4 de junho de 2026

Superávit primário federal atinge R$ 19,9 bilhões em janeiro

Jornal GGN – O superávit primário do setor público consolidado alcançou R$ 19,9 bilhões em janeiro, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. Tal variação ficou abaixo do que o mercado esperava – as expectativas estavam em torno de R$ 22,5 bilhões.

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O Governo Central (composto pelo governo federal, Banco Central e Previdência Social) apresentou um superávit primário de R$ 12,5 bilhões; os governos regionais, superávit de R$ 7,2 bilhões; e as empresas estatais, superávit de R$ 131 milhões. No acumulado em doze meses, o superávit primário atingiu R$ 81 bilhões (equivalente a 1,67% do PIB – Produto Interno Bruto), comparativamente a R$ 91,3 bilhões (1,90% do PIB) em dezembro de 2013.

Segundo os economistas Maurício Oreng e Luiz Felipe Priolli, do Itaú Unibanco, a surpresa ficou com o superávit primário dos governos regionais – a estimativa apontava um saldo positivo de R$ 2,9 bilhões. “Esta diferença se deve a um crescimento robusto (33,8% em relação a janeiro de 2013, controlado para a inflação) nas transferências do governo central”, diz a instituição. Tal desempenho também acabou por afetar o resultado como um todo.

Quando apropriados por competência, os juros nominais chegaram a R$ 30,4 bilhões em janeiro, comparativamente a R$24 bilhões em dezembro, devido ao maior número de dias úteis e o resultado das operações de swap cambial, cuja despesa líquida aumentou de R$ 49 milhões em dezembro para R$ 3,9 bilhões em janeiro. Em doze meses, os juros nominais totalizaram R$ 256,6 bilhões (5,30% do PIB), comparativamente a R$ 248,9 bilhões (5,18% do PIB) nos últimos doze meses terminados em dezembro de 2013.

A composição do saldo primário do setor público mostra um resultado de 3% do PIB do governo central (média de 2009 a 2013: 4,8%), com os estados e municípios contribuindo com uma poupança agregada antes do pagamento de juros sobre a dívida pública de 1,7% do PIB (média de 2009 a 2013: 1,2%).

O resultado primário em doze meses do governo central caiu de 1,57% do PIB (R$ 75,3 bilhões) em dezembro para 1,28% do PIB (R$ 61,8 bilhões) em janeiro. Por outro lado, a contribuição dos governos regionais ao resultado primário consolidado subiu de 0,34% do PIB (R$ 16,3 bilhões) em dezembro para 0,40% do PIB (R$ 19,4 bilhões) em janeiro, em função do forte (e temporário) aumento nas transferências federais.

Contudo, os economistas acreditam que a elevação no esforço fiscal de estados e municípios tende a ser temporária. “Um exemplo pode ser ilustrativo: em junho de 2013, receitas com Refis (i.e., programas de anistia e parcelamento de impostos atrasados) em nível estadual elevaram o saldo primário anualizado regional em cerca de 0,07p.p. (para 0,50% do PIB). O que se seguiu foi uma queda de similar magnitude já no mês seguinte, após a utilização destes recursos em gastos de estados e municípios”, diz a instituição.

Orçamento federal: gasto federal acelera em janeiro

O Governo Central (Previdência Social, Tesouro Nacional e Banco Central) apresentou um superávit primário de R$ 12,954 bilhões em janeiro, com queda de 50,7% em relação ao resultado do mesmo período do ano passado, quando a variação foi de R$ 26,287 bilhões, segundo dados divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional. O Tesouro Nacional e o Banco Central apresentaram superávit de R$ 17,5 bilhões e R$ 87,4 milhões, respectivamente, enquanto a Previdência Social apresentou déficit de R$ 4,6 bilhões.

Segundo as estimativas do Itaú Unibanco, a maior surpresa ocorreu do lado da despesa, que ficou R$ 7,7 bilhões acima de nossa projeção. A receita líquida foi R$ 4,3 bilhões.

A arrecadação voltou a perder força após o forte aumento em meses recentes resultante de fatores temporários (como a concessão do campo de Libra, Refis, receitas com IPO, multas). As receitas federais reais líquidas de transferências a estados e municípios mostraram queda de 4,9%% frente a um ano atrás. Esta queda reflete o forte aumento nas transferências para estados e municípios, que haviam caído 10,7% em dezembro (na comparação interanual, em termos reais), refletindo um auxílio financeiro de 1,9 bilhões de reais para incentivos às exportações (MP 629/2013) e repasses referentes ao salário educação (R$ 1,6 bilhão).

Contudo, as receitas tributárias também mostraram desaceleração: houve uma queda de 0,2% real frente a janeiro de 2013, por conta do crescimento mais lento da atividade e ao fim da contribuição de fatores temporários que ajudaram as receitas em novembro e dezembro.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. Roberto São Paulo-SP 2014

    2 de março de 2014 12:21 pm

    Dívida líquida pública reduziu 15% desde de agosto de 2011

    Uma redução equivalente a 6% do PIB.

    Em função da correção cambial e dos superávits primários ocorreu uma redução significativa da dívida pública em relação ao PIB desde de agosto de 2011, demonstrando que os impactos de uma  crise financeira internacional não mais provocam uma explosão na dívida pública, muito pelo contrário.

