4 de junho de 2026

Autoridades se reúnem na Igreja da Sé para homenagear Herzog e vítimas da ditadura

Cerimônia ecumênica em São Paulo homenageia vítimas da ditadura e reforça compromisso com a democracia
Crédito: Cadu Gomes/ VPR

Cinquenta anos após o histórico protesto contra a morte do jornalista Vladimir Herzog, a Catedral da Sé, em São Paulo, foi palco de um novo e emocionante ato inter-religioso na noite de sábado (25). A cerimônia, que celebrou a memória das vítimas da ditadura militar, contou com a presença do presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e de um público que reafirmou o compromisso inabalável com a democracia.

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Organizado pelo Instituto Vladimir Herzog e pela Comissão Arns, o evento recriou o espírito de resistência do ato original de 1975, quando milhares de pessoas se reuniram em protesto silencioso contra a violência de Estado. A principal mensagem da noite foi sumarizada por Alckmin: “Não esquecer para jamais se repetir”, destacando a memória e a verdade como pilares da liberdade.

Em seu discurso, Alckmin resgatou a força do ato de 1975, quando a Sé foi lotada por cerca de 8 mil manifestantes. “Há 50 anos, o silêncio não foi derivado do medo nem da omissão. Representou o mais eloquente protesto, o mais retumbante grito de ‘basta’ à cruel ditadura”, afirmou. Ele enfatizou que a verdade sobre a tortura e a morte de Herzog prevaleceu sobre a versão forjada pelos militares. “Assim como, na defesa da verdade, não houve lugar para a farsa do suicídio, da mesma forma, por amor à liberdade, jamais haverá lugar para o nosso esquecimento.”

A presença do presidente em exercício ganhou um simbolismo especial. Ivo Herzog, filho do jornalista, pontuou o contraste entre as épocas. “Há 50 anos, quando mais de 8 mil pessoas vieram a essa catedral demonstrar indignação contra a barbárie cometida contra o meu pai, havia medo do Estado. Hoje, na pessoa do presidente em exercício, temos o Estado de mãos dadas conosco, reafirmando o compromisso com a democracia, com a justiça, com os direitos humanos e com a verdade.”

Pedido de Perdão Histórico do STM

Um dos momentos mais impactantes da celebração foi o pronunciamento da ministra Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar (STM) e a primeira mulher a ocupar o cargo. Em um gesto inédito, a ministra fez um pedido público de perdão pelas falhas da Justiça Militar durante o regime ditatorial.

“Peço perdão a todos os que tombaram e sofreram lutando pela liberdade. Perdão pelos erros e omissões judiciais cometidos durante a ditadura. Peço perdão a Vladimir Herzog e sua família, e a tantos outros homens e mulheres que sofreram com as torturas, as mortes, os desaparecimentos forçados e o exílio.

O evento, que contou com a participação de líderes religiosos de diversas fés, como dom Odilo Pedro Scherer e o rabino Rav Uri Lam, além de apresentações do Coro Luther King, encerrou com um apelo à união nacional. Alckmin reforçou o compromisso do governo com a verdade e a justiça, concluindo com um chamado à nação. “A comunhão da fraternidade que hoje celebramos é a mesma que precisamos realizar em nosso país. Devemos aprender com as lições da história e seguir juntos no ideal de construir um futuro comum.”

*Com informações do Brasil 247.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    27 de outubro de 2025 10:47 am

    Em vez de punir os golpistas assassinos do passado, uma pequena parte dos brasileiros quer anistiar os golpistas atuais.

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