
Na próxima terça-feira será lançado em São Paulo o livro “Viagem no País da Crônica”, do mineiro Humberto Werneck.
Enfatizo o “mineiro” em homenagem à grande vocação dos jovens mineiros da nossa geração: ser cronista ou contista mineiro.
Nos anos 60, nossos ídolos máximos eram Fernando Sabino, Otto Lara Rezende, o capixaba Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino. Lembro-me, com 13 anos, esboçando minhas crônicas nos concursos literários do GGN, sucedendo os deuses maiores, Carlos Drummond de Andrade
Werneck é de uma geração que chegou em São Paulo nos anos 70, em um êxodo de contistas e cronistas mineiros, ao lado de Roberto Drummond, Ivan Ângelo, Sérgio Sant´Anna, Affonso Romano de Sant´Anna e o patriarca Murilo Rubião.
Fomos colegas na revista Veja, de Mino Carta. Descobrimos juntos o bar do Alemão, centro da boemia jornalística da época.
Nos fechamentos de quinta-feira, era uma delícia ir até o bar e soltarmos verrinas venenosas acerca do ambiente da revista. A revista explodira e muitos dos seus jornalistas se consideravam de uma casta superior, recorrendo a mesuras e salamaleques de “gente fina”. Era um prato semanal delicioso nas noitadas de 5a feira.
Lembro-me até hoje do colega que definiu um jeito de atender o telefone: “Aaaaaaalô”. Um dia, Renato Pompeu, um dos redatores mais talentosos, descobriu que o Aaaaaalô era a marca registrada de um radialista de Campinas, homossexual conhecido.
Foi no corredor, perto da baia do colega, e fez o teste: “Fulano, sabe como o cachorro faz? É auau. E o gato? Miau, miau. E o veado?”. Silêncio total. E Renato emendava: “Ele diz: aaaaaaalô”.
A história, contada por Werneck, era muito mais saborosa, assim como os causos de José Aparecido, de Hélio Garcia e outros mineiros contadores de história.
Mas seu maior feito foi em um dos aniversários de Drummond, não me lembro se nos 70 ou 80 anos. O Estadão tinha uma redatora, professora da USP, que conseguiu o impossível: uma entrevista exclusiva com Drummond. Werneck foi incumbido, então, de produzir uma capa para a Veja não fazer feio. Recorreu, então, à própria literatura de Drummond, e produziu uma capa clássica, que engoliu a cobertura do Estadão.
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