4 de junho de 2026

MP pede prisão para ex-diretora da ANAC por acidente da TAM em 2007

Do Estadão

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Nas alegações finais da ação, MPF recomenda à Justiça Federal a condenação de Denise Abreu, da Anac, e de Marco Aurélio Miranda e Castro, da TAM. Acidente matou 199 pessoas
 
Fausto Macedo – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A Procuradoria da República pediu pena de até 24 anos de prisão para a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu e para o ex-diretor da TAM Marco Aurélio Miranda e Castro como responsáveis pelo acidente do voo JJ3054, em 17 de julho de 2007, no Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo. Na tragédia, morreram 199 pessoas.

Conforme antecipado nesta segunda-feira, 7, pelo Estadão.com.br, em alegações finais do processo na Justiça Federal, o procurador da República Rodrigo de Grandis defende que Denise e o então diretor de Segurança de Voo da TAM sejam condenados por atentado contra a segurança de transporte aéreo. Para ele, os dois assumiram o risco de expor a perigo as aeronaves que operavam em Congonhas e pede a alteração da imputação penal, de culposa, cuja pena máxima é de 4 anos, para dolosa.

Caso a Justiça confirme a conduta dolosa e condene Denise e Castro, a pena será em regime fechado. As alegações foram apresentadas na sexta-feira.

Processo. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) foi recebida pela Justiça em julho de 2011. Inicialmente, os réus – além de Denise e Castro, o vice-presidente de Operações da TAM Alberto Fajerman – foram denunciados culposamente, quando não há intenção.

No decorrer do processo, entretanto, a partir da análise dos elementos tomados e dos depoimentos de várias testemunhas e dos próprios réus, o MPF se convenceu de que tanto Denise quanto Castro assumiram o risco por eventuais acidentes. “Com efeito, as condutas de Marco Aurélio (Miranda e Castro) e Denise (Abreu), no dia 17 de julho de 2007, levaram à completa destruição da aeronave Airbus A-320, matrícula PR-MDK, bem como de um prédio de terminal de cargas aéreas da TAM Express.”

Segundo a procuradoria, Denise “chegou a ludibriar uma desembargadora federal e, por consequência, a própria Justiça Federal, para conseguir a liberação da pista principal do aeroporto. Ela afirmou à Justiça que a chamada IS-RBHA 121-189, sobre as condições de pouso em pista molhada, seria uma norma válida e eficaz, quando, na verdade, era apenas um estudo interno da Anac”.

Com base no documento, a Justiça foi convencida a liberar operações na pista, suspensas por decisão de primeira instância, pouco antes do acidente.

Segundo a procuradoria, Castro foi alertado mais de uma vez, por pilotos da empresa, sobre os riscos de operação no aeroporto, mas não deu aos relatos a devida atenção. “Ele tinha, portanto, conhecimento das péssimas condições da pista e dos riscos que ela proporcionava, mas foi deliberadamente omisso ao deixar de transmitir as informações aos órgãos e setores competentes.”

Em relação ao réu Fajerman, a procuradoria avaliou que não foram obtidas provas suficientes para sua condenação e pede sua absolvição.

Defesa. O criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que defende Castro, disse que o pedido de condenação “com certeza não será acolhido pela Justiça em face das frágeis alegações do acusador”.

“Tal fragilidade já decorre da própria denúncia, que não soube com clareza definir a modalidade de conduta atribuída ao acusado”, disse Oliveira. O criminalista destaca que, no curso da instrução processual, “ficou demonstrado, isto sim, que o acidente aconteceu por razões alheias à qualquer conduta do acusado, pois tecnicamente se comprovou o manejo errado das manetes por parte dos responsáveis pelo voo”.

Oliveira contesta com veemência as alegações finais. “A imputação de conduta omissiva causa mais estranheza quando se observa que nenhuma companhia aérea, e portanto o acusado, tem competência para suspender voos, liberar ou abrir pistas.”

