4 de junho de 2026

Seis pontos para entender a situação na Ucrânia

Sugerido por alfeu

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Do Esquerda.net

6 notas para compreender o que acontece na Ucrânia

Nos últimos 3 dias pelo menos 86 pessoas morreram na praça central de Kiev e nos seus arredores. O que causou este banho de sangue?

Artigo de Alberto Sicília em Kiev, publicado no blogue Principia Marsupia

Antes de responder à pergunta, permitam-me retroceder umas semanas para recordar qual era a situação na praça.

No final de novembro, milhares de manifestantes tomaram o centro de Kiev, instalaram um acampamento e protegeram-no com uma espetacular fortificação de barricadas.

Durante dois meses a situação permaneceu “relativamente” estável (comparada com o que ocorreu nas últimas horas). Os polícias anti-motim esperavam no outro lado das barricadas e davam-se confrontos entre os dois lados, mas o território controlado pelos manifestantes e pela polícia permanecia mais ou menos estável.

Quando visitei Kiev há três semanas escrevi um post com o título “O que ocorre na Ucrânia?” Talvez seja útil como complemento a este.
Quando começou a onda de violência sem controle?

Nesta terça-feira, os manifestantes começaram a marchar para o Parlamento, que se encontra a cerca de trezentos metros da sua última barricada.

Os Berkut, as forças especiais da polícia, bloquearam o possível assalto ao Parlamento e lançaram um contra-ataque para tomar o acampamento.

Nessa noite morreram pelo menos 26 pessoas entre manifestantes e polícias.

De manhã, os polícias anti-motim tinham conquistado metade do acampamento.

Aqui têm duas fotografias para compreender qual era a situação antes e depois da noite de batalha.

A) Situação da praça até terça-feira à tarde: ocupada pelos manifestantes como esteve durante os dois meses anteriores. (Fiz a foto há três semanas).

B) Situação da praça na quarta-feira de manhã: a polícia controla metade.

Bom, então na quarta-feira de manhã a polícia tinha controlada metade do acampamento. E depois o que se passou?

Durante a quarta-feira a situação permaneceu estável. Os anti-motim desmontavam as barricadas da zona que tinham conquistado enquanto, a poucos metros, os manifestantes gritavam que não retrocederiam mais.

O inferno aconteceu às dez da manhã de quinta-feira. Em poucos minutos pelo menos 60 pessoas morreram e centenas ficaram feridas.

Os anti-motim tiveram que retroceder e abandonaram as posições que tinham recuperado apenas um dia antes.

(Devo reconhecer que nessa manhã apanhei um susto).

3 dias e 86 mortos depois, cada lado voltou às suas posições iniciais. A tragédia e o absurdo.

E aqui quem são os bons e quem são os maus?

Não creio que haja irmãs da caridade em nenhum dos dois lados. Os confrontos (pelo menos os que eu presenciei) foram entre bárbaros e bárbaros: linchamentos, balas reais, franco-atiradores.

Alguns meios de comunicação dizem que todos os manifestantes são de extrema direita, é verdade?

Há muitos militantes de extrema direita. Fotografei vários desses grupos para este outro post. Mas dizer que são a grande maioria parece-me erróneo. Basta descer à praça e falar com as pessoas.

Conheci bastantes manifestantes que estão simplesmente fartos dos partidos políticos, cansados da corrupção e da falta de oportunidades.

É certo que o número de moderados desceu notavelmente nos últimos dias: após verem morrer dezenas de pessoas, muita gente razoável preferiu não arriscar e voltou para casa.

Os que ficam sabem que se estão a arriscar a vida em cada momento. E claro, para isso os extremistas são mais fáceis de convencer. Um deles dizia-me anteontem: “Ou vêm com os tanques e passam-me por cima ou eu não me movo daqui até que Yanoukovich se demita”.

Alguns jovens universitários que conheci na praça há 3 semanas disseram-me que têm demasiado medo e que por isso se foram embora.

Isto é uma batalha entre a Rússia e o Ocidente?

No conflito da Ucrânia sobrepõem-se batalhas a vários níveis:

A) É um conflito entre a Rússia e o Ocidente pela sua influência na Ucrânia.

B) É um conflito nacional entre Yanoukovich e a oposição pelo controle do país.

C) É um conflito social entre os políticos e os cidadãos que não se sentem representados nem pelo presidente nem pela oposição.

D) É um conflito civil entre grupos da extrema direita nacionalista e a população de língua russa da zona leste do país e da região autónoma da Crimeia. (Este ponto está explicado de forma mais extensa no final deste outro post).

