Por Motta Araujo

GERTRUDE BELL E A CRIAÇÃO DO IRAQUE – A antropóloga inglesa Gertrude Bell, nascida em 1868, filha de Sir Hugh Bell, industrial siderúrgico, teve uma extraordinária carreira como intelectual e alta funcionária do serviço público britânico, exercendo grande poder no Oriente Médio no período consequente ao fim do Império Otomano.
Desde muito jovem teve fascinação por viagens em lugares exóticos, talvez como meio de esquecer da tragédia da morte de sua mãe, quando tinha três anos. Gertrude foi uma grande alpinista, escalou o Mont Blanc, o Bernese Oberland e fez em três anos seis viagens ao Oriente Médio, viajando pelo deserto da Península Arabica a cavalo e camelo, era exímia cavaleira, chegou as ruinas de Carsemish onde conheceu outro antropólogo e explorador, Thomas Edward Lawrence, assim como ela fascinado pelo Oriente Médio e civilização árabe.
Ambos tinham em comum terem estudado em Oxford, uma ligação importantíssima na Inglaterra daqueles tempo.
Gertrude aprendeu a falar árabe fluentemente, também falava francês, alemão, turco e farsi, a lingua da Pérsia, onde seu tio, Sir Frank Lascelles era Embaixador britânico em Teerã.
Em Novembro de 1915, por causa de seus conhecimentos da região, foi recrutada pelo Serviço de Inteligência do Exército britânico no Cairo, lotada no Bureau Árabe, assim como Lawrence. Os dois compuseram mapas que localizam as diversas tribos beduínas no vasto territorio árabe do Império Otamano, aliado da Alemanha e inimigo da Inglaterra. Era a Primeira Guerra Mundial e a Inglaterra lutava na região contra o Exército turco.
Entre os agentes sob controle de Gertrude Bell estava Harry St.John Philby, pai do futuro espião soviético Kim Philby.
Gertrude nunca se casou mas tinha um amante fixo, homem casado, o Major Charles Wilye, que morreu na batalha de Galipoli. Sua capacidade e eficiência foram fundamentais nas operações da revolta árabe, o Coronel Lawrence se reportava a ela, ambos tinham as mesmas opiniões sobre a necessidade de uma aliança britânica com o Sherife de Meca, Hussein, descendente do Profeta Maomé, opinião que não era unânime no Bureau Arabe.
Findo o conflito, na conferência do Cairo convocada por Winston Churchill em outubro de 1920, coube a Gertrude Bell traçar os mapas do futuro mandato britânico no Oriente Médio, que compreendia a Palestina, a Transjordânia e o Iraque, usando seus profundos conhecimentos da região. Bell tinha grande proximidade com a familia Hashemita do Sherife de Meca e foi ela quem ajustou com Hussein a escolha de seus filhos Faisal como Rei do Iraque e Abdullah como Rei da Jordânia. A partir da instalação de Faisal em Bagdah, Bell passou a ser sua principal ligação com o Governo britânico, apontando inclusive os membros do gabinete.
Por razões de custo no então apertado orçamento britânico, o projeto de Bell de criar um Estado em separado para os curdos de Mosul não foi adiante, ficando a região curda dentro do Iraque. O Tesouro inglês achava que ficaria mais barato um só Estado do que dois, lembrando que o Iraque era um território sob mandato britânico, na realidade uma colônia assim como a Jordânia e a Palestina e os custos de ocupação eram despesas no orçamento inglês.
Gertrude Bell morreu em 12 de julho de 1926 em Bagdah, onde está enterrada no Cemitério Britânico. Postumamente recebeu a mais alta comenda do Império Britanico, a Order of the British Empire, conferida pelo Parlamento.
Uma mulher extraordinária na sua época quando poucas mulheres tinham esse tipo de atuação e extraordinário poder.
hc.coelho
2 de maio de 2014 2:50 pmPorque destruiram o país?
Então porque destruiram o pais, se tinham tantos laços “afetivos”?
Motta Araujo
2 de maio de 2014 6:27 pmGertrude Bell era inglesa,
Gertrude Bell era inglesa, quem vc acha que destruiu ( e tem boa parte de razão) foi Saddam Hussein e os americanos.
junior50
2 de maio de 2014 9:50 pmSei que vc. foi lá,
Guarde-a em suas lembranças, os americanos e a “coalizão”, foram piores destruidores, da cidade das 9 pontes, a “Rainha do Tigre”, do que os mongóis em 1258 – uma das pontes famosas, século XVII, era linda, um excelente trabalho de engenharia, destruida sem razão tática alguma, no lugar dela, uma ponte de pranchões e balsas.
