
– Apoiar a REGULAMENTAÇÃO DA PARCERIA CIVIL registrada ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO e a regulamentação da LEI DE REDESIGNAÇÃO DE SEXO e MUDANÇA DE REGISTRO CIVIL PARA TRANSEXUAIS.
– Propor o aperfeiçoamento da legislação penal no que se refere à discriminação e à violência motivadas por orientação sexual.
– Excluir o termo ‘PEDERASTIA’ do Código Penal Militar.
– Incluir nos censos demográficos e pesquisas oficiais dados relativos à orientação sexual.
GARANTIAS DO DIREITO À LIBERDADE DE OPINIÃO E EXPRESSÃO, PROPOSTAS PELO PSDB:
– Criação de um SISTEMA DE AVALIAÇÃO PERMANENTE sobre os critérios de CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA e faixa etária nos meios de comunicação (RÁDIO e TV).
– Promoção do mapeamento dos programas RADIOFÔNICOS e TELEVISIVOS que estimulem a apologia do crime, a violência, a tortura, o racismo e outras formas de discriminação, a ação de grupos de extermínio e a pena de morte, com vistas a IDENTIFICAR RESPONSÁVEIS e a adotar as medidas legais pertinentes.
– Garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o CONTROLE SOCIAL sobre os meios de comunicação e a penalizar, na forma da lei, as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos.
– Coibir a propaganda de idéias neonazistas e outras ideologias que pregam a violência, particularmente contra grupos minoritários.
– Propor legislação visando a coibir o uso da Internet para incentivar práticas de violação dos direitos humanos.
– Garantir a IMPARCIALIDADE, O CONTRADIRÓRIO E O DIREITO DE RESPOSTA na veiculação de informações, de modo a assegurar a todos os cidadãos o direito de informar e ser informado.
– Apoiar formas de democratização da produção de informações, a exemplo das rádios e televisões comunitárias, assegurando a participação dos grupos raciais e/ou vulneráveis que compõem a sociedade brasileira.
– Coibir a utilização de recursos públicos, inclusive de bancos oficiais, fundações, empresas públicas e de economia mista, para patrocinar eventos e programas que estimulem a prática de violência.
– Apoiar, junto aos meios de comunicação, iniciativas destinadas a elevar a auto-estima dos afrodescendentes, povos indígenas e outros grupos historicamente vitimizados pelo racismo e outras formas de discriminação.
OUTROS ITENS com iniciativas do PSDB sobre Direitos Humanos estão listados no final deste texto.
Toda a lista de iniciativas acima (e no final) parecem “coisa do PT”, mas todas foram ações e diretrizes sobre direitos humanos dos governos do PSDB. Se o jurista Ives Gandra, tivesse lido melhor os 3 PNDHs já editados, se livraria de falar algumas bobagens que falou na entrevista, pois veria que também são “coisas do PSDB”, o partido da preferência dele.
Para conferir a lista e ver o conjunto completo de iniciativas do PSDB, e de diretrizes do PSDB, seguidas nos governos do PT, leiam o PNDH-2, elaborado e decretado por Fernando Henrique Cardoso, no link indicado mais abaixo.
Eu APLAUDO DE PÉ ESTAS AÇÕES dos governos do PSDB. E, da mesma forma, aplaudo a Lei Maria da Penha, as leis contra o racismo e tantas outras ações dos governos do PT, feitas para garantir os direitos humanos.
Tenho certeza que estes dois grandes partidos do Brasil, que já foram ou são governo, juntamente com o PCdoB, o PSOL, o PSTU, o PV, o PSB e outros partidos, não irão abdicar da defesa e ampliação, cada vez maior, dos direitos humanos no nosso país.
Pois quero viver e quero que meus filhos e netos vivam numa sociedade cada vez mais civilizada, em que a estupidez humana não faça justiça com as próprias mãos.
Teria muito mais a dizer, mas já me alonguei muito e acho que já deu para expressar a minha opinião.
Eis os links para os 3 PNDH editados, para quem quiser ler mais a respeito
PNDH-1, do governo de FHC, Decreto 1.904, de 13 de maio de 1996
http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh/pndp.pdf
PNDH-2, do governo de FHC, Decreto 4.229, de 13 de maio de 2002
http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh/pndhII/Texto%20Integral%20PNDH%20II.pdf
PNDH-3, governo Lula, Decreto n. 7.177, de 12 de maio de 2010
http://www.ohchr.org/Documents/Issues/NHRA/ProgrammaNacionalDireitosHumanos2010.pdf
Atenciosamente,
—————————————————————————————————
(*) OUTROS INICIATIVAS SOBRE DIREITOS HUMANOS, DOS GOVERNOS DO PSDB (Fernando Henrique Cardoso) :
– Ao adotar, em 13 de maio de 1996, no primeiro governo do PSDB, o Programa Nacional de Direitos Humanos, o Brasil se tornou um dos primeiros países do mundo a cumprir recomendação específica da Conferência Mundial de Direitos Humanos (Viena, 1993), atribuindo ineditamente aos direitos humanos o STATUS DE POLÍTICA PÚBLICA GOVERNAMENTAL.
– Foi FHC criou a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, no âmbito do Ministério da Justiça.
– Reconhecimento das mortes de pessoas desaparecidas em razão de participação política (Lei nº 9.140/95), pela qual o Estado brasileiro reconheceu a responsabilidade por essas mortes e concedeu indenização aos familiares das vítimas;
– Transferência da justiça militar para a justiça comum dos crimes dolosos contra a vida praticados por policiais militares (Lei 9.299/96), que permitiu o indiciamento e julgamento de policiais militares em casos de múltiplas e graves violações como os do Carandiru, Corumbiara e Eldorado dos Carajás;
– Tipificação do crime de tortura (Lei 9.455/97), que constituiu marco referencial para o combate a essa prática criminosa no Brasil;
– Construção da proposta de reforma do Poder Judiciário, na qual se inclui, entre outras medidas destinadas a agilizar o processamento dos responsáveis por violações, a chamada ‘federalização’ dos crimes de direitos humanos.
– Ampliação, em todas as unidades federativas, das iniciativas voltadas para programas de transferência direta de renda, a exemplo dos programas de renda mínima, e fomentar o envolvimento de organizações locais em seu processo de implementação.
– Apoio à aprovação do Projeto de Lei nº 4715/1994, que transforma o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – CDDPH em Conselho Nacional dos Direitos Humanos – CNDH, ampliando sua competência e a participação de representantes da sociedade civil.
– Apoio à implementação de ações voltadas para o controle de armas, tais como a coordenação centralizada do controle de armas, o Sistema Nacional de Armas – SINARM e o Cadastro Nacional de Armas Apreendidas – CNAA, bem como campanhas de desarmamento e ações de recolhimento/apreensão de armas ilegais.
– Estimulo ao aperfeiçoamento dos critérios para seleção e capacitação de policiais e implantar, nas Academias de polícia, programas de educação e formação em direitos humanos, em parceria com entidades não-governamentais.
– Inclusão no currículo dos cursos de formação de policiais módulos específicos sobre direitos humanos, gênero e raça, gerenciamento de crises, técnicas de investigação, técnicas não-letais de intervenção policial e mediação de conflitos.
– Apoio a medidas destinadas a garantir o afastamento das atividades de policiamento de policiais envolvidos em ocorrências letais e na prática de tortura, submetendo-os à avaliação e tratamento psicológico e assegurando a imediata instauração de processo administrativo, sem prejuízo do devido processo criminal.
(**) O vídeo com a entrevista de Ives Gandra pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=SS3JTCX2Etc
evandro condé de lima
13 de maio de 2014 12:01 pmEstradas em MG
Enviei a seguinte carta para a Secretria de Obras de MG solicitando esclarecimentos. Algum engenheiro do Blog poderia esclarecer se realmete o padrão é o que menncionei?
“Assisto a alguns dias propaganda veiculada na televisão sobre asfaltamento e construção de estradas no Estado. Chamou-me a atenção que nas imagens as estradas todas (ou praticamente todas) são sem acostamento. É este o padrão?”