Quanto mais tempo passo na praça, quantos mais argumentos escuto, mais complicada me parece esta história.

NOTA: Continuo na praça de Kiev e durante todo o dia vou publicando no Twitter as cenas com que me deparo.

Artigo deAlberto SicíliaemKiev, publicado no blogue Principia Marsupia. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. sergio m pinto

    22 de fevereiro de 2014 1:42 pm

    Afinal, qual o problema da

    Afinal, qual o problema da Ucrânia, para quererem destituir o governo, assim como na Venezuela? A não ser que seja apenas um bom lugar para estacionar tropas da OTAN.

    1. carlos_ribeiro

      22 de fevereiro de 2014 2:55 pm

      Vc acertou
      Há coisas em comum

      Vc acertou

      Há coisas em comum entre UC e VE:

      – governos incompententes

      – falta de perspectiva econômica para o cidadão comum

      – classe política corrupta

      – apoio de nações estrangeiras na repressão da população

      – povo de saco cheio

       

      São cinco pontos e Brasil até agora tem nota 2,5

      1. luis rogerio gomes zanuto

        22 de fevereiro de 2014 4:09 pm

        Bem, seguindo sua tabela…

        Bem, seguindo sua tabela os EUA tem nota 4.

        1. carlos_ribeiro

          22 de fevereiro de 2014 8:48 pm

          Nâo entendi.
          quais

          Nâo entendi.

          quais alternativas vc marcou?

          agora fiquei curioso.

  2. jc.pompeu

    22 de fevereiro de 2014 2:24 pm

    beleza de notícia analítica

    beleza de notícia analítica do front de batalha no calor dos acontecimentos da panela de pressão político-étnica entrando em erupção vulcânica… enquanto tomo meu café da manhã no modo ciber de “ler jornais e notícias”.

    um pouco de história soviética contada na versão postada no face ninja: 

    “Acho que para entender porquê os manifestantes apoiam a direita na Ucrânia precisa ver esse vídeo para entender o que aconteceu na Ucrânia nos ultimos 80 anos de socialismo…”

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=UqSmVJEIL0Q%5D

     

    1. Zanchetta

      22 de fevereiro de 2014 8:14 pm

      Como é que alguém pode achar

      Como é que alguém pode achar esse tipo de regime bom para a humanidade. Qual a diferença para o nazismo?

      Temos que começar uma campanha mundial para crimininalizar o comunismo e seus símbolos, assim como o nazismo!!!

  3. Jurgen2010

    22 de fevereiro de 2014 2:53 pm

    Tecnologia Aeroespacial

    Pelo que li, a Ucrânia possui capacidade tecnológica espacial que poderia negociar com países que não possuem. Acredito que o acordo com o Brasil em Alcântara já melou. Com a crise instalada a UE e os USA vão partilhar as tecnologias e os técnicos incluindo os mestres. Depois instalam as bases contra a Rússia e cospem o povo fora. Se quiserem podem me chamar de paranóico, mas os expansionistas estão usando armas mais baratas: a estupidez e ignorancia do povo.

  4. Zanchetta

    22 de fevereiro de 2014 7:40 pm

    Porque será que o POVO DA

    Porque será que o POVO DA UCRANIA que fala ucraniano e tem costumes ucranianos quer derrubar um governo que é baseado no povo do oeste da Ucrania que é e fala russo?!?!

    Auto determinação dos povos?

  5. carlos_ribeiro

    22 de fevereiro de 2014 9:34 pm

    Deve ser dificil para vcs

    Deve ser dificil para vcs progressistas verem pessoas no auge da juventude lutando por um país melhor, tomando tiro de fuzil AK da polícia, jogando molotov em tanques, fazendo tudo com aquele furor do novo e com a certeza revolucionária da vitória e, que droga, vcs são obrigados a torcer pelo governo que está merecendo tudo isso.

    Que droga, que droga, que droga.

    Eu não invejo os pelegos, mesmo tendo os melhores cargos estatais tem aquelas noites em que vão dormir com aquele gosto ruim na boca.

  6. Zanchetta

    22 de fevereiro de 2014 11:22 pm

    PRESIDENTE DA UCRÂNIA SOFRE
    PRESIDENTE DA UCRÂNIA SOFRE IMPEACHMENT POR VIOLAR DIREITOS “Hoje todo o nosso país pode ver o sol e o céu porque a ditadura caiu. E caiu não graças aos políticos e diplomatas, mas sim graças àqueles que saíram às ruas para proteger suas famílias e seu país. Agora devemos nos assegurar que os manifestantes não tenham morrido em vão.” Essas foram as primeiras palavras da ex-premier Yulia Tymoshenko, após ter sido libertada com o apoio do Congresso. Ela já está a caminho de Kiev, onde se juntará aos manifestantes que ainda ocupam as ruas. A declaração foi publicada no site do seu partido, o Pátria.

