Jornal GGN – A América Latina já sente os efeitos da queda dos preços das commodities e deve atravessar nos próximos anos um período de incertezas.
Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo
Seguir no Google
De acordo com a reportagem do jornal Valor Econômico, o cenário virou, e os países mais dependentes da exportação de matérias-primas já sofreram em 2013 uma desaceleração moderada de suas economias. O apetite da China por commodities vem caindo na proporção da desaceleração de seu crescimento. Nos Estados Unidos, com a economia em recuperação, a política monetária expansionista do Federal Reserve vem diminuindo de ritmo e tende, aos poucos, a desaparecer. Enquanto isso, a Europa, outro mercado importante para a região, ainda sofre para retomar o patamar de crescimento de antes da crise global.
O quadro coloca um viés negativo para os principais produtos exportados pela região. Matérias-primas como minério de ferro, cobre e soja vêm sofrendo quedas desde 2013 e devem continuar em baixa, com reflexos na economia latino-americana. O café vinha na mesma toada, até que o clima no Brasil fez com que as cotações subissem mais de 50% neste ano.
Para alguns economistas entrevistados, a tendência é que países cujas economias dependem mais fortemente da exportação de commodities sofram mais daqui por diante. O tamanho do tombo, afirma, dependerá diretamente da força da queda dos preços das matérias-primas que eles exportam.
Alguns analistas, porém, vislumbram um cenário mais tranquilo. Para Ramos, do Goldman Sachs, as economias andinas, como Colômbia, Chile e Peru, que vinham crescendo de 5% a 6% ao ano nos últimos anos, passarão agora a crescer a um ritmo de 4% a 5%.
Exportadores de petróleo da região, como México, Equador, Colômbia e, principalmente, Venezuela, também têm razões para se preocupar. Num passado recente, as sanções contra o Irã e a maior demanda do Japão – que desligou suas centrais nucleares após o tsunami de 2011 – evitaram a queda dos preços dessa commodity, apesar do esfriamento da economia global. No futuro próximo a tendência é que esses fatores diminuam, com um provável acordo em torno do programa nuclear iraniano e a possível reabertura dessas centrais no país asiático. Além disso, o boom do petróleo de xisto nos EUA também afetará os preços internacionais. O petróleo é responsável por cerca de 96% das exportações venezuelanas.
Deixe um comentário