    Esta é uma nova realidade das contas públicas no Brasil, ainda não percebida pela maioria dos economistas, que ainda estão fazendo avaliações olhando pelo retrovisor, se baseando em fatos que não existem mais, como baixo  patamar de reservas cambiais, a excessiva dependência do petróleo importado, a dolarização da dívida pública interna.

    III – Dívida líquida do setor público(janeiro 2014)

    Banco Central do Brasil-NOTA PARA A IMPRENSA-28.2.2014
    A dívida líquida do setor público alcançou R$1.613,2 bilhões em janeiro (33,3% do PIB), reduzindo-se 0,5 p.p. do PIB, em relação ao mês anterior. Essa redução decorreu do da desvalorização cambial de 3,6% no mês, que contribuiu para reduzir a relação DLSP/PIB em 0,5 p.p.;
    do superavit primário, que contribui para a redução com 0,4 p.p.;
    e do crescimento do PIB nominal, com 0,2 p.p.
    Em sentido contrário, os juros nominais apropriados contribuíram para elevar a relação em 0,6 p.p. e o ajuste de paridade da cesta de moedas que compõe a dívida externa líquida, em 0,1 p.p.

    A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) alcançou R$2.829,6 bilhões em janeiro, 58,5% do PIB, elevando-se 1,3 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. Esse aumento decorreu, principalmente, da sazonalidade observada nas condições de liquidez no período, com reflexo no volume de operações compromissadas.
    URL:
    http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPOLFISC

    ————-III – Dívida líquida do setor público(agosto de 2011)
    Banco Central do Brasil-NOTA PARA A IMPRENSA-30.9.2011
    A dívida líquida do setor público atingiu R$1.549,4 bilhões (39,2% do PIB) em agosto, reduzindo-se 0,2 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.

    No ano, a relação DLSP/PIB registrou redução equivalente a 1 p.p. do PIB. O superávit primário acumulado contribuiu para essa redução com 2,4 p.p. do PIB; o efeito do crescimento do PIB corrente, com 2,8 p.p.; e a variação na paridade da cesta de moedas que compõem a dívida externa líquida, com 0,3 p.p. Essas reduções foram compensadas, parcialmente, pelo aumento de 4,1 p.p. do PIB nos juros nominais apropriados e pelo efeito da apreciação cambial de 4,7% registrada no período, com impacto de 0,5 p.p. do PIB.

    A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) alcançou R$2.216,6 bilhões (56,1% do PIB) em agosto, reduzindo-se 0,1 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.
    URL:
    http://www.bcb.gov.br/htms/infecon/notas.asp?idioma=p

    ni201109pfp.zip—-(.txt .xls)

    http://www.bcb.gov.br/ftp/notaecon/ni201109pfp.zip

  2. Roberto São Paulo-SP 2014

    2 de março de 2014 12:41 pm

    A queda da dívida pública líquida

    Alta do dólar faz dívida pública líquida cair para menor nível da história
    28/02/2014 17p0—Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil—Edição: José Romildo

    A alta de 3,6% do dólar em janeiro fez a dívida pública líquida cair para o menor nível da história em janeiro. Segundo números divulgados hoje (28) pelo Banco Central (BC), a dívida líquida do setor público encerrou o mês passado em 33,3% do Produto Interno Bruto (PIB), o percentual mais baixo desde o início da série histórica.

    A queda ocorreu porque o endividamento líquido desconta, da dívida bruta, o que o governo tem a receber. Com a valorização da moeda norte-americana no mês passado, os ativos em moeda estrangeira, principalmente as reservas internacionais, aumentam de valor na conversão em reais, resultando numa dívida líquida menor.
    Segundo o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, a queda da dívida líquida em janeiro será revertida em fevereiro. Isso porque, neste mês, o dólar caiu 4%. O BC projeta que a dívida líquida do setor público tenha aumentado 0,3 ponto percentual em fevereiro, fechando este mês em 33,6% do PIB. Os números finais, no entanto, só serão divulgados no fim de março.

    A queda da dívida pública ocorreu apesar do déficit nominal de R$ 10,476 bilhões em janeiro, o maior para o mês desde 2006. Diferentemente do resultado primário, o resultado nominal considera o pagamento dos juros da dívida pública, que totalizou R$ 30,399 bilhões no mês passado e atingiu o maior valor da história para todos os meses. Tradicionalmente, a dívida pública sobe quando ocorre déficit nominal, mas a alta do dólar neutralizou esse efeito.

    De acordo com Fernando Rocha, os gastos com os juros da dívida foram elevados em janeiro por causa de três fatores: o maior número de dias úteis no mês passado, a inflação mais alta em dezembro (que impactou os juros dos títulos públicos corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e o prejuízo do Banco Central de R$ 3,9 bilhões com as operações de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. Além disso, o atual ciclo de alta da taxa Selic – juros básicos da economia – aumenta os juros da dívida.

    Em fevereiro, ressaltou o técnico do BC, a maior parte dos fatores que impulsionaram as despesas com juros em janeiro foi revertida. A queda do dólar fez o Banco Central lucrar com as operações de swap e a inflação em janeiro caiu em relação a dezembro.
    URL:

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2014-02/alta-do-dolar-f

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