4 de junho de 2026

Mendonça de Barros: pessimismo é exagerado porque analistas substituíram cérebro pelo fígado

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Do Valor

“Pessimismo é exagerado, porque se substituiu o cérebro pelo fígado”

Por Flavia Lima

Mendonça de Barros: ‘terapia’ do governo é esfriar consumo e melhorar inflação

Luiz Carlos Mendonça de Barros diz que não se surpreendeu com o crescimento da economia em 2013 porque nunca comprou a teoria de que o “país caminha à beira do precipício”, compartilhada por analistas que “substituíram o cérebro pelo fígado”. Mas que ninguém se engane.

Segundo o ex-presidente do BNDES, hoje diretor da Quest Investimentos e à frente da empresa de caminhões Foton Aumark, a alta surpreendente dos investimentos se deveu basicamente à venda de caminhões e não deve se repetir em 2014, cuja expansão não passa de 1,8%. Para ele, o caminho para um avanço maior da economia inclui um programa para alavancar o investimento privado – o que deve ficar para o próximo governo. A seguir, trechos da entrevista:

Valor: O sr. se surpreendeu com o PIB de 2013?

Luiz Carlos Mendonça de Barros: A expectativa errada foi criada por analistas que achavam que estávamos à beira do precipício. Eu nunca comprei essa teoria, portanto esse número não me causa surpresa. Mas se a economia cresceu 2,3% no ano, ao se pegar o quarto trimestre de 2013 contra o quarto de 2012, o crescimento já é menor, de 1,9%. O que quer dizer que, na ponta, a economia já está desacelerando, por isso a previsão para 2014 é de alta de 1,7% ou 1,8%. Ao se olhar a curva das vendas do varejo, que é uma proxy do consumo, ela vinha crescendo 10% em termos reais entre 2010 e 2011, e hoje cresce 4%. A terapia é correta. Mas isso leva a um crescimento mais baixo.

Valor: Que terapia é essa?

Mendonça de Barros : Minha leitura é que a terapia do governo está correta, que é esfriar o consumo para melhorar a inflação e trazer o déficit em conta corrente para um número mais estável, perto de 2,5%, que pode ser coberto pelos investimentos diretos. Nesse sentido, um dado bem importante é o de confiança do consumidor da FGV, um indicador antecedente ao consumo, caindo de forma muito rápida. Os dados sobre crédito mostram que ainda estamos em um processo de redução do endividamento. Isso faz parte da terapia também. O grande problema é que se dá em ano de eleições, ocasionando essa instabilidade. A terapia deveria ter sido aplicada em 2011 e 2012 e, talvez, já teríamos uma curva ascendente de PIB.

Valor: A decisão do Copom de desacelerar a alta dos juros é correta?

Mendonça de Barros : A meta do Copom não é subir juros, é esfriar a economia e isso ele conseguiu. Então, ele pode até parar agora porque o movimento já foi dado, ele já conseguiu reduzir o consumo.

Valor: E o investimento cresceu…

Mendonça de Barros : Ele foi puxado por caminhões, que tiveram um período muito anormal. Em 2012, o Brasil introduziu o Euro 5 [novo padrão de emissão de poluentes]. Antes da entrada da nova lei, em 2011, se produziu muito caminhão e, em 2012, essa produção caiu porque o sujeito já tinha comprado caminhão no ano anterior. Em 2013 a produção voltou ao normal, mas é comparada com 2012, que teve um nível muito baixo. Logo, é preciso tomar cuidado com esses dados de formação bruta porque são basicamente sazonalidade de vendas de caminhão. Isso não se sustenta.

Valor: Como será 2014?

Mendonça de Barros : Será um ano complicado, mas por conta de uma armadilha clássica que acontece com economias de mercado, quando há um período muito longo de crescimento do consumo e o investimento não vai atrás. E se cria inflação. No caso local, isso se agravou porque a terapia deveria ter sido aplicada em 2011 e não foi.

Valor: Por que esse pessimismo?

Mendonça de Barros : Pessimismo é exagerado porque boa parte dos agentes substituiu o cérebro pelo fígado e essa é a pior coisa que pode acontecer para um analista econômico. Isso porque a presidente exagerou em uma série de decisões erradas, como na questão energética, ou no superávit primário. Eles acharam que as decisões erradas levariam ao precipício. É muito cedo, a economia brasileira é mais forte. Mas isso não quer dizer que o PIB de 2014 vai ser maior. A dinâmica atual é de PIB abaixo de 1,9% e nada pode reverter isso. A reversão virá com o próximo presidente e um programa crível baseado no investimento privado.

