3 de junho de 2026

Para cientista político, Constituição de 88 dá brecha para nova tomada do poder

Da Agência Câmara Notícias
 
Mesmo com a promulgação da Constituição de 1988, as instituições militares ainda detêm algumas prerrogativas antidemocráticas de poder. A opinião é do professor de Ciências Políticas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Jorge Zaverucha.
 
Ele cita o artigo 142 da Carta Magna, que confirma as Forças Armadas como mantenedoras da lei e da ordem. Conforme Zaverucha, esse “privilégio” não existe em democracias avançadas.
 
“Só vi isso ser replicado no Chile, onde Pinochet fez a sua Constituição – ou seja, à direita -, e quando os sandinistas tomaram o poder, à esquerda, na Nicarágua”, compara. “A gente precisa entender que as Forças Armadas são o braço armado do poder civil. É o poder civil que tem de garantir a existência do poder militar para o fim que foi criado e não o contrário. O Exército existe para defender a soberania do Estado”, argumenta.
 
Como o conceito de “ordem” é subjetivo, o especialista afirma que o artigo 142 pode até ser usado para justificar um golpe de Estado. “Cada ator político pode interpretar a norma ao seu modo. Os militares, se acharem necessário, poderão em último caso tomar o poder e argumentar que isso foi feito legalmente de acordo com o artigo 142”, opina Zaverucha.

 

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Códigos militares
O professor ressalta outro ponto, segundo ele, questionável da Constituição: os códigos penais militares e os tribunais militares continuam em pleno vigor no Brasil. Ele lembra que os códigos disciplinar e de processo penal militar foram redigidos em 1969, época dos chamados anos de chumbo. “Obviamente, as Forças Armadas criaram essas normas para favorecer seus integrantes.”
 
Zaverucha critica o fato de o Brasil não ter seguido o exemplo dos vizinhos Chile, Argentina e Uruguai, que também elaboraram códigos militares durante suas ditaduras, mas extinguiram essas leis com a transição para a democracia. Ele recorda que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a criar uma comissão para rever os códigos brasileiros, porém o projeto não foi adiante: “A reação foi imensa; FHC achou que, naquele momento, não convinha enfrentar os militares.”
 
Lei de Segurança Nacional
Outro caso emblemático de “privilégio” aos militares, na opinião do professor, é a manutenção da Lei de Segurança Nacional (7.170/83), na sua última versão, de 1983.
 
Para Zaverucha, essa legislação é incompatível com uma democracia sólida. “A lei foi criada para punir mais severamente quem fosse considerado ‘inimigo da Pátria’. Na democracia, não temos inimigos; temos pessoas com ideias conflitantes.”
 
O especialista lembra que Chile, Argentina e Uruguai aboliram leis similares quando voltaram à democracia.
 
Lobby
Segundo o professor, 13 oficiais militares organizaram um lobby para influir nos trabalhos da Constituinte de 1988.
 
Jorge Zaverucha destaca que a Carta Magna já sofreu várias emendas, mas nenhuma no capítulo sobre as Forças Armadas, o que mostra das instituições militares. O especialista, por outro lado, também cita avanços, como a criação do Ministério da Defesa.

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4 Comentários
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  1. antonio francisco

    30 de março de 2014 9:12 pm

    Elio Gaspari, hoje

    Já leram? Parece que não, mas tem a ver com o assunto deste post.

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2014/03/1433098-de-massuedu-para-enzoperigov.shtml

     

  2. Gilson Raslan

    31 de março de 2014 3:05 am

    BOA PIADA.

    É nisso que dá leigo se meter a gato mestre mestre: um amontoado de idiotice.

    Manter a lei e a ordem não dá ao exército o direito de golpe. Vou desenhar para o “professor”.

    Manter a lei significa, dentre outras coisas, que exército tem o dever constitucional de garantir o exercício da presidência de quem foi legal e legitimamente eleito.

    Manter a ordem significa que o exército tem o dever de combater os transgressores, internos e externos, da ordem legal que possa afetar a segurança nacional.

     

     

     

     

     

     

  3. SergioSandy

    31 de março de 2014 10:48 am

    Constituição de 88 dá brecha para novo golpe.

    Ainda bem que este artigo existe.  Depois que o Eduardo for eleito, é quase certo que ele não terá maioria no Congresso. Como ele defende  fazer um governo sem estas alianças esṕúrias do PT, espero que quando o Congresso se recusar a votar  alguma lei,  criando prejuízo ao país, ele mande as forças armadas fecharem o Congresso e convoque novas eleições onde poderá eleger uma boa bancada para poder governar. Antes das eleiçoes ele fará uma mudança eleitoral, propiciando que as forças progressistas hoje no PSDB, PSB e DEM,  se unifiquem num único partido.

    1. Sonia a linda

      2 de abril de 2014 9:11 am

      Sérgio, você é um babaca.

      Sérgio, você é um babaca. Será que não percebe que seu pensamento é antinacional? Você gostaria de ser mais um estado americano?

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