Roberto Podval, que defende Denise, reagiu com indignação. “Me parece um absurdo ela ser a grande responsável. Denise é advogada, não tem nenhum conhecimento técnico sobre aviões e passa a ser responsável pelo acidente. Estão usando Denise como bode expiatório.”

 

Redação

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16 Comentários
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  1. JB Costa

    8 de abril de 2014 1:13 pm

    Seria leviandade opinar

    Seria leviandade opinar taxativamente acerca desse pedido do Ministério Público porque: 1) Não sou jurista. 2) Não conheço o Processo e portanto em que está ancorada a peça de acusação.

    Entretanto, a  primeira vista isso parece um exagero. Uma tragédia não vai ser atenuada pinçando e condenando tão drasticamente  bodes expiatórios. Se houve negligências por parte dos dois acusados, ou seja, delitos de caráter culposo, por que o parquet apela para uma condenação tão drástica? Só para “uma resposta à sociedade; particularmente aos familiares das vítimas”. Ou vão querer me convencer que os dois acusados agiram ou deixaram de agir com o propósito de vitimar quase duzentas pessoas?

    Isso seria apenas vingança. Pior, injusta. Houve toda uma cadeia de eventos e a participação de inúmeros atores nesse drama,  incluindo os próprios pilotos e a pane nos equipamentos. 

    São esses tipos de arroubos que arranham a imagem dessa instituição, de resto tão importante para a estrutura legal do país. 

  2. Ricardo Cesar

    8 de abril de 2014 1:25 pm

    Xiiiiiiiiiiiiiii, ela era

    Xiiiiiiiiiiiiiii, ela era amiga do FJ. Dirceu, não? Ou foi nomeada por ele. Se cair no jb……

  3. Dulce (Madame X)

    8 de abril de 2014 1:43 pm

    É a “CAÇA ÀS

    É a “CAÇA ÀS BRUXAS”…

    Passarei a inverter as letras, do partido que tem o meu voto. Em vez de “PT”, ´passarei a ser “TP”. Dá prá “dissimular” com “TPM”, e quem sabe …os eleitores escaparão da FOGUEIRA! Mas MEU VOTO, ninguém tasca!

  4. João Maria Fernandes de Sousa

    8 de abril de 2014 1:45 pm

    É incrível a simbiose do

    É incrível a simbiose do nosso MP com o PIG e a oposição!!!

    Denise vai ser mais um itém do cardápio em 2014, em breve teremos novamente no JN as análises de groovings e outras nuances de segurança em aeronáutica.

  5. Maria Luisa

    8 de abril de 2014 1:52 pm

    Que seja feita justiça

    Parece que nesse caso, de Grandis esta atuando.  Os citados, tanto da Tam quanto da Anac, segundo o que se lê, foram mais que omissos, foram irresponsaveis com vidas humanas. Dos que trabalhavam no aeroporto, dos tripulantes e dos passageiros Os que perderam filhos, pais, avos, amigos, amores ali, sabem a dor que é perder alguém por causa da ganância alheia.  

    1. Anarquista Lúcida

      8 de abril de 2014 9:43 pm

      Mas daí a dizer q se trata d crime doloso há uma senhora distânc

      Putz, isso é um exagero, e nao tem vantagem nenhuma para a sociedade uma condenaçao dessas. Se os acusados forem presos, mesmo em regime semi-aberto, já é puniçao suficiente, e eles nao representam mais um perigo para ninguém. O exagero pode até levar a justiça a inocentar os réus. Vontade de aparecer do promotor. 

  6. Jose de Almeida Bispo

    8 de abril de 2014 2:12 pm

    De Grandis???
    Mais que

    De Grandis???

    Mais que previsível!

  7. janes salete

    8 de abril de 2014 2:33 pm

    Loucos estão sincronizados

    Loucos estão sincronizados para retornarem ao poder. Nossa justiciaria está totalmente envolvida nessa tarefa de bandidos mafiosos.

  8. Geraldo Siqueira

    8 de abril de 2014 2:49 pm

    Esse De Grandis não é aquele

    Esse De Grandis não é aquele safado que arquivou a investigação da Alstom/Metrô ? Ninguem apresentou denuncia contra esse elemento ?

