4 de junho de 2026

Rafucko: Manequins valem mais do que vidas

 

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 Felipe Martins

Humorista protestou contra intimação após depoimento na sede da Polícia Civil. Foto: Felipe Martins

A Corregedoria da Polícia Civil ouviu na tarde desta quinta-feira o humorista e ativista LGBT Rafael Puetter, o Rafucko. Fenômeno da internet com mais de um milhão de acessos de seus vídeos no Youtube, ele foi intimado a prestar esclarecimentos sobre a participação em um protesto artístico realizado em novembro do ano passado no Centro do Rio. Para ironizar a intimação, Rafucko compareceu à sede da Civil vestido de Wiliam Bonner da cintura para cima e uma meia-calça arrastão.

O humorista depôs como testemunha em um processo disciplinar da Polícia Civil contra o delegado Orlando Zaconne. O articulista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, acusou Rafucko de ter usado, no ato de novembro, manequim roubado da loja da Toulon, depredada em julho do ano passado durante protesto contra o então governador Sérgio Cabral. A manifestação artística foi assistida por Zaconne, então titular da 15ª DP (Gávea). Azevedo acusou o delegado de praticar o crime de prevaricação, por não prender o artista que estaria usando peça roubada da loja de roupas.

Ao sair da sede da Civil, Rafucko contou que se recusou a responder às perguntas do delegado Felipe Bittencourt do Valle e negou ter usado objeto fruto de roubo na manifestação: “Eu me recusei a explicar uma performance artística. Quem é Reinaldo Azevedo? Eles tinham que investigar é se ele toma tarja preta antes de me chamar aqui. Baseado em que ele pode afirmar que eu usei algo roubado? Acho perigoso a polícia se basear nele para investigar qualquer coisa”, declarou.

Rafucko justificou o traje usado para ir à sede da Polícia Civil: “Eu prefiro achar que tudo isso é uma grande piada. Eu já faço uma sátira ao William Bonner nos meus vídeos, então aproveitei para vir aqui com o personagem que é uma crítica, uma ridicularização da mídia”, disse.

 Felipe Martins

Ao sair da delegacia, Rafucko discursa contra a atuação do governo para integrantes da mídia alternativa e fãs. Foto: Felipe Martins

“É bem assustador que eu tenha que perder uma tarde aqui. Deve ter algo mais importante para ser investigado. Tem uma coisa muito ruim, muito estranha e muito circense acontecendo. A sensação é de que estamos numa democracia muito frágil, se é que estamos numa democracia”, completou o humorista.

Não é a primeira vez que Rafucko presta esclarecimentos à polícia. Em uma manifestação no mês de julho do ano passado, o humorista acabou detido por policiais militares. Em um vídeo divulgado no Youtube dias após o protesto, o humorista afirma que foi preso pelos PMs com provas falsas. Segundo Rafucko, os policiais colocaram pedras portuguesas dentro da camisa que ele usava para forjar o crime de depredação de patrimônio público. Rafucko foi levado à 14ª DP (Leblon) e liberado ainda no mesmo dia.

Em seus últimos vídeos, ele vem criticando de forma ferina a atuação da polícia nos protestos que ocorrem na cidade desde junho do ano passado, as respostas do ex-governador do Rio Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes às reivindicações dos manifestantes e a forma como os protestos são noticiados nos veículos de comunicação.

Procurada pela reportagem do BLOG LGBT, a Polícia Civil informou que houve um erro material na expedição do documento enviado ao artista que deveria ser um convite e não uma intimação.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. Gilmar Costa

    27 de abril de 2014 10:57 am

    Efeito “milhomens” … um

    Efeito “milhomens” … um boato, uma fofoca… e?

    1. Mary (sem senha)

      27 de abril de 2014 12:12 pm

      Ou o tal “domínio do fato”?

      Depois de El Rey  Dom Joaquim, não precisa mais provar nada, basta insinuar e acusar.

  2. Assis Ribeiro

    27 de abril de 2014 11:25 am

    É notória a queda de braço

    É notória a queda de braço entre o

    sistema X população

    O difífil é o posicionamento claro de que lado se está.

    Tarso Genro alerta:

    “A semeadura da insegurança, que precede as inflexões para direita, está em curso em todos os níveis e para responder a esta sensação manipulada – que vai da economia à segurança pública – é preciso dizer de maneira bem clara quais os próximos passos contra as desigualdades e contra perversão da política e das funções públicas do Estado. Chegamos a um momento de defesa política de um modelo novo combinado com a velha luta ideológica.”

  3. renato lopes goulart

    27 de abril de 2014 11:58 am

    Grande sujeito!!!

    Grande sujeito!!!

  4. Eneuton

    27 de abril de 2014 1:25 pm

    O deboche é sempre a melhor
    O deboche é sempre a melhor denúncia do ridículo da coisa. Humor e inteligência juntos fazem toda a diferença.

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