Redação

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8 Comentários
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  1. Miguel A. E. Corgosinho

    28 de fevereiro de 2014 6:48 pm

    porque a terapia deveria ter sido aplicada em 2011 e não foi.

    Ai, Dilma, 2014 vai te dar dor de barriga.

    1. Miguel A. E. Corgosinho

      28 de fevereiro de 2014 9:22 pm

      “quando há um período muito

      “quando há um período muito longo de crescimento do consumo e o investimento não vai atrás. E se cria inflação.”

  2. Fernando G Trindade

    28 de fevereiro de 2014 7:07 pm

    Já da minha parte acho que

    Já da minha parte acho que não há ‘pessimismo’ ou melhor o ‘pessimismo’ tem a ver é com a retórica da disputa política com vistas à eleição presidencial de outubro próximo. O problema é a perda de credibilidade.

    Mas, enfim, isso só comprova o histórico engajamento partidário anti-trabalhismo e pró-udenismo da grande mídia. Desde sempre e que recrudesceu nos últimos 10 anos.

    1. Lionel Rupaud

      28 de fevereiro de 2014 10:11 pm

      Mas no caso do Mendocão tem a ver com

      a posição de seus fundos de investimentos: hoje ele é claramente “comprado”, já deve ter comprados muitos ativos tipo ações Petrobras, Banco do Brasil e Vale, muito baratas, e agora vai usar valor e falha para ajudar os preços a subirem…

      Ele tem uma baita de uma inveja da fortuna do colega Lara Rezende.

  3. Assis Ribeiro

    28 de fevereiro de 2014 7:31 pm

    O mesmo blá, blá, blá.

    O economista se esqueceu de que o setor de mais preocupação, o da indústria, cresceu com base em investimentos feitos, o que denota a melhora, via maior produção, do seu PIB em 2014.

    Em fevereiro do ano passado quando muitos afirmavam que o PIB alcançaria altos índices cravei o que se segue:

    Re: As previsões de Nilson Teixeira para o PIB de 2013“Nilson Teixeira estima crescimento em 4%”

    dom, 24/02/2013 – 18:05 — Assis Ribeiro

    Para mim não passa de 2,5%, e com viés otimista.

    A situação dos EUA e UE não irá melhorar, a China ainda que crescendo terá índices inferiores.

    O consumo interno mostrou no ano de 2012 que está no limite.  Os bancos privados já declararam que não vão abrir o crédito além do limite atual, os bancos públicos já abriram as torneiras dentro do que podiam.

    O incentivo do governo ao investimento privado mostrou-se inócuo. Mantega neste momento parte em desespero para os EUA em busca de investimento.

    —-X—-X—-X—-X—-X—

    Um colega xará respondeu que eu parecia a grande imprensa, ao que respondi:

    dom, 24/02/2013 – 20:26 — Assis Ribeiro

    Grande xará. Quisera eu estar completamente enganado. Sequer em minhas fundamentações citei a grande guerra cambial que se anuncia.

    Mas a situação econômica do mundo não é nada boa e os vasos são comunicantes em um mundo globalizado. O Brasil ainda como exportador de commodities  a situação pesa. Neste ano que passou os commodities americanos tiveram uma grande baixa devido à forte seca por lá, enquanto por aqui não tivemos problemas, e ainda assim tivemos um PIB pequeno, como em todo o mundo. Este ano espera-se que os EUA produzam mais commodities que irão concorrer em alguns setores com as nossas.

    No post: https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/as-previsoes-de-nilson-teixeira-para-o-pib-de-2013#comment-1284177

    Pois bem Mendonça, estou hoje cravando que o PIB de 2014 será próximo de 3% contra a sua previsão “otimista” de PIB abaixo de 1,9%

    1. Idiro

      28 de fevereiro de 2014 9:04 pm

      Que bom

      Que bom que sua previsão de PIB é mais otimista. Principalmente porque, de fato, você quase acertou em 2013. Uma dúvida: nesse seu PIB você está apostando na manutenção da selic em 10.75? E a copa, vai ser um “sucesso” ou “fracasso” ou isto não tem tanta importância para o PIB? 

    2. gvalenca

      1 de março de 2014 2:11 am

      Assis, muito bom ter vc de

      Assis, muito bom ter vc de volta!

  4. Ivan de Union

    28 de fevereiro de 2014 9:43 pm

    “Luiz Carlos Mendonça de

    “Luiz Carlos Mendonça de Barros diz que não se surpreendeu com o crescimento da economia em 2013 porque nunca comprou a teoria de que o “país caminha à beira do precipício”, compartilhada por analistas que “substituíram o cérebro pelo fígado””:

    Naaaaooooo.  Pela bunda mesmo.

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