  9. Geraldo Siqueira

    8 de abril de 2014 2:49 pm

    Esse De Grandis não é aquele

    Esse De Grandis não é aquele safado que arquivou a investigação da Alstom/Metrô ? Ninguem apresentou denuncia contra esse elemento ?

  10. JoselitoSN

    8 de abril de 2014 4:27 pm

    De Grandis, aquele que pega

    De Grandis, aquele que pega pesado com Haddad e leve com Alckmin? (no caso do Alckmin, na verdade, só um equívoco, arquivou na gaveta errada! E agora, a justiça não aceita denúncia porque os crimes estão prescritos! – Golaço de placa!)

  11. Roberto

    8 de abril de 2014 4:43 pm

    OACI/ICAO anexo 13

    Acusações e Punições Agem Diretamente Contra os Interesses da Prevenção de Acidentes
    A investigação técnica de segurança de vôo é conduzida conforme a OACI define em seu Anexo 13, como uma ação cujo propósito deve ser, exclusivamente, a prevenção de acidentes, não havendo, portanto, o propósito do estabelecimento de culpa, que é inerente das ações policiais e jurídicas, exercida por aqueles que tem a responsabilidade de proteger a sociedade. Entretanto, essa ação não deve ser confundida e, portanto, deve ser conduzida de forma independente das ações especificas de segurança de vôo.
    A punição disciplinar por causa de um erro pode ser injusta e, portanto, perigosa, por deixar de considerar o PORQUÊ desse erro que na realidade, vem definir a verdadeira responsabilidade envolvida.
    Também, o piloto é o elemento localizado no final da cadeia de acontecimentos que, muitas vezes, recebe e deve suportar o peso do erro cometido por outros em época e local anteriores a ele. Por isso, ações punitivas somente devem ser adotadas se houver indicação clara de culpa.

     

    Texto completo no link abaixo:

    http://www.segurancadevoo.com.br/show.php?not=77&titulo=1

  12. LC

    8 de abril de 2014 5:37 pm

    A culpa é dos pilotos, do PIG e do Piloto Joaquim Barbosa

     

    Segundo a procuradoria, Denise “chegou a ludibriar uma desembargadora federal e, por consequência, a própria Justiça Federal, para conseguir a liberação da pista principal do aeroporto. Ela afirmou à Justiça que a chamada IS-RBHA 121-189, sobre as condições de pouso em pista molhada, seria uma norma válida e eficaz, quando, na verdade, era apenas um estudo interno da Anac”.

    Com base no documento, a Justiça foi convencida a liberar operações na pista, suspensas por decisão de primeira instância, pouco antes do acidente.

     

    Se isso é verdade, então ela é responsável e ponto final.

    Os fanáticos aqui do blog chegam a ficar do lado da TAM e da Anac em um caso em que centenas de famílias perderam seus entes queridos.

    Tem que ser assim mesmo, esse governo é totalmente indefensável, aí o jeito é procurar fantasmas aterrorizantes. Em 64, o comunista comedor de criancinhas; na era FHC, o “sapo barbudo”, e agora, o PIG e o Joaquim Barbosa…

  13. Sergio Saraiva

    8 de abril de 2014 5:51 pm

    De Grandis groove music.

    Do reverso pinado ninguém fala nada?

    Do avião com tanque cheio de combustível para não pagar o ICMS de São Paulo ninguém fala nada?

    Do avião voando no limite do excesso de peso pousando em pista curta ninguém fala nada?

    O problema é o groove.

  14. zanuja castelo branco

    8 de abril de 2014 10:46 pm

    O defeito foi na aeronave e

    O defeito foi na aeronave e isso ficou provado com a investigação da aeronáutica e do fabricante. Estão tentando salvar a cia responsável imputando culpa em quem não tem.

  15. Galvão

    9 de abril de 2014 12:09 am

    Esse processo…
    estava na pasta correta. E o piloto que usou errado o auto reverse: Vai ficar impune?

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