André Paulo Reis
13 de maio de 2014 1:16 pmO STF virou o samba do crioulo doido
Essa não entendi: Os presos do semi-aberto estão tendo seus trabalhos cancelados pq não estão trabalhando direito? Os empregadores provaram que os apenados estavam trabalhando, tendo mostrado todos os comprovantes neste sentido:
Barbosa cassa direito de Delúbio a trabalho fora da prisão
Para presidente do Supremo, condenados devem cumprir um sexto da pena antes de obter benefício
Mariângela Gallucci – O Estado de S.Paulo – texto atualizado às 09p7 de 13/05/2014
BRASÍLIA – O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, derrubou nesta segunda-feira, 12, a autorização judicial que garantia ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares o direito de trabalhar fora da prisão. Condenado no julgamento do mensalão, Delúbio estava dando expediente desde janeiro na Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Brasília.
Conforme Barbosa, “não se pode permitir que o condenado escolha como executará sua pena, tampouco franquear-lhe meios de frustrar o seu cumprimento, sob pretexto de estar a executar ‘trabalho externo’”.
O ex-tesoureiro é o terceiro condenado no processo do mensalão a ver revogada a autorização para trabalho externo. Barbosa já havia cassado os benefícios do ex-deputado Romeu Queiroz, do advogado Rogério Tolentino. Na sexta-feira, o presidente do STF também barrou as intenções do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que tentava trabalhar num escritório de advocacia. Desde que foi preso, Dirceu é mantido em regime fechado.
Ainda podem ter seus benefícios cassados os ex-deputados Valdemar Costa Neto e João Paulo Cunha, Bispo Rodrigues, Pedro Henry e Pedro Correa e o ex-assessor Jacinto Lamas.
Todos foram condenados por participação no mensalão, com pena inferior a 8 anos de reclusão, o que dá direito ao regime semiaberto, no qual há previsão de se trabalhar fora da cadeia. Os advogados de defesa dos condenados dizem que vão recorrer ao plenário do STF.
Argumento. Em suas decisões, Barbosa tem dito que pela Lei de Execuções Penais um preso somente pode ser autorizado a trabalhar fora do presídio se tiver cumprido pelo menos um sexto da pena. Há, porém controivérsia sobre a decisão, já que há jurisprudência no País sobre o direito ao trabalho imediato para quem começa a cumprir pena no regime semiaberto.
Ao analisar o caso de Delúbio, Barbosa afirmou que a CUT é uma “entidade manifestamente vinculada à agremiação política de que (o ex-tesoureiro) sempre foi militante”, ou seja, o PT.
Para o presidente do STF, não há informações sobre qualquer controle do poder público sobre as atividades desenvolvidas por Delúbio. Ele ressaltou que constava da oferta de emprego literalmente que a proposta era motivada pela oportunidade de contratação de um dos fundadores da CUT. “Eis uma clara indicação de que os atuais proponentes do emprego eram (ou são) subordinados do apenado, ou lhe prestam reverência por ter sido fundador da CUT, numa demonstração eloquente da total incompatibilidade da proposta com os fins estabelecidos pelo artigo 28 da Lei de Execuções Penais para o trabalho do condenado”, afirmou no despacho.
“É uma decisão absurda, um retrocesso. É querer mudar uma jurisprudência consolidada”, disse o advogado Arnaldo Malheiros, que defende Delúbio.
IV AVATAR
13 de maio de 2014 1:24 pmProcessos contra Aécio Neves sumiu
Anastasia e Aécio: Os processos contra eles sumiram.
Certidão do TJMG atesta que processo contendo provas de corrupção, assassinato e suborno que incriminam o grupo de Aécio Neves desapareceu.
Marco Aurélio Carone, via Novo Jornal
Só mesmo por meio da interferência de organismos internacionais a moralidade e a legalidade poderão ser restauradas em Minas Gerais. A princípio imaginava-se que uma intervenção federal seria suficiente para pôr fim as constantes quebras das garantias civis e do Estado Democrático de Direito, porém sabe-se agora que a organização criminosa que opera em Minas Gerais tem apoio e até mesmo participação de integrantes da máquina pública federal.
Hoje sem medo de cometer injustiça, pode-se afirmar que os diversos poderes do Estado de Minas Gerais encontram-se reféns de um grupo criminoso que ameaça, intimida, frauda, sequestra e mata sob a proteção das instituições do governo do Estado. A Polícia, o Ministério Público e a Justiça que deveriam combater a organização criminosa estão imobilizadas devido o comprometimento de seus dirigentes.
Não se pode isentar de culpa nem mesmo o governador, Antônio Anastasia, uma vez que é de seu total conhecimento o que vem ocorrendo no Estado. É bem verdade que Anastasia herdou de Aécio o esquema criminoso já montado, entretanto a permanência do mesmo assim como de seus integrantes junto à máquina pública estatal indiscutivelmente depende de sua cumplicidade.
Como já narrado em outras reportagens, Minas Gerais se transformou em um Estado perigoso de se viver, e principalmente para constituir família e criar filhos, em função da inversão de valores após a eleição de Aécio Neves em 2002. Diante de seus vícios e hábitos, sua ida para o Poder representou a captura das instituições do governo por seus companheiros de vício e práticas.
Literalmente, a droga, a corrupção e a pederastia, (não confundir com homossexualismo, opção sexual) passou a ser quesito primordial para escolha de seus assessores e auxiliares. Evidente que a imprensa pouco falou a este respeito devido à censura imposta, contudo os que não eram adeptos do vício e das práticas de Aécio foram afastados do círculo do Poder.
Até mesmo no interior do Estado, tal fato ocorreu através da eleição de prefeitos e vereadores adeptos do que se convencionou chamar de “modelo Aécio”.
Por justiça, é necessário destacar que a grande maioria dos integrantes do TJMG e do MPMG vem lutando contra este estado de desmanche institucional, porém, desembargadores, juízes, promotores e procuradores são impotentes diante do comprometimento de seus dirigentes com o “modelo Aécio”.
Durante seis anos tramitou no TJMG o processo nº 0024.06.001.850-4 oriundo do inquérito nº 1027539, colhendo provas e depoimentos de integrantes e vítimas do esquema criminoso montado no Poder Judiciário, no Ministério Público e na Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, até que o mesmo foi noticiado por Novojornal.
A partir deste momento o processo passou a tirar o sono de Aécio Neves, pois as investigações fatalmente chegariam a ele devido seu envolvimento em fatos apurados e citados nas investigações e da comprovada participação de seus principais assessores e amigos no esquema criminoso.
Além de Aécio, grandes empresários, advogados e alguns integrantes dos Poderes, Executivo, Legislativo, Judiciário do Ministério Público e da Polícia Civil de Minas Gerais também passaram a temer o processo.
Após a instauração do inquérito nº 3530 no STF em Brasília devido ao atentado contra Nilton Monteiro atribuído a Césio Soares Andrade, Eduardo Azeredo e Walfrido dos Mares Guia o processo anteriormente citado passou a ser cobrado insistentemente pela Polícia Federal, pelo STF e CNJ e ninguém o encontrava.
Segundo seus colegas, incansável foi à busca pelo advogado Dino Miraglia, nas diversas varas por onde passou o processo para encontrá-lo e comprovar serem verdadeiros os documentos e fatos narrados por Milton Monteiro, que embora não condenado, se encontra preso por prazo “indeterminado” sob a acusação de falsificação de documentos. Diante da insistência do Dr. Dino o TJMG foi obrigado a certificar que o processo havia desaparecido.
Consta da representação do Dr. Dino ao CNJ que o delegado Nabak vem avocando todas as investigações que tenham relação com o grupo criminoso a exemplo dos inquéritos que estavam sob sua presidência quando de sua transferência do DEOESP e de ser o responsável pelo desaparecimento do processo.
A atuação do delegado é igualmente investigada em vários procedimentos instaurados pelo Ministério Público Mineiro e através da Ação Penal do processo nº 0024.13.003.776-6 por ter ameaçado de morte o advogado de Monteiro, Dr. Dino Miraglia.
Enquanto isto, Nilton Monteiro permanece como preso político do PSDB mineiro, tendo em vista ter entregado a “Lista de Furnas”, a “Lista do Mourão”, AP 2280 ao STF e por ser a principal testemunha de acusação no processo do Mensalão tucano. Segundo versão corrente no meio jurídico, dificilmente o mesmo sairá vivo da prisão, principalmente, após o atentado conforme apurado no inquérito 3530 do STF.
