Não é de hoje que há sentimentos de surpresa em conversas sobre política brasileira.
Por exemplo, o estranhamento entre militantes LGBT e o PT, as bipolares relações entre PSoL e a mídia, as confortáveis posições do PMDB e PSB para realizar alianças políticas.
Quando queremos entender como a oposição atual, de várias tendências, planeja reduzir as possibilidades de PT/PMDB, é necessário pensar numa estratégia de ‘capturar’ os mais diversos descontentes. E que pode incluir o PMDB também, claro.
E descontentamento não é só de partidos, é de seus potenciais eleitores. E não se dá apenas nas questões sócio-econômicas, mas nas de valores também.
Só que a questão de valores é mais para ‘desempate’ (como nos EUA em várias ocasiões) e causa indignação apenas de um lado (fundamentalistas não perdem nada, no fundo, se suas demandas não forem atendidas.)
Se um conservador moral tiver que escolher entre patrimonialismo e antissecularismo, escolherá pelo primeiro. Por isso podem não votar para o PT para deputado, que em tempos recentes atende ao antissecularismo mas não ao liberalismo econômico, pois já têm partidos para ambas as necessidades (PP, PSC, PR, PRB, PTB.)
Mas se um secularista estrito (e em alguns casos ecologistas ou defensores de Povos Indígenas ou da redução do Estado Penal) tiver que escolher entre estatismo/desenvolvimentismo e secularismo, poderá escolher o segundo, pois lhes é uma questão de base, que causa indignação (ainda que o discurso convencional de esquerda não goste dessa realidade.) Aí não precisarão votar no PT também, pois têm opções à esquerda (PSoL e às vezes PCdB, que é mais tímido nas concessões ao conservadorismo) e também à direita (PV, PPS, PSB, Rede.)
Ilustro com meu exemplo pessoal. Embora eu me considere mais para social-democrata ou social-liberal que qualquer outra coisa, se tiver que escolher entre capitalismo de estado desrespeitoso a direitos LGBTs (e outros) e liberalismo inclusivo, ficarei com o último. Direitos civis precedem ideologia na minha decisão. É por haver um grupo crescente de pessoas assim (apelidados jocosamente em redes sociais de ‘descolados’, ‘coxinhas’ ou ‘esquerda que a direita gosta’) que segmentos políticos de direita, inclusive mídia, buscam fazer um discurso mais modernizante em valores, ainda que não em economia.
Imagine-se dois eixos em um quadro, como no “Political Compass”.
Eu plotei os principais sistemas políticos e partidos brasileiros para mostrar como eu (a estrelinha no desenho) estou muito mais próximo dos discursos de PSoL ou Rede, apesar destes estarem distantes entre si, e também de PSB, do que do discurso do PT atual.
É claro que é uma avaliação subjetiva, mas aí cada pessoa faz a sua. O importante aqui não é qualificar partidos, mas entender o processo geral.
O quadro também mostra porque existe coerência nos agrupamentos atuais de coligação governista e de várias oposições. Não há contradições, posto que não votam em bloco no Congresso, e é possível traçar uma linha divisória para eventuais situações de interesse.
Nos últimos anos quem mais me parece ter mudado de posição foi o PT, que abandonou o antigo discurso de Direitos Humanos em prol da coligação com partidos de direita fundamentalista. É uma decisão pensada, posta em prática pelo menos desde o final de 2009, e esse partido obtém ganhos de curto prazo com isso, como o tempo de TV em campanhas. Mas pode obter um prejuízo de longo prazo, à medida que não acompanha as tendências mais gerais no mundo, de caminho para posições mais libertárias.

ruyacquaviva
1 de abril de 2014 1:30 amPuro wishful thinking,
Puro wishful thinking, expressa apenas o que o autor do texto deseja.
Gunter Zibell - SP
1 de abril de 2014 2:47 amTalvez pudéssemos também dizer…
Que não expressa o que o colega desejaria, certo?
De qualquer modo, se partidos políticos vierem a fazer campanhas baseadas em valores (como o PV anunciou que fará), independentemente de acharmos se isso dará ou não certo, devemos conhecer as razões da estratégia.
