Sejamos claros e objetivos: não existe lei que obrigue a imprensa brasileira a convidar um candidato como Pablo Marçal para os debates eleitorais. A regra manda dar espaço para candidatos de grupos políticos com representação na Câmara dos Deputados (pelo menos cinco parlamentares), e o PRTB de Marçal não cumpre essa exigência.
Por que, então, Marçal segue aparecendo nos debates políticos? Simples: porque o jornalismo acredita que faz deferência ao interesse do público quando convida candidatos que estão acima de determinada nota de corte nas pesquisas. E Marçal aparece nas intenções de voto de um a cada cinco eleitores paulistanos.
Mas os transtornos recorrentes intensificaram o debate sobre a possibilidade de exclusão de Marçal dos programas. Afinal, a essa altura do campeonato, como pode a imprensa naturalizar autocratas que entram no debate eleitoral para esgarçar ainda mais o tecido social e tumultuar o processo democrático?
Na noite de segunda (23), Marçal deu um jeito de levar o debate no Flow para a lama ao encerrar sua participação violando as regras e sendo expulso pelo apresentador Carlos Tramontina. Na sequência, um assessor de Marçal desferiu um soco no rosto do marqueteiro de Ricardo Nunes.
A candidata Tabata Amaral reagiu com indignação ao chamar a imprensa à responsabilidade, dizendo que o método do Marçal ofusca as propostas e lança holofotes sobre a confusão. A cobertura política está prejudicada pelas armadilhas a cada novo debate.
“Não seria o caso de segregar esse propagador de violência? Porque já esta provado que esse indivíduo não tem condições de estar em debates politicos. Então por que convidá-lo? Ele já foi testado em oito ocasiões. Já se tentou domesticar o ambiente, parafusando cadeira no chão, chamando mais seguranças. Acho que a experiencia que ainda não tentada é a de isolar o agente da violência”, disse a jornalista Flavia Oliveira na tarde de terça (24), na Globo News.
O apresentador da TV Cultura, Leão Serva, também escreveu para a Folha de S. Paulo sustentando que o jornalismo defenda a democracia e exclua Marçal dos proximos debates. Serva foi o mediador do debate em que Marçal levou uma cadeirada depois de lançar ilações e ataques contra Datena.
Leão Serva sustentou que a imprensa brasileira vive uma síndrome de Estocolmo em relação às mídias digitais, habitat natural de figuras beligerantes como Marçal e outros autocratas que têm surgido nos últimos anos. Para ele, essa síndrome decorre da ignorância a respeito desse ecossistema digital, que na verdade se alimenta do noticiário. Serva diz que a imprensa deveria aprender com o exemplo de Hitler e parar de dar espaço para figuras que tentam destruir a democracia. “Quem ataca a democracia deve ser contido”, escreveu.
Até o primeiro turno das eleições, em 6 de outubro, outros três debates pela prefeitura de São Paulo devem acontecer. Segundo nformações da CNN Brasil, as campanhas apoiam regras mais rigidas e algumas cobram que Marçal seja excluído preventivamente.
Por outro lado, há quem defenda que a imprensa não pode tutelar a democracia. Em resposta a Leão Serva, Joel Pinheiro da Fonseca escreveu na Folha desta terça (24) que Marçal não vai perder legitimidade perante os eleitores se for excluído dos debates. Mas a imprensa perderia credibilidade se for arrogante ao ponto de escolher os candidatos que podem participar ou não dos debates.
Este tema será tratado no programa Desinformação & Política, ao vivo nesta terça (24), a partir das 19 horas, com a linguista Eliara Santana e o analista político Elias Tavares:
Paulo Dantas
24 de setembro de 2024 6:54 pmEle vence, “O Sistema me censurou”.
O certo seria perder nas urnas, mas as pessoas parecem querer isto.
Parte culpa da classe política e seu discurso “bulls#1+”
Fabio
24 de setembro de 2024 9:09 pmA grande imprensa apenas quer ter assunto, não está interessada em mais nada
+almeida
24 de setembro de 2024 9:44 pmA justiça eleitoral foi criada para fazer imperar a justiça durante a campanha eleitoral. Entre as diversas missões de controle, fiscalização, regras, normas e cumprimento da lei, também está a exclusão, o impedimento e a inabilitação de candidatos(as). Acredito que a missão de de punir, com suspensão ou cassação é exclusiva do TSE. Porém, o convite para debates em ambientes privados, mas autorizados oficialmente, fica a critério da produção do debate. No tocante a participação ou não, a decisão é do candidato e/ou do seu grupo de campanha.
Parece não ser muito difícil, se não faltasse autoridade e segurança eficaz
Penso que uma candidatura que promove constantemente a anti-politica, a anti-campanha e o anti-debate, só permanece recebendo holofotes em razão da total conivência e ausência de autoridade dos TRE e TSE.
Eugenio
25 de setembro de 2024 12:59 pmPenso que a imprensa, ao contrário do que afirmam sobre seu papel, é a maior responsável pela degradação da democracia. Não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. A imprensa enfoca apenas o lado sórdido dos políticos. Raramente faz alguma análise na qual demonstre virtudes e defeitos. Ao dar ênfase apenas nos maus políticos, faz parecer que nenhum político é capaz de apresentar alguma proposta sensata, que contribua de modo positivo para a sociedade. É a imprensa que demoniza seus inimigos por procuração, ou inimigos declarados. Afirmam que são isentos, neutros, mas tais supostas virtudes são traduzidas apenas na especulação contra os políticos que não caem em suas graças. É óbvio, antes que me crucifiquem, que há péssimos políticos e devem ser denunciados. Mas não esqueçam daqueles que fazem seu papel de modo adequado, que fazem propostas positivas, para que a população não acredite que há apenas sordidez na política. A imprensa é sim, culpada ou cúmplice pelo fim das democracias.
Rui Ribeiro
25 de setembro de 2024 2:05 pmAfinal, na visão do Marçal o POVO é, ou não, IDIOTA?
“No processo eleitoral, me perdoe, VOCÊ TEM QUE SER UM IDIOTA. Infelizmente, a nossa mentalidade gosta disso. E, por ser um POVO QUE GOSTA DE IDIOTICE, eu preciso produzir isso. Preciso ter um comportamento que chame atenção. Não é uma parada que eu me divirto”. – Pablo Marçal
“Eles usaram o rádio, vocês ouviram no rádio e na televisão, eles me vinculando com o PCC, mas quem é ‘Tchutchuca do PCC’ é o Ricardo Nunes. Comprovadamente que o inquérito está aberto pela Polícia Federal. E todas as vezes que eu tenho poder de falar alguém quer me interromper. Então, realmente, o nível tá baixo só que O POVO NÃO É BOBO, o povo vai entrar numa revolta nesse dia 6 e a gente vai tirar esses canalhas do poder.” – Marçal
O povo vai substituir os canalhas do poder por outros canalhas?
Rui Ribeiro
26 de setembro de 2024 8:35 amAntes colocá-lo contra a parede, indagando-lhe o que fará, com o que fará, ou seja, de onde tirará os recursos para executar suas promessas, como fará, quando fará. Obrigá-lo a discutir os problemas da cidade de Sampa em vez de tergiversar e agredir os concorrentes.