Novojornal teve acesso à representação do Advogado Dino Miraglia e de Milton Monteiro ao Conselho Nacional de Justiça – CNJ, acompanhada das principais peças constantes do processo desaparecido. Tais peças são disponibilizadas com exclusividade para nossos leitores. Trata-se de documentos que chocam qualquer cidadão comum, pois mostram as vísceras do Poder construído por Aécio Neves e seu grupo.
Importante: Todos os documentos apresentados nesta reportagem estão autenticados e a disposição do TJMG com o advogado Dr. Dino Miraglia, caso o Tribunal queira restaurar o processo desaparecido.
– See more at: http://pocos10.com.br/?p=10900#sthash.acXOjD4c.dpuf
Alexandre Weber - Santos -SP
13 de maio de 2014 1:27 pmA música e o Direito
A música e o Direito
Para os juízes não há — não deveria haver — plateia alguma. Ainda que, em determinados tribunais, certos juízes se excedam em figuras literárias, demoradamente, ao votar
A música é arte; o Direito, uma prudência.
Aristóteles ensinou-nos que o princípio de existência da arte está no artista, não na coisa produzida. A arte não se ocupa com as coisas que são ou se geram por necessidade. Nem com os seres naturais, que encontram em si mesmos seu princípio.
O Direito, ao contrário, é uma prudência. Não é ciência nem arte. É capacidade, acompanhada de razão, de agir na esfera do que é bom ou mau para o ser humano. Razão intuitiva que não discerne o exato, porém, o correto. Por isso, há sempre, no texto da Constituição e das leis, mais de uma solução correta a ser aplicada a cada caso, nenhuma exata.
Entre a música e o Direito há, contudo, certa semelhança. Ambos são alográficos, isto é, reclamam um intérprete: o intérprete da partitura musical, de um lado; o intérprete do texto constitucional ou da lei, de outro.
Das artes há dois tipos: as alográficas e as autográficas. Nas primeiras (música e teatro), a obra apenas se completa com o concurso do autor e de um intérprete; nas artes autográficas (pintura e romance), o autor contribui sozinho à realização da obra. Em ambas há interpretação, mas são distintas uma e outra.
A interpretação da pintura e do romance envolve unicamente compreensão de quem olha ou lê. A obra é completada, no seu todo, pelo autor. Sua fruição estética independe de qualquer mediação. Diversamente, a música e o teatro demandam compreensão mais reprodução: a obra reclama, para que possa ser esteticamente fruída, além do autor um intérprete que compreenda e reproduza a partitura musical ou o texto da peça teatral. A fruição estética que a obra enseja é alcançada mediante a compreensão/reprodução do intérprete.
O Direito é alográfico. O texto normativo não se completa no quanto tenha escrito o legislador. Sua “completude” somente é alcançada quando o sentido por ele expressado for produzido, como nova forma de expressão, pelo intérprete. O sentido expressado pelo texto é distinto do texto. É a norma que resulta da interpretação. O intérprete “produz a norma’’ a ser aplicada a certos fatos sem exceder o texto. A interpretação do Direito é mediação entre o caráter geral do texto normativo e sua aplicação particular, em cada caso.
Permito-me ainda referir outra distinção, entre o poiético e a estesia. A pôiesis (de onde poiético) é criação, produção, conversão do que não existia em existente. Alguém já disse que a pôiesis é como o despertar de uma mariposa ao romper seu casulo. A estesia, por outro lado, é aptidão humana a fruirmos do belo.
Pois é exatamente aí que música e Direito se apartam. Os músicos interpretam partituras visando à fruição estética. Os juízes interpretam textos normativos vinculados pelo dever de aplicá-los, de sorte a proverem a realização de ordem, de segurança e de paz.
O intérprete musical interpõe-se entre o compositor e a plateia. Para os juízes, no entanto, não deve existir plateia. O Direito não é para produzir efeito estésico. A sensibilidade ao belo é estranha à atuação do juiz no desempenho do ofício de interpretar e aplicar textos da Constituição e das leis. A aptidão humana de fruição do belo nada tem a ver com os juízes. Nem mesmo conosco, meros cidadãos, quando suportamos normas de decisão por eles produzidas.
Para os juízes não há — não deveria haver — plateia alguma. Ainda que, em determinados tribunais, certos juízes se excedam em figuras literárias, demoradamente, ao votar. Dirigindo-se à plateia, em êxtase de si mesmos…
Não estou a dizer que todos os juízes afastam-se da prudência para a qual foram talhados. Aqui e ali, no entanto, é uma prudência alvoroçada que exercem, fazendo bonito para a plateia. Isso não dará certo, mesmo porque a plateia está farta de espetáculos de qualidade bem ruim, legislativos e executivos. Por conta disso, aliás, vem a minha memória um poema de Álvaro de Campos a propósito de o dia estar dando em chuvoso…
Eros Roberto Grau é professor aposentado da USP
Alexandre Weber - Santos -SP
13 de maio de 2014 2:57 pmColombinas
Quando li o artigo do professor Eros me lembrei na hora da poesia inspirada do Menotti del Picchia.
Por outro lado, o debate de alto nível no Brasil ás vêzes me parece ser tolhido pelo desconhecimento dos debatedores das palavras. Assim, sem palavras a comunicação fica impossível. A Dilma apresenta séria deficiência nesta área, incapacitante, na minha humilde opinião, para o desempenho do cargo que exerce.
Menotti Del Picchia
Máscaras
PERSONAGENS:
Arlequim : Um desejo
Pierrot : Um Sonho
Colombina: A Mulher
Em qualquer terra em que os homens amem.
Em qualquer tempo onde os homens sonhem.
Na vida.
BEIJO DE ARLEQUIM
I
O crescente cintila como uma cimitarra. Lírios longos, grandes mãos
brancas estendidas para o luar, bracejam nas pontas das hastes. Uma
balaustrada. Uma bandurra. Um Arlequim. Um Pierrot E, sobre as
máscaras e os lírios, a volúpia da noite, cheia de arrepios e de aromas.
ARLEQUIM diz:
Foi assim: deslumbrava a fidalga beleza da turba nos salões da Senhora Duquesa.
Um cravo, em tom menor, numa voz quase humana, tecia o madrigal de uma antiga pavana. Eu descera ao jardim. Cheirava a heliotrópio e vi, como quem vê num vago sonho de ópio, uma loura mulher…
PIERROT
Loura?
ARLEQUIM
Como as espigas…
Como os raios de sol e as moedas antigas…Notei-lhe, sob o luar, a cabeleira crespa,
anca em forma de lira e a cintura de vespa, um cravo no listão que o seio lhe bifurca,
pezinhos de mousmé, olhos grandes, de turca… A boca, onde o sorriso era como uma abelha, recendia tal qual uma rosa vermelha.
PIERROT
Falaste-lhe?
ARLEQUIM
Falei…
PIERROT
E a voz?
ARLEQUIM
Vaga e fugace.
Tinha a voz de uma flor, se acaso a flor falasse…
PIERROT
E depois?
ARLEQUIM
Eu fiquei, sob a noite estrelada, decidido a ousar tudo e não ousando nada…
Vinha dela, pelo ar, espiritualizado numa onda volúpia, um cheiro de pecado…
Tinha a fascinação satânica, envolvente, que tem por um batráquio o olhar duma serpente… e fiquei, mudo e só, deslumbrado e tristonho, sentindo que era real o que eu julgava um sonho! Em redor o jardim recendia.
Umas poucas
tulipas cor de sangue, abertas como bocas, pela voz do perfume insinuavam perfídias…
Tremia de pudor a carne das orquídeas… Os lírios senhoreais, esbeltos como galgos,
abriram para o céu cinco dedos fidalgos fugindo à mão floral do cálix longo e fino.
Um repuxo cantava assim como um violino e, orquestrando pelo ar as harmonias rotas, desmanchava-se em sons, ao desfazer-se em gotas! Entre a noite e a mulher, eu trêmulo hesitava: se a noite seduzia, a mulher deslumbrava!
Dei uns passos
Ao ruído agitou-se assustada. Viu-me…
PIERROT
E ela que fez?
ARLEQUIM
Deu uma gargalhada.
PIERROT
Por que?
ARLEQUIM
Sei lá! Mulher…Talvez porque ela achasse ridículo Arlequim com ar de Lovelace…
Aconcheguei-me mais: “Deus a guarde, Senhora!”
