Por Motta Araujo
A CORTESÃ DO SECULO – PAMELA HARRIMAN – Nascida Pamela Digby em 1920, filha do 11º Barão Digby, essa moça de não especial beleza traçou uma notavel vida de cortesã, amores, poder e dinheiro à sombra da política britânica e americana. Pamela tinha DNA de mulher fatal, sua tia avó Jane Digby foi uma das grandes cortesãs do Século XIX
Pamela na juventude no campo inglês foi exímia cavaleira, disputou os mais importantes compeonatos de salto, enviada pela família para completar seus estudos secundários em Munich, foi lá apresentada por uma amiga inglesa, Unity Mitford, que por sua vez mereceu sua propria biografia por causa de sua amizade com o Fuhrer, ao proprio Adolf Hitler, a quem casou forte impressão. Mitford era de uma turma de ingleses que circulava entre a Alemanha e Londres, gente frívola sem atividade politica mas que eram arroz de festa na vida social da cúpula nazista.
De Munich Pamela foi completar seus estudos na Sorbonne em Paris. Fluente em francês arranjou emprego no Foreing Office como tradutora e lá conheceu Randolph Churcill, filho de Winston Churchill, que lhe pediu em casamento no mesmo dia, a moça não era fraca. Casou-se com Randolph, um bon vivant, beberrão e jogador em outubro de 1939, logo teve um filho e foi capa da revista LIFE, ela com o bebê. Com a guerra Randolph foi para o Cairo, largando a esposa solta em Londres, Pamela não perdeu tempo, foi logo amante do milionário americano Averell Harriman, herdeiro da ferrovia Union Pacific, do famoso jornalista Ed Murrow, do tambem milionário e diplomata John Hay Whitney, criador do importantíssimo Museu Whitney de Arte Moderna em Nova York, o Principe Ali Khan, o socialite Alfonso de Portago, Gianni Agnelli, dono da FIAT, o Barão Elie de Rothschild. Em 1945 estava divorciada de Randolph Churchill, que não valia grande coisa.
O dono da CBS, maior rede de radio dos EUA (e depois de TV), William Paley, dizia que Pamela era a maior cortesã do século, “ela sabe como agradar um homem”, Paley foi tambem seu amante. Dizia-se que Pamela fez um aborto na Suíça, e que o pai era Gianni Agnelli, que logo depois casou-se com a Princesa Mariella de Caracciollo.
Separada de Randolph, tentou pressionar Elie de Rothschild para o casamento, não conseguiu e casou-se com o produtor de shows da broadway Leland Hayward, tambem muito rico, que morreu em 1971.
Novamente livre , no dia seguinte do enterro do marido telefonou para o antigo amor Averell Harriman e rapidamente restabeleceu a ligação, logo depois casou com ele, que tinha então 79 anos. Harriman era um dos principais caciques do Partido Democrata, poderoso e respeitado, além de multimilionário e aristocrata das dinastias do dinheiro dos EUA, tinha sido Embaixador americano em Moscou, amigo e muito respeitado por Stálin, era um dos “Six Wise Man”, um dos seus homens chaves que construíram o império americano no Século XX. Pelo casamento com Harriman, Pamela naturalizou-se americana em 1971.
Harriman tinha uma mansão em Georgetown, em Washington, frequentada por políticos e diplomatas, tinha intensa vida social, deu à nova esposa uma casa de campo maravilhosa na Virginia e um jato privado.
Através de Harriman, Pamela enturmou-se facilmente com o mundo político de Washington, ninguém resistia a seu charme profissional, muito depois Bill Clinton encantou-se com ela, já uma senhora e nomeou-a Embaixadora dos EUA na França, indicação de 1993, o que não deixa de ser curioso, Pamela era americana naturalizada mas de nascimento era britânica até a raiz dos cabelos. Em 1997 nadava na piscina do Hotel Ritz, sentiu-se mal e levada ao Hospital Americano de Paris morreu no dia seguinte.
