O setor de saúde brasileiro destaca-se como o mais avançado da economia, com o SUS sendo reconhecido mundialmente por sua organização federativa. A bem-sucedida Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) de 2008, idealizada pelo economista Carlos Gadelha, da Fiocruz, foi o programa de política industrial mais eficaz do país. Gadelha acredita que, agora, as lições da PDP podem ser expandidas para outros setores, dentro de uma chamada “economia do bem-estar”.
Princípios da PDP:
- Identificação de um problema nacional relevante, como o custo de medicamentos para o SUS.
- Utilização do poder de compra governamental.
- Estabelecimento de acordos com multinacionais fornecedoras do SUS, envolvendo transferência de tecnologia em troca de contratos de compra.
- Direcionamento da transferência de tecnologia para laboratórios públicos, evitando sua aquisição por empresas estrangeiras.
- Licenciamento da tecnologia dos laboratórios públicos para laboratórios privados.
Nos últimos dois anos, investimentos públicos de R$ 20 bilhões geraram R$ 40 bilhões em investimentos privados. O sucesso da PDP é reconhecido internacionalmente, com destaque para a combinação de inovação, desenvolvimento produtivo e enfrentamento de desafios sociais e ambientais.
Atualmente, Gadelha coordena uma rede de mais de 50 pesquisadores de diversas áreas, buscando integrar diferentes dimensões do desenvolvimento.
Elementos Centrais para a Expansão do Modelo:
- Reconhecimento do mercado interno como patrimônio nacional e garantia dos direitos sociais.
- Ciência, tecnologia e inovação como vetores de desenvolvimento nacional e regional.
- Adaptação da arquitetura para cada setor, mantendo a identificação de vantagens competitivas e sua integração em um modelo lógico.
Pilares para um Modelo Ampliado:
- Arranjo interdisciplinar e intersetorial.
- Compras públicas estratégicas.
- Sistemas de financiamento da pesquisa (BNDES e Finep).
- Sistema de tecnologia e inovação em universidades e institutos de pesquisa.
- Engajamento de empresas privadas para investimento.
A estabilidade do mercado interno é crucial para a inovação e transformação produtiva. A política de compras públicas abrange áreas como educação, meio ambiente e defesa, que deveriam ser os novos setores prioritários.
A dependência tecnológica estrangeira, especialmente em áreas como inteligência artificial, representa uma vulnerabilidade para o Brasil, que concentra 90% das patentes nessas áreas em apenas 10 países.
Potencial e Perspectivas:
O Brasil possui grande potencial para inovação, com o maior sistema universal de saúde e a maior biodiversidade do mundo. Problemas nacionais, como desigualdade e questões ambientais, podem ser transformados em oportunidades de desenvolvimento.
As “Estratégias para um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento” propõem sistemas produtivos ligados ao bem-estar e à transição ecológica. Experiências passadas, como o Plano de Metas de JK, demonstram a viabilidade de integrar políticas públicas. E a visão de Celso Furtado inspira um projeto nacional focado em desenvolvimento e inovação.
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evandro
21 de maio de 2025 8:37 amAproveitando que o tema biodiversidade foi mencionado, o Senado, enquanto isso, abrindo porteiras para desmamarem (mais) a mata atlântica
emerson57
21 de maio de 2025 10:03 amÓtimas recomendações inúteis.
Inviáveis porque para serem efetivas o Brasil precisaria ter, ao menos, um partido. Como a China tem e garantiu políticas que levaram o pais a ser o numero 1 do mundo.
O único partido ideológico do Brasil é o minúsculo PCO 29.
O resto é venda de secos e molhados.
Pedro Eneas do Nascimento Neto
21 de maio de 2025 3:49 pmInfelizmente o Brasil está preso num grande “PACTO DA MEDIOCRIDADE”, em que a tal “elite nacional”, academia, TODOS partidos e, principalmente o governo atual – vide a INAÇÃO do presidente e a NEGLIGÊNCIA do ministro da Casa Civil, um político reconhecidamente provinciano e, portanto, sem condições de encampar um grande programa de desenvolvimento nacional, como o Lula fez em outros tempos com a presidente Dilma, outrora sua ministra – simplesmente se prendem a questões menores e deixam de debater as REAIS condições estruturantes para um desenvolvimento socioambiental SUSTENTÁVEL. Que destino!!!!