A Bagdah que conhecemos, de gente simpática, cosmopolita, acessivel, de grandes museus impecaveis, mesquitas, igrejas e sinagogas protegidas e admiradas, das sorridentes crianças, resistiu aos mogóis, otomanos, turcos – pelo menos os ingleses dela cuidaram – por quase 2.000 anos, está agora em restos, a ignorancia cultural norte-americana, abalou-a, mas espero, que o espirito da cidade ainda continue.
Motta Araujo
3 de maio de 2014 2:17 amMeu caro Junior, estive em
Meu caro Junior, estive em Bagdah em 1981, com uma missão chefiada pelo Ministro Galveas, quando foi fundado o Banco Brasileiro Iraqueano, a cidade era agradavel mas não especialmente bonita, com muitos predios modernos, não se comparava ao Cairo. Mas concordo com vc que a estupidez americana foi imensa em toda a operação Iraque. Jamais deveriam ter dissolvido o Exercito e a Policia que estavam prontas a colaborar com os EUA porque ninguem, nem o Exercito, aguentava mais a familia Saddam Hussein no poder, os filhos Udday e Qusay eram muito piores que o pai, que já era o diabo chupando manga. Mas o americanos burrissimos acabaram com as forças armadas que até hoje jogam bmobas em atentados sem fim, poderiam te-las como aliadas e não inimigas.
Formiga2
4 de maio de 2014 9:44 amEstudo com uma iraquiana no
Estudo com uma iraquiana no meu posdoc e ela me disse que os museus foram saqueados pelos soldados que levam obras de arte e histórica como souvenir. Nem os nazistas fizeram igual.
Bispo da Dama
2 de maio de 2014 3:17 pmJornalismo capenga
“Desde muito jovem teve fascinação por viagens em lugares exóticos, talvez como meio de esquecer da tragédia da morte de sua mãe, quando tinha três anos.”
Ai, ai… Quanta bobagem.
Quantas pessoas perderam as mães ainda crianças e nem por isso têm fascinação por lugares exóticos?
Será que a memória dessa mulher era assim tão clara a ponto de pautar toda sua vida para tentar esquecer um infortúnio?
DanielQuireza
2 de maio de 2014 4:14 pmInteressante.
Desconhecia
Interessante.
Desconhecia está estória da formação do Iraque, Jordania e territórios palestinos.
Motta Araujo
2 de maio de 2014 5:42 pmhttp://www.theatlantic.com/ma
http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2007/06/the-woman-who-made-iraq/305893/
Meu caro Daniel, existe abundante literatura sobre a vida de Gertrude Bell, saiu uma biografia nova THE DESERT QUEEN,
há tambem um longo verbete na Enciclopedia Britannica.
junior50
2 de maio de 2014 7:20 pmUma pergunta
Com tantos contatos no FOffice, no Bureau arabe, na Inteligência Militar, como foi possivel que Lady Bell (OBE), em Paris/1919, não tivesse anteriormente sido informada integralmente do Acordo Sykes – Picot de 1916 ?
Outra “distinção honorifica ” dada, provavelmente pelo Sherriff de Mekka, a Lady Bell : Umm al Mu’nineen ( + ou – “mãe dos fiéis “), ainda mais sendo ela uma cristã praticante ( NÃO infiél – “povo do livro”), pois no Corão esta classificação, religiosa/tribal, é originária de Aisha ( filha de Fátima, a preferida do Profeta, basica no xiismo hachemita) a 1a Umm al Mu’nineen.
Motta Araujo
3 de maio de 2014 12:01 amhttp://www.sledmerehouse.com/
http://www.sledmerehouse.com/
Meu caro Junior, de onde vc concluiu que Miss Bell ignorava o Acordo Sykes Picot? Ela e Sir Mark Sykes eram amigos e proximos, com a diferença que Bell era mais pro-Arabe que o Barão Sykes, mas tinham o mesmo interesse sobre a região
obviamente Gertrude conhecia o acordo que era a politica do Governo ao qual ela servia. Gertrude nunca foi uma visionaria meio delirante como Lawrence, ela tinha admiração pela causa árabe mas jamais desafiaria seu Governo como Lawrence fez em Versailles, ela era diplomata e Lawrence não era, não tinha os compromissos da diplomacia, tinha a causa arabe como algo pessoal. Tanto é verdade que Lady Bell se prestou ao papel de mediadora entre o Governo britanico e a Casa Hashemita, ela vivia em Bagdah de 1921 até morrer em 1926 (está enterrada em Bagdah) para fazer esse papel junto a Faisal, era intermediaria entre Londres e Faisal, uma vez que não exisitia Embaixador na estrutura do mandato.
Motta Araujo
3 de maio de 2014 1:42 amA casa cima Sledmere House é
A casa cima Sledmere House é a residencia da famila Sykes