    Tymoshenko é a principal rival do agora ex-presidente Viktor Yanukovich, que sofreu um impeachment do Parlamento neste sábado (22), com 328 votos favoráveis. Ele foi acusado pelos congressistas de ter violado os direitos humanos ao reprimir violentamente os protestos antigoverno na capital. De acordo com números oficiais, os confrontos entre manifestantes e as forças de ordem deixaram cerca de 80 mortos, mas a oposição diz que o número de vítimas fatais passa de 100. O Congresso marcou novas eleições presidenciais para o próximo dia 25 de maio.

    Já a ex-premier estava presa em um hospital onde se recuperava de uma hérnia de disco. Chefe de governo do país por duas vezes (de janeiro a setembro de 2005 e de dezembro de 2007 a março de 2010), ela havia sido condenada a sete anos de cadeia por abuso de poder em 2011, em um processo que a acusou de assinar acordos para a compra de gás russo prejudiciais aos cofres públicos.

    Ainda ontem (21), o Congresso havia referendado uma alteração no código penal que descriminaliza o delito pela qual a ex-primeira-ministra foi sentenciada. Neste sábado, os parlamentares deliberaram pela soltura “imediata” da líder opositora. A medida recebeu 322 votos favoráveis.

    O cerco sobre Yanukovich começou a se fechar neste sábado (22) quando o Parlamento elegeu Oleksandr Turcinov, braço direito de Tymoshenko, como novo primeiro-ministro interino. Ex-chefe dos serviços secretos, ele já tinha sido escolhido nesta manhã para ser presidente do Congresso, depois da renúncia de Volodimir Ribak, um dos homens mais fiéis ao governo. Além disso, Arsen Avakov, também de oposição, foi designado para comandar o Ministério do Interior temporariamente.

    Desde ontem (21), pelo menos 41 parlamentares abandonaram o Partido das Regiões, ao qual pertence o ex-presidente. Com isso, o número de congressistas fiéis a ele caiu de 205 para 164, de um total de 450. Para piorar sua situação, uma nota publicada no site do Ministério do Interior diz que a polícia “serve ao povo” e “compartilha o seu desejo de rápidas mudanças”. Tanto o Reino Unido como a Alemanha já anunciaram que vão apoiar Turcinov. As duas nações também se comprometeram a buscar ajudas financeiras “vitais” com o Fundo Monetário Internacional.

    Resistência

    Prevendo sua queda, Yanukovich deixou a capital e dirigiu-se para Kharkov, perto da fronteira com a Rússia. Em uma emissora de televisão da cidade, o presidente disse que é vítima de um “golpe de Estado”. “A situação da Ucrânia é igual a da Alemanha em 1933, quando os nazistas chegaram ao poder”, declarou. Enquanto isso, manifestantes tomaram o controle da sede da Presidência, situada a 20 km de Kiev Kharkov está localizada na parte oriental do país, área marcada pela influência russa e pela forte ligação com a nação vizinha. Um grupo de congressistas da região chegou a afirmar que o Parlamento “não é legítimo”. A capital fica no lado ocidental da Ucrânia, que deseja uma maior aproximação com a Europa.

    Crise

    Os protestos na Ucrânia começaram em novembro do ano passado, após Yanukovich engavetar um acordo de associação e livre comércio com a União Europeia para não afetar suas relações com a Rússia. No entanto, as primeiras mortes durante as manifestações aconteceram apenas em janeiro deste ano, depois de o Congresso aprovar uma lei para coibir os atos.
    Duramente criticada pela oposição, a legislação acabou levando mais pessoas às ruas e logo depois foi revogada pelo governo. Em uma tentativa de acalmar a fúria da população, Yanukovich também sacrificou o premier Mikola Azarov, que deixou o cargo em meio às negociações com opositores. (ANSA)

     

  7. carlos_ribeiro

    23 de fevereiro de 2014 2:01 am

    Acabou
    O Presidente picou a

    Acabou

    O Presidente picou a mula escorraçado

    A Yula tá solta de novo

    PUTNha perdeu essa.

    Ucrânia na OTAN lutando no Afeganisstão até o fim do ano.

    Maduro é o próximo.

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