16 de junho de 2026

Brasil precisa ter “cautela” para embate entre Moraes e Big Techs não virar “crise política” com os EUA, diz Rubens Barbosa

Ao GGN, diplomata diz que Brasil precisa analisar friamente o contexto, pois depende dos EUA na questão do aço, alumínio e etanol
Imagem: Stefani Reynolds/AFP; Antonio Augusto/SCO/STF)

O ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, disse em entrevista exclusiva ao canal TV GGN, que o governo federal sob Lula precisa ter cautela no modo de reagir ao embate entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e as empresas e agentes dos Estados Unidos, sob o custo de transformar uma “crise” que deveria ser resolvida de maneira técnico-jurídica numa “crise política” que pode afetar os interesses comerciais do País.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, Barbosa criticou a resposta do Itamaraty à nota de um órgão ligado ao Departamento de Estado americano, que atacou decisões tomadas por Moraes contra redes sociais dos EUA – entre elas, o Rumble – que se recusam a obedecer ordens judiciais. Embora a resposta da diplomacia brasileira tenha sido, segundo Barbosa, genérica e sem menção direta ao STF e Elon Musk, dono do X, o Itamaraty deveria ter deixado a resposta técnica para algum órgão equivalente ao que emitiu a nota pelo lado dos americanos.

“Eu acho que a nota deveria ser respondida, mas deveria ser respondida em nível técnico, não em nível diplomático para não politizar o assunto e envolver o governo brasileiro”, disse Barbosa ao GGN.

Quanto aos ataques sofridos por Moraes, Barbosa acredita que o próprio STF deveria responder institucionalmente, justamente para não envolver o governo federal uma potencial crise diplomática.

“Para evitar a politização, a resposta deveria ter sido feita pelo Supremo, porque esse assunto não é um assunto do governo, é uma questão jurídica em que a legislação brasileira tem que ser cumprida, não há menor dúvida disso.”

Na visão de Rubens Barbosa, a cautela é necessária porque “não estamos entrando em choque com qualquer país. Estamos entrando em choque com os Estados Unidos e com quem é o hoje o sujeito que tem mais influência lá [Musk].”

Barbosa lembrou que o contexto em que esse “choque” está acontecendo precisa ser levado em conta antes de cada reação do Itamaraty acontecer. Ele lembrou que Trump tomou posse deflagrando uma série de taxações pelo mundo, que vão impactar negativamente nos negócios brasileiros também. Em outras palavras, seria de bom tom evitar cutucar a onça com vara curta, para não piorar a situação.

“Nós estamos dependendo dos Estados Unidos na questão do aço, na questão do alumínio, daqui a pouco na questão do etanol. Como é que a gente vai negociar com eles, se a gente tem um ‘caso político’?”

Barbosa também alertou sobre a influência da oposição brasileira em Washington, que estaria buscando apoio da ala direita do governo americano, enquanto não se tem notícia de que o governo Lula tem reforçado o canal de comunicação oficial com os EUA.

“Não tenho nenhuma informação sobre um canal aberto pelo nosso governo no governo Trump, em nível de presidência da República ou de assessores presidenciais e nem em nível de departamento de Estado. É possível que que haja, mas a gente não está sabendo. Então, enquanto existe essa dificuldade do lado do governo, a oposição ao governo Lula está solta lá em Washington fazendo, acontecendo, propondo e conseguindo o ouvido dessa ala que hoje governa, que é a ala da direita.”

Relações internacionais

O embaixador também abordou a questão da relação do Brasil com a China, defendendo a decisão do governo brasileiro de não aderir à Rota da Seda, argumentando que isso permite ao Brasil negociar com os chineses sem gerar atritos com os Estados Unidos.

Barbosa também emitiu a opinião de que o governo brasileiro deveria se concentrar nas áreas onde, de fato, tem protagonismo, evitando se envolver em pautas que não tem porte para negociar, como é o caso da guerra da Rússia contra a Ucrânia e de Israel contra o povo palestino.

Para o diplomata, o Brasil tem força em três áreas hoje: segurança alimentar, meio ambiente e transição energética. “Por isso que a minha posição é defender uma posição de cautela do Brasil, da gente não se meter onde não tem força. A gente tem força em três áreas.”

Em relação à taxa de juros no Brasil, Rubens Barbosa afirmou que a inflação é controlada pelo câmbio e que a taxa Selic é uma armadilha, pois atrai capital especulativo e aumenta a dívida pública. Ele defendeu a necessidade de uma articulação internacional para conter o livre fluxo de capitais e evitar a volatilidade cambial.

