Sugerido por P. Pereira
Anistia Internacional
Publicado em 07/05/2014
#50diascontraimpunidade Preso aos 14 anos, César Benjamin passou cinco anos na prisão, incluindo mais de três na solitária. A Anistia Internacional realizou várias ações em defesa de César e ele foi eleito preso de consciência pela organização em 1975. A pressão estrangeira forçou o governo militar do Brasil a entender que embora o mundo não pudesse vê-lo, César não havia sido esquecido.
A impunidade dos agentes do Estado que cometeram crimes contra a humanidade durante a ditadura é a mesma que, até hoje, encoraja torturas, mortes e desaparecimentos forçados.
Exija justiça! http://ativismo.anistia.org.br/50dias
Porém
10 de maio de 2014 6:55 pmO mais absurdo é o silêncio
O mais absurdo é o silêncio dessa ante a AP 470, todos julgados por crime de consciência, dado que tudo que fizeram foi para ajudar quem poderia fazer alguma coisa para o povo ascender e ficar no poder. Já deveria ter exigido que Dilma assinasse idulto para todos
Hamilton
10 de maio de 2014 7:23 pmA prisão fez muito mal
a este cidadão. Não foi ele que disse que o Lula confessou uma tentativa de estupro?
Nilva de Souza
10 de maio de 2014 9:47 pmPessoal ! Indulto é para
Pessoal ! Indulto é para condenado literalmente culpado, o que não é o caso de ZD e demais petistas. Indultá-los seria o reconhecimento de que eles cometeram crimes e estão sendo perdoados pela Presidenta.
Não cabe indulto para quem é inocente e pleiteia revisão do julgamento.
Fabio Passos
11 de maio de 2014 12:58 amTorturadores livres.
Não conhecia a história do Cesar Benjamin.
Que terrível covardia sofreu ainda tão jovem.
Revoltante saber que estes facínoras que cometeram estas barbaridades permanecem impunes.
BHZ
11 de maio de 2014 4:12 pmTortura em Minas Gerais
Marcas que nunca se apagarão
Quarenta anos após serem torturados, ‘subversivos’ mineiros vivem o trauma dia após dia
ESPECIAL DITADURA
História. Colégio Militar foi um dos pontos de tortura utilizados durante a ditadura militar no Brasil
PUBLICADO EM 11/05/14 – 10h00
Lucas Pavanelli
Clodesmidt Riani, deputado e líder sindical, ouvia, do outro lado da parede, os companheiros urrando de dor e retornando à cela com os rostos ensanguentados. Mentiu para a família ao dizer que a prisão parecia uma colônia de férias só para que não soubessem os horrores que ele e seus companheiros passavam ali dentro.
Aldeysio Duarte, engenheiro, foi preso pela primeira vez por distribuir convites de seu casamento. Ficou algumas horas na delegacia, antes de ser liberado. Da segunda vez, dedurado por um militante, levou choques elétricos e foi espancado. As dores e marcas no nariz, ombros, joelhos, coração e no cérebro permanecem até hoje, quatro décadas depois.
Durante a ditadura militar (1964-1985), o Estado utilizou estruturas oficiais e clandestinas para torturar e matar. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, em Minas Gerais foram ao menos três centros clandestinos – casas e sítios – e uma unidade do Exército (o 12º Regimento de Infantaria, no Barro Preto) onde opositores do regime conheceram as agruras da tortura. Havia outros locais, como o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), na avenida Afonso Pena e até o Colégio Militar.
Foi justamente no centro de ensino que Aldeysio Duarte, hoje com 72 anos, sofreu agressões físicas e psicológicas. As marcas do dia em que um oficial lhe disse que torturaria seu filho de nove meses persistem mesmo com o passar dos anos. “Fui preso, cinco patrulhas vieram me buscar, e torturado. Fiquei com problema no cérebro, tenho convulsões até hoje. Levei choques elétricos. Quando eu saí, fiquei três anos em prisão domiciliar. Dava aula e voltava pra casa, um policial ficava na minha casa me monitorando”, relembra.
JOGAR NO MAR. Clodesmidt, dirigente máximo do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), forte organização intersindical e deputado estadual em 1964, foi cassado uma semana após o golpe. Ouviu de um oficial do Exército que iria ser mandado a São Paulo “porque lá eles te jogam no mar e ninguém nunca vai ficar sabendo”. “Poderia ter ido ao exterior, mas resolvi ficar. Eu fiz tudo correto. Aí, me apresentei ao Exército, e eles fizeram o que fizeram”, diz o ex-sindicalista que foi recebido com socos e chutes na 4ª Região Militar de Juiz de Fora, cidade na Zona da Mata onde vive até hoje, aos 93 anos.
Figura próxima ao ex-presidente João Goulart – quem levou por quatro vezes ao município de Juiz de Fora –, Clodesmidt se recusou a assinar uma carta redigida pelos militares na qual afirmava que Jango e o ex-governador do Rio Leonel Brizola eram comunistas. Não achava que eles eram. Da cidade, ele foi transferido para o 12° RI, em Belo Horizonte, onde a tortura continuou.
Parlamentar
Destino. Depois de deixar a prisão, o sindicalista Clodesmidt Riani foi eleito deputado estadual novamente em 1982. Já Aldeysio Duarte largou a militância política um ano antes.
Após 50 anos
Ponto de tortura será investigado
PUBLICADO EM 11/05/14 – 10h00
Lucas Pavanelli
Cinquenta anos depois, o ex-deputado pelo PTB Clodesmidt Riani vai poder ver oficializado o que ele mesmo viveu dentro do 12° Regimento de Infantaria (12° RI) do Exército. A unidade, que ocupa um quarteirão inteiro no Barro Preto, em Belo Horizonte, é alvo de uma sindicância que vai apurar maus-tratos e torturas em instalações oficiais das Forças Armadas.
O pedido, feito pela Comissão Nacional da Verdade e acatado pelos chefes das Forças Armadas, vai poder confirmar o que Clodesmidt conta. “Fiquei lá durante uns 30 a 40 dias. Eram umas 40 pessoas dormindo umas em cima das outras. Uma coisa horrível. Fui muito castigado. Da cela, ouvi um companheiro sendo torturado. Ele voltou com a cara toda ensanguentada. Nem todos voltaram”, relembra Clodesmidt, puxando as lembranças pelo fio da memória.
Além do 12º RI, a Comissão da Verdade pediu sindicância em outras seis instalações que serviram de centro de tortura.