Nos EUA o Pew Research faz há muito tempo pesquisas sobre a reação dos eleitores a valores. Divide o eleitorado em 9 células (a combinação de Republicanos-Independentes-Democratas com Conservadores-Moderados-Liberais) e para a política de lá é muito útil.
Obama usou muito de pesquisas feitas por think tanks para conseguir se reeleger em um panorama econômico adverso.
No Brasil os grandes partidos se aproximaram muito na sua prática em economia (o PT não reverteu nada do que o PSDB fez, nem o PSDB promete reverter nada do que o PT fez.)
E nessa situação é melhor saber de antemão o que pode ser usado em campanhas, mesmo que não venha a acontecer, do que ser pego de surpresa.
Será que torcer para que algumas coisas não existam/não aconteçam, não seria um wishful thinking também?
Ed Döer
1 de abril de 2014 2:30 amA análise é interessante, mas
A análise é interessante, mas extramente utópica ou idealista, partindo de um eleitorado ínfimo ou (quase) inexistente.
Mais de um quinto dos eleitores nem lembra em quem votou para deputado 1 mês depois das eleições. E em 4 anos, 70% já esqueceram em quem votaram para deputado. É preciso, infelizmente, sempre lembrar que nós, aqui no blog, interessados em política, somos uma “realidade paralela” e limitada para ser usada de base para qualquer análise do quadro eleitoral do país. Pois a análise está apoiada em conceitos e visões distantes do eleitor comum.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u78293.shtml
http://nominuto.com/noticias/politica/mais-de-um-quinto-dos-eleitores-nao-lembra-em-quem-votou-no-1-turno/64628/
Outro ponto para se considerar é que o eleitor brasileiro médio não escolhe deputado em função de partido ou de ideologia, pois se fosse o caso, lembraria em quem votou, provavelmente. Fora que os partidos brasileiros são legítimos “sacos de gatos”. Mesmo naqueles em que se pode observar algum tipo de programa ou conjunto de ideias, não é incomum rifar alguns valores quando a oportunidade exige. O PV fez isso para aceitar a Marina e o caso do PT dispensa comentários, até porque o autor do post vive batendo nessa tecla das consequências da aproximação com religiosos.
Provavelmente, a região dos candidatos acaba sendo BEM mais relevante que partido ou ideias na maioria dos casos, até pela atuação “local” dos deputados, trazendo investimentos e obras para seu “curral” eleitoral. O que explica deputados que não se lixam para a opinião pública ou atacam minorias, pois sabem que os seus votos estão mais que garantidos pela falta de um representante viável para aquela região no nosso sistema quase-distrital.
E ainda poderíamos entrar na questão do financiamento de campanha, que vicia o sistema. Quem tem mais capacidade de arrecadação, tem maior chance de eleição, pois consegue aparecer mais para um eleitor que vota de maneira superficial. E normalmente quem tem mais facilidade de arrecadar é quem já é parte do sistema, como vereadores, ex-prefeitos, deputados estaduais e por aí vai. Gente que é parte do status quo.
Aqueles poucos que “furam” as barreiras de entrada do sistema político, geralmente só conseguem por serem pessoas públicas (celebridades, atletas, etc), já BEM conhecidas pela população antes de se aventurarem na carreira política. E quando o fazem, o partido é irrelevante para a conquista da vaga, mas não para a possibilidade de levar um outro candidato de carona para o poder. Alguns podem até se mostrar surpresas agradáveis após sentarem na cadeira que conquistaram, mas a busca pelo cargo público geralmente é movida por necessidade financeira.
E segue uma pesquisa divulgada recentemente sobre o perfil dos representantes eleitos nas Assembleias Legislativas do país com alguns dados interessantes para leitura e análise. Destacaria que desde 1998 (primeiro ano explorado na pesquisa) a idade média do deputado estadual vem crescendo, o que poderia colaborar para um maior conservadorismo dos nossos legisladores. E também vem crescendo aqueles que se declaram “políticos profissionais”. Em 98 eram 17%, em 2010 foram 47%.
http://www.eg.fjp.mg.gov.br/index.php/docman/publicacoes-2013/134-analise-do-perfil-dos-representantes-eleitos-nas-assembleias-legislativas-brasileirasnova-publicacao/file
Por fim, acho que o que irá determinar a qualidade ou configuração do novo Congresso em 2014 são os fatores locais de cada microcosmos político estadual. Partidos que possuem candidatos fortes para o executivo estadual ou nomes bem estabelecidos na disputa para o Congresso, devem conquistar ou manter espaço. Enquanto aqueles que vem patinando localmente ou que por algum motivo perderam nomes de peso (trocas de partidos, falecimento ou mesmo aposentadoria) vão perder espaço. Observando ainda que dependendo do Estado existem partidos políticos que são mais fortes ou fracos que a “média” nacional, justamente em função da realidade local.