– Obrigada. Quem és?
– “Um arlequim que a adora!”
Vinha do seio dela, entre a renda e a miçanga, um cheiro de mulher e um cheiro de cananga. Eram os olhos seus, sob a fronte alva e breve, como dois astros de ouro a arder num céu de neve. Mordia, por não rir, o lábio úmido e langue, vermelho como um corte inda vertendo sangue…E falei-lhe de amor…
PIERROT
E ela?
ARLEQUIM
Ficou calada…
Meu amor disse tudo, ela não disse nada, mas ouviu , com prazer, a frase que renova
no amor que é sempre velho, a emoção sempre nova!
PIERROT
Que lhe disseste enfim?
ARLEQUIM
O ardor do meu desejo,
a glória de arrancar dos seus lábios um beijo, a volúpia infernal dos seus olhos
devassos, o prazer de a estreitar , nervoso, nos meus braços, de sentir a lascívia heril dos seus meneios, esmagar no meu peito a carne dos seus seios!
PIERROT, assustado:
Tu ousaste demais…
ARLEQUIM, cínico:
Ingênuo! A mulher bela
adora quem lhe diz tudo o que é lindo nela. Ousa tudo, porque todo o homem enamorado se arrepende, afinal, de não ter tudo ousado.
PIERROT
E ela?
ARLEQUIM
Vinha pelo ar, dos zéfiros no adejo, um perfume de amor lascivo como um beijo, como se o mundo em flor vibrasse, quente e vivo, no erotismo triunfal de um amor coletivo!
PIERROT, fremindo:
E ela?
ARLEQUIM
Ansiando, ouviu toda essa paixão louca, levantou-se…
PIERROT
Depois?
ARLEQUIM , triunfante:
Deu-me um beijo na boca!
Um silêncio cheio de frêmito. Os lírios tremem. Pierrot
olha o crescente. Arlequim dá um passo, vê a brandura,
toma-a entre as mãos nervosas e magras e tange, distraído,
as cordas que gemem.
ARLEQUIM
Linda viola.
PIERROT, alheado:
Bom som…
ARLEQUIM
Que musicais surpresas não encerra a mudez
destas cordas retesas…
Confidencial a Pierrot:
Olha: penso, Pierrot, que não existe em suma, entre a viola e a mulher, diferença nenhuma. Questão de dedilhar, com certa audácia e calma, numa…estas cordas de aço, e na outra…as cordas d’alma!
Suavemente, exaltando-se:
O beijo da mulher! Ó sinfonia louca da sonata que o amor improvisa na boca… No contado do lábio, onde a emoção acorda, sentir outro vibrar, como vibra uma corda… À vaga orquestração da frase que sussurra ver um corpo fremir tal qual uma bandurra…Desfalecer ouvindo a música que canta no gemido de amor que morre na garganta…Colar o lábio ardente à flor de um seio lindo, ir aos poucos subindo…ir aos poucos subindo…até alcançar a boca e escutar, num arquejo, o universo parar na síncope de um beijo!
………………………………………………………………………………………………………………………..
Eis toda a arte de amar! Eis, Pierrot fantasista, a suprema criação da minha alma de artista. Compreendes?
PIERROT, ansiado:
E a mulher?
ARLEQUIM, lugubremente:
A mulher? É verdade…
Levou naquele beijo a minha mocidade.
PIERROT
E agora? Onde ela está?
ARLEQUIM, ironicamente místico:
No meu lábio, no ardor desse beijo, que é todo um romance de amor!
Seduzido pela angústia da saudade:
No temor de pedi-lo e na glória de tê-lo…
No gozo de prová-lo e na dor de perdê-lo…
No contato desfeito e no rumor já mudo…
No prazer que passou…Nesse nada que é tudo:
O passado!… a lembrança… a saudade… o desejo…
Balbuciando:
Um jardim… Um repuxo…Uma mulher… Um beijo….
(Longo silêncio cheio de evocação e de cismas).
PIERROT, ingenuamente:
É audaciosa demais a tua história…
ARLEQUIM, ríspido:
Enfim,
um Arlequim, Pierrot, é sempre um Arlequim. Toda história de amor só presta se tiver, como ponto final, um beijo de mulher!
O SONHO DE PIERROT
II
PIERROT
Eu também, Arlequim, nesta vida ilusória, como todos Pierrots, eu tenho uma história, vaga, talvez banal, mas triste como um cântico…
ARLEQUIM, sarcástico:
Não compreendo um Pierrot que não seja romântico, branco como o marfim, magro como um caniço, enchendo o mundo de ais, sem nunca passar disso.
PIERROT
Debochado Arlequim!
ARLEQUIM
Branco Pierrot tristonho…
PIERROT
Teu amor é lascívia!
ARLEQUIM
E o teu amor é sonho…
PIERROT
É tão doce sonhar!… A vida , nesta terra, vale apenas, talvez, pelo sonho que encerra. Ver vaga e espiritual, das cismas nos refolhos, toda uma vida arder na tristeza de uns olhos; não tocar a que se ama e deixar intangida aquela que resume a nossa própria vida, eis o amor, Arlequim. , misticismo tristonho, que transforma a mulher na incerteza de um sonho….
ARLEQUIM, escarninho:
Esse amor tão sutil que teus nervos reclama só se aplica aos Pierrots?
PIERROT
Não! A todos os que amam!
Aos que têm esse dom de encontrar a delícia na intenção da carícia e nunca na carícia…Aos que sabem, como eu, ver que no céu reflete a curva do crescente, um vulto de Pierrette…
ARLEQUIM, zombeteiro:
Eterno sonhador! Tu crês que vive a esmo tudo aquilo que sai de dentro de ti mesmo. Vês, se fitas o céus, garota e seminua, Colombina sentada entre os cornos da lua…Quanta vezes não viste o seu olhar abstrato nos fosfóreos vitrais das pupilas de um gato?
PIERROT
Essas frases cruéis, que mordem como dentes, só mostram, Arlequim, que somos diferentes. Mas minha alma, afinal, é compassiva e boa: não compreendes Pierrot. E Pierrot te perdoa…
ARLEQUIM
Tua história, vai lá! Senta-te nesse banco. Conta-me: “Era uma vez um Pierrot muito branco…”
A história de um Pierrot sempre nisso consiste… Começa.
PIERROT narrando:
“Era uma vez… um Pierrot… muito triste… “
Uma voz, na distância, corta, argentina, a narração de Pierrot.
A VOZ
Foi um moço audaz, que vejo
no meu sonho claro e doce,
O amor que primeiro amei..
Abraçou-me: deu-me um beijo
e, depois, lento, afastou-se,
e nunca mais o encontrei.
Num ser pálido e doente
resume-se o que consiste
o segundo amor que amei.
Ele olhou-me tristemente…
Eu olhei-o muito triste…
E nunca mais o encontrei!
Esse amor deu-me o desejo
daquele beijo encontrar.
Mas nunca, reunidas, vejo,
a volúpia desse beijo,
e a tristeza desse olhar…
A voz agoniza nos ecos. Pierrot e Arlequim tendem o ouvido procurando no ar mais uma estrofe.
ARLEQUIM
Essa voz…
PIERROT
Essa voz…
ARLEQUIM
Só de ouvi-la estremeço…
PIERROT
Eu conheço essa voz!
ARLEQUIM
Essa voz eu conheço…
Um sopro de brisa arrepia as plantas.
PIERROT
Escuta…
ARLEQUIM
Escuta…
PIERROT
Ouviste?
ARLEQUIM
Um sussurro…
PIERROT
Um lamento…
ARLEQUIM
Foi o vento talvez.
PIERROT
Sim. Talvez fosse o vento.
ARLEQUIM
Conta a história, Pierrot.
Pierrot continuando:
Numa noite divina
como tu, num jardim, encontrei Colombina. Loira como um trigal e branca como a lua.
ARLEQUIM
Era loira também?
PIERROT
Tão loira como a tua…
Eu descera ao jardim quebrado de fadiga. Dançavam no salão…
ARLEQUIM, interrompendo:
… uma pavana antiga,
e notaste ao luar a cabeleira crespa…
PIERROT
… a anca em forma de lira…
ARLEQUIM
… e a cintura de vespa!
PIERROT
Mãos mimosas, liriais…
ARLEQUIM
Em minúcias te expandes!
