Jornal GGN – Após dois dias de realização de lucros, a bolsa brasileira voltou a subir e encerrou o dia no maior patamar desde o final de novembro. O fluxo de capital estrangeiro e a divulgação de pesquisa que aponta queda da presidente da Dilma Rousseff ajudaram o índice de negociações a voltar ao patamar de 52 mil pontos.
O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) encerrou a segunda-feira em alta de 2,10%, aos 52.155 pontos e um volume negociado de R$ 7,378 bilhões. Agora, o índice acumula elevação de 1,32% no mês, mas baixas de 0,83% no ano e de 6,53% em 12 meses.
“O Ibovespa abriu em alta e manteve trajetória positiva ao longo de todo o pregão, com volatilidade reduzida. Na hora final, o índice melhorou um pouco mais e chegou a se aproximar de uma resistência, próximo aos 52.300 pts.”, dizem os analistas do BB Investimentos, em relatório.
Um dos pontos de referência do dia foi a pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, mostrando que a presidente Dilma (PT) perdeu 6 pontos porcentuais, para 38% das intenções de voto – mesmo assim, ela seria reeleita no primeiro turno. Os seus prováveis adversários, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), registraram 16% e 10% das intenções, respectivamente.
Ao mesmo tempo, a continuidade do ingresso de capital externo vem mantendo o índice doméstico em trajetória ascendente desde meados do mês passado. De acordo com o BB Investimentos, a tendência altista ganhou força após o Brasil, apesar de ter sua nota soberana reduzida – que já estava “no preço” (como se diz no jargão de mercado), teve sua perspectiva alterada de negativa para estável em 24 de março próximo passado. “Enfim, claramente, os agentes tinham exagerado em seu consenso de precificação desfavorável para o País. Assim, o descolamento negativo em relação à Wall Street se reverteu no ano, com o índice brasileiro registrando ganho de 1,26%, contra baixa de 2,00% do Dow Jones, bem como, reduziu a diferença da variação nos últimos 12 meses, com o índice doméstico ainda caindo 5,26%, versus alta de 11,52% do índice norte-americano”.
No câmbio, a cotação terminou a sessão com queda de 1,20%, a R$ 2,2170 no mercado à vista no balcão, o menor nível desde 30 de outubro do ano passado (R$ 2,1950).
Segundo informações do serviço Broadcast, da Agência Estado, as negociações foram influenciadas por uma série de fatores. No cenário interno, uma emissão externa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no valor de US$ 1,5 bilhão sugere fluxo positivo nas próximas semanas e a queda da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas de opinião também colabora para a retração da moeda. No exterior, o relatório do mercado de trabalho nos EUA (payroll) continua repercutindo, ao passo que a renovada tensão geopolítica na Ucrânia favorece moedas mais seguras, como o iene.
Para terça-feira, os agentes vão acompanhar a divulgação do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No exterior, o foco ficará nos dados da balança comercial da França, produção e estimativas para a indústria na Inglaterra e o anúncio de mudanças na política monetária do Japão.
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