Sonhar é sempre uma aventura – no sentido literal, sabe? Me refiro ao ato do cérebro de gerar histórias mirabolantes mediante o que nosso inconsciente guarda. Eu gosto de sonhar; é uma passagem de graça de fuga da realidade – e como nasci avarento, tudo que vem de graça para mim é mil vezes melhor uma vez que não paguei para tê-lo. Olha, admito sem medo que, se eu pudesse, viveria incubado e sonhando o resto da minha vida. E eu pouco ligaria se meu corpo definhasse na dimensão real, pois lá (no mundo dos sonhos) eu tudo posso, aqui eu tenho amarras. Aqui a gravidade me puxa constantemente contra o chão, lá não existem regras físicas para me limitar. Lá o estilo de vida é “Sem Limites”. É, que nem o filme lá que o cara toma umas pílulas e vira um ninja-escritor-comedor-gênio da noite para o dia.
Numa dessas aventuras recentes, no mundo de Morfeu, eu fiz algo que sempre quis: fiz sexo com uma conhecida. Ok, para vocês entenderem a magnitude da coisa preciso, primeiramente, descrever essa conhecida. [Nomes não serão citados em respeito à imagem e nome dela, a quem muito estimo]
Ela é uma psicóloga com seus… o quê? 30 e poucos anos? Deve ser. Morena – minha cor predileta de cabelo. Pele alva e um pouco oleosa. Engraçado que, ao invés de sua pele me causar nojo ou qualquer tipo de aversão, me faz preza-la ainda mais. E isso eu já conectei com o fato de eu um dia ter sido um “chokito-acneico”. Quanto ao corpo dela, eu sei isso: não é de atriz pornô, mas sei que tira o fôlego do motorista que breca o carro para deixa-la atravessar a faixa de pedestres.
Antigamente, há uns 4 anos, quando eu estava com meu intelecto ainda em fase embrionária, ela me chamava carinhosamente de “pequeno bezerrinho”. Eu a conheci na internet numa época em que eu fazia quase nada no escritório de advocacia do meu tio; trabalhava como estagiário e tinha a minha disposição a internet, e,por consequência, o Facebook. Nesses tempos ociosos de estágio, eu consegui a proeza de adicionar 2000 pessoas no meu perfil. Pessoas que eu nem conhecia. Essa mulher-psicóloga veio no pacote. Nunca tive uma brecha clara dela para comigo, embora tenha tentado algumas investidas vazias de resultado por conta de serem produto da impulsividade de um universitário recém-nascido no mundo dos adultos.
Enfim, por conta desse sonho recente no qual transamos, pensei “E se for um sinal divino? E se… for para eu dar um ‘oi’? Pro inferno com isso. Não custa tentar!” E lá fui eu, com raspas e restos etéreos de esperança, dar um “oi” a ela pelo Facebook:
Eu:
já parou pra pensar que… eu tenho um puta dum potencial?
acho q não né? não parou nem pra ler o q eu escrevo. o q eu escrevo é uma prova clara d q eu não sou qlqer “moleque”.
sendo assim,sugiro que faça duas coisas:
leia, ao menos, um texto q eu escrevi recentemente no Lg Razgriz (facebook).
Dps considere q cada dia q passa vc deixa vazar a chande de me conhecer enquanto eu ainda sou jovem,acessível, e desconhecido na literatura brasileira. Considere tb q vai chegar um dia q o quesito idade vai ser muito forte e vai afastar o interesse q eu tenho por vc.
Tenho mais pra dizer, mas preciso da sua colaboração.
Hahahaha
Ela:
Sim, vc é inteligente, escreve bem e com uma boa gestão emocional somada à leitura de livros grossos seu sucesso será inevitável. No mais, o quesito idade já é muito forte para que eu não me interesse por vc. Não tenho mais a dizer e agradeço a sua colaboração.
Eu: vc, por um acaso, ja me viu pessoalmente? como pode me dizer ja d antemao q “ja eh tarde”? ja sai, inclusive a pouco tempo, com uma mulher da sua idade (advogada). nao entendo sua relutancia e descrença.
por que nao admite de uma vez que seria demais p vc, perante conhecidos, sair c um cara novo? esse tabu eh grosso demais p vc? se for tao grosso qto os livros q eu tenho lido, entao…
Ela:
Rapaz, entenda que até para conhecer vc pessoalmente eu teria que ter um pré-interesse. Acontece que não tenho e o problema não é vc, mas o fato de eu não estar disponível. E se estivesse, a sua faixa de idade não é a minha preferencial e isso nada tem a ver com tabu, mas com critérios.
Eu:
vc só trocou a palavra critérios por tabus
nossa, to ficando bom em argumentação
percebi q vc n falou nada com nada – com a ressalva de NÃO estar disponível
n podemos sair – nem como amigos? estimo mto vc
Ela:
Não.
Eu:
kkk
cheguei bem perto
mais do q nunca
estou feliz
Fiquei feliz mesmo. Ganhei um elogio e uma profecia de que vou me dar bem na escrita – morenas? Como ela, como outras, como todas; elas existem. Sempre quis fazer um trocadilho usando a preposição “como” e a conjugação do verbo “comer” na primeira pessoa. Fui ali soltar fogos para comemorar o ato memorável. Já volto.
Encontrei o Bolsonaro soltando fogos em políticos do PSOL e PT. Aproveitei para cumprimentá-lo.
Bom, voltando… eu tentei avisá-la. Vejamos agora o quanto do meu amor-próprio vai sobrar quando eu ficar famoso, porque aí quem vai dar o “Oi” vai ser ela. E é bom que eu fique famoso, o mais cedo possível; senão vai ficar feio para mim.
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