5 de junho de 2026

Pesquisa da Unicamp encontra 14 agrotóxicos na chuva de São Paulo

Estudo revela que água das chuvas nas cidades de Brotas, Campinas e São Paulo está contaminada inclusive com agrotóxicos proibidos no Brasil
Foto de Pixabay - via pexels.com

A água da chuva em três cidades de São Paulo – Brotas, Campinas e na cidade de São Paulo – está contaminada com pelo menos 14 tipos diferentes de agrotóxicos, segundo pesquisa elaborada pela Unicamp.

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O estudo coordenado por Cassiana Montagner, professora do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ-Unicamp), analisou a fração de agrotóxicos dissolvidos na água da chuva coletada durante 36 meses, entre 2019 e 2021.

Nas amostras coletadas, foram detectados 14 agrotóxicos e cinco compostos derivados, com destaque para o herbicida atrazina, presente em 100% das amostras, e o fungicida carbendazim, proibido no Brasil, mas ainda encontrado em 88% do material coletado.

Outros produtos também apareceram em concentrações consideradas alarmantes e o herbicida tebuthiuron foi detectado pela primeira vez em água de chuva, estando presente em 75% das amostras.

Embora as concentrações não superem o limite permitido para a água potável, parte das substâncias encontradas não tem padrões de segurança estabelecidos – ou seja, não há indicadores de concentração segura.

Além disso, segundo os pesquisadores, a exposição crônica a baixas doses pode causar danos à saúde humana e à vida aquática.

Quando os agrotóxicos são aplicados nas lavouras, parte se dissipa na atmosfera. Por conta disso, fatores como vento, temperatura e umidade influenciam sua distribuição e, em condições específicas, as substâncias se condensam nas gotas de chuva, podendo retornar ao solo e contaminar corpos d´água em áreas distantes das plantações.

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, utilizando 70% a mais do que o segundo colocado, os Estados Unidos. As lavouras que mais recebem esses produtos são as culturas de soja, cana-de-açúcar, milho e algodão. Vários deles já são banidos na União Europeia, que possui leis mais rígidas e baseadas em evidências científicas, mas seguem em uso no Brasil.

O artigo “Pesticides in rainwater: A two-year occurrence study in an unexplored environmental compartment in regions with different land use in the State of São Paulo – Brazilpode ser lido neste link.

Com informações da Agência Fapesp

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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