PIERROT
Um pé muito pequeno…
ARLEQUIM
Uns olhos muito grandes!
Uma mulher igual à que encontrei na vida?
PIERROT, ofendido:
Enganas-te, Arlequim, nem mesmo parecida!
Era tal a expressão do seu olhar profundo,
que não pode existir outro igual neste mundo!
Felinamente ardia a íris verdoenga e dúbia,
como o sinistro olhar de uma pantera núbia.
Esses olhos fatais lembravam traiçoeiras
feras, armando ardis nos fojos das olheiras!
Tão vivos que, Arlequim, desvairado, os supus
duas bocas de treva e erguer brados de luz!
Tripudiavam o bem e o mal nos seus refolhos.
ARLECRIM, cismando:
Essas coisas também ardiam nos seus olhos…
PIERROT
Tive medo, Arlequim! Vendo-os, num paroxismo
eu tinha a sensação de estar sobre um abismo.
Não sei porque o olhar dessa estranha criatura
era cheio de horror…e cheio de doçura!
Eu desejava arder nessas chamas inquietas…
ARLEQUIM
Tendo o fim dos Pierrots?
PIERROT
Tendo o fim dos Poetas!
Aconcheguei-me dela, a alma vibrante louca, o coração batendo…
ARLEQUIM
E beijaste-lhe a boca.
PIERROT, cismarento:
Não…Para que beijar? Para que ver, tristonho, no tédio do meu lábio o vácuo do meu sonho… Beijo dado, Arlequim, tem amargos ressábios…
Sempre o beijo melhor é o que fica nos lábios,
esse beijo que morre assim como um gemido,
sem ter a sensação brutal de ser colhido…
ARLEQUIM
E que disse a mulher?
PIERROT
Suspirou de desejo…
ARLEQUIM , mordaz:
Preferia, bem vês, que lhe desses um beijo!
PIERROT
Não. Ela olhou-me. Olhei… E vi que, comovida, sentiu que , nesse olhar, eu punha a minha vida…
Um silêncio cheio de angústias vagas.
Sob o luar claro as almas brancas dos
Lírios evocam fantasmas de emoções
mortas. Os espectros das memórias
parecem recolher, como numa urna invi-
sível, a saudade romântica de Pierrot…
ARLEQUIM, tristonho:
Essa história, Pierrot, é um pouco merencória…
PIERROT
A história desse olhar é toda a minha história.
ARLEQUIM
E não a viste mais?
PIERROT
Nem sei mesmo se existe…
ARLEQUIM, contendo o riso:
É de fazer chorar! Tudo isso é muito triste!
Tomando-o pelo braço, confidencialmente:
Entretanto, ouve aqui, à guisa de consolo:
diante dessa mulher…foste um Pierrot bem tolo!
Aprende, sonhador! Quando surgir o ensejo,
entre um beijo e um olhar, prefere sempre um beijo!
PIERROT, desconsolado:
Lamentas-me Arlequim?
ARLEQUIM
Tu não compreendeste: choro não ter colhido o beijo que perdeste.
O AMOR DE COLOMBINA
II
Uma voz que canta se aproxima.
A VOZ
Esse olhar deu-me o desejo
daquele beijo encontrar,
mas nunca , reunidas, vejo
a volúpia desse beijo
e a tristeza desse olhar!
PIERROT , extasiado:
Escutaste, Arlequim, que cantiga tão bela?
ARLEQUIM
Era dela esta voz?
PIERROT
Esta voz era dela…
Arlequim está imerso na sombra e um raio de luar ilumina
Pierrot. Entra Colombina trazendo uma braçada de flores.
COLOMBINA, vendo Pierrot:
Tu? Que fazes aqui?
PIERROT
Espero-te, divina…A sorte de um Pierrot é esperar Colombina!
COLOMBINA
Pela terra florida, olhos cheios de pranto, eu procurei-te muito…
PIERROT
E eu esperei-te tanto!
COLOMBINA
Onde estavas, Pierrot? Entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, dizia a cada flor: “Mimosa flor, não viste um Pierrot muito branco…”
PIERROT
Um Pierrot muito triste…
COLOMBINA
E respondia a flor: “Sei lá… Nestas campinas passam tantos Pierrots atrás de Colombinas…” E eu seguia e indagava: “Ó regato risonho: não viste, por acaso, o Pierrot do meu sonho? “ E o regato correndo e cantando, dizia: “Coro e canto e não vejo” – e cantava e corria… Nos céus, ergendo o olhar, eu via, esguio e doente, o pálido Pierrot recurvo do crescente…
Assim te procurei, entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, só porque, meu amor, uma noite, num banco, eu encontrara olhar de um triste Pierrot branco.
PIERROT
Não! Não era um olhar! Ardia nessa chama
toda a angústia interior do meu peito que te ama
Nosso corpo é tal qual uma torre fechada
onde sonha , em seu bojo, uma alma encarcerada.
Mas se o corpo é essa torre em carne e sangue erguida,
O olhar é uma janela aberta para a vida,
e, na noite de cisma, enevoada e calma,
na janela do olhar se debruça nossa alma
COLOMBINA, languidamente abraçada a Pierrot:
Olha-me assim, Pierrot… Nada mais belo existe
que um Pierrot muito branco e um olhar muito triste…
Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso.
Minh’alma é uma criança, e teus olhos um berço
com cadências de vaga e, à luz do teu olhar,
tenho ânsias de dormir, para poder sonhar!
Olha-me assim, Pierrot… Os teus olhos dardejam!
São dois lábios de luz que as pupilas me beijam…
São dois lagos azuis à luz clara do luar…
São dois raios de sol prestes a agonizar…
Olha-me assim Pierrot… Goza a felicidade
de poluir com esse olhar a minha mocidade
aberta para ti como uma grande flor,
meu amor…meu amor…meu amor…
PIERROT
Meu amor!
Colombina e Pierrot abraçam-se ternamente. Há, como
um cicio de beijos, entre os canteiros dos lírios. Arlequim,
vendo-os, sai da treva e, com voz firme, chama.
ARLEQUIM
Colombina!
COLOMBINA, voltando-se assustada:
Quem é?
ARLEQUIM
Sou alguém, cuja sina foi amar, com Pierrot, a mesma
Colombina. Alguém que, num jardim, teve o sublime ensejo de beijar-te e jamais se esquecer desse beijo!
COLOMBINA, desprendendo-se de Pierrot:
Tu, querido Arlequim!
ARLEQUIM, galanteador:
Arlequim que te adora…Que te buscava há tanto e que te encontra agora.
COLOMBINA
E procurei-te em vão, mas te esperava ainda.
ARLEQUIM a Pierrot:
Ela está mais mulher…
PIERROT num êxtase:
Ai! Ela está mais linda!
ARLEQUIM, enfatuado, a Colombina:
És linda, meu amor! Nessa formas perpassa
na cadência do Ritmo, a leveza da Graça.
Teus braços musicais, curvos como perfídia,
têm a graça sensual de uma estátua de Fídias.
Não sendo inda mulher, nem sendo mais criança,
encarnas, grande viva, a Flor de Liz de França…
Sobe da anca uma curva ondulante que chega
a teu corpo plasmar como uma ânfora grega
e é teu vulto triunfal, longo, heráldico, esgalgo,
coleante como um cisne e esbelto como um galgo!
COLOMBINA, fascinada:
Lindo!
ARLEQUIM
E não disse tudo… E não disse do riso
boêmio como ébrio e claro como um guizo.
E ainda não falei dessa voz de sereia
que, quando chora, canta, e quando ri, gorjeia…
Não falei desse olhar cheio de magnetismo,
que fulge como um astro e atrai como um abismo,
e do beijo, que como uma carícia louca…
inda canta em meu lábio e inda sinto na boca!
COLOMBINA com um voz sombria de volúpia:
Fala mais, Arlequim! Tua voz quente e langue
tem lascivo sabor de pecado e de sangue.
O venenoso amor que tua boca expele,
põe-me gritos na carne e arrepios na pele!
Fala mais, Arlequim! Quando te escuto, sinto
O desejo explodir das potências do instinto,
O brado da volúpia insopitada, a fúria,
do prazer latejando em uivos de luxúria!
