Meu instinto é rápido para engatilhar meus olhos nas curvas de uma mulher; sou o mais rápido do Velho Oeste. É sério! Tanto que no Ensino Médio um garoto me apelidou de “Radar”: “Eai, Ra-ra-ra… Radar!” Sim, o coitado era gago. Felizmente o apelido não pegou.
Ai da mulher que se atreve a sair com um decote ousado, pois é ali que meus glóbulos oculares mirarão, fulminarão com vontade. A operação de “olhar” é delicada como uma cirurgia, feita com muita discrição como uma transação de drogas, ademais, não quero ser flagrado agindo como um porco – coerção social enche o saco, portanto respeitemos as regras básicas de convívio. O resto do corpo acompanha esse engatilhar sem pestanejar – sobre isso não entro em detalhes em respeito ao que resta da minha reputação, a qual já perdeu o “re”.
Já estou familiar com essa reação das minhas lentes e carcaça de carne (meu corpo); adoram a forma de uma mulher e valorizam ainda mais um corpo escultural feminino quando sua peça principal, o rosto, foi bem modelado pelos genes de quem o esculpiu. Como não valorizar mais ainda uma escultura se no topo dela jaz uma pedra preciosa?
Meus olhos: dupla de armas com munição infinita cuja mira trava na forma de uma mulher, e na forma somente (forma que só mente e acaba diversas vezes por se mostrar oca e sem conteúdo).
Sei como um romance engatilhado pelos meus olhos acaba: queima tal como pavio de pólvora, é tudo efêmero, instantâneo e enjoativo. Mulheres não são objetos, porém muitas portam-se como se fossem – e com esse tipo não planejo ter família. A minha amada tem conteúdo, é rica por dentro e transborda beleza por fora, recheada de surpresas e mistérios. Talvez eu a tenha achado, talvez não; talvez ela já tenha me achado e falta eu achá-la. “Vamos lá, saia de onde você estiver; somos grandes demais para brincar de Esconde-Esconde (do amor).”
Meus olhos foram bem treinados, mas não enxergam o mais importante numa mulher.
Deixe um comentário