4 de junho de 2026

Guerras e clima tornam os surtos de cólera cada vez mais mortais, informa OMS

Número de vítimas em 2023 pode superar 100 mil; sem acesso à água potável, pacientes falecem ao não contar com tratamento de R$ 3
Crédito: Unicef

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma análise em que mostra que os surtos de cólera mais mortais estão se espalhando pelo mundo, além de sobrecarregarem os sistemas de saúde. 

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Entre 2022 e 2023, o número de mortes aumentou 71% no mundo, enquanto o número de casos subiu 13%. A conclusão da OMS é a de que este aumento se justifica pelas mudanças climáticas e guerras. 

Segundo Philippe Barboza, responsável pela equipe de cólera no programa de emergências de saúde da organização, o aumento desproporcional de mortes em relação ao número de casos evidencia a falta de interesse global por uma doença que atinge a população de todo o mundo, uma vez que as pessoas mais pobres não têm acesso a água limpa para beber. 

Barboza afirmou ainda que, embora os dados oficiais indiquem que quatro mil pessoas foram vítimas da cólera no ano passado, o número real deve superar 100 mil óbitos. 

A cólera pode causar morte por desidratação em um dia, tendo em vista que o corpo tenta expelir as bactérias causadoras da doença por meio de vômito e diarreia. 

“Como podemos aceitar que em 2024 as pessoas estão morrendo porque não têm acesso a um simples saco de sais de reidratação oral que custa 50 centavos [de dólares]?”, disse o responsável da OMS ao jornal The New York Times.

Entre as regiões mais afetadas estão países da Ásia, África e Oriente Médio. Apenas no continente africano, que registrou alta de 125% no número de casos em 2023, o principal fator que explica o surto são as secas e inundações, decorrentes das mudanças climáticas. 

Zâmbia e Malawi conseguiram estruturar respostas para os surtos da doença, mas ainda apresentam sobrecarga no sistema de saúde. Já o Sudão, palco de uma forte guerra civil, registrou 5.600 casos desde agosto. 

A OMS informa ainda que 10 países somam mais de mil casos suspeitos ou confirmados: Afeganistão, Bangladesh, Congo, Etiópia, Haiti, Malawi, Moçambique, Somália e Zimbábue.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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