
Jornal GGN – A Agência Espacial Norte-americana (NASA) vai testar, de uma forma sem precedentes, os efeitos da falta de gravidade no organismo humano usando dois irmãos gêmeos idênticos. A ideia é colocar um deles em órbita na Estação Espacial Internacional (ISS), enquanto o outro permanecerá na Terra. Ao fim do experimento, os cientistas querem descobrir se os irmãos vão continuar idênticos os se os efeitos do voo espacial a longo prazo – a uma velocidade orbital de 27,7 mil quilômetros por hora – vai gerar algum efeito sobre o organismo do astronauta.
Na verdade, tanto Scott quanto Mark Kelly são astronautas, mas o segundo já está aposentado. Scott vai embarcar na ISS em março do ano que vem, se juntando ao cosmonauta Mikhail Kornienko. “Vamos recolher amostras e realizar medições dos gêmeos antes, durante e depois da missão de um ano”, explica Craig Kundrot, do Programa de Pesquisa em Seres Humanos da NASA, no Centro Espacial Johnson. “Pela primeira vez, nós vamos ser capazes de testar dois indivíduos que são geneticamente idênticos”.
O experimento remonta ao “Paradoxo dos Gêmeos”, proposto por Einstein como parte da explicação sobre a dilatação temporal. Trata-se de um experimento mental em que o autor da Teoria da Relatividade afirma que, caso um dos irmãos viajasse em um foguete pelo espaço, em alta velocidade, enquanto o irmão permanecesse na Terra, o viajante voltaria mais jovem que o outro. O estudo da NASA, contudo, não tem a pretensão de testar o fluxo do tempo, até porque a ISS teria de girar à velocidade da luz para que os efeitos da teoria fossem testados.
Mas outros pontos serão cobertos no experimento do ano que vem, de acordo com o Programa de Pesquisa em Seres Humanos da NASA. Recentemente, a agência anunciou a seleção de dez propostas de pesquisa para estudar a genética dos gêmeos, incluindo bioquímica, visão, cognição e muito mais. “Cada proposta é fascinante e poderia render uma história de longa-metragem”, diz Kundrot. “Nós já sabemos que o sistema imunológico humano muda no espaço. Ele não é tão forte como é no chão”, explica. “Em um dos experimentos, Mark e Scott vão receber vacinas contra a gripe idênticas, e vamos estudar como os seus sistemas imunitários reagem”.
Outro experimento vai avaliar os telômeros – as pequenas “tampas” moleculares nas extremidades do DNA humano. Na Terra, a perda de telômeros é associada ao envelhecimento. No espaço, tal perda poderia ser acelerado pela ação dos raios cósmicos. Comparando a perda de telômeros dos gêmeos após a missão, será possível concluir se a radiação espacial ajuda no envelhecimento prematuro dos viajantes espaciais.
Os pesquisadores também vão avaliar os elementos responsáveis pela digestão. Nas palavras de Kundrot: “Há um microbioma todo essencial para a digestão humana. Uma das experiências vai estudar o que as viagens espaciais fazem às bactérias [do interior do intestino], que, por sinal, superam as células humanas em 10 para 1”. Também será avaliada possíveis alterações na visão do astronauta no espaço e um fenômeno chamado de “nevoeiro espacial” – uma falta de atenção e diminuição das faculdades mentais, relatadas por alguns astronautas em órbita.
“Estes não serão dez estudos individuais”, diz Kundrot. “O poder real vem em combiná-los para formar uma imagem integrada de todos os níveis, de biomolecular a psicológica. Estaremos estudando todo o astronauta”, prossegue, Separados por um ano inteiro, Scott e Mark vão fazer o possível para que futuros astronautas possam viajar mais longe do que nunca, e ainda vislumbrar, no futuro, reuniões felizes quando a missão terminar.
Com informações do Phys.org
antonio francisco
12 de abril de 2014 12:26 amIdênticos? Um de óculos, outro sem óculos.
Diferentes também são suas impressões digitais, é claro, além de várias outras dissemelhanças que os próprios gêmeos fazem questão de ir descobrindo, mesmo que por mera curiosidade ou por brincadeira.
Vai ver que quando cientistas usam a expressão “geneticamente idênticos” eles estão se referindo à enorme assemelhação entre um e outro gêmeo univitelino.
Cada ser humano é único e irrepetível, fato que já foi dito e redito por muitas pessoas.
Aliás, cada ser vivo porta dissemelhanças em relação com sua espécie, e é esta uma das razões pelas quais os seres vivos continuam se reproduzindo e seguindo adiante em meio às tantas dificuldades do meio ambiente (algo assim foi dito por Darwin).
Dito isto, desejo muito boa sorte aos gêmeos e êxito nas pesquisas, que devem ser de algum modo para o bem da humanidade.