O embaixador também criticou a privatização de escolas públicas em São Paulo, defendendo que a educação deve ser priorizada e que a gestão pública é fundamental para garantir a qualidade dos serviços. Ele também expressou preocupação com a influência da extrema direita no Brasil, especialmente em relação à eleição de senadores, e alertou sobre o risco de um processo de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

Assista a entrevista completa abaixo:

Este texto foi escrito com auxílio de I.A. e editado pelo time de jornalistas do GGN.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

9 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    28 de fevereiro de 2025 3:39 pm

    Discordo. A destruição criativa de que falou Joseph Schumpeter não colocava em risco nem o Estado, nem a democracia, nem a população. Infelizmene ela é coisa do passado distante e enterrado sob bilhões de toneladas de bullshit, porque os Biggus Dickus das empresas de tecnologia e seus bonecos de ventrículos na política estão convencidos de que quanto maior a destruição econômica, institucional e social que eles produzem maior seram os lucros que será obtido antes,durante e depois das tragédias políticas e militares que eles ajudam Trump e seus clones causar. Nada nem ninguém pode se opor a eles. Os barões dos dados ambicionam um mundo sem Lei, sem Justiça e sem Estado com alguns reis: os donos de Big Techs.
    Nesse contexto é preciso abrir a caixa de ferramentas e começar a remover os parafusos algoritmícos do “fascismo democrático” com marretadas. Caso contrário, não restará nada do país.

  2. João

    28 de fevereiro de 2025 4:20 pm

    Sigilo na Internet.
    Você sabia que uma repartição tem um atrevimento de expor a intimidade da internet das pessoas.
    Você sabia que a repartição ofende as pessoas.
    Você sabia que existe um Direito na Constituição Federal do Brasil de 1988 pertinente à vida privada das pessoas.
    A vida privada das pessoas deve ser protegida.
    É uma perversidade.
    Estas pessoas são asquerosos.
    É uma ofensa ao Estado Democrático de Direito.
    Estas pessoas são tiranas.
    É uma máscara que os comunistas usam.
    É insuportável a situação que o Brasil atravessa.
    É um declínio.
    O Brasil sofreu um baita tombo.
    É obrigatório corrigir o rumo.

    1. Lopes

      1 de março de 2025 12:03 pm

      Seu comentário ficou meio cifrado, com uma estrutura um tanto esquisita. Mas se eu bem entendi, o que posso dizer é que o declínio civiliztório atual decorre da expansão do neofascismo, protagonizado no Brasil pelo bolsonarismo. O que se vive no Brasil exatamente hoje, é uma tentativa de recuperação do desastre recente causado pelo bolsonarismo em diversas esferas, combinada com uma postura de resistência às provocações desse grupo que persiste tentando impor sua cultura da imbecilidade. Não é demais repetir que liberdade não implica em libertinagem. Os fascistas são historicamente conhecidos por usar as liberdades para requererem liberdades extraordinárias e à margem da lei para si, para, posteriormente, negar liberdades elementares àqueles que não se enquadrarem nos seus padrões nocivos Não, não há nenhuma situação insuportável ocorrendo derivada da necessária defesa do Estado Democrático de Direito em curso, que diariamente é ameaçado pelos neofascistas.

  3. Baco.

    28 de fevereiro de 2025 4:30 pm

    O embaixador tem, em parte, razão.

    O poste (Brasil) não mija no cachorro (EUA).

    Mas soberania não se exerce só um bases cartesianas, ou melhor dizendo, a diplomacia, uma das ferramentas do exercício soberano da geopolítica, precisa de tensão.

    Ainda que se trate de poste e cachorro.

    A questão aqui nem é concordar, ou não, com esse tensionamento, acho que nem há muita escolha, dadas as diretrizes dos patrones do Norte, e as atuais circunstâncias históricas.

    O cerne do problema, que o embaixador não percebeu, ou escolheu não perceber, é que não caberia a um juiz, ainda que de corte suprema, ou constitucional, como dizemos por aqui, esse embate geopolítico e diplomático.

    Afinal, quem é o presidente desse galinheiro?

    Tem?

  4. Baco.

    28 de fevereiro de 2025 4:37 pm

    Por outro lado, o embaixador está erradíssimo quando argumenta que se trata de uma crise, e que deve ser tratada no campo técnico jurídico.

    Com todo respeito, técnico jurídico!?????

    Um presidente, em nome de interesses de um empresário-assessor, colocando em ação uma política externa híbrida público-privada, resolve atacar um juiz do STF, e o embaixador chama a “técnica jurídica”?

    É essa a excelência da nossa escola de diplomatas?

    Outra coisa, isso não é crise, é modelo.

    Portanto, devemos entender que o jogo mudou, e Trump e Cia são só o começo.

    Ou pior, são apenas espantalhos.

    Que bom que o bom embaixador está aposentado.

    Ufa!

  5. +almeida

    28 de fevereiro de 2025 11:06 pm

    Eu entendo que o canal diplomático é o caminho mais representativo e mais objetivo, para amenizar e até encerrar as tensões e provocações entre governantes e principalmente, entre governos.
    Contudo, a bem do respeito e da reação adequada, jamais deve-se dar asas ao abuso da intolerância e do descontrole.

  6. Paulo Dantas

    1 de março de 2025 9:02 am

    Diria que meio que tanto faz pois os caras vão arrumar briga de qualquer jeito.

    Basta ver o encontro de ontem com o Zelensky.

  7. Rui Ribeiro

    1 de março de 2025 11:48 am

    A estrela das Big Techs não brilham e, por isso, elas tentam ofuscar a estrela do DeepSeek, com ataques hackers

  8. jair ayres borba

    1 de março de 2025 8:30 pm

    O diplomata Barbosa está equivocado, diante da afronta ao Estado Brasileiro e as leis internaionais.

Recomendados para você

Recomendados