O presidente norte-americano Donald Trump prometeu, para esta quarta-feira (2), a oficialização das imposições tarifárias a produtos importados, com a justificativa de impulsionar e proteger a economia americana – ocasião denominada de Dia da Libertação.
De acordo com o próprio presidente, em diversas entrevistas e declarações, as tarifas podem chegar a 25%, medida que, de acordo com o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, convidado do programa TVGGN 20H da última segunda-feira (1º), deve causar efeitos bastante negativos para a economia americana.
Isso porque estamos, segundo o economista, em momentos diferentes e iguais. No hiato de 1920 e 1930, os Estados Unidos também aumentaram tarifas de importação durante o governo Roosevelt.
A resposta foi o aumento da rivalidade entre os países, que culminou na II Guerra Mundial. “Não estou dizendo que isso foi a causa. Isso foi um dos movimentos que ajustou os países na direção de tentar defender o que o Trump está querendo fazer.”
Para Belluzzo, o presidente norte-americano “não vai defender coisa nenhuma” com o aumento de tarifas.
“Nos EUA, são muitos os empresários que estão seriamente desconfiados dos efeitos que isso vai ter na economia americana. As empresas automobilísticas já se manifestaram dizendo que estão preocupadas com esse tarifaço”, observa o economista.
Luiz Belluzzo aposta ainda em uma guerra tarifária que vai afundar o comércio mundial, como já aconteceu um século atrás.
Criando potências
Além de uma disputa entre países, Belluzzo ressaltou ainda que a China só é a potência que é hoje graças à atuação dos Estados Unidos.
Isso porque o governo Nixon fez acordos para evitar a aproximação chinesa da União Soviética.
Já em 1979, graças à política de aumento de juros dos EUA, que atingiu 21%, o dólar ficou valorizado, obrigando empresas norte-americanas a migrarem para a China – um espaço mais barato, atraente e interessante.
“A ostensiva rentabilidade do Trump com seus parceiros comerciais, vejo isso como mais um episódio em que certamente teremos transformações na economia mundial”, acrescenta o economista.
Atualmente, além de acordos com quase 200 países, a China caminha para fechar uma parceria também com o Japão e a Coreia. “É um exemplo que promete se ampliar, porque Trump vai deslocar os fluxos de comércio e financeiro para os países que, na verdade, tentam escapar dos efeitos da tarifação.”
Em vez de tornar a América grande novamente, ela deve retroceder na avaliação do entrevistado, pois a economia americana deve sofrer efeitos muito negativos. “Aliás, Trump prometeu taxar a entrada de capitais nos EUA. Por quê? Porque ele acha que as entradas de capitais no mercado enorme, profundo financeiro americano, prejudicam as exportações. Ele quer desvalorizar o dólar.”
Novamente, a história antecipa o provável resultado da ambição norte-americana: a criação de novas potências.
Belluzzo lembra que, nos anos 1970, a desvalorização do dólar gerou um deslocamento maciço de empresas americanas e europeias para a China, que se tornou uma potência mundial e hoje ameaça a hegemonia americana.
A criação de novas potências também atingiu a Inglaterra, que detinha a hegemonia mundial, mas decisões econômicas facilitaram a industrialização dos EUA e da Alemanha.
Confira a entrevista completa em:
LEIA TAMBÉM:
Fábio de Oliveira Ribeiro
2 de abril de 2025 6:14 pmChildren of the Corn era apenas um filme baseado na obra de Stephen King. Nessa história de terror rural, o famoso autor explorou de forma sarcástica a religiosidade e o misticismo dos caipiras fanáticos do meio oeste norte-americano. Enxertado com aspectos distopicos de 1984 (George Orwell) e um pouco do autoritarismo e do racismo típicos de Mein Kampf (Adolf Hitler), Children of the Corn virou o programa político de Donald Trump. Como tudo que é baseado em irracionalidade e violência isso vai explodir na cara da família do próprio Trump assim que as tarifas começarem a desarrumar totalmente a economia rural norte-americana causando falencias, ressentimento e certeza de que o líder que caminha atrás das fileiras de Washington parece mais um demonio do que um santo. Nenhuma dúvida sobre isso.
Mário Mendonça
3 de abril de 2025 5:45 pmOs próprios americanos irão enfrentar trump