Gunter Zibell - SP
1 de abril de 2014 2:36 amTem razão,. Ed
A análise só serve, se serve, para esses 30% que lembram do deputado em que votaram.
Mas essa é a situação de quem frequenta este blog.
E só estou explicando (ou tentando explicar) porque alguns discursos e posições da oposição podem parecer a esses 30% mais coerentes do que é usual se considerar por aqui.
E muito boa observação: a Região dos candidatos é muito relevante. O discurso do PSDB de SP não é o mesmo do PSDB de PR. O discurso do PT de RS não é o mesmo do PT de PR. (Pelo menos não de seus governadores e candidatos a esse cargo.)
No Sul o PSB quase inexiste, no Nordeste é o PSDB que tem pouca influência.
Mas alguns pequenos partidos (PSoL, PPS, PV) andam tentando recuperar a perda que sofreram em 2010. Se a questão não é importante para a maioria, para a micropolítica e nichos, é.
Ed Döer
1 de abril de 2014 5:53 pmGunter,Muito do que falei se
Gunter,
Muito do que falei se aplica inclusive para os 30% com boa memória. O deputado aquele que pouco se lixava para a opinião pública, na época do caso, a imprensa local entrevistou moradores da cidade dele, e o que se via era apenas apoio, pois ele é o cara da região, já foi prefeito, tem status local, etc.
Fora o pessoal que já tem partido ou candidato de “carteirinha”, para o qual o discurso não vai fazer diferença. E aí entra até gente que vota no Bolsonaro e Feliciano.
Não seria má ideia viver num país onde o teu post fizesse bastante sentido, mas acho que estamos BEM longe dele. Até pela forma como o sistema funciona informalmente.
O cenário político brasileiro é construído de baixo para cima, começando nos municípios, com prefeitos e vereadores, passando pelos Estados, com seus deputados, senadores e governadores e só depois indo para o nível nacional em Brasília, onde são tratadas as “grandes” questões. Que também podem ser defendidas e abordadas localmente, mas sem o mesmo interesse ou destaque, inclusive por parte da mídia, que foca mais no aspecto “paroquial” do meio político.
ArthurTaguti
1 de abril de 2014 3:22 amA análise é pertinente, mas
A análise é pertinente, mas se adequa pouco a realidade brasileira.
A composição do nosso eleitorado é diferente do estadunidense, e o PT não é o Partido Republicano. No caso deste último, há um senso disseminado que a agremiação foi dominada pelo radicalismo intolerante do Tea Party, não só depois da vitória de Obama, mas desde Bush Jr.
Já o PT, o máximo que se vê na matéria são manifestações de em-cima-do-murismo por parte de membros do governo. Quanto aos parlamentares e dirigentes do partido, a posição é até de simpatizante. Isso não significa que não seja correta a assertiva que o PT contemporiza com o fundamentalismo religioso. Só acho que o grande público pouco ou nada percebe nisso, apenas militantes que acompanham de perto as idas e vindas dos projetos de lei e programas governamentais.
Em resumo: uma coisa é ser partido cujos membros espumam na TV, militantes são raivosos e fundamentalistas, igual o Partido Republicano. Outra coisa é um partido que, nos meandros do poder (que ninguém ou pouca gente acompanha), acaba cedendo nos bastidores, enquanto membros e militância geralmente possuem postura pró-Lgbt, igual o PT. Em termos de ganhos e perdas político-eleitorais, o prejuízo do PT nem é tanto.
