4 de junho de 2026

Artistas seriam mortos no atentado do Riocentro, afirma ex-delegado

Do O Globo

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Artefato não explodiu no palco; MPF investiga versão de delegado

RIO — Gravações de depoimentos ao Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro, apresentadas ontem pelo “Fantástico”, da Rede Globo, e parte de uma investigação revelada com exclusividade semana passada pelo GLOBO, revelam que mais duas bombas deveriam ter explodido no Riocentro na noite de 30 de abril de 1981, simultaneamente à que foi detonada num carro no estacionamento, matando um militar e ferindo outro. Uma das bombas explodiria no palco, onde se apresentavam artistas durante um show em comemoração ao Dia do Trabalho. A morte de artistas provocaria comoção.

A outra bomba deveria ter explodido na casa de força do Riocentro, para que a energia elétrica fosse cortada e a falta de luz provocasse pânico nas cerca de 20 mil pessoas que assistiam ao show. As afirmações foram feitas pelo ex-delegado de polícia Cláudio Guerra, que foi até o local no dia do atentado para prender pessoas falsamente ligadas ao atentado.

“Seria colocado no palco, justamente pra atingir… A comoção seria a morte de artistas mesmo, né?” disse Guerra.

O GLOBO teve acesso à investigação dos procuradores da República do grupo Justiça de Transição, que apuram o caso há dois anos, e os repórteres Chico Otavio e Juliana Castro publicaram o conteúdo desse trabalho no dia 16 deste mês.

Os procuradores denunciaram seis envolvidos no atentado: cinco militares, três deles generais, além de Guerra. Para denunciar o então capitão Wilson Luiz Chaves Machado — parceiro do sargento Guilherme Pereira do Rosário, morto na ação, e dono do carro onde a bomba explodiu — e outros cinco acusados de envolvimento, os procuradores produziram 38 volumes de documentos e 36 horas de gravações de depoimentos em áudio e vídeo.

Pelo menos dois novos depoimentos reescrevem a história da ação, aos quais o GLOBO teve acesso e o “Fantástico” mostrou ontem imagens. O do major reformado Divany Carvalho Barros, de codinome Doutor Áureo, que admite, pela primeira vez em mais de três décadas, que foi ao Riocentro com a missão delegada pelo comando de apagar provas que pudessem incriminar os militares e de desfazer a cena.

“A caderneta com telefones, nomes, anotações. Peguei a caderneta, peguei uma granada defensiva que ele (sargento) usava na bolsa que não explodiu. Peguei a pistola dele”, conta.

E o depoimento da viúva do sargento, Suely José do Rosário. Ela disse que, logo após a explosão, agentes do DOI a ameaçaram. Um deles foi identificado por ela pelo codinome “Doutor Luís”. Eles teriam queimado documentos de Guilherme no tanque de roupas de sua casa. Também teriam recolhido as folhas de alterações do sargento (um currículo dos militares), devolvendo-as depois fatando páginas.

“Um tal de Luiz. Chamavam ele de Doutor Luiz. Ele falou: ‘a senhora vai ser chamada para depor, a senhora veja bem o que a senhora vai falar. A senhora vai ser acompanhada. A senhora tem que lembrar que a senhora tem dois filhos para criar’”.

Ao depor no Ministério Público Federal, Machado negou participação no atentado.

 

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16 Comentários
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  1. Mario Cuoco

    24 de fevereiro de 2014 7:30 pm

    Olha o Barbosa aí, gente!

    Caetano ia se apresentar no show? Então ele deve ler esta matéria para valorizar bem muito a democracia e deixar de apoiar os black blocs. Os blacs blocs estão sendo manipulados pelas viúvas do movimento de 64 que estão com uma saudade imensa da ditadura. Viúvas que sonham em reimplantá-la com a colaboração de um ditador bem louco que substitua a Dilma e bote “ordem na casa”. A figura fantasmagórica da morte agradece. A Rede Globo tanbém.

     

  2. W K

    24 de fevereiro de 2014 7:37 pm

    Se esta ação

    realmente foi mandada por alguém de nível mais elevado na hierarquia do Exército, pode-se inferir perfeitamente que estes comandantes envolvidos daquela época seriam todos eles uns doentes mentais, não é? 

