13 de junho de 2026

Olinda, patrimônio da desumanidade, por Urariano Mota

Nos cemitérios há mau cheiro, ossos espalhados, túmulos abertos e necrochorume, que é o resíduo gerado pela decomposição de corpos.
Reprodução

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Olinda, patrimônio da desumanidade*

por Urariano Mota

Depois de grandes governos da esquerda, dos quais os mais recentes foram  Luciana Santos e Renildo Calheiros, quando conquistou o título de Patrimônio da Humanidade, Olinda desceu uma ladeira que somente pede Misericórdia. Desde o ex-prefeito Lupércio, e agora com a sua ex-secretária  Mirella Almeida, que se tornou prefeita, há um caos sobre a cidade. Isso é mais que uma opinião. Explico a seguir.  

A limpeza pública se arrasta, quando há, pois a prefeitura atrasa o pagamento das companhias contratadas. Donos de bares e restaurantes no sítio histórico fazem a sua própria limpeza, para não perderem clientes, que não merecem qualquer descaso. Há um desprezo pela administração pública que os moradores notam à vista desarmada, sem maior pesquisa. Como um reflexo eloquente da falta de cuidados básicos que alcançam os rios e canais, as baronesas tomam conta do Canal do Fragoso, e matam sufocadas vidas aquáticas.     

Em todos os lugares de Olinda, os moradores reclamam e somente  encontram ouvidos moucos. Se existe prefeita, onde ela se esconde? Mas a desgraça que se abateu sobre a cidade, atinge níveis clamorosos, absurdos, que percebemos sem os recursos da melhor ficção. Quero dizer:

Os mortos da cidade já não têm mais onde se enterrem. Isso mesmo. Eles devem vagar assombrando as ruas, descarnados e gritando alto: justiça para todos! Perdeu-se o senso ético de modo perverso, que ressalta a sociedade de classes. Não exagero. Olhem as denúncias sobre os cemitérios nos mais recentes meses:

Nos cemitérios olindenses há mau cheiro, ossos espalhados, túmulos abertos e necrochorume, que é o resíduo gerado pela decomposição de corpos. Assim que as pessoas vão enterrar seus entes queridos nos cemitérios,  chegam comentando na vizinhança que tem “salmoura” escorrendo, pedaços de ossos, uma catinga insuportável, muito mosquito, e ninguém está aguentando.

Mas agora, frente a semelhante desprezo, temos um quadro inimaginável. Denúncia de Vinícius Castello,  ex-vereador e ex-candidato à prefeitura de Olinda, rasga o terror e revolta dos pobres na cidade. Isto a seguir:   

Não existe mais vaga nos cemitérios para enterrar os corpos dos pobres mortos. Virou Gaza? Mas com dinheiro para comprar uma cova, é possível ter um último lugar no mundo.  A partir de 300 reais, o colapso de vagas para os defuntos acaba. A ex-vereadora e líder Dete Silva precisou pagar 1.500 reais ao cemitério para enterrar o seu pai. E mais: o corpo do pai foi trocado pelo de uma mulher, e não se sabe para onde foi. Para o céu de Mirella? Mas se for um apoiador de vereador da situação, o corpo do morto  já entra no céu de uma cova sem pagamento. Imaginem esta verdade: tem pistolão pra ser enterrado! Mas os pobres pagam com o PIX, sem pista de documento da propina para o seu morto. Como bem fala Vinícius Castello:  em Olinda, morrer virou moeda de troca.

Acompanhem o seu importante vídeo aqui

Quanto vale uma vida? Sobre o direito de morrer em Olinda. #olinda #pernambuco #viniciuscastello  

E mais não digo. Estou pensando em escrever um texto de ficção para uma realidade tão dura. Mas sei que será menor. Como sempre, a realidade supera qualquer ficção.

*Vermelho Olinda, patrimônio da desumanidade – Vermelho

Urariano Mota – Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

Urariano Mota

Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

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2 Comentários
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  1. MARCELINO GRANJA DE MENEZES

    25 de outubro de 2025 2:48 pm

    Mestre Urariano, sempre mestre!!

    1. Urariano Mota

      25 de outubro de 2025 9:18 pm

      Grato!!!!

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