Por Preto Velho
Gosto muito dos posts do AA sobre antigas indústrias pois sempre fui fascinado, desde que cheguei aqui, pelos bairros industriais de São Paulo com seus velhos galpões e fábricas
Em 2003 durante as escavações para construção de algumas torres no terreno da antiga fábrica da Petybon na Vila Romana foram encontrados quase 30 mil fragmentos cerâmicos e 1.975 peças intactas como cuias, pratos, urinóis, tijelas, etc. que seriam da primeira fábrica brasileira de faiança branca (louça de pó de pedra), a Fábrica de Louças Santa Catharina (Fagundes, Ranzini & Cia.) que foi fundada em 1913 pelo imigrante italiano Romeo Ranzini e dois irmãos da família Fagundes, aristocratas do café e mais dois sócios Theodomiro M. Uchôa e Otto F. Backheuser.
A fábrica em 1918 tinha quase 1000 funcionários sendo 800 italianos da região milanesa e de centros oleiros como Laveno-Mombello, outros tantos japoneses e lapeanos.
Embora tenha contratado técnicos ceramistas italianos, era o próprio Romeo que era químico especializado em cerâmica o responsável pela orientação técnica e estética que norteava a produção na Santa Catharina. Seus conhecimentos de química industrial, bem como suas relações com artistas de renome da época capacitavam Romeo a exercer tais funções.
Em 1918 os Matarazzo já aparecem com agentes da fábrica e com a morte do sócio majoritário Euclydes Fagundes a mesma é vendida pele viúva Adelia para as IRFM – Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo em 1927.
A fábrica fechou em 1937, mas como o trânsito de pessoas e operários na fábrica era muito intenso, ela gerou por intermédio de ex-funcionários várias outras fábricas em São Paulo e outros municípios com um modo de produção muito parecido, assim como o das formas e padrões decorativos aplicados às faianças brancas, adquiridos obviamente na Santa Catharina.
Por exemplo as IRFM fundaram a Fábrica Grande em São Bernardo e a Fábrica de Louças Cláudia em em São Caetano. De ex-funcionários ou técnicos: Indústria de Louças Zappi S/A, na Vila Prudente, Fábrica de Louças Paulista (Manetti, Pedotti & Cia.) em Mauá, Fábrica de Louças Adelina, em São Caetano. O próprio Romeo Ranzini funda em 1931 na Lapa a Fábrica de Louças Romeo Ranzini que é transferida para Osasco em 1946 vindo a fechar provavelmente em 1952.
Por fim, é importante ressaltar a importância de Romeo Ranzini o grande pioneiro da indústria de louças no Brasil, não apenas por ter estado à frente de 3 grandes fábricas por mais de 40 anos, entre 1912 e final da década de 1950, mas também por pesquisar novas técnicas de fabricação e pelo que já foi citado acima, o fato de ter trazido do exterior uma quantidade enorme de técnicos e operários oleiros que deram origem à novas fábricas.
Pedro Penido dos Anjos
24 de fevereiro de 2014 1:01 pmLegal esse movimento que o
Legal esse movimento que o Motta começou. É muito bom saber a história das empresas.
Ugo
24 de fevereiro de 2014 1:14 pmcultura
Existe a cultura e memória da indústria ou apenas a memória de algumas pessoas. Patrimônio valioso a se perder.
rita
25 de fevereiro de 2014 1:00 ampois eu me lembro da fabrica
pois eu me lembro da fabrica de louças localizada no centro da cidade de mauá, na grande sp. eu me lembro que a fabrica fechou e o predio ficou abandonado. muito tempo depois surgiu uma fabrica de peças de ceramica. outra fabrica histórica em mauá era a Porcelana Real. eu me lembro que a minha mãe comprava peças de porcelana direto da fabrica, todas brancas. e mandava decorar. na cidade tinha muitas oficinas de decoradores. era uma trabalho artesanal, muito delicado. o decorador fazia as peças de acordo com o gosto do cliente. e as peças eram únicas. eram jogos de jantar, café, jogos de chá, e assim por diante. e todas as bordas filetadas a ouro. era um trabalho muito bonito de se ver. esses decoradores trabalhavam para a Real. mas também faziam trabalhos avulsos. já que a fabrica vendia a porcelana branca para clientes.
Juliano Cunha
10 de agosto de 2015 4:02 pmPeça da FL SC
Olá amigos, eu tenho uma peça muito boa da marca FL SC.