Fala mais, Arlequim! Diz o ardor que enlouquece
a amada que se toca e aos poucos desfalece,
e que, cega de amor, lábio exangue, olhar pasmo,
agoniza num beijo e morre num espasmo.
Fala mais, Arlequim! Do monstruoso transporte
que, resumindo a vida, anseia pela morte,
dessa angústia fatal, que é o supremo prazer
da glória de se amar, para depois morrer!
PIERROT, num soluço:
Ai de mim!…
COLOMBINA, como desperta:
Tu Pierrot!
PIERROT, num fio de voz:
Ai de mim que, tristonho, trazia
à tua vida a oferta do meu sonho…Pouca coisa, porém… Uma alma ardente e inquieta arrastando na terra um coração de poeta.
Na velha Ásia, a Jesus, em Belém, um Rei Mago, não tendo outro partiu através de
Cartago, atravessando a Síria, o Mar Morto infinito, a ruiva e adusta Líbia, o mudo e fulvo Egito, as várzeas de Gisej, o Hebron fragoso e imenso, só para lhe ofertar uns grânulos de incenso… Também vim, sonhador, pela vida, tristonho, trazer-te o meu amor no incenso do meu sonho.
COLOMBINA com ternura:
Como te amo, Pierrot…
ARLEQUIM
E a mim, cujo desejo te abriu o coração com a chave do meu beijo? A tua alma era como a Bela Adormecida: o meu beijo a acordou para a glória da vida!
CALOMBINA fascinada:
Como te amo, Arlequim!…
PIERROT
desvairado pelo ciúme, apertando-lhe os pulsos,
numa voz estrangulada:
A incerteza que esvoaça desgraça muito mais do que a própria desgraça. Escolhe entre nós dois… Bendiremos os fados sabendo o que é feliz, entre dois desgraçados!
ARLEQUIM
Dize: Queres-me bem?
PIERROT:
Fala: gostas de mim?
COLOMBINA, hesitante:
A Pierrot:
Eu amo-te , Pierrot…
A Arlequim:
… Desejo-te, Arlequim…
ARLEQUIM, soturnamente:
A vida é singular! Bem ridícula, em suma… Uma só, ama dois… e dois amam só uma!..
COLOMBINA , sorrindo e tomando ambos pela mão:
Não! Não me compreendeis… Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor de todos dois… Hesitante, entre vós, o coração balanço:
A Arlequim:
O teu beijo é tão quente…
A Pierrot:
O teu sonho é tão manso…
Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh’alma! Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho, pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra: um me fala do céu… outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar, e em verdade toda a razão do amor está na variedade…
Penso que morreria o desejo da gente, se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente,
porque a história do amor pode escrever-se assim:
PIERROT
Um sonho de Pierrot…
ARLEQUIM
E um beijo de Arlequim!
IV AVATAR
13 de maio de 2014 1:46 pmNota do PT
Ao contrário do que disse Marco Aurélio Mello, que quebrou o sigilo do PT mas não do PSDB, o PT não usou dinheiro do fundo partidário para defender réus do mensalão
http://www.pt.org.br/pt-desmente-estadao-sobre-prestacao-de-contas-ao-tse/
IV AVATAR
13 de maio de 2014 1:48 pmBrasil ganha Nobel Social
Curtir ·
Isso não deu no Jornal Nacional: Bolsa Família vence o prêmio ISSA, o Nobel dos programas sociais. — comTata Amaral.
IV AVATAR
13 de maio de 2014 1:50 pmCopa das Confederações pagou os estádios do Mundial de Futebol
É GOOOOL!
Ainda faltam dois meses para o pontapé inicial da #CopaDasCopas, mas o Brasil já marcou o primeiro golaço.
Com a Copa das Confederações, realizada no ano passado, o País já pagou os 12 estádios que receberão o Mundial a partir de junho.
Relatório divulgado pela Fipe mostra que o evento em 2013 movimentou 20,7 bilhões de reais no Brasil.
Com isso, acrescentou 9,7 bilhões de reais ao #PIB brasileiro.
Agora, o custo total das arenas deve chegar a 8,9 bilhões de reais.
Ou seja, o valor que foi injetado na economia brasileira é quase 1 bilhão de reais superior à estimativa de gastos.
Mas a expectativa para a Copa de 2014 é ainda melhor.
O maior evento de futebol do mundo deve acrescentar 30 bilhões de reais ao PIB brasileiro.
Assim, a #CopaDasCopas trará mais benefícios ao País do que você imagina.
#Estádiospagos
Saiba mais em http://bit.ly/1mVFo9b
C
Emanuel Cancella
13 de maio de 2014 4:03 pmGreve dos motoristas
Motorista de Ônibus – O Escravo da Modernidade
No dia que em se comemora a libertação dos escravos, 13 de maio, percebemos que motoristas de ônibus são escravos da modernidade. Os patrões agem como “baratas” tontas, só pensam em aumentar seus lucros, enquanto a sociedade se omite.
Os motoristas seguem guiando os ônibus como zumbis, conduzindo o povo rumo à murada de um viaduto ou batendo de frente num poste, como resultado do estresse permanente a que são submetidos pelas empresas de ônibus.
A placa “Não Fale ao Motorista” sumiu dos ônibus e os condutores agora acumulam a função de trocadores. A roleta, que era atrás dos ônibus, agora está na frente para que os motoristas também virem fiscais dos possíveis caloteiros.
Se já é uma tarefa árdua dirigir um coletivo por jornadas quase sempre acima de oito horas, na maioria dos casos sem receber horas extras, imagine o que significa acumular outras funções como cobrar as passagens e ouvir queixas de todo tipo, no trânsito caótico e no calor infernal que predomina na maior parte do ano. Como se não bastasse, os donos das empresas ainda têm a coragem de cobrar dos motoristas o ressarcimento de valores fruto de assaltos.
Lutando contra essa situação, os motoristas no Rio e em várias cidades realizam mais uma greve, cobram das empresas melhores salários e condições dignas de trabalho. A mídia, como sempre, se coloca ao lado dos patrões jogando a sociedade contra os motoristas. Consegue transmitir reportagens, pela televisão, durante mais de uma hora seguida, sem se dar ao trabalho de ouvir o Comando de Greve sobre o motivo das mobilizações. A grande imprensa, no Brasil, é impressionantemente parcial e anti-ética.
Ora, mas foi a sociedade que escolheu os ônibus como matriz do transporte coletivo? Mentira! Os donos das empresas ampliam os transportes sob pneus através do financiamento de campanhas de vereadores, deputados estaduais, senadores, prefeitos, governadores e até dos presidenciáveis.
Imagine se as empreiteiras que recapeiam as estradas todo ano vão ficar sem os ônibus? E os fabricantes de pneus? E os donos de pedágios? E os fabricantes de ônibus? Se colocarmos o transporte coletivo nos trilhos, adeus pneus, pedágios e financiamento de campanhas. Dessa forma as tarifas seriam muito mais baratas! Sem contar o ganho em nossa saúde e no meio ambiente!
Para promover a mudança do atual modelo é preciso barrar lobbies poderosíssimos: montadoras, fabricantes de pneus, empreiteiras e os donos das empresas de ônibus. O transporte público, de vital importância para a sociedade, não deveria ficar na mão de empresários gananciosos que massacram os trabalhadores e prestam serviços precaríssimos e de péssima qualidade à população.
Esses serviços deveriam ser municipalizados! No ano passado, uma CPI na Câmara Municipal do Rio para investigar a licitação das empresas de ônibus esbarrou numa maioria de vereadores ligados à Fetransporte que, não satisfeita em eleger a maioria de vereadores na CPI, ligados aos donos da empresa de ônibus, ainda impôs um aliado para presidir a CPI. Com a raposa tomando conta do galinheiro fica difícil colocar o transporte coletivo nos trilhos!
Emanuel Cancella é coordenador do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)
Rio de janeiro, 13 de maio de 2014
Pachecão
13 de maio de 2014 4:57 pmMinha última
Minha última coluna…
Colunista: Parofes
12/05/2014 – 12:13
Se estão lendo este documento, significa que eu dei o golpe final da leucemia e estou morto. Obviamente não foi assim que planejamos os acontecimentos, mas, nem sempre tudo acontece como queremos.