O Presidente Chirac lhe deu a mais alta condecoração francesa, a Legião de Honra póstuma e o Presidente Clinton mandou o avião presidencial, o Air Force One para buscar seu corpo em Paris, Pamela foi enterrada na propriedade dos Harriman na Virgina, com honras oficiais e na presença do Presidente dos EUA e Senhora.
Sua vida extraordinaria foi matéria de uma série de TV, The Life of the Party, The Pamela Harriman Story, Pamela é representada pela atriz Ann Margret.
Várias biografias já foram escritas, a mais famosa é Reflected Glory – The Life of Pamela Churchill Harriman, pela reputada jornalista Sally Bedell Smith.
Pamela Harriman é mais uma história que emana da família Churchill, Pamela entrou na vida pública como nora do grande político inglês, que aliás não tinha por ela grande admiração, a familia Churchill por sua vez não era nada exemplar por todos os lados que se possa olhar, pai, mãe, filha, filho do grande estadista e ele próprio, ninguém curtia água benta mas pelo menos forneceram material para muitas biografias saborosas, perto de Jeannie Jerome Churchill, mãe do Primeiro Ministro Winston Churchill, Pamela Harriman é freira carmelita.
Mahabatara
16 de março de 2014 10:41 amAbsolutamente saborosos esses
Absolutamente saborosos esses textos que o Motta Araujo nos proporciona, a gente só lamenta que não seja mais longo, pois o prazer da leitura é interrompido abruptamente. Mas, sugiro que qualquer dia desses êle escreva também sobre uma outra personagem inglêsa interessante e de curiosa biografia que foi mencionada no texto, a Unity Mitford.
Toni
16 de março de 2014 10:47 amRE:
Tal sogra, tal nora.
hehee
Mais uma história interessante do baú de AA.
Motta Araujo
16 de março de 2014 11:35 amhttp://www.nytimes.com/1997/0
http://www.nytimes.com/1997/02/06/world/pamela-harriman-is-dead-at-76-an-ardent-political-personality.html
Obituario de Pamela Harriman no NEW YORK TIMES
evandro condé de lima
16 de março de 2014 3:35 pmBoa resenha, mas, como sou
Boa resenha, mas, como sou menos deduado, seria mais direto, em lugar de cortesã, puta de alta estirpe.
Motta Araujo
16 de março de 2014 4:18 pmNegativo, cortesã precisa ter
Negativo, cortesã precisa ter inteligencia, beleza fisica é um detalhe, se tiver.
Arthemísia
16 de março de 2014 4:58 pmEntão puta pobre inteligente
Então puta pobre inteligente também é cortesã? Não, a cortesã é que é puta rica mesmo, não adianta enfeitar. A diferença é de classe social, não de inteligencia.
evandro condé de lima
16 de março de 2014 8:44 pmInteligencia para saber ser
Inteligencia para saber ser amante de ricaços. Meu caro, continuo achando que é eufemismo. Ou está falando que os ricaços estavam interesados na inteligencia da mocinha.
Motta Araujo
16 de março de 2014 9:11 pmAtravés da Historia, desde a
Através da Historia, desde a antiguidade classica, o perfil da mulher cortesã é bem conhecido, não se trata de uma prostituta e sim de alguem de muito maior complexidade psicologica, para cada mil putas existe uma cortesã,, um pouco de cultura não faz mal a ninguem, procure saber sobre as cortesãs dos Reis Bourbons de França, de Luis XIII a Luis XVIII.
evandro condé de lima
17 de março de 2014 5:29 pmCaro Araújo, não cabe uma
Caro Araújo, não cabe uma eterna discussão, mas pombas, por que cargas d’água só se envolvia com quem tinha muito dinheiro. Circustancias da vida? Que seja, eu dificilmente vou me envolver com uma Pentangha Guimarães da vida (e vice versa). A vida nos separou. Mas conheço alguns casos que não.