4 de junho de 2026

Manu Maltez, o viajante avoengo, por Aquiles Rique Reis

Ele é um poço de múltiplas opções: das mãos vem o tato para o inimaginável; da voz jorram os ais da vida; da alma desabrocham cores incomuns.

O viajante avoengo

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por Aquiles Rique Reis

Hoje trago um álbum que me pegou de jeito: Madrugada Até o Fim (YB Music), do contrabaixista, compositor, escritor e artista plástico Manu Maltez. Para celebrar seus 25 anos de carreira, ele lançou o trabalho com várias pinturas suas que, como ele diz, “envolvem o período da meia-noite à alvorada”.

            Antes de continuar, permitam-me explicar melhor o talento de Manu Maltez para as artes gráficas: Manu é filho de Hélio de Almeida, um artista gráfico e designer importante para o jornalismo brasileiro. Quando de sua morte em 20 de julho deste ano, Hélio, inclusive, foi homenageado por Ruy Castro com um belo texto.

            Voltemos a Madrugada Até o Fim. Produzido por Caê Rolfsen, o projeto do filho do Hélio é desafiante: obras de arte inspiradas, amei-as todas; assim como amei cada música e me deixei levar por seus caprichos, tamanha a beleza entrevista a cada aurora do meu ouvir.

            “Antes da Minha Hora” (Manu Maltez): o violão chama, Maltez vem. A cantora Alessandra Leão está com ele. A percussão puxa o cavaquinho e o baixo, tocados por Caê Rolfsen. Suingue puro. A batera de Thomas Harres marca o tempo no prato. Maltez lança a voz garganta afora.

            Com arranjo rítmico de Caê, “Qualquer Assombração” (Manu Maltez) tem o violão de Manu repetindo um desenho. Baixo, synth bass e a percussão de Caê aceleram a parada. A rabeca de Rafa Barreto dá seu som à música. A gloriosa Assucena se ajunta a Maltez e suas vozes alastram a composição por cima do ouvinte, que gagueja: “O qué qué isso?”

            Falseador de mentiras, Maltez faz delas verdades críveis.

            “Madrugada Até o Fim” (Manu Maltez): Tratando-os com paixão fascinante, Maltez toca violão e piano. Caê ajunta o seu piano ao de Maltez, baralha os sons, que, sampleados, somam-se ao cavaquinho – esse Caê é fera! O cello de Yaniel Matos pontua entre a cantoria. Maltez canta os versos como se fossem os donos de seus sonhos e os oferece à madrugada que molda sua arte.

            “Reptiliana” (Manu Maltez e Lourenço Mutarelli): após recitar um texto inicial, Mutarelli se achega a Manu. Produzida por Caê, com arranjo de Maltez e dele, a canção tem a agilidade da viola de 10 cordas do produtor agregada aos seus baixo e piano, realçados por sua percussão. O piano de Thaís Nicodemo é a cereja do bolo que a todos alimenta.

            “Fabulando” (Manu Maltez) se destaca pelo clarinete de Maria Mange Valencia. Envolta em reverber, a voz de Manu brilha – canta bem o cara!

            “As Canções Foram Feitas Por Quem Não Dormia” (Manu Maltez): o tambor inicia. O violão aproxima Maltez e sua voz vem sob o sample que instiga o cavaquinho e dá solidez à música. O piano de Thaís Nicodemo amplia o horizonte sonoro.

            Ora, Manu Maltez é um poço de múltiplas opções: das mãos vem o tato para o inimaginável; da voz jorram os ais da vida; da alma desabrocham cores incomuns.

            Já a madrugada, que encobre o sol e oferta estrelas ao mundo, ele leva nas costas.

Aquiles Rique Reis 

Nossos protetores nunca desistem de nós

Ouça o álbum: https://www.manumaltezarte.com/general-clean

Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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