Descobri os primeiros sintomas quando Lilianne e eu estávamos em Lua de Mel na Patagônia, em dezembro de 2011. A princípio não dei muita atenção pois nunca se espera sofrer de leucemia, sempre pensamos ser algo mais simples como uma gripe difícil ou alterações hormonais para explicar as infecções indesejáveis. Entretanto, em março iniciei uma bateria de testes para descobrir o que se passava, já que os processos infecciosos só pioravam, havia acabado de passar por um segundo episódio de pneumonia em curtíssimo espaço de tempo, além de outras manifestações pelo corpo. O primeiro exame que pegou blastos no meu sangue periférico foi de abril de 2012, passou desapercebido pela clínica geral que me atendia. Terminei os testes físicos e estava bem em tudo, com uma anemia controlável, amena. Em meados de maio repeti os exames de sangue e me foi indicado procurar um hematologista o quanto antes. Consegui uma consulta para o dia 25 de maio de 2012, aniversário da Lilianne, com a Dra.Patrícia Torigoe, a quem deixo meus profundos agradecimentos a propósito pelo atendimento sensacional. De seus lábios escutei o que esperava pois já havia estudado meu exame de sangue, eu tinha leucemia. Bastava definir qual era. No mesmo mês de maio me internei pela primeira vez no hospital Santa Paula para fazer tais exames e biópsia, que poderiam nos dar uma resposta sobre o nome da leucemia, e foi meu primeiro contato com o Dr. Sérgio Brasil, outra pessoa fantástica a quem não há como agradecer plenamente. Os resultados foram inconclusivos, a medula óssea estava hipoplásica, lenta, em um aparente estado de Síndrome Mielodisplásica. Como o estado ainda era de transição, aguardamos mais um pouco para ver como tudo acontecia. Neste mesmo tempo, fui encaminhado pela Dra. Patrícia a ver o Dr. Frederico, encarregado do TMO do Hospital das Clínicas na época, para que ele me avaliasse como candidato a transplante de medula óssea. Ele o fez e marcou já um segundo teste da medula óssea para a manhã seguinte, e assim me tornei paciente também do Hospital das Clínicas, Unidade de TMO, sob os cuidados da hematologista Dra. Maria Cecília. A partir de então, fui inserido como receptor de medula óssea no cadastro do REREME, que trabalha em conjunto com o cadastro de doadores de medula óssea, o REDOME. Isso aconteceu em outubro de 2012. No mês anterior visitamos, eu e Lilianne, minhas irmãs no Rio de Janeiro, e duas semanas depois elas vieram em São Paulo para realizarmos o teste de compatibilidade para ver se alguma delas poderia ser minha doadora, negativo para as duas. No final de ano e ano novo de 2012 para 2013 senti diversas alterações em meu corpo e decidi voltar ao hospital, temendo o pior. Este se confirmou, meu estado de síndrome mielodisplásica havia se alterado para Leucemia Mielóide Aguda. Decidimos iniciar imediatamente o tratamento quimioterápico de indução, e isso já significaria uma internação de longo prazo. Esta primeira etapa foi difícil, e quase morri, mas sobrevivi para contar a História. A partir de então decidi compartilhar com todos, publicamente, os melhores e os piores momentos, independentemente dos resultados. Continuei o tratamento. Em março um possível doador apareceu associado ao meu nome e iniciaram os testes para verificar a compatibilidade para transplante. No dia 02JUN2013 entreguei pessoalmente no laboratório do REDOME dois tubos com amostras de sangue minhas para realização do teste de HLA ampliado, exame este que NUNCA obtive um retorno, nunca. Segui meu tratamento e após todas as quatro consolidações, a leucemia voltou imediatamente, e tudo recomeçou. A partir daí deixo esta História de lado e manifesto algumas observações. Aqui que explicito minha indignação. O mais importante para este país é cerveja gelada, futebol na TV, e reality shows inúteis que não adicionam nada à vida de ninguém. Só vendem o corpo como mercadoria, coisificando relações interpessoais. Me ENOJA ligar a TV na esperança de ver alguma notícia e não conseguir, pois todos os telejornais priorizam noticiar o futebol, cujo tempo total do programa provavelmente deve ser de metade do tempo útil. Nos intervalos, os comerciais de televisão priorizam carros novos cada vez mais velozes para uso urbano (não entendo, como querem reduzir a quantidade de acidentes fatais no trânsito com verdadeiras máquinas assassinas nas mãos de condutores irresponsáveis!?), empréstimo de dinheiro a juros, programas de TV inúteis como os já citados dentre outros como “Domingão do Faustão” (francamente, que atraso mental!), “Esquenta” (é esse mesmo o nome dessa porcaria?), dentre tantos outros, diversos comerciais de cerveja que sempre exploram o corpo da mulher brasileira para manipular o cérebro facilmente “manipulável” dos bêbados de plantão, e por aí vai… Raramente, eu disse RARAMENTE, observa-se UM comercial de doação de sangue. Entretanto nunca, NUNCA vi um comercial incentivando as pessoas a se cadastrarem como doadores de medula óssea, ou sequer explicando como é o procedimento para que não exista o medo mortal que hoje se constata, visto que aproximadamente metade dos cadastrados desiste de doar quando convocados, e oferecidos a HONRA de salvar uma vida. Isto é patético. Nesse meio tempo, o governo baixa uma lei limitando o número de cadastros de doadores de medula óssea no país. Dá pra acreditar? Fácil de se entender, difícil de se compreender. Com tantos cadastros ocorrendo, as chances de pessoas como eu de encontrarem um doador compatível aumentam, e como tudo é pago pelo SUS, e um transplante de medula óssea (procedimento de ponta a ponta, exames, quimioterapia pré-transplante, transplante e complicações possíveis que o paciente sofra após o transplante) é realmente muito custoso. Se muito é gasto com cada vida, rouba-se menos. As mansões não ficam prontas a tempo, e um João Ninguém atrapalha tudo só porquê tem câncer não é mesmo? Este é o nosso país amigos. Abdico dele. Fiquei triste demais para continuar fazendo parte deste mundo hipócrita e sem valores, sem honra, sem respeito. Breve recado para minhas irmãs, sobrinha, cunhados e cunhadas, minha sogra, avó, Oma, tias e tios: Não lamentem minha morte. Lembrem-se, morrer faz parte da vida. É a única certeza que temos quando nascemos. As vezes ela chega cedo, as vezes ela chega tarde. Pra mim é fácil, pra vocês dói. Administrem as dores me celebrando como eu era, vejam minhas fotos, façam piadas, mas não lamentem. Ajudem por favor a Lili, o início será muito difícil, eu sei. Minhas mais sinceras desculpas à minha viúva Lilianne Schmidt. Prometi um produto e não entreguei, me perdoe. Em nosso casamento eu chorei emocionado pois queria que minha mãe visse o acontecimento, queria que ela visse o filho dela se casando com você, mulher linda por dentro e por fora, de coração grande, inteligente, trabalhadora, e compreensiva com minhas viagens pelo mundo, necessidades inusitadas de um aventureiro pleno, obrigado por tudo. Lembre-se, sempre lhe respeitei, sempre lhe amei, mas agora, peço que recomece sua vida. Não sofra por muito tempo, tens sua vida inteira pela frente. Demoramos cerca de oito meses para conseguir ter acesso ao meu cadastro, vez que o único médico que pode acessar e verificar por novos possíveis doadores é o médico que me cadastrou no REReme, a Dra Maria Cecília. Infelizmente na virada de 2013 para 2014 toda equipe de hematologia do TMO do Hospital das Clínicas foi trocada, e comecei do zero. Depois de muitos e-mails, brigas, ameaças de denúncias à rede televisiva (que de fato não se interessou: (Band, Globo e SBT), o Dr. Sérgio conseguiu meu cadastro com o Dr Ulysses, novo chefe do TMO do Hospital das Clínicas. Quando me deu a notícia fiquei maravilhado. Entretando, dois ou três dias depois descobrimos que era tarde demais ter seis (6) possíveis doadores. Minha Re-re-indução falhou, assim eu estaria inapto a fazer um transplante. Irônico não? NÃO! Absurdo! Morosidade e Burocracia do SUS brasileiro, onde só interessa a quem rege desviar verbas construi mansões e comprar carros importados… Paulo Roberto Felipe SchmidtSíndrome Mielodisplásica/ Leucemia Mielóide Aguda Motivo da morte: Morosidade do processo de testes e realização do transplante de medula óssea/ decisão inteligente do governo de cortar a chance de vida de milhares de brasileiros e estrangeiros que poderiam ter sua vida salva por um de nós/ Desgosto com a nação.”
http://altamontanha.com/Colunas/4399/minha-ultima-coluna
marcelooliveira
13 de maio de 2014 7:09 pmGoverno de São paulo
Governo de São paulo apresenta relatório que “aponta que uma crise de estiagem tão crítica quanto a registrada no Sistema Cantareira em pleno período chuvoso ocorre só a cada 3.378 anos.”