Quanto ao eleitorado, se nos EUA funciona, é raro vermos no Brasil eleições tão polarizadas. Para ter alguma valia (e creio, pelas razões expostas acima, que não tem tanta aqui), a diferença tem que ser mínima, e a última presidencial, por exemplo, o foi por 12 pontos percentuais. Mesmo nos EUA, não se pode dizer que a eleição se deu por causa dos “valores”.
Liberais (militantes Lgbt’s, pessoas favoráveis a diminuição do Estado penal, etc) sempre tenderam a votar nos Democratas. As declarações do Obama no máximo reenforçou uma tendência. A questão é que a população estadunidense está ficando cada vez menos branca, e o eleitor típico republicano (branco, protestante, não-jovem) está diminuindo cada vez mais proporcionalmente.
Nas minorias, que hoje desempenham grande papel (negros, latinos, asiáticos) Obama venceu por larga margem, o que carimbou sua vitória e fez toda a diferença. Provável que o que deu a vitória pros Democratas foi o fator raça, por medo do Tea Party, de um governo red neck sei lá, e não um voto liberal que o partido sempre teve nas mãos.
Gunter Zibell - SP
1 de abril de 2014 3:05 pmPode ser, Arthur.
Mas a prática é mais importante que o discurso. Como disse o Hélio, bom seria pesquisar votações e proposições de projetos.
Eu acho muito mais perigosos lobos travestidos de cordeiro, pela dificuldade em combatê-los, do que os fanfarrões. Como você mesmo nota, é grande a dificuldade que temos para conscientizar as pessoas dos perigos do abandono do secularismo.
Isso que você fala, de que ceder ao atraso nos bastidores mas com postura moderna em público não dá grandes prejuízos no curto prazo é verdade. Vivemos exatamente esse momento.
Só que conscientização só se dá para um sentido: o da verdade.
No passado o PSDB também teve essa postura de Janos, posava de social-democrata ao público e nos bastidores foi neoliberal ou mesmo displicente em questões sociais (não conseguiu sequer firmar-se como “social-liberal”)
E nunca recuperou sua imagem, certo?
Você poderá achar este post interessante.
2012 09 29 https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/as-grandes-chances-de-obama-em-2012-e-democratas-em-2016
Esse artigo foi pré-eleições. Eu não guardei o link de um artigo da Pew Research muito interessante, sobre como Obama pode ter sido salvo pelo gongo nos importantes estados de Ohio e Florida.
Ed Döer
1 de abril de 2014 6:01 pmEm relação ao PT, eu diria
Em relação ao PT, eu diria que existem ou existiram duas imagens predominantes para o eleitorado do partido:
– partido dos trabalhadores/massa/pobres: que não foi perdida com a chegada ao poder.
– partido dos vestais (hoje explorada pelo PSOL): que naturalmente se perdeu, embora a mídia tenha auxiliado no processo. Parte dos críticos ferrenhos do partido são pessoas que abraçaram o partido em função dessa imagem.
Não que o PT não tenha uma ala focada nas questões “modernas”, mas era e é “parte do todo” e não o principal, ou seja, a essência do partido. O que explica também a perda de espaço na hora do “jogo” político das alianças.
Se o PT perder o poder em breve (2014 ou além), creio que vai ser mais pelo desgaste de não atender as demandas primordiais (saúde, educação, segurança, etc) e não por questões “secundárias”, como valores (tirando os meios religiosos onde pastores atuam como “gatekeepers”). E isso vai demorar mais pela ausência de nomes na oposição que se destaquem no atendimento das demandas primordiais. Tirando o Cabral (que tem vários defeitos) no quesito segurança, nos últimos anos não se tem notícia de um governador que causou impacto significativo (apesar dos limites erros das UPPs) nesses áreas.
DH/valores é algo que por si só não elege presidente, mas um discurso e prática de segurança eficaz e eficiente que levasse o DH em conta conseguiria, mas está longe de existir. E o discurso “quem não reagiu está vivo” é popular, infelizmente, e é prática de um dos principais expoentes do PSDB. Lembrando ainda que a realidade jurídica brasileira impede certos experimentos locais, que poderiam servir de base para coisas maiores, como o que vem sendo feito em relação com a maconha no Colorado.
