5 de junho de 2026

A morte de Romeu Romi, industrial, por Luís Nassif

Em 1948 lançou o trator Toro, o primeiro trator totalmente nacional. Em 1956 lançou o Romi-Isetta, primeiro carro produzido em série no país.
Reprodução

Paulo Villares e Cláudio Bardella morreram e sua morte quase passou despercebida. Luiz Eulálio de Bueno Vidigal ainda participa do conselho da Santa Casa, mas vive dos aluguéis dos imóveis. Antônio Ermírio de Moraes já se foi e o último industrial histórico é Jorge Gerdau Johannpeter.

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Lembro-me do início da minha carreira de jornalista econômico, o orgulho da crescente indústria nacional, os exemplos fantásticos dos turquinhos, italianinhos, judeuzinhos que por aqui aportaram, trazendo inovação, empreendedorismo. O chuveiro elétrico, invenção de Alessandro Lorenzetti, o aparelho de ar condicionado da Springer Admiral, de Paulo Vellinho, os aparelhos de som de Eugênio Staub. São quase todos retratos na parede. 

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O país não apenas perdeu suas indústrias, mas sua memória. Por isso passou quase em branco a morte de Romeu Romi, aos 97 anos, da segunda geração de controladores das Indústrias Romi, empresa que ainda mantém reputação internacional no setor de máquinas e equipamentos industriais. Era filho do casal fundador, Américo Emílio Romi e Olímpia Gelli Romi. Permaneceu no conselho da empresa até 2012.

A empresa nasceu em 1930, em uma modesta oficina de reparos em Santa Bárbara D´Oeste, a Garage Santa Bárbara. Em 1941 fabricou seu primeiro torno mecânico, o modelo IMPR TP-5, marcando o início da fabricação de máquinas-ferramenta no país.

Em 1948 lançou o trator Toro, o primeiro trator de concepção totalmente nacional. Em 1956 lançou o Romi-Isetta, o primeiro carro produzido em série no país.

De 1960 a 1972 a empresa transformou-se em uma das maiores produtoras mundiais de tornos. Em 1972 tornou-se uma sociedade anônima de capital aberto. Em 1974 lançou a primeira máquina injetora de plástico.

Depois, internacionalizou-se, com subsidiárias e distribuidores em diversos países, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França, Inglaterra, Itália e México. Em 2012, a Romi adquiriu a alemã Burkhardt+Weber (B+W), uma fabricante tradicional de máquinas-ferramenta, fortalecendo sua capacidade tecnológica e sua presença na Europa.

Hoje em dia, a companhia está organizada em três vertentes principais:

  • Romi Machines: engloba Máquinas‑ferramenta e Máquinas para Processamento de Plásticos.
  • Burkhardt + Weber Machines: especializa-se em centros de usinagem horizontais e máquinas para aplicações especiais.
  • Castings and Machined Parts: unidade dedicada a peças fundidas e usinadas, com capacidade de produção anual de cerca de 50.000 toneladas de ferro cinzento, nodular ou vermicular.

Para colocar toda essa estrutura em prática, a Romi conta com 13 unidades fabris, sendo 11 no Brasil e 2 na Alemanha, num total de mais de 170 mil m² de área construída. A Capacidade instalada é cerca de 2.900 máquinas/ano e 50.000 toneladas/ano de peças fundidas. 

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Bruno Linhares

    4 de setembro de 2025 7:45 am

    Nassif, você se esquece da Tramontina. Essa indústria, um colosso em termos de utilidades domésticas e outros produtos, permanece sendo brasileira e operando.

  2. evander peraro

    4 de setembro de 2025 10:16 am

    deixou também uma escola a NEI-fundação Romi, uma escola sensacional,onde a criatividade é muito estimulada, inclusiva e muito progressista, baseada no método portugues escola da ponte.
    Meu filho de 8 anos estuda lá, tem uma área fisica gigante e um corpo docente sensacional.

  3. Luiz

    4 de setembro de 2025 12:31 pm

    Um pais sem memórias. Que bela narrativa sobre a nascente indústria brasileira do interior. Mas, a FIESP se preocupa apenas com patos amarelos e quejandos. Não fosse seu talento, jamais saberíamos dessa maravilhosa história do Sr. Romi, os tornos, a máquinas e o carrinho que parece de brinquedo. Legal, mesmo.

  4. evandro condé

    10 de setembro de 2025 6:17 pm

    Sem falar no Salvador Arena. Hoje temos uma Embraer e uma WEG gigantes também. E interessante ver que todas parecem ter surgido da mente de visionários.

  5. Tadeu Silva

    10 de setembro de 2025 8:08 pm

    Esse carrinho é brincadeira.

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