“Um relatório técnico produzido pelo Centro Tecnológico de Hidráulica e Recursos Hídricos do governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP) aponta que uma crise de estiagem tão crítica quanto a registrada no Sistema Cantareira em pleno período chuvoso ocorre só a cada 3.378 anos. Segundo o estudo, que avaliou a severidade desta seca histórica no principal manancial paulista, a probabilidade de o cenário se repetir é de apenas 0,033%.”
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2014/05/13/seca-atual-so-ocorre-a-cada-3378-anos.htm
Pedro Penido dos Anjos
13 de maio de 2014 7:33 pmAcabo de voltar ao país e
Acabo de voltar ao país e fiquei sabendo hoje que a Caixa já no dia 30 do mês passado aumentou o preço das apostas em seus jogos em 20% (vinte por cento!)
E logo agora, exato nesse momento pelo qual estamos passando.
Taí a ficha do principal responsável por esse desatino:
“Fabio Ferreira Cleto
[email protected]
Vice-Presidência de Fundos de Governo e Loterias
Com 39 anos, Fabio Ferreira Cleto é formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e tem Mestrado em Modelagem Matemática pelo IME/FEA (USP). Fabio começou sua carreira como analista de renda variável em diversos bancos, como ABC Roma, Nacional Multiplic e Dresdner Bank. Além disso, tem forte experiência em corretagem na Bovespa e BM&F, Análise de Risco de Crédito e em Risk Management. Entre os anos de 2002 e 2009, foi Head Trader Moeda Nacional na mesa proprietária do Banco Itaú, sendo responsável pela Gestão da Carteira de Derivativos, Títulos Públicos, Carteira de Títulos Privados, Carteira de Papéis Securitizados entre outros.
Antes de fazer parte do grupo de executivos da CAIXA, atuou durante um ano como CEO no Fundo de Investidor Estrangeiro na Aquitaine Investments LLC, onde tinha responsabilidade total pela Gestão do Fundo, Arbitragem de moedas(onshore /offshore), Gestão da Carteira de Renda Variável e Gestão de Carteira de Renda Fixa Brasil (títulos renda fixa / futuros / opções).
Atualmente exerce na CAIXA a função de Vice-Presidente de Fundos de Governo e Loterias.”
Agora, pergunto eu, já que o assunto é pertinente, por motivos óbvios.
Vai ficar isto por isso mesmo?
Ninguém do governo vai tomar nenhuma providência?
Vão deixar esse cara no lugar onde ele já está?
Como definí-~lo?
Tecnocrata idiota? Taíra? Infiltrado? Imbecil alienado?
Quem foi responsável por sua nomeação?
DE NOVO: QUEM FORAM OS RESPONSÁVEIS POR SUA NOMEAÇÃO?
Carambolas!
Caramba!
PQP!
MiriamL
14 de maio de 2014 12:43 amRecomendações aos
Recomendações aos brasileiros sobre os turistas na Copa
A Copa pode ser um momento difícil para os brasileiros, tendo que aguentar gente sem a mínima educação, achando que são os civilizados visitando os bárbaros.
por Emir Sader em 13/05/2014 às 16:17
O brasileiro é conhecido por sua simpatia e amabilidade com todo mundo, inclusive com os turistas. Mas é preciso tomar precauções quando nos preparamos para recebemos grande quantidade de turistas, munidos de preconceitos, clichês, taras, etc. Vamos recebê-los com a hospitalidade de sempre, mas temos que levar em conta certas normas, baseadas na nossa experiência de tratamento com os turistas, mas também em conhecimento de coisas que acontecem hoje no mundo e que nos obriga a ficarmos muito alertas com os turistas, especialmente os da Europa, dos EUA e de outras regiões do mundo que se consideram superiores aos outros, “civilizados” que vem a um país “bárbaro”.
São gente em geral com boa disposição com o Brasil mas que, colocando pra fora algumas taras pessoais, alimentando preconceitos e clichês, podem se tornar pessoas sumamente perigosas, violentas, sob o efeito do álcool, de drogas e outros estupefacientes.
Vai ser um momento mudo bom, mas também muito cheio de provas para nós, brasileiros. Podemos ter certeza de que sairemos bem dessa circunstância, mas para isso temos que obedecer a certas normas e comportamentos.
1. Muitos turistas, especialmente vindos de alguns países da Europa, já contratam em agências de turismo, programas de turismo sexual, inclusive de pederastia. Vamos ser muito duros com eles, nos mantermos vigilantes, denunciarmos suas atitudes, acompanharmos os procedimentos policiais e garantirmos que eles sejam punidos exemplarmente aqui mesmo.
2. Muitos turistas acham que vivem aqui no paraíso das drogas, que podem consumir o que bem entenderem, entrar em contato com traficantes e aviõezinhos, fumar e cheirar o que bem entendam. Devemos cuidar para que depois não venham denunciar que caíram em algum golpe de forma inocente.
3. Muitos torcedores – especialmente europeus – costumam se comportar de maneira preconceituosa e desrespeitosa com pessoas que julgam de menor nível de vida e, especialmente, de outras etnias. Os europeus desenvolveram, ao longo da sua história, uma concepção de que “negro serve para ser escravo”, para trabalhar como raça inferior para que eles se enriquecessem. Até hoje, muitos ainda consideram os negros uma raça inferior. Por isso que grita ofensas aos jogadores negros nos campos de futebol, jogam bananas para alguns deles.
Devemos estar muito vigilantes com esses comportamentos estúpidos de alguns turistas. Discriminação aqui é crime inafiançável, previsto na Constituição. Por lá eles tendem a ser condescendentes com esse tipo de comportamento, porque é o sentimento que grande parte deles tem em relação aos imigrantes, por exemplo, fazendo com que a força política que mais cresça lá seja a extrema direita, que ataca fortemente os direitos dos imigrantes e os discrimina fortemente, desejando expulsá-los dos seus países.
4. Muitos turistas vem de países em que a mídia e mesmo meios governamentais os preparam para vir encontrar um caldeirão de conflitos e violências por aqui. Acreditam que podem ser assaltados a cada esquina, que vão encontrar macacos, cobras, em cada rua, que não podem sair à noite pelas ruas. Que, ao contrário do que Lula propalou pelo mundo afora, a miséria, a pobreza, o desemprego, só aumentam, há uma crise social prestes a explodir.
5. Na Europa em particular, os níveis de desemprego são altíssimos. Em países como a Espanha, Portugal, Grecia, mais do que 50% dos jovens são desempregados, há anos. Eles não estão acostumados mais a situações de pleno emprego. Podem estranhar. Não tem um líder popular como o Lula. Podem estranhar. Ainda mais se lerem os jornais, lembrarem do que leram nos seus países, podem achar que há um Estado policial que impede as pessoas a se manifestarem por emprego, por salário, por licença desemprego. Podem se comportar de maneira estranha.
Em suma, a Copa pode ser um momento difícil para os brasileiros, tendo que aguentar muita gente sem a mínima educação, achando que são os “civilizados”, se achando os “democratas”, sem saber conviver com pessoas diferentes em étnicas em comportamentos, em valores. Mas acho que vamos sobreviver, com nossa hospitalidade, nosso costuma de conviver com gente diferente, nossa forma bem humorada de levar adiante os problemas, de gozar os “gringos” que vierem metidos a besta.
http://www.cartamaior.com.br/?/Blog/Blog-do-Emir/Recomendacoes-aos-brasileiros-sobre-os-turistas-na-Copa/2/30913
Aroeira
14 de maio de 2014 10:37 amO vídeo que está enlouquecendo a oposição
O vídeo com a mensagem do PT que está bombando na internet e enlouquecendo a oposição.
No you tube: http://youtu.be/MgFE0lvyC8g