Até porque, aqui o voto é obrigatório. Num sistema como o americano, mobilizar um grupo populacional (ou de um Estado) é mais importante que no Brasil, já que não basta ter um candidato “bom”, é preciso que o mesmo empolgue o eleitor para o mesmo votar.
Al Almeida
1 de abril de 2014 8:15 amO post deveria se chamar
O post deveria se chamar “Reflexões sobre meu próprio umbigo”. Sua luta pelos direitos civis e valores é inspiradora. Tão honesta quanto sua defesa do Svoboda e do Setor Direita. É pra rir?
Gunter Zibell - SP
1 de abril de 2014 5:26 pmCertamente que não é pra rir.
Já seu desespero em defender a propaganda russa é de chorar.
Não notou que não há um único intelectual conhecido, quer de direita de esquerda ou muito pelo contrário, fazendo o seu discurso? (Bom, até há uns blogueiros com torcida parecida à sua…)
Nem notou que os próprios defensores de Putin no exterior já pararam de usar a tática da demonização do novo governo ucraniano porque “não colou”? Afinal, quem está fugindo são os tártaros da Crimeia, certo?
Riscos existem e ninguém os nega, mas na ausência de fatos concretos para se falar do Svoboda, Setor Direita e governo pró-ocidental ucraniano, na ausência de consequências em estamentos nos vários países da Europa Ocidental que contam com partidos similares em seus governos, e também na presença de consequências reais e adversas no regime russo, que é justamente quem faz essas propagandas de ‘pega o fascista’, o que você está fazendo é mera demonização.
Que já se converteu em assédio com sua insistência em colocar a mesma observação em todo e qualquer post que eu participe.
Só posso deixar para os colegas que chegarem aqui o post geral já elaborado a respeito.
2014 03 19 http://www.jornalggn.com.br/blog/gunter-zibell-sp/que-nao-se-manipule-com-o-medo-da-homofobia
Brasileiro aguerrido
1 de abril de 2014 8:45 amIdeologia vs competência
No
Ideologia vs competência
No Brasil, as legendas não correspondem à realidade na maioria dos casos. O DEM, partido dos “democratas” é do grupo político que apoiou à ditadura; O PSDB, partido da social democracia, não é social, pois apoia o capitalimo neoliberal; e o PT, partido dos Trabalhadores, tem uma grande parte do eleitorado formado não de trabalhadores, mas dos bolsa família, que não precisam realmente trabalhar, porque são sustentados pelo Governo.
O que realmente conta para o povo não é qual ideologia está por trás, mas sim emprego, crescimento econômico, poder de compra com inflação reduzida, e coisas do gênero. O que realmente contou contra a direita neste país foi o fato de na década de 90 terem existido governos desastrosos em termos de crescimento econômico (Vide Collor e FHC), o que levou o povo a aclamar o PT em 2002, não por o PT ser de esquerda ou o que fosse, mas por que fez o PIB crescer e abaixou o desemprego.
Bispo da Dama
1 de abril de 2014 11:16 amMude Seu Nome
Brasileiro Aguerrido não lhe faz jus. Mude seu nome para brasileiro papagaio.
O maior valor pago pelo bolsa família é R$ 200,00.
Você conhece alguma família cujos integrantes não precisam trabalhar apenas porque recebem essa quantia?
Quem não tem nada importante a dizer e por isso vive repetindo ladainhas da direita, não passa de papagaio.
Brasileiro aguerrido
1 de abril de 2014 10:53 pmSim, eu conheço
Olá Sr.
Sim, eu conheço
Olá Sr. Bispo, agradeço por responder a meu comentário. Não faço uma crítica como a de direita contra o PT, mas uma crítica construtiva. Não sou contra o bolsa família, mas acredito que deveriam dar junto alguma ajuda para que o beneficiado não precisasse mais usar o benefício com o tempo, pudesse andar com as próprias pernas, como cursos de profissionalização, encaminhamento para empregos, etc.
Se o bolsa familia eternizar na vida de uma pessoa, ela fica dependente do Governo e se mudar o governo, ela corre o risco de perder a renda (ou parte). Sou daqueles que acredita que a pobreza só será erradicada de vez quando os mais pobres puderem se emancipar do Governo. Mas não vejo mal algum na bolsa, em si até por que tenho amigos que recebem, e são muito sofridos.
