4 de junho de 2026

Falta de segurança compromete uso de moedas virtuais

A promessa é ambiciosa. Transferir recursos para qualquer parte do mundo sob anonimato, sem pagar impostos nem tarifas bancárias. Trazidas pelas moedas virtuais, as inovações podem custar caro. A falta de segurança na internet, que facilita roubos e provoca perdas bruscas na cotação, pode resultar em dor de cabeça para os adeptos da novidade.

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As preocupações em torno da questão levaram o Banco Central (BC) a emitir um alerta na semana passada em relação ao uso das moedas virtuais. No comunicado, a autoridade monetária desaconselha a utilização das moedas virtuais ou criptografadas por causa da falta de garantias para a conversão em moedas oficiais, da ausência de regulação e da baixa credibilidade em relação à aceitação do dinheiro online.

“O valor de conversão de um ativo conhecido como moeda virtual para moedas emitidas por autoridades monetárias depende da credibilidade e da confiança que os agentes de mercado possuam na aceitação da chamada moeda virtual como meio de troca e das expectativas de sua valorização. Não há, portanto, nenhum mecanismo governamental que garanta o valor em moeda oficial dos instrumentos conhecidos como moedas virtuais, ficando todo o risco de sua aceitação nas mãos dos usuários”, advertiu o Banco Central.

A autoridade monetária também esclareceu que as moedas virtuais são diferentes da moeda eletrônica, criada por lei em outubro. Regulada pelo Banco Central, a moeda eletrônica prevê a realização de transferências e pagamentos por meio de créditos e débitos nos telefones celulares e outros dispositivos eletrônicos. As transações, ressalta o órgão, são realizadas em moeda nacional, diferentemente das moedas virtuais, que necessitam ser convertidas.

O alerta ocorreu depois que computadores que servem como bolsas de bitcoin, moeda virtual mais usada atualmente, sofreram ataques de hackers na última semana. Com a impossibilidade de fazer transações, o valor da moeda despencou, prejudicando quem trocou moedas oficiais pelo dinheiro online. Também contribuiu para a queda da cotação a decisão da Rússia e da China de tornar ilegal o uso do bitcoin, sob a alegação de que a ferramenta facilita transações criminosas como lavagem de dinheiro, ocultação de bens e evasão de divisas.

Para o presidente da Safernet Brasil (organização que monitora a segurança da internet no país), Thiago Oliveira, esses fatos mostram que o uso de moedas virtuais é arriscado. “Esse tipo de moeda pode estar imune a problemas do sistema financeiro tradicional, como inflação e crises econômicas, mas é extremamente afetada por novos tipos de crises. A cotação não flutua pelas leis de mercado, mas depende da vulnerabilidade das redes”, diz.

Oliveira esclarece que, em muitos casos, o usuário pode perder mais dinheiro se for surpreendido por uma desvalorização da moeda virtual do que pagaria em impostos e tarifas nas transações reais. “Um pai que transfere dinheiro para o filho no exterior paga 6,38% de IOF [Imposto sobre Operações Financeiras], mais tarifas bancárias. Se tivesse usado bitcoin, o filho seria prejudicado ao converter o dinheiro virtual em dólares porque a cotação caiu 8% nos últimos dias”, explica.

Outro risco das moedas criptografadas, destaca o presidente da Safernet, consiste nos roubos virtuais. O anonimato nas transferências, que representa um atrativo para alguns adeptos, também torna impossível a localização do recurso furtado caso um cracker roube a chave privada que dá acesso à carteira virtual.

“As cédulas e os cheques têm número de identificação. Os cartões de crédito podem ser bloqueados. Mesmo o dinheiro furtado nos sites dos bancos vai para alguma conta corrente. No caso das moedas virtuais, a vítima não consegue rastrear para onde vão os recursos nem tem com quem reclamar”, adverte Oliveira.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Pedro Penido dos Anjos

    23 de fevereiro de 2014 10:49 pm

    Além do a coisa é

    Além do a coisa é piramidal….

  2. Miguel A. E. Corgosinho

    24 de fevereiro de 2014 3:12 am

    O QUE O BACEN ADVERTE?

    O argumento do BACEN chama a atenção para o próprio sistema bancário, onde o  valor que corre on line poderia existir sem a origem nas dividas internas e externas dos países.

    O que vale o princípio da razão que não pode explicar esta que não pode explicar aquela substância do valor? É desde logo constatar um argumento pifio. Encontramos outro dinheiro que funciona eletronicamente e exclui as causas da serie inteira do dinheiro físico; e como virá a ser razão e substância para fabricar o mundo virtual? 

    Ou seja: O mundo virtual existe por substância fiscal, em que os títulos públicos mudam pelo valor eletrônico gratuito aos bancos, e que também se tornam razão convincente para os donos do bitcoin – qual seja, sem razão de ser da causa da divida pública com os bancos; o lastro popular vale o que vale como prova de demonstração necessária da sua existência, pela substância e razão da sociedade. 

  3. Ralph Danisa

    24 de fevereiro de 2014 3:14 am

    É a tulipamania modinha da

    É a tulipamania modinha da vez.

  4. Gilson Raslan

    24 de fevereiro de 2014 5:19 am

    Quero é que eles de ferrem,

    Quero é que eles de ferrem, pois quem entra num negócio deste pretende é sonegar imposto e lavar dinheiro. 

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