do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
Famílias que vivem em comunidades nos bairros do Brooklin e Campo Belo, na região da avenida Roberto Marinho (antiga Água Espraiada), uma das mais valorizadas de São Paulo atualmente, obtiveram uma importante conquista depois que o governo do estado anunciou a retirada de cinco terrenos do leilão que pretende promover com áreas da região. A decisão foi publicada no Diário Oficial no último dia 25.
Com isso, cerca de 50 famílias que estavam ameaçadas de perder suas casas foram beneficiadas. O número de terrenos a serem leiloados caiu de 42 para 37. No entanto, se o leilão ainda for realizado, aproximadamente 250 famílias devem perder suas casas sem direito a receber indenização. A maioria é de baixa renda.
O governo alega que as casas são áreas de propriedade jurídica do estado e que tem o direito de vendê-las. Mas todas as famílias estão lá há décadas, desde quando a região não era valorizada, e por todo esse tempo pagaram impostos por seus imóveis.
A retirada dos cinco terrenos do leilão só ocorreu depois de uma marcha realizada no último dia 21, que reuniu 50 pessoas das comunidades afetadas, entre jovens, adultos e muitas pessoas idosas.
Sob o sol da manhã, a marcha se lançou à avenida Roberto Marinho, cortou a avenida Berrini, para então tomar a avenida Morumbi rumo ao Palácio dos Bandeirantes. Chegando lá, os manifestantes bloquearam o trânsito e exigiram serem recebidos pelo governo. Mesmo com a intimidação policial, não houve recuo.
A concentração em frente à sede do governo ainda foi noticiada ao vivo no telejornal do almoço.
Depois de muitas horas e insistência, o governo finalmente cedeu e recebeu uma comissão eleita pelos manifestantes, que passou então a um intenso processo de negociação. Ao fim, representantes do governo assinaram um documento em que se comprometeram em retirar dos leilões os terrenos onde vivem mais de uma família.
A retirada dos cinco terrenos do leilão se configura em uma vitória expressiva do movimento protagonizado pelas famílias organizadas. No entanto, há ainda aqueles terrenos onde vivem apenas uma família e que ainda estão sob risco de serem leiloados.
O movimento deve agora avaliar a situação e pensar novas estratégias para continuar a luta, a fim de garantir que nenhuma das famílias organizadas perca sua casa no leilão.
Gão
27 de fevereiro de 2014 4:30 pmDeixa eu adivinhar, o MTST passou longe da marcha
Nem esses 50 podem dormir tranquilo, o que alckmin fala não se escreve, é só lembrar o “acordo” do pinheirinho.