13 de junho de 2026

Estado fará pedido de desculpas por Vala Clandestina de Perus

Cerimônia será realizada nesta segunda (24/03); governo será representado pela ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo
Cemitério Dom Bosco, em São Paulo. Foto: Arquivo EBC

O Estado Brasileiro realiza nesta segunda-feira (24/03) uma cerimônia de pedido de desculpas quanto à negligência na guarda e identificação dos remanescentes ósseos da Vala Clandestina de Perus.

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Considerando as graves violações de direitos humanos perpetradas, o pedido de desculpas em nome do Estado brasileiro será feito aos familiares dos desaparecidos políticos durante a ditadura militar, que durou até 1985, e à sociedade brasileira pela negligência, entre 1990 e 2014, na condução dos trabalhos de identificação das ossadas encontradas na Vala Clandestina de Perus.

A cerimônia de pedido de desculpas ainda contará com a presença de familiares das vítimas, autoridades e representantes da sociedade civil. O governo federal será representado pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Macaé Evaristo.

Trabalho de identificação

O Governo Federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da atuação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), tem como compromisso viabilizar a continuidade e finalização dos trabalhos de identificação dos remanescentes ósseos da Vala de Perus.

Em 2024, o MDHC assinou novo Acordo de Cooperação Técnica junto ao CAAF/Unifesp e à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e da Cidadania (SMDHC) da Prefeitura de São Paulo, e mediou a celebração do instrumento de Carta Acordo entre a Unifesp e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), no âmbito do Projeto BRA/15/006, de modo a financiar a contratação da equipe pericial e a retomada dos trabalhos.

O MDHC também tem repassado recursos anualmente para a manutenção e o funcionamento do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) desde 2017.

Resquícios da ditadura

O Cemitério Dom Bosco guardou por anos os resquícios das violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar no Brasil. Ali estavam enterrados ilegalmente corpos de pessoas indigentes, de desconhecidos, e daqueles considerados opositores ao regime de opressão iniciado em 1964.

Os remanescentes ósseos foram descobertos em 1990 no Cemitério Dom Bosco, em Perus, e inicialmente levados à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para, posteriormente, serem encaminhados para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Após denúncias ligadas às condições precárias de armazenamento das ossadas, estas foram removidas e realocadas para o Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo. Depois, os remanescentes ósseos foram levados ao Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para os devidos trabalhos de identificação.

Redação

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1 Comentário
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  1. Kalashnikov.

    23 de março de 2025 6:09 pm

    Não se pode transferir ao Estado a responsabilidade que é de governos, de governantes militares, presidentes militares, comandantes militares e seus subordinados e associados, incluindo aí meios de comunicação.

    Fazer isso é garantir impunidade e diluir culpas.

    O Estado brasileiro e seu funcionamento institucional foi, em 64, conspurcado por um golpe violento e armado.

    O Estado brasileiro teve seu funcionamento interrompido em 1° de abril de 1964.

    Novamente em 2016.

    É disso que se trata.

    Dizer que é o Estado quem deve desculpas é dar a chance de repetir os mesmos crimes, é criar uma transcendência dos crimes e criminosos, retirar esses eventos da história e de seus contextos.

    E sem contexto e sem história, o fato de repete, ou, pior, se eterniza.

    Qual é o nome oficial da Ponte Rio Niterói?

    Isso mesmo!

    Presidente Costa e Silva.

    Assunto encerrado.

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