    O consolo – inútil, claro – foi que esses doentes mentais mandaram uns pé-rapados bastante estúpidos para executarem esse ato terrorista. Tão estúpidos, mas tão estúpidos, que uma das bombas explodiu no colo de um deles. Um outro estúpido usou o próprio carro, sem se preocupar em ser identificado. Estagiário em ladroagem não comete essa burrada.

    Ou então, os anjos da guarda dos artistas no palco não gostavam das músicas de seus protegidos, e, reunindo-se no estacionamento, perceberam a trama armada e conseguiram impedir esta imbecilidade. 

    Cabe ainda perguntar: quem é que iria ganhar alguma coisa com este ato terrorista? 

    Certamente os parentes dos artistas que tivessem morrido naquela ocasião iriam provocar pelo mundo uma comoção tão grande, que o governo de então iria permitir uma investigação internacional, e aí chegariam nos nomes destes doentes mentais. 

    Chegando aí, então talvez o regime militar acabaria, e o governo civil que assumisse faria um expurgo violento nas forças armadas. Não acho que isto interessaria a estes doentes mentais. 

    Felizmente nenhum destes artistas e praticamente ninguém do público presente teve trauma desse episódio. 

    1. José Carlos Fix

      24 de fevereiro de 2014 8:53 pm

      Comé-qui-é?

      Os argumentos do colega parecem “inferir” que foi um ato de meia dúzia de subalternos…

      Mas você acha sinceramente que foi um ato isolado ou foi apenas aquele que deu errado? E o atentado do Aeroporto de Guararapes, 5 anos antes? Quem teria feito aquela carnificina?

      Você acha que os caras que usualmente prendiam um “suspeito” na frente de toda a família, torturavam o cara e depois sumiam com o cadáver realmente teriam medo de usar o próprio carro? Teriam medo de ser identificados como… agentes da repressão? 

      Cara, quando eram identificados, eles recebiam medalhas, comendas e talvez até promoção! 

      Quem iria ganhar alguma coisa? Tá brincando né? Certamente os civis que seriam mortos. Ou os artistas, como disse você…. Os militares, não. Só perderiam! 

      Investigação internacional? O governo de então iria permitir? Tá de sacanagem, né?!!!!

      Desculpe-me, mas como você sabe que “praticamente ninguém … teve trauma desse episódio”?

       

       

  3. prsnunes

    24 de fevereiro de 2014 8:16 pm

    Quem eram os artistas que

    Quem eram os artistas que iriam se apresentar no Riocentro naquele dia?

    1. prsnunes

      24 de fevereiro de 2014 8:21 pm

      Achei

      1. Luiz Gonzaga da Silva

        24 de fevereiro de 2014 10:34 pm

        Até, mais ou menos, uns doze

        Até, mais ou menos, uns doze anos atrás, tinha um poster do cartaz do primeiro show.  Tive que me desfazer porque caiu água na moldura e não deu para restaurar. Ainda hoje, tenho um poster comprado no mesmo dia que mostra uma foto em preto e branco de Chico Buarque. Na frente da foto, a letra de “Rosa dos Ventos”. Os cartazes das três edições são de autoria de Ziraldo.

        Fui aos três shows. Poderia estar entre as vítimas do “protesto” dos “sinceros, mas radicais” como denominou Geisel a extrema direita militar.

  4. Frederico69

    24 de fevereiro de 2014 8:29 pm

    então

    como bons militares brasileiros, os cabeções estavam tão bem treinados quanto o professor de homem bomba para mexer com explosivos!!

    ainda bem que não mataram gente inocente. de resto a humanidade ficou engrandecida com a eliminação desses genes.

  5. +almeida

    24 de fevereiro de 2014 9:10 pm

    A história não mente, pra subir você desceu.