Respondenso à sua pergunta:
Provavelmente o Sr. mora no sudeste como eu. Por que aqui em SP R$200 podem não valer muito, mas no sertão do Nordeste, onde amigos meus moram, é a média salarial. Terrenos lá são vendidos por uma média de R$600 a R$ 2000. Pessoas que vivem de meio salário mínimo são comuns; Quem ganha um salário vive bem lá. Eles realmente querem trabalhar, mas não há empregos rentáveis quase lá, então vêem para SP, e são muito esforçados, vem para estudar, trabalhar e enviar dinheiro para os que ficaram da família, dependendo também da bolsa do Governo.
Por isto mesmo que eu acredito que junto com a bolsa devia vir um acompanhamento para quem quisesse estudar, subir de classe social e não depender mais com o tempo, que a bolsa fosse apenas um estágio de vida passageiro.
Tiago Moreira
2 de abril de 2014 8:00 amCaro Brasileiro aguerrido,
Caro Brasileiro aguerrido, sugiro a leitura dos seguintes links abaixo, eles ajudam a entender um pouco mais sobre a importância do Bolsa Família. Reforço que todas as pesquisas realizadas até hoje mostram que o Bolsa Família não gera acomodação:
Tereza Campello: Estudos desmentem o mito do “Bolsa Preguiça”
http://www.viomundo.com.br/politica/tereza-campello-estudos-desmentem-o-mito-do-bolsa-preguica-combate-a-miseria-vai-alem-da-transferencia-de-renda.html
Recordar é viver: Rebatendo as críticas ao Bolsa Família
http://www.viomundo.com.br/politica/recordar-e-viver-rebatendo-as-criticas-ao-bolsa-familia.html
Beneficiários do Bolsa Família ampliam acesso ao mercado de trabalho
http://www.mds.gov.br/saladeimprensa/noticias/2013/agosto/beneficiarios-do-bolsa-familia-ampliam-acesso-ao-mercado-de-trabalho/
Bispo da Dama
1 de abril de 2014 11:03 amCorrija o Gráfico
No seu gráfico o PSOL aparece como social democrata e o PSDB “regimes arcaicos”(?) e salta aos olhos que estejam em posição opostas no gráfico quando na realidade são unha e carne.
Se em 85% das votações na Câmara o PSOL e o PSDB votaram unidos, como podem ser extremos opostos?
Tiago Moreira
2 de abril de 2014 7:41 amCaro Bispo, você teria um
Caro Bispo, você teria um link ou planilha com as votações que você usou para chegar a esse percentual?
Seria bem interessante para analisarmos os casos (dos 85% e dos 15%), pois já ouvi esse argumento outras vezes mas nunca me mostraram os dados abertos. Conto com sua ajuda, já que esse parece ser o centro do seu argumento.
Numa votação é possível ser contra (ou a favor) por motivos diferentes e até opostos. Posso ser contra um projeto de lei por achar que ele é insuficiente ou por achar que ele é exagerado. Ambos votarão contra o projeto por razões em extremos opostos, como você poderá verificar em diversos casos práticos, se não tratá-los numa média geral que não diz muita coisa.
Particularmente, acho que seria bem interessante analisarmos cada tema votado e a posição expressa pelos partidos em cada um deles, pois é isso que creio que o Gunter está tentando mostrar para identificar os posicionamentos.
Helio J. Rocha-Pinto
1 de abril de 2014 1:17 pmO uso de 2 eixos torna a
O uso de 2 eixos torna a análise mais interessante. O posicionamento dos partidos no gráfico, ainda assim, é um tanto subjetivo e pessoal, se não for baseado em uma métrica objetiva (como, por exemplo, temas dos projetos de lei propostos por membros do partido ou análise da tendência em votações chaves). Outra questão a ser considerada é se o espectro político ocupa um plano cartesiano ou um espaço curvo, toroidal, que faz os extremos se aproximarem.
Gunter Zibell - SP
1 de abril de 2014 2:49 pmSim, Helio
É subjetivo e aviso disso. As coisas que uma pessoa observa e acompanha são viesadas e isso é implícito.
Uma plotagem à base de posições em votações no Congresso seria um bom trabalho acadêmico na área de Ciências Políticas, acho.
