5 de junho de 2026

Estudo aponta potencial de produtos florestais na restauração da Mata Atlântica

Levantamento revelou que 59% das espécies nativas da região apresentam algum potencial de uso econômico – seja na medicina, na cosmética ou na alimentação
Crédito: TV Brasil

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) indica que a exploração sustentável de produtos florestais não madeireiros pode ser uma alternativa para reduzir os custos da restauração de áreas degradadas e, ao mesmo tempo, gerar renda.

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Publicado na revista Ambio, o trabalho analisou a biodiversidade do Vale do Paraíba do Sul (SP, MG e RJ) e revelou que 59% das espécies nativas da região apresentam algum potencial de uso econômico – seja na medicina, na cosmética ou na alimentação.

“A vantagem do manejo de produtos não madeireiros é que ele se baseia na coleta de folhas, galhos, sementes e frutos, constituindo um manejo não destrutivo, mantendo a floresta de pé e podendo trazer ganhos em médio prazo”, afirma Pedro Medrado Krainovic, primeiro autor do artigo, realizado durante seu pós-doutorado no Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP), com apoio da FAPESP.

No levantamento, foram identificadas 329 espécies arbóreas em 46 parcelas de floresta, totalizando 41,4 mil m² amostrados. Entre as 283 espécies nativas, 167 apresentaram potencial bioeconômico: 58% para uso medicinal, 12% cosmético e 5% alimentício. Apesar disso, apenas 13% chegaram ao estágio de produto final. Araucária e juçara foram algumas das espécies mais citadas.

A análise também incluiu uma busca por patentes relacionadas às espécies encontradas. Das 167 plantas com potencial, 78 já possuem registros em 61 países, mas apenas 8% no Brasil. “O número de patentes é uma evidência do potencial econômico dessas espécies. Ele nos dá uma dimensão do que já pode suscitar interesse e potencial comercial, enquanto as que não possuem patente demonstram quanto ainda pode ser encontrado por meio de pesquisa e desenvolvimento, como novas moléculas medicinais, cosméticas e mesmo alimentos”, destaca Krainovic.

Alternativa de renda

Segundo os autores, os produtos não madeireiros podem funcionar como fonte intermediária de receita até que as espécies madeireiras de ciclo longo estejam prontas para exploração. A prática também é uma saída em áreas de preservação permanente (APPs), onde o corte de madeira é proibido pelo Código Florestal.

Para além da rentabilidade, o estudo ressalta que a restauração garante serviços ecossistêmicos essenciais, como provisão de água, sequestro de carbono, proteção do solo e polinização. “É preciso considerar que o objetivo final da restauração de ecossistemas é o retorno da provisão de serviços ecossistêmicos, importantes inclusive para a atividade agropecuária. Buscar formas sustentáveis de viabilizar esses projetos, porém, é uma maneira de tornar a restauração mais atrativa para os produtores rurais”, afirma o pesquisador.

Projetos de reflorestamento com espécies nativas têm ainda alto potencial de geração de empregos. Estimativas apontam que o Brasil poderia criar 2,5 milhões de postos de trabalho se cumprir a meta de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, compromisso assumido no Acordo de Paris.

O estudo alerta, no entanto, que a exploração de ativos florestais precisa estar acompanhada de planos de manejo e políticas regulatórias para evitar riscos de superexploração. Como exemplo negativo, os pesquisadores citam o pau-rosa, árvore amazônica muito explorada nas décadas de 1940 e 1950 para a indústria de perfumaria, hoje ameaçada de extinção.

Caminhos sustentáveis

Entre as medidas sugeridas estão certificações, compras públicas e políticas que incentivem a abertura de mercados sustentáveis. O cruzamento de dados de abundância das espécies, literatura científica e registros de patentes também pode ser aplicado a outros biomas para orientar projetos futuros.

“Espécies raras, pouco abundantes, mas com bastante potencial econômico, poderiam ser adicionadas a projetos de restauração ativa, com plantio de mudas. Por sua vez, espécies abundantes e de fácil manejo, que nascem naturalmente, podem ser mais bem estudadas para que se encontrem usos econômicos, empilhando valores tangíveis e intangíveis das florestas e das espécies nativas e criando a multifuncionalidade ecológica-econômica”, conclui Krainovic.

O artigo completo pode ser acessado em: link.springer.com/article/10.1007/s13280-025-02234-5

*Com informações da Agência Fapesp.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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  1. TWA

    16 de setembro de 2025 4:49 pm

    Sim, tem muito potencial para ser explorado, mas veja a situação da Embrapa, com dívidas de R$ 200 milhões e alguns comentários anônimos de pesquisadores da Embrapa que foram divulgados na internet. (Poder360)
    “A Embrapa tem grande potência, mas a gestão, há anos, vem piorando. São muitas unidades com custo alto e a gestão não tem foco, não expressa um objetivo para responder às necessidades da agropecuária no Brasil. Os pesquisadores ficam soltos, cada um faz o que quer; eu nunca fui cobrado por nada. Faço o que quero. Cada pesquisador faz o que quer. Não tem qualquer reunião para refletir sobre os atuais desafios das cadeias produtivas de fato. Cada um de nós é uma firma privada pago pelo povão.”

    “Não é uma empresa orgânica no sentido de saber o que é desafio em cada cadeia produtiva e a partir daí ter estratégia, coordenação, meta, cobrança, etc. Agora temos teletrabalho, 2 vezes por semana. Já viu um pesquisador de laboratório e campo em casa? Com esse belo salário é uma maravilha. E os cargos de chefia, bem pagos, se revezam para receber aditivos salariais e complexificar a burocracia.” …

    “É nesse contexto que tem as coisas mais delirantes do mundo: projeto de agroecologia, grupo de trabalho de pesquisa de agricultura espacial. Umas coisas totalmente fora das necessidades reais que a agropecuária está a exigir de nós em tempos de quarta revolução industrial e da inteligência artificial.” …

    “Vejo uma baita empresa, com tudo para ajudar a alavancar a nossa economia, sangrando na falta de verbas e na burocracia.”

    “A gente, pesquisador, gasta um tempo enorme preenchendo sistemas e burocracias. Ou seja, o povão nos paga para alimentar a burocracia da sede da Embrapa, que não tem ninguém analisando, de fato, os resultados.” …

    “Um outro tema fundamental: cada Unidade da Embrapa tem seu sistema de avaliação de desempenho dos funcionários. Então, em cada unidade, o poder local beneficia os seus, sem critérios técnicos de capacidade. Assim, tem gente que em dez anos de Embrapa chegou no teto da carreira.” …

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