    “Se não queres que ninguém saiba, não faças”. Pois é! Adivinhem quem que andava de braços dados com essa turma perigosa pra cima e pra baixo? Adivinhem quem evitou a quebra e se beneficiou da engorda financeira para chegar onde chegou? Adivinhem quem, por tanto tempo, se escondeu, escondendo um passado sombrio, nefasto e aterrorizante para, anos e anos depois, na maior cara de pau, dizer que errou? Adivihem quem indecentemente e oportunistamente cobra e fala de: patriotismo, ética, moral, lealdade, transparência, deveres, respeito, liberdade, credibilidade, correção, competência e outros adjetivos do bem, mas que corrompe agressivamente a cada um deles, quando é para atingir seus objetivos ou daqueles que defendem? Toda conquista adquirida com desonras e injustiças, que promova prejuízos e sofrimentos de outros terá que ser penalizada mais a frente, seja que de forma for. Para definir bem essa questão lembro a famosa frase de uma música que diz: “Por isso não adianta estar no mais alto degrau da fama, com a moral toda enterrada na lama” 

  6. Geraldo.S

    24 de fevereiro de 2014 9:40 pm

    Tinha alguém da Globo

    Tinha alguém da Globo cobrindo  o evento?

    1. peregrino

      24 de fevereiro de 2014 10:14 pm

      boa pergunta…

      acrescento outra:

      será que a ideia de turbulência e complexidade política ainda é a mesma da época?

       

      um caso a pensar

  7. peregrino

    24 de fevereiro de 2014 10:07 pm

    pergunta que não quer calar…

    de lá pra cá, houve alguma alteração na estrutura hierárquica interna que impossibilite que aconteça a qualquer tempo?

     

     

    1. peregrino

      24 de fevereiro de 2014 10:19 pm

      justifico…

      se os mecanismos de poder paralelos ao do Estado não mudam, nada muda

  8. Durvaldisko

    24 de fevereiro de 2014 10:43 pm

    Fosse um show  funk o Puma  

    Fosse um show  funk o Puma   estaria  inteiro,o capitão  chegaria a general  e o sargento  não estaria procurando o bilau até agora.

  9. Raí

    24 de fevereiro de 2014 11:30 pm

    É a repetição destes atos, que estão querendo ?

    Certamente a maioria destes estúpidos jovens que estão sendo usados como massa de manobra, por partidos extremistas, nestas manifestações “sem eira nem beira” para desconstruir o que o governo popular do PT, fez nos últimos 12 anos, nem tinha nascido, e tampouco conhece a história daquele 1º de maio, senão, pensaria 2 veses, antes de aceitar ser usado, para alimentar a esperança de uma certa direita, e de uma oposição destemperada, que não aceita deixar o PT, ganhar mais uma eleição presidencial.

    As inúteis tentativas de um militar, ora na reserva, de negar aqueles fatos, e de tentar jogar a culpa na esquerda dita comunista, soou falsa e rancorosa, e tão falsa quanto uma nota de 3 Reais.

  10. Zanchetta

    24 de fevereiro de 2014 11:53 pm

    Esse ex-delegado Cláudio

    Esse ex-delegado Cláudio Guerra é aquele mesmo que afirmou que queimava os corpos dos presos da ditadura lá no Espírito Santo?

    E tem gente que leva em conta o que ele diz, ainda?

  11. Pedro II

    25 de fevereiro de 2014 12:28 pm

    Mídia terrorista.

    A cara de pau da Globo não tem limites, toda a estrutura das Organizações Globo do ” dr” Roberto Marinho, bem como o resto da corja composta por  ( estadão,folha, veja e outros) estavam metidos até a alma no caso Rio centro, estavam de prontidão aguardando apenas a confirmação do ato terrorista planejado e executado pela banda podre das forças armadas para colocarem a famosa vinheta no ar e, vender para a opinião pública a ideia de que ” grupos  de esquerda” foram os autores do crime. Até quando essa nação vai ser refem dessa coisa  podre e terrorista chamada de Globo, bem como dos seus parceiros? Eu não consigo ver o tal poder que a Globo tem!!! , vejo sim um povo desinformado, acomodado, alienado passando pela vida como se fossem porcos ( olhando sempre para o chão) se recusando a erguer a cabeça e aceitando as algemas e a SENZALA com muita naturalidade… Como já foi dito muitas vezes, o oxigenio da Globo e sua corja esta em nossas maõs, e cortá-lo e facil demais, mas  o povo prefere a SENZALA..

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