Jogam-lhe um xingo paralisante, te atravessam com um comentário que te deixa sem palavras, te interpelam e te deixam mudo – às vezes é assim. Ficar sem chance de contestar por mais que se tenha muito a dizer; eis uma sensação horrível.
Minutos depois a resposta perfeita vem, mas o sujeito com quem você discutia já está muito longe; o momento passou e você tem que engolir o fato de ter perdido uma discussão. Você afunda as mãos no rosto e solta um palavrão abafado pelas palmas.
Eu odeio esse sentimento, de poder ter dito algo crucial numa conversa e deixar de fazê-lo. Fico imaginando uma cadeia infinita de possíveis acontecimentos com várias continuações e ramificações diferentes que seriam fantásticas se eu fosse um pouco mais ousado. Talvez eu esteja sendo exigente demais comigo mesmo. E como não ser hoje em dia? Tem cada vez mais gente nascendo e menos morrendo – graças à Ciência (vida longa aos cientistas!); e não precisa nem ter tido aula de Geografia para saber disso. A competição está acirrada – cada vez mais. A mídia e seus estereótipos (de beleza, de status, de tudo) vão te enlouquecer se você permitir. Eu não a sigo à risca e tenho dó de quem (tenta) seguir.
Falando em mídia… E o Big Brother? Então, rapazes, quer dizer que é legal ficar babando ao ver várias gostosinhas em sua intimidade? Saiba que elas estão pouco se fodendo se você as assiste. Elas querem mesmo é saber em qual capa de revista pornográfica posarão uma vez que saírem do programa. Por que dar sequer um pingo de consideração para sujeitos que passaram por critérios superficiais e rasos para estar ali? Não passam de mocinhas e mocinhos desejando um ao outro dentro de uma cela bem-decorada. É um zoológico de humanos e outro de telespectadores. É por isso que me recuso a ver esse tipo de programa. Além do programa ser clichê, você se sente um nada; como se sua vida fosse inválida, um zero, você observa os “brothers” enjauladinhos e criando picuinhas entre si. Exibem seus corpos tonificados e sem falhas, mantendo sua visão e mente entretidas (hipnotizadas). Isso se não é tudo encenado. Mas quem liga, certo? O coitado que religiosamente sintoniza na Globo numa hora dessas pensa: “Minha vida tá uma bosta. Mas… pera, olha só essa gente bonita na Globo! Como eles brilham, como têm vida! Vou assistir. Melhor do que encher a cabeça com coisas produtivas e lidar com a realidade. Sim, senhor. Muito melhor. Dá a licença, né. Sou brasileiro; me deixa ser imbecil, é meu direito.” Deixo, sim. À vontade.
Um banho gosmento de conformismo. Muitos tem o usado para se aliviarem do excesso do peso de suas vidas.
Ademais, essa mensagem não é para esse brasileiro que eu caricaturei acima, é mais um desabafo, mesmo. Que se dane. Espero de verdade que o PT e o PCC engulam de vez o país para que os militares, finalmente, façam alguma manobra. Mas antes disso, o circo tem que pegar fogo. Engraçado, jurei a mim mesmo que não iria mais falar sobre política e acabei falando. Eita, contradição.
E sobre o Pedro Bial: eu aposto meu lado racional, meu ânus e minha vida que ele tem a mesma opinião que eu sobre o próprio programa que ele apresenta. É que ele recebe bem para fazer papel de trouxa no BBB. Escrever textos para a massa, fáceis de ler e sem conteúdo, não dá grana. Aí ele vai pagar de “papai” dos “brothers”, um pseudo-tutor, uma espécie de semi-deus, uma aparição num telão que dá ordens àqueles cabeças-ocas fabricados por um padrão de beleza “enjoadinho”. Espero que você se lembre desse texto toda vez que ouvir falar desse programa cuja validade já devia ter expirado.
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