Para indíviduos o “Political Compass” aplica questionários (que também podem ser viesados pela importância que o elaborador dá aos temas. Quando respondi ao PC vi a quantidade exagerada de perguntas sobre aborto, por exemplo.)
E um desdobramento interessante, especialmente para o Brasil, seria mostrar os deslocamentos no tempo. Há 20 anos atrás, por exemplo, o PSDB apareceria mais à esquerda e o PT mais para o libertário.
Juliano Santos
1 de abril de 2014 2:48 pmAchei o gráfico interessante
Achei o gráfico interessante e o post bem didático sobre o que tem orientado seu posicionamento, Gunter.
Mas para não perder o costume, vou dar minhas estocadas. Não acho que exista “social-liberalismo”. Pelo menos não no contexto brasileiro. Aqui, se o Estado não intervir para ir corrijindo (devagar e com muita resistência, como vemos) um dos mais injustos países do mundo, o liberalismo, ou neoliberalismo, tanto faz, joga o social para as cucuias.
As vezes acho que voce fala como se estivessemos na Bélgica. Como se a elite brasileira não fosse a mais mesquinha do mundo democrático. No Brasil, estado mínimo significa, juros altos, arrocho salarial, corte de gastos sociais, concentração de renda e muito provavelmente, desemprego.
Isso não é “ideologia”, Gunter, é direitos humanos também. Esses direitos, de uma vida social e economicamente digna no atual contexto é garantida pelo governo petista.
Se voce vai optar pelos direitos comportamentais, que supostamente seriam melhor defendidos pelo PSB/Rede ou PSDB (não tenho certeza mesmo), voce está abrindo mão dos outros para grande parcela da população. Isso para mim é ponto pacífico. Voce nesse caso está fazendo tudo para não ver esse fato
Gilberto M - Salvador
3 de abril de 2014 2:28 amGunter, entendo seu posicionamento, mais…
Me parece que foi escrito apressadamente, até me surpreendi pq reputo vc como um grande analista de política do portal. Há confusões básicas, vou comentar duas que me parecem mais problemáticas: o que vc trata como discurso, na verdade é a praxis. O PT não abandonou discurso nenhum, converse com qq petista, leia os programas e as grandes discussões no partido e vc vai ver que o discurso continua o mesmo, progressista em relação à média nacional. Já o governo faz, sim, concessões na prática, no seu dia-a-dia. É a tão famosa “governabilidade”, com a qual vc pode concordar ou não, claro, mas é injusto dizer que ela se dá apenas em função de horário eleitoral ou composição para eleições. A governabilidade se exprime, também e fundamentalmente, em votações no Congresso, MAJORITARIAMENTE CONSERVADOR E ELEITO DEMOCRATICAMENTE PELO POVO, não vamos esquecer, do qual o governo do PT depende – como qualquer outro dependeria – para aprovar suas políticas, leis progressistas como, por exemplo, a Lei da Transparência e, agora mesmo, o Marco Civil da Internet. Essa é a realidade que muitos, sem refletr, refutam. Por trás de todas as grandes ambições políticas, infelizmente, há as mesquinharias da politicagem. O PT não criou esse sistema, se elegeu APESAR dele, e tenta mudá-lo sem sucesso há anos, porque depende de uma maioria não fisiológica. O povo tb não ajuda: Elege presidente progressista mas não vota massiçamente nos partidos progressistas. A verdade é que a maioria do povo brasileiro ainda é muito conservadora. Esse é um trabalho de consciência, de formação e informação, no qual a mídia tem papel preponderante o que tb é trágico, porque nossas corporações midiáticas, as famílias que as controlam, são também conservadoras. É assim que eu vejo. E não obstante sua simpatia pelo discurso (sincero ou não) de PSOL e PV, para exemplificar, duvido que eles tivessem menos dificuldades que o PT para compor sua governabilidade e fazer aprovar seu programa de governo, se é que eles tem algum. Muito, aliás, pelo contrário. É como se diz: no discurso, tudo é muito fácil. Mas na prática, a teoria é outra. E a prática aqui é um sistema, uma máquina arcaica, construída meticulosamente, durante anos